segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ditadura Capitalista da China

Se bem me lembro, das aulas de Ciência Política aprendemos com vários teoricos que o capitalismo e a democracia são primos-irmãos.Foi assim com Schumpeter, Dahl, Tocqueville entre vários outros. Ou seja, em um processo histórico o capitalismo junto com suas transformações culturais desembocaria em um sistema democrático, diga-se de passagem um sitema de democracia liberal burguesa. Ora dentro desta teoria é até mesmo possível a existência de ditaduras informais ou mesmo formais, que o diga nossa América Latina, mas neste caso as ditaduras são impostas sobre a retórica da Democracia. Tratava-se de suspender temporariamente a democracia em nome de combater um mal maior a ditadura do proletário.

Feito este preambulo chegamos a China. O que temos hoje na China é uma  ditadura não a do proletariado e sim a ditadura do mercado. Ainda que neste caso o mercado seja regido por mãos duras da elite do partido unico. Trotski já chamara a atenção de que a mistura do autoritarismo (que ele chamava de açoite) asiático com a bolsa de valores européias seria um perigo. Então estamos diante do perigo consumado. E não é qualquer perigo, imagina uma economia capitalista livre da interferência da organização sindical, da organização política, de direitos básicos e fundamentais, de direitos trabalhistas, culturais e etc. Eis a China e seu perigoso modelo.

Foi Marx que nos ensinou que a história nãos e repete a não ser como uma farsa de si própria. E novamente o barbudo estava correto. O que se vê hoje na China é uma farsa do processo revolucionário liderado por Mao a custa de milhões de vidas de seus compatriotas. Se Mao proclamava a superação da antiga sociedade e o surguimento em seu lugar de uma nova sociedade chinesa mais justa, solidária e desenvolvida. O que se vê hoje é somente um modelo chinês de desenvolvimento capitalista que une as argurias do sistema de mercado a mão de ferro de um governo autoritário, violento e centralizador. Mas a verdade se diga até nisto a China não inova, afinal foi também nas aulas de ciências políticas que lemos os vários teóricos elitistas: aqueles que a grosso modo defendem a existência de uma elite política preparada para guiar as massas ignobeis. Eis que na China para um melhor desenvolvimento e segurança (lembram-se que por aqui mesmo no Brasil passsamos uma decada inteira ouvindo que o mercado deveria confiar na solidez da nossa economia, que o mercado isso e aquilo, etc) do capitalismo resolveu a seu modo  o dilema da representação democrática. Bom pode até se afirmar que a China age como que a denunciar a farsa da democracia representativa, de novo Trotski nos ajuda a entender tal processo quando reprovara este sistema sob a alegação de que a democracia parlamentar, ao invés de dar demasiado poder às massas, paradoxalmente,  ela apassiva demasiadamente as massas, deixando a iniciativa para o aparato de poder estatal.
Enfim divagações sobre um sistema cruel de capitalismo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Disco para Sempre III



O Ano é 1972, o nome do disco é Transa, seu autor é um baiano tropicalista. Viva Caê. Na minha opinião o melhor disco de Caetano de todos os tempos. Como era comum na época, devido ao formato dos acetatos cada álbum não cabia mais do que 10 canções. No caso deste são 07 canções. Um pouco de história deste Lp fantastico.
Exilado em Londres desde 1969, Caetano Veloso obteve permissão para ficar um mês no Brasil em janeiro de 1971 para assistir à missa comemorativa dos 40 anos de casamento de seus pais. No Rio de Janeiro, o cantor foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica - na época em construção. Caetano não aceitou a "proposta", mas de volta a Londres, gravou no final do ano o LP com o nome de "Transa", lançado em território brasileiro em janeiro de 1972, quando o cantor voltou definitivamente ao país.
Este disco, portanto, é um misto deste momento. Segundo vários amigos o exilio foi bastante doloroso para Caetano que as vezes entrava em verdadeiras crises existênciais. Este Lp é um pouco retrato desta época das 07 canções apenas duas em português: Triste Bahia, uma declaração de amor e saudades a Bahia. Trata-se na verdade de uma canção com cerca de 10 minutos que misturam trechos de vários sambas de roda, composições do próprio Caetano e mesmo de alguns trechos de literatura baiana. É lasciva, cortante, alegre e triste, emocionante, como cabe ao bom samba, com destaque para a parte final da música, a repetição massante como que representando a loucura do artista de um ponto cantado nos Terreiros Baianos "Bandeira Branca enfiado em pau forte. Trago no peito a estrela do Norte". A outra música em português é Mora na Filosofia do grande Monsueto: "Eu vou lhe dar a decisão. Botei na balança Voce não pesou. Botei na peneira e voce não passou. Mora na fiolosoia. Para que rimar amor e dor. Mora na filosofia. Para que rimar amor e dor. Se seu corpo ficasse marcado por lábios ou mãos carinhosas eu saberia a quantos voce pertencia. Nao vou me preocupar em vê seu caso não é de ver para crer. Tá na cara. Eu vou lhe dar a decisão."
MAS DEFINITIVAMENTE O QUE TORNA ESTE DISCO MAGISTRAL É A INTERPRETAÇÃO DE CAETANO, SOBERBA, MARAVILHOSA, MAIS CAETANEADA DO QUE NUCA. SOMA-SE A ISSO UMA COZINHA DE RESPEITO.
O disco nas palavras do mesmo, veja que Eu e Caetano concordamos (já que li esta entrevista depois de ter escrito as linhas acima):
Caetano declarou em uma entrevista ao Jornal do Brasil: "Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo"
"Foi Transa que que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo. Como gravação, a melhor é Triste Bahia. Tem o Mora na Filosofia, que é um grande samba, uma grande letra e o Monsueto é um gênio. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo".

"You Don't Know Me" (Caetano Veloso) – 3:49
"Nine Out of Ten" (Caetano Veloso) – 4:57
"Triste Bahia" (Gregório de Matos Guerra, Caetano Veloso) – 9:47
"It's a Long Way" (Caetano Veloso) – 6:07
"Mora na Filosofia" (Monsueto Menezes, Arnaldo Passos) – 6:16

"Neolithic Man" (Caetano Veloso) – 4:55
"Nostalgia (That's What Rock'n Roll Is All About)" (Caetano Veloso) – 1:22

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dia de Martin Luther King



Hoje é a terceira segunda-feira de janeiro, portanto, feriado nos EUA o Martin Luther King Day. Como indica o próprio nome o feriado é uma homenagem  a Martin Luther King. Tal feriado estabelecido em 1986, em data próxima ao aniversário de King. Tal feriado não e pouca coisa como é sabido os norte-americanos não são dados a feriados, afinal time is money. Que eu me lembre lá os feriados são 4 de julho o Independence Day, em fins de novembro o Thanksgiving Day, o natal e o Martin Luther Kng Day. A luz da verdade existem nos EUA três feriados nacionais em comemoração a uma pessoa, mas nenhum com importãncia do Martin Luther King Jr que paralisa até mesmo Wall Street.

Como diz a imagem abaixo, no entanto, o Martin Luther King Day não é dia de descanso e sim de construir uma sociedade melhor.
"Martin Luther King Day não em um dia de folga torne seu dia em um dia de serviço".
Ps: para quem se interessar i do lado tem outros posts sobre Luther King Jr um inclusive com o seu famoso discurso I Have a Dream.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

Que tragédia no Haiti. Que nossas melhores enérgias e pensamentos estejam com nossos irmãos Haitianos. Pois o Haiti também é aqui. Que lastima a notícia do passamentode D. Zilda Arns, milhares de crianças brasileiras e milhares de crianças pelo mundo devem a essa brasileira sua sobrevivência.

Reproduzo aqui um texto que escrevi a exatamente um ano atrás e publiquei aqui mesmo no Blog.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009



Sobre o Haiti, ou sobre o ensino de africanidades no Brasil

Carlos Eduardo MARQUES*






Em 09 de janeiro do distante ano de 2003, o recém empossado presidente Lula, mais precisamente há 09 dias no cargo sancionava a Lei 10.639/03 que instituía no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática história e cultura africana e afro-brasileira. Pois bem, estamos em janeiro de 2009, precisamente no dia 12, ou seja, 06 anos após a sanção da lei e muito pouco se foi feito na prática, fato este reconhecido pelo próprio Ministério da Educação (MEC) em recente matéria publicada em diversos órgãos da imprensa. A pergunta a ser feita é: qual a razão para esse fracasso?


A resposta nos aponta para o passado, para o presente e para o futuro. Comecemos pelo passado. Logo após a sanção da lei foi corretamente diagnosticado que grande parte dos professores devido a sua formação em antigo currículo jamais tinham tido contatos com essa temática e, portanto não poderiam dialogizar esse conteúdo em sala de aula. Assim sendo, o MEC passou a instruir a aplicação dessa temática nos currículos e disciplinas das faculdades de educação visando a formação de novos professores. E para os atuais professores foram e são necessários cursos de aperfeiçoamento, especialização e formação complementar na temática. Pois bem se acredita que desta forma no presente próximo e no futuro tais temáticas sejam de domínio dos educadores e estes possam ministrar tais conhecimentos aos seus alunos.



As informações acima, se são por um lado auspiciosa não centra no principal problema sociológico da não aplicação dessa temática no currículo básico dos educandos. Pois não centra na razão principal para a ausência dessa temática do currículo básico e a necessária  sanção de uma lei para garantir a presença de tal tema em nossas escolas. A razão é mais profunda e diz respeito ao racismo e aos pré-conceitos em relação aos negros.




Ora pois, todos nós aprendemos nos livros sobre as Revoluções Européias, as revoluções norte-americanas e em alguns livros mais avançados até mesmo sobre revoluções nos países platinos. Aprendemos também sobre os avanços culturais e tecnológicos da cultura ocidental européia ou europeizada. Pois bem, fica então a questão: o porquê do não ensino das revoluções, os avanços culturais e tecnológicos em países africanos ou com maioria populacional formada por descendentes de africanos?


A título de esclarecimento, reproduzimos aqui uma passagem de minha dissertação que acredito ser esclarecedora desse comportamento:


“Abdias Nascimento[1] que cunhou um conceito/categoria clássico, o Quilombismo. No capítulo Documento nº. 7: Quilombismo: um conceito científico emergente do processo histórico-cultural das massas afro-brasileiras, do livro denominado Quilombismo (1980:245-281), busca, através da re-significação do termo quilombo em uma nova categoria simbólica, o quilombismo, um projeto de organização sócio-política, a partir de uma resposta teórica para os problemas étnico-raciais do País.


O autor inicia o texto afirmando que, ao contrário do que prega a historiografia convencional, as memórias dos afro-brasileiros não se iniciam com o tráfico negreiro, e sim na lembrança viva da Mãe África[2], ainda que um efetivo conhecimento desta, ou sua lembrança positiva enquanto nação seja obliterada em nossa realidade. Para Nascimento, este desbotamento da memória negro-africana é fruto de uma destituição secular, levada a cabo pela civilização capitalista contra as populações da diáspora africana, ou dito de outra forma, por um processo de discriminação e preconceito contra os negros. O autor mostra que cabe aos afro-brasileiros uma dupla tarefa: preservar a condição de edificadores do País, enquanto cidadãos genuinamente brasileiros, e participar do esforço de promoção e elevação das memórias e culturas negras.


Como exemplo cita os estudos realizados por Cheikh Anta Diop, em “The African Origin of Civilization”, em que ressalta os feitos científicos e culturais milenares do Egito e, segundo Nascimento (1980:250), “o processo da mistificação de um Egito profundamente negro e que se tornou branco por artes da magia européia dos egiptólogos”. Nascimento afirma que Diop buscava explicar não a superioridade do negro (pela idéia de raça ou de genes, uma vez ela não existe), e sim mostrar que uma série de fatores (sem nenhuma conotação com raça, etnia ou gene) contribuiu para a edificação e para o declínio da civilização egípcia. Isso significa que, se o estupendo desenvolvimento matemático, geométrico, de engenharia e lógica da civilização egípcia não pode ser explicado a partir da idéia de raça para a glorificação do gênio negro, o oposto também é válido, não se podendo, por motivos fenotípicos, apagar a participação do africano na cultura mundial.




Essa longa passagem Abdias Nascimento, nos permite: primeiro entender que a história e a cultura africana e afro-brasileira não podem e nem devem ser iniciadas a partir da escravidão. Ou seja, a versão dos vencedores. Pois o pouco que se estuda sobre África em nossas escolas se refere a esse sistema econômico-político e nesses casos se obliteram todo o processo quer seja de resistência, quer seja de colaboração dos próprios negros[3].


Em segundo lugar, Abdias Nascimento através de Diop nos mostra o processo de racismo que busca embranquecer e ocidentalizar feitos não ocidentais. Tal como afirmam Abdias e Diop, com o que concordamos o estudo da história africana e dos afro-brasileiros não tem como finalidade a glorificação do gênio negro, gênio esse que a genotopia cada vez mais nos mostra como algo insignificante, mas sim reverter um processo de pré-conceituação e racismo baseado na fenotipia. Por que, se comemoramos por um lado os resultados das pesquisas genéticas a demonstrar cientificamente a inoperância de um sistema baseado em raças vivemos em sociedade e nesse caso, raça diz respeito a uma ideologia. Como nos lembra Oracy Nogueira o preconceito brasileiro é um preconceito de marca (cor), tal fenômeno deriva da percepção de que raça tal como cor é um construto social e não um a priori biológico. A cor, raça ou fenotipia é uma construção e não um fenômeno natural e como tal deve ser combatida. Sendo o espaço escolar um dos mais adequados nesse processo. A cor, a origem e a fenotipia fazem parte dos mecanismos de reprodução de desigualdades sociais, ou seja, o status estamental surgido na escravidão persiste nos dias atuais. É necessário, portanto que este seja combatido. No Brasil, por exemplo, o status de atribuição, a cor ou a origem da família, ainda se sobrepõe ao status adquirido.




Por fim, fica aqui a esperança de que no futuro próximo os educandos brasileiros possam ler nos livros lado a lado: a Inconfidência Mineira e a Revolta dos Malês na Bahia, a Revolução Americana e a Revolução Haitiana. Aliás, sobre essa segunda, Você sabia?


- tratou-se somente da segunda nação a conquistar a independência nas Américas; e a primeira em que o processo nãos e originou nas elites sócio-políticas do período colonial anterior.


- que durante as guerras de independência latino-americanas, e durante os posteriores debates abolicionistas, o Haiti era o grande contra exemplo. Como fazer a independência sem haitizar (black power) o país? Como dar liberdade aos negros de modo que não se tornassem uma força política importante? A resposta foi então a libertação desacompanhada de uma política de direitos, o que obrigou aos recém libertos a única saída possível, a luta pela sobrevivência em um ambiente hostil;


- que Toussaint de L'Ouverture, chefe da revolução, foi um grande líder político e um militar respeitado nas cortes européias, devido seu enorme conhecimento de tática militar. Derrotou exércitos da Inglaterra, Espanha e França - algumas vezes lutando juntos contra ele e seus comandados. Que unificou e libertou seu país. E que só foi morto a partir de uma delação - a traição de um suposto aliado, pois que imbatível no campo de batalha.


- e o mais importante sua revolução vitoriosa e libertadora acabou por mudar os rumos até mesmo da Rev. Francesa. A queda do Haiti foi uma das razões para a derrocada da linha Jacobina da Revolução, ou seja, foi uma das razões, neste caso negativa, para o retorno do velho sistema político na França.


Eu não sabia.


__________


*Antropólogo. Pesquisador do NuQ/UFMG- Núcleo de Estudos Quilombolas e Pop. Tradicionais e Professor da FCJ/FEVALE/UEMG.


[1] Abdias Nascimento é uma figura ímpar na militância negra. Intelectual (autor de diversos livros que buscam aproximar o marxismo da temática étnico-racial), político (foi Senador pelo Rio de Janeiro), professor universitário (em diversas Universidades norte-americanas, como Yale, Harvard, Columbia, UCLA, chegando a professor titular da Universidade de Nova York Buffalo), artista plástico (fundador ou curador de diversos Museus voltados para a temática negra, como o Museu de Arte Negra no Rio de Janeiro, Ile Ife Museum, African Art Gallery), ativista negro (um dos fundadores da Frente Negra Brasileira nos anos 30 e do Teatro Experimental do Negro - TEN em 1944, grupo este que editava uma revista denominada Quilombo).


[2] Podemos inferir que, para o autor, não se trata de uma memória escravizada, ou seja, ainda que o corpo se encontre em um trabalho compulsório, a lembrança viva dessa Mãe África, agora já estereotipada, continua funcionando como um espaço de resistência. Essa mãe teria permitido ao filho (negro), mesmo nas piores situações, a não escravização de sua essência, sua alma. Daí a proliferação dos seus modos e fazeres pela cultura do escravizador.


[3] É sabido hoje (o que não justifica o sistema escravista) da colaboração das guerras tribais africanas pra o processo de escravização cá e além mar. Mas mesmo tal afirmativa, é educativa e necessária ao processo de combate ao racismo e pré-conceitos, pois que torna os africanos seres dotados de racionalidade. Precisamente aqui chegamos ao ponto, tal quais os escravos a história dos africanos e dos afro-brasileiros é coisificados, como se esses não fossem racionais produtores da história.






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Marcadores: Consciência Negra, Haiti, negritude

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Curtinha do Spider Man

Se Você é fã da série de filmes do Homem Aranha, a Marvel e a Columbia Pictures, responsáveis pela franquia anunciaram que já estão trabalhando no quarto filme da série, que no entanto, não contará com o ator Tobey Maguire e com o diretor Sami Reimi, dupla que na minha opinião são os maiores responsáveis pelo sucesso da franquia. Segundo dados os três filmes anteriores renderam cerca de incríveis 2,5 bilhões de dolares.
Estou asnsioso por esse novo filme sem a dupla. A responsabilidade vai ser grande e a cobrança também, segundo os esecutivos das produtoras tal mudança foi bastante doida mas necessário para oxigenar a série e para que se tenha um novo olhar sobre a trama. A idéia é que se valorize mais as raízes de Peter Parker....sei não mas isso parece a velha forma de copiar o que deu certo com Batman.

Bodas de Prata

Ontem dia 11, completou-se 25 anos do primeiro Rock In Rio.  Posso estar enganado mas pelas minhas perambulações na net não vi muitas notícias a respeito. Para falar a verdade, vi uma pequena nota de umas tres linhas no Blog/site do Luís Nassif. Uma pena, vsto que tal evento foi gigantesco em termos de estrutura, público e presença de artistas. Segundo o empresário Roberto Medina, responsável por quele evento e mais tarde pela franquia Rock In Rio: ""O Festival não era um projeto megalômano. Ele nasceu megalomaníaco porque, se você não botasse 1 milhão de pessoas na plateia, o festival não se pagava". Lembremos que corria o ano de 1984, quando o festival foi gestado, se por um lado a economia brasileria estava em frangalhos e a questão social ia de mal a pior por outro lado um vento de libertação corria na sociedade civil organizada. Era fato consumado o fim do regime ditatorial. A luta que marcaria aquele ano de 1984 e 1985 seria pelo direito do voto secreto e universal, as famosas Diretas Já. Foi o evento do Queen (ainda que não possamos esquecer os também excelentes shows do Iron Maiden , Ac/Dc ou dos progressistas do Yes ou os metaleiros do Scorpions. Que Show e da confirmação do Brock com direito a grandes shows das bandas oitentistas do rock brasileiro.

Saindo um pouco da história e caminhando para o presente logo após essa edição vitoriosa, Medina organizaria o Rock In Rio II em 1992, outro evento grandioso - deste eu me lembro já que no primeiro, tinha recem completos 03 anos de idade. O Rock In Rio II entre outros feitos trouxe ao país o New Kids on the Block, o caro e jovem leitor deve estar perdido, mas digamos assim eles eram o BackStreet Boys do fim dos anos 90, além de trazer o Guns a maior banda de rock daquele período, entre meados dos anos 80 e meados dos anos 90, entre outras. Por fim Medina transformou sua marca em um negócio lucrativo com direito a rede de lanchonetes e de roupas, além da realização de diversos eventos ao redor do mundo. Hoje o Festival acontece anualmente em duas cidades európeias com enorme sucesso: Madri, Lisboa e no último ano em Poznan, na Polonia. Segundo a família Medina, o Brasil deverá ter a quarta edição do Festival no ano de 2014 em conjunto com a realização da Copa do Mundo. Bom se será a quarta edição significa que teve uma terceira edição que se realizou no ano 2000 ou 2001. Foi um Festival irregular que contou com excelentes presenças como Beck e Qeens Stone Age mas algumas furadas que prefiro nem citar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Disco para Sempre II


Para iniciar a série retornamos ao ano de 1973, ano em que surgiu uma maravilha da nossa música: trata-se de Pérola Negra de um jovem chamado Luiz Melodia, por sua vez filho de um grande sambista chamado Osvaldo Melodia. Pérola Negra marca a estreia em disco do genial Negro Gato Luiz Melodia. Trata-se de um grande álbum (ainda que pequeno na minutagem, como era comum naquela época, apenas 28 minutos) e 10 maravilhosas músicas. Poucas vezes um nome foi tão fiel ao conteúdo. Todas grandes Pérolas.


Para se ter ideia da qualidade deste disco das 10 músicas, 05 se tornaram rapidamente referência no repertório do cantor e compositor. São elas: "Estácio, Eu e Você", "Vale Quanto Pesa", "Estácio, Holy Estácio", "Pérola Negra" e "Magrelinha". O disco é tão especial que além das citadas acima temos ainda as maravilhosas Pra aquietar (que fica entre um samba-rock, meio regga, difícil de classificar mas adorável de se ouvir: "os novos velhos tempos de férias (...) machismo elegância paterna(...) a noite é a brincadeira do dia, o dia é a brincadeira do mar, e o mar é a brincadeira da vida " seguida sempre do refrão Praquietar) e Forró de Janeiro (que como indica o nome trata-se de um gostoso e safado xaxado de salão). Ou então Farrapo Humano (que balanço é esse!!!). Enfim um disco com 10 excelentes músicas.


Viva Pérola Negra, este disco é um luxo só nas letras e nas melodias, detalhe tal música já tinha sido sucesso no ano de 1972, na voz da Maravilhosa Gal que como sempre lançava os novos e bons compositores. Melodia voltaria ao disco em 1976 com outra obra prima Maracutaias Comtempôraneas. Mas isso é pra outro post.

Disco para Sempre

Aproveitando este período de férias, quando podemos saborear mais e mais a boa música para iniciar mais uma série especial. Desta vez não irei analisar ou mesmo resenhar um estlo musical, um período ou um artista. Optei por fazer diferente. Trata-se de uma Seção chamada Disco para Sempre. A idéia aqui é postar sempre disco que considero essenciais. Daquele tipo: "se for para ir a uma Ilha isolada estes iriam na bagagem". A idéia (sempre que possível) será apenas fazer uma pequena apresentação dos discos e nãp uma análise dos mesmos. A intenção é compartilhar afinal o que é bom deve ser dividido.

O Plano Nacional de Direitos Humanos, o jornalismo brasileiro e as eleições

Estamos a ver uma verdadeira celeuma, ou melhor, uma guerra contra o "monstro da censura". Senhoras e senhores não se enganem as eleições já começaram e a grande mídia ferozmente já tomou sua posição de guerra. A mesma mídia, que segundo um colaborador do site do Luís Nassif cometeu pelo menos 12 grandes (aqui são grandes mesmos) pataquadas durante o ano que se passou. A mesma mídia que se recusou através de seus órgãos representativos participar da democrática e cidadã Conferencia de Comunicação, a mesma imprensa que se chafurdou e bebeficou-se com os censores e a censura de outra época, esta mesma mídia vem agora golpear o Plano Nacional de Direitos Humanos discutido e debatido também de forma democrática e cidadão.
O que essa mídia quer é eleger aqueles que defendem seus interesses. No Jornal Nacional pelo menos tem-se o mérito de não esconder o jogo, as favas com as regras do bom jornalismo, as favas com o contraditório, as favas com parcimônia e o equilíbrio, lá o negócio é chumbo grosso mesmo. É atacar a todo custo o Plano Nacional de Direitos Humanos visto que este, como disse matéria do Jornal “é fruto de um Estado que é o maior violador destes mesmos direitos” ora tal afirmativa trata-se de truísmo. O que importa mesmo, para estes é o plano macula o direito – falta pouco para eles utilizarem tais palavras – sagrado e natural da propriedade privada, da família e da moral. Vê-se que no fundo eles ainda estão no começo dos anos 60 por isso mesmo tão familiarizzado pelo monstro da censura. E para se sentirem mais em casa além de torpedear tamanho abuso de um Plano que fala em negociação com movimentos sociais e ousa falar em regulação da atividade da mídia (regulação esta que existe nos EUA, Inglaterra, França, Itália, Alemanha...), a nova fixação desta mesma mídia são as crises militares, nos últimos 10 dias já foram pelo menos duas crises. O interessante é que tais crises não se sustentam e nem encontram ecos. A ironia maior de todo esse movimento é que segundo o Datafolha, o editor (e isto faz toda a diferença ele não é um ventríloquo a narrar notícias e sim o editor destas notícias) Willian Bonner é a personalidade que recebe da nossa população a segunda maior nota na escala de "confiabilidade" entre todos os brasileiros.
É por esas e por outras que o esperto Willian chama seus telespectadores de Hommer Simpson. O pior é que tal comparação encontra eco neste resultado. Faz todo sentido com o resultado desta pesquisa. É triste ou não é nossa sina. O Willian Bonner é tão confiável que no dia que o Le Monde, o principal Jornal da língua francesa, pela primeira vez em sua história escolhe uma personalidade para simbolizar o ano: Lula. Tal fato noticiado em todos os veículos de comunicação tornou-se uma não noticia no Jornal do Willian; isso mesmo o JN simplesmente ignorou tal notícia que não entrou na pauta do telejornal. Ora notícia é notícia e disso até eu que não sou jornalista sei. Tanto faz o que acho do LULA e quem lê o Blog sabe o quanto sou critico do governo Lula (critico a sua esquerda). O fato é que ser escolhido o homem do ano e os motivos para tal escolha em um respeitado Jornal referência em uma cultura como a francófona é notícia. Portanto não se preocupem com o monstro da censura pois ele tem um rosto simpático e confiável para os brasileiros.
Para finalizar nós os leitores como sempre censurados que somos pelo monstro da censura interna da grande mídia continuamos perdidos, pois até agora (sábado 09 de janeiro) não vi, ouvi ou li nenhuma matéria explicativa e expositiva sobre o Plano de Direitos Humanos. ouvi, li e vi somente a opinião da Confederação Nacional da Agricultura, do DEM, dos donos da mídia, etc. Espero que o jornalismo não se torne “o mais baixo da escala do trabalho", em homenagem a outro grande jornalista, editor e ancora do jornalismo brasileiro. Aqui a referência é propositalmente agressiva como foi o dito pelo jornalista, agressivo e preconceituoso, pois como ensinou Paulo Freire não importa a titulação que a pessoa possui, mas o que ela tem a oferecer a uma discussão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sobre Dalva e Herivelto Martins


Algumas palavras sobre à micro-série Dalva e Herivelto produzida e veiculada pela Rede Globo. Como é sabido no Brasil a memória social não é muito privilegiada e, neste caso a TV ocupa um espaço de formação dos mais importantes, ainda que não raras vezes este espaço seja muito mal utilizado. Tudo isso para dizer que como não poderia deixar de ser estamos diante do debate entre liberdade artística e verdade fatual. Debate inevitável, quando se trata de uma obra com base em biografia, ou como gostam de dizer os cineastas norte-americanos, baseados em fatos reais. Deste modo, como gosta de dizer lá no Peramblogando meu amigo Daniel, vamos esclarecer algumas liberdades poéticas de Maria Adelaide Amaral e sua equipe. Para tanto nos basearemos no respeitado e importante Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira (que é uma obra de reconhecimento acadêmico).

Desnecessário dizer que como toda grande obra da Venus Platinada no que se refere aos quesitos técnicos como maquiagem, figurino, reconstrução de época a série foi show. No que se refere à atuação em si dos atores, penso que qualquer coisa que diga, não ajudará muito, pois esta não é a minha praia. Particularmente não gosto de Adriana Esteves e ela acabou por me surpreender. Apesar de em geral, ter achado que mais uma vez ela confunde atuação com caras, bocas e trejeitos e não estar a altura de tamanha persona que era Dalva, em vários momentos ela conseguiu dar a dignidade necessária a personagem e seu grande drama de Sr uma mulher que “amou demais’ como diz a própria personagem no leito de morte. Mas para mim o grande destaque acabou sendo o chamado elenco de apoio, este sim brilhou sendo que por incrível que se pareça em uma série focada em dois personagens principais os melhores momentos foram protagonizados pelo elenco de apoio, com destaque para Fafi Siqueira (tai alguém que realmente poderia representar Derci Gonçalves) ou pelos atores (não sei os nomes que viveram Nilo Chagas (este contido como caberia ao seu personagem) e Grande Otelo sendo este praticamente uma consciência crítica da época. Ou então a personagem Margo vivida pela ótima atriz Leona Cavalli, entre outros. Quanto a Fábio Assunção fez o dever de casa. Passemos então análise do roteiro em si. Comecemos pela própria Dalva de Oliveira, segundo Cravo Albin e sua equipe:

“Filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo. Além dela, os pais tiveram mais três meninas, Nair, Margarida e Lila e um menino que nasceu com problemas de saúde e morreu ainda criança. Seu pai, que era conhecido na cidade pelo apelido de Mário Carioca, era marceneiro e músico nas horas vagas, tocava clarinete e costumava realizar serenatas com seus amigos músicos, chegando a organizar um conjunto para tocar em festas. A pequena Vicentina gostava de acompanhá-lo nessas serenatas. Viviam de forma bastante modesta e quando ela tinha apenas oito anos, sofreram um duro golpe familiar: Mário faleceu, deixando a esposa com quatro filhos para criar. Dona Alice resolveu, então, tentar a vida na capital paulista, onde arrumou emprego de governanta. Conseguiu vaga para as três filhas em um internato de irmãs de caridade, o Internato Tamandaré, onde Vicentina chegou a ter aulas de piano, órgão e canto. A menina ficou lá por três anos, até ser obrigada a sair, devido uma séria infecção nos olhos. Nessa ocasião, a mãe perdeu o emprego, pois os patrões não aceitaram a presença da menina. Dona Alice conseguiu emprego de copeira em um hotel e Vicentina passou a ajudá-la. Trabalhou então como arrumadeira, como babá e ajudante de cozinha em restaurantes. Depois, conseguiu um emprego de faxineira em uma escola de dança onde havia um piano.”

Assim sendo, Dalva de Oliveira como a série deixou entrever várias vezes teve uma origem bem pobre e simples. Ocorre também que Dalva era filha de uma migrante portuguesa pobre e de um pardo também pobre. Dalva é fruto desta mistura dizem os textos da época se tratar de uma bela mulher que combinava uma cor morena com olhos verdes. Penso que a série acabou por embranquecer demais a realidade. Algo que se tornou mais gritante na escolha do elenco para sua família. Isso porque Peri Ribeiro (cantor e dos bons) filho da cantora e de Herivelto não se trata de alguém fenotipicamente branco.

Sobre seu casamento vamos pouco falar visto se tratar do centro da trama e neste ponto buscou-se ser mais fiel. No entanto é necessário novamente chamar a atenção para algumas liberdades poéticas, ao que se sabe Dalva nunca teve relacionamento com um mexicano ou caribenho e sim um relacionamento que acabou sendo seu segundo casamento com o empresário argentino Tito Clement com que ela viveria por volta de 13 anos, entre 1950 e 1963. Depois de separar de Tito já mais próxima ao fim da vida como retratado na série teve um caso com um rapaz bastante jovem. Mas aqui ressalto e acho mérito de Maria Adelaide Amaral (diga se de passagem romancista das melhores além de uma excelente roteirista) mostrar como naquela época a mulher ainda apresentava uma fragilidade, que, diga-se de passagem (fazendo sociologia rasa e vulgar), era sociológica, no sentido de que a mulher era aquela que devia subserviência total ao marido. E no caso de Dalva tão relação torna-se emblemática pois ao mesmo tempo que busca recusar tal relação, Dalva necessitava quase que ontologicamente, digamos assim de um homem que lhe mostrasse o seu devido lugar de mulher (lugar este pré-determinado socialmente).

Do ponto de vista de sua carreira aqui temos um paradoxo, pois apesar da série apresentar vários números musicais, de novo, diga-se de passagem, de enorme bom gosto e acuidade técnica (isso serve para mostrar que podemos realizar por aqui grandes musicais), considero que esta parte a série ficou devendo ao enorme talento (reconhecer o talento de alguém não significa necessariamente ser um grande fã do estilo) de Dalva. Penso que a série ao focar a relação matrimonial-profissional acabou por denegar a carreira de Dalva no pós casamento. Assim para quem assistiu a série, - e toda essa crítica se refere ao incomodo que senti com tal atitude, - ficou parecendo que após o fim do seu casamento a carreira de Dalva fora uma grande decadência. Algo bastante doloroso, com a antiga Estrela Dalva, cantando em churrascarias e circos. Ora aqui temos dois problemas: o primeiro diz respeito a própria dinâmica das brigas entre Dalva e seu ex-esposo, o grande compositor Herivelto Martins. Herivelto nunca escondeu (como bem demonstrou a série) que sem ele Dalva definharia. E da forma que a série caminhou poder-se-ia concordar com ele pois ambos teriam definhado após a separação. Portanto a ausência da carreira da cantora após o casamento, como que confirma esta teoria do marido ressentido. E o segundo é um problema de ordem fatual.

Ao que consta a carreira de Dalva após a separação foi bastante prodigiosa. Lembremos que ela se separa de Herivelto entre 1947 e 1949 vindo a falecer somente em 1972. Voltemos a Cravo Albin para percebemos o quão vitoriosa foi a carreira da estrela após o fim de seu casamento (portanto reproduzirei somente o texto referente a esta época, deixando de lado seus sucessos da época que vivia com Herivelto) que entre outras coisas chegou ser eleita em um ano a Rainha do Rádio, além de grandes sucessos e ter se tornado uma cantora internacional. Pois somente de relance a micro série falou do fato de Dalva ter cantado nos festejos de coroação da Rainha Elizabeth II, mas foi mais do que isso Dalva gravou um disco na Inglaterra que é considerado por muitos como um prenuncio da invasão da MPB pelo mundo, o que ocorreria na geração seguinte a bossanovista. Dalva além disso também teve uma bela carreira na região platina. Tendo morado inclusive durante cerca de 6 anos na Argentina, na verdade morava meio ano lá e meio ano aqui, o que lhe tornou uma referência quando se fala de boleros e tangos.
Segundo Cravo Albin (reproduzo abaixo) ao contrário do que fez crer a série Dalva continuou gravando e muito, tendo gravado aliás grandes sucessos, por exemplo, Lencinho Branco ou o disco Praça Onze sucesso do ano de 1965. Efetivamente a artista não era mais a mesma, mas poderá o estilo de música, de cantar e mesmod e se viver de sua época a velha Bossa tinha se ido, mas longe de ser um fracasso Dalva continuava a gravar a seu modo e ser referenciada pela Nova Bossa, aliás, Tom Jobim iniciou sua carreira de musico tocando e arranjando para Dalva que também o gravou como gravou o jovem Chico Buarque. Por fim praticamente um ano antes de morrer voltou às multidões ao gravar de defender a belíssima Bandeira Branca.

"Uma das grandes estrelas dos anos 1940, 1950 e 1960, sendo considerada uma das mais importantes cantoras do Brasil. Dona de uma poderosa voz, cuja extensão ia do contralto ao soprano, marcou época como intérprete. (...)o samba "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins não estourasse, ele se demitiria. O samba, de fato, foi um grande sucesso na voz dela, inaugurando uma duradoura batalha musical com Herivelto Martins, com os dois usando a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento. Nessa polêmica musical destacaram-se, ainda o bolero "Que será", de Marino Pinto e Mário Rossi e o samba "Errei sim", de Ataulfo Alves, ambas gravadas em 1950 e que se constituiram em grandes sucessos. Ainda nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Ave Maria", de Vicente Paiva e Jaime Redondo, com acompanhamento de Osvaldo Borba e sua orquestra. Ainda na década de 1950 atuou nos filmes "Maria da praia", de Paulo Wanderley; "Milagre de amor" e "Tudo azul", ambos de Moacir Fenelon.
Em 1951, novamente com acompanhamento da orquestra de Osvaldo Borba, gravou os sambas "Rio de Janeiro", de Ary Barroso e "Calúnia", de Marino Pinto e Paulo Soledade. Nesse ano, fez sucesso com a marcha "Zum-zum", de Paulo Soledade e Fernando Lobo e com o samba "Palhaço", de Osvaldo Martins, Washington e Nelson Cavaquinho, que aparece no selo do disco apenas como Nelson. Nessa época, fez várias excursões ao exterior, apresentando-se no Uruguai, Argentina, Chile e na Inglaterra. Em Londres, cantou na festa de coroação da Rainha Elizabeth II, no Hotel Savoy, acompanhada pelo maestro Robert Inglis. No ano seguinte, esse repertório foi gravado em Londres, nos estúdios da Parlophone, com o maestro Inglis e sua orquestra. O nome de Inglis foi aportuguesado para Inglês, a fim de facilitar sua comercialização no Brasil. No elepê, eles recriaram clássicos brasileiros como: "Tico-tico no fubá", "Aquarela do Brasil", "Bem-te-vi atrevido" e "Na Baixa do Sapateiro", além de vários outros sucessos.Em 1952, fez sucesso com a marcha "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e gravou também o samba "Vai na paz de Deus", de Ataulfo Alves e Antônio Domingues e a marcha-rancho "Mulher", e Marino Pinto e Paulo Soledade. Ainda nesse ano, lançou novos sucessos, "Kalu", um baião de Humberto Teixeira e "Fim de comédia", samba de Ataulfo Alves e foi eleita Rainha do Rádio, além de excursionar pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. Foi nessa ocasião que conheceu o empresário Tito Clemente, seu futuro marido. Em 1955, gravou sem muito sucesso os sambas-canção "Eterna saudade", de Genival Melo e Luiz Dantas e "Não pode ser", de Marino Pinto e Mário Rossi; o tango "Fumando espero", de Villadomat e Garson, com versão de Eugênio Paes; a valsa "Quinze primaveras", de Solovera e Ghiaroni; a marcha "Carnaval, carnaval", de Kléscius Caldas e Armando Cavalcânti e o samba "Foi bom", de Marino Pinto e Haroldo Lobo.
No ano seguinte, lançou os sambas-canção "Teu castigo", dos ainda iniciantes Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça e "Neste mesmo lugar", da já então consagrada dupla Kléscius Caldas e Armando Cavalcanti. Nesse mesmo ano, gravou os tangos "Lencinho querido", de Filiberto, Peña Losa e Maugéri Neto e "Confesion", de Discepolo e Amadori, com versão de Lourival Faissal, reforçando sua imagem de cantora de músicas românticas, especialmente o tango, gênero em que se saiu excepcionalmente bem. Em 1957, gravou com acompanhamento de Léo Perachi e sua orquestra o bolero "Nada", de Marino Pinto e David Raw e o samba-canção "Prece de amor", de René Bittencourt. Nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Há um deus", de Lupicínio Rodrigues com orquestração e piano de Antônio Carlos Jobim e acompanhamento de sua orquestra. Gravou na mesma época o samba "Eu errei, confesso", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti que de certa forma retomava as querelas de sua separação de Herivelto Martins. Do então marido Tito Clement gravou o samba-canção "Intriga", parceria com o sambista Sinval Silva e a toada "Sonho de pobre".
Em 1958, gravou do filho Pery Ribeiro o samba-canção "Não devo insistir", parceria com Dora Lopes. Nesse ano, lançou o LP "Dalva de Oliveira", no qual interpretou músicas de dos mais diferenciados compositores, incluindo "Copacabana beach", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti; "Não tem mais fim", de Hervê Cordovil e Renné Cordovil; "Folha caída", de Humberto Teixeira; "Intriga", de Sinval Silva e Tito Clement e "Testamento", de Dias da Cruz e Cyro Monteiro. No ano seguinte, gravou dois discos destinados às festividades do Dia das mães, as valsas "Minha mãe, minha estrela", de Rubem Gomes e Luiz Dantas e em dueto com Anísio Silva, "Amor de mãe", de Raul Sampaio e "Minha mãe", de Lindolfo Gaya sobre poema de Casemiro de Abreu. Gravou no mesmo ano a canção "Velhos tempos", do iniciante compositor Carlinhos Lyra, parceria com Marino Pinto. Lançou também o LP "Dalva de Oliveira canta boleros", com canções como "Lembra", de Tito Clement; "Sábias palavras", de Mário Rossi e Marino Pinto; "Vida da minha vida", de Antônio Almeida e "Finalmente", de Marino Pinto e Jota Pereira.
Em seguida, gravou as músicas "Quando ele passa", Oswaldo Teixeira, "Enquanto eu souber", de Esdras Silva e Ribamar; "Dorme", de Ricardo Galeno e Pernambuco e "Meu Rio", de Tito Clement, entre outras, incluídas no LP "Em tudo você", lançado pela Odeon em 1960. No ano seguinte, lançou outro LP apenas com tangos, entre os quais, "El dia em que me quieras", de Ghiaroni, Le Pera e Carlos Gardel e "Fumando espero", de Eugênio Paes, Garzô e Villadomat. Lançou também outro LP, com apenas seu nome como título, e que incluiu seus grandes sucessos "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins, "Segredo", de Marino Pinto e Herivelto Martins, "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Que será", de Mário Rossi e Marino Pinto.
Em 1962, gravou os boleros "Nem Deus, nem ninguém", de Roberto Faissal e "Sabor a mim", de Alvaro Carrillo e versão de Nazareno de Brito. Também nesse ano, gravou no pequeno selo Orion os sambas-canção "Arco-íris", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Amor próprio", de Marino Pinto e Carlos Washington. Gravou também o LP "O encantamento do bolero" do qual fazem parte "Minha oração", uma versão de Cauby de Brito; "Nem Deus nem ninguém", de Roberto Faissal; "Tu me acstumaste", de F. Domingues e "E a vida continua", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Em meados dos anos 1950, fixou residência em Buenos Aires, só retornando em 1963, mas onde gravaria, com sucesso, alguns tangos, logo editados no Brasil, entre os quais "Lencinho Branco", que foi muitíssimo executado, sendo um campeão de venda de discos. A cantora vinha sempre ao Rio de Janeiro, para temporadas artísticas em rádios e teatros. No ano de seu regresso ao Brasil, lançou o LP "Tangos volume II", e que trazia tangos como "Estou enamorada", de José Marquez e Oscar Zito, com versão de Romeu Nunes e "Vida minha", com versão de Cauby Peixoto.

Em 1965, lançou o LP "Rancho da Praça Onze", cuja música título, de Chico Anysio e João Roberto Kelly foi um dos destaques do ano. No mesmo disco estavam "Hino ao amor", versão da música de Edith Piaf; "Junto de mim", de Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu, "Fracasso", de Fernando César e Nazareno de Brito e "Ser carioca", de Fernando César. Dois nos depois lançou o LP "A cantora do Brasil"que marcou seu retorno ao disco após o afastamento provocado pelo acidente. Nesse disco, gravou a marcha "Máscara negra", de Pereira Matos e Zé Kéti, um dos maiores sucessos de sua carreira e que foi uma das mais executadas no carnaval daquele ano, tendo conquistado o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval criado naquele ano pelo MIS do Rio. (...)Lançou em 1970 aquele que acabaria sendo seu último LP e cuja música título, de autoria de Laércio Alves e Max Nunes, constituiu-se em enorme sucesso, "Bandeira branca", um marco em sua carreira.”