terça-feira, 9 de setembro de 2008

2° Encontro Nacional de Capoeira Angola

Amigos, veja o e-mail que recebi e divulgo aqui. Divulgue em suas listas também

Prezados convidados,

é com grande prazer que enviamos a programação do 2o Encontro Nacional de Capoeira Angola de Belo Horizonte.

Caso necessitem de mais informações ou queiram fazer sugestões, entrem em contato conosco.

Visitem o site do evento www.grupoiuna.blogspot.com


Um abraço,

Mestre Primo
31 3483 5301

Raquel Benjamin
31 9824 3232



15 de setembro de 2008 – segunda-feira

Exibição de vídeos – Escola de Belas Artes da UFMG

A partir de 12h30

Capoeira Angola e o Meio Ambiente – Duração: 23 min. Produção: Espírito de Angola Direção: Edimar Ano: 2008

Menino fala a verdade – Duração 20 Min Produção: Leroy Studio Direção: Denis Leroy Ano: 2008

Mestre dá Lição – Duração 10 Min Produção: Atos Comunicação e Cultura Direção: Carem Abreu

16 de setembro de 2008 – terça-feira

Exibição de vídeos – Escola de Belas Artes da UFMG

A partir de 12h30

Menino fala a verdade – Duração 20 Min Produção: Leroy Studio Direção: Denis Leroy Ano: 2008

Brasil - Paz no Mundo -Capoeira Duração 25 Min Produção: MINC Direção:André Luiz Ano: 2005

Capoeira Angola e o Meio Ambiente – Duração: 23 min. Produção: Espírito de Angola Direção: Edimar Ano: 2008

17 de setembro de 2008 – quarta-feira

15h – Abertura com Roda de Capoeira Angola na Praça Sete

RECOMENDAMOS QUE OS CONVIDADOS CHEGUEM COM 30 MINUTOS DE ANTECEDÊNCIA.

18 de setembro de 2008 – quinta-feira

Escola de Belas Artes UFMG

9h às 12h – Oficinas e roda de capoeira infantil

14h – Seminário: Capoeira Angola e Educação

Cada convidado terá 15 minutos

Mediadora Benilda Regina Paiva de Brito

Mestre Primo – Curador e Presidente do Grupo Iuna de Capoeira Angola/MG

Cláudia Aparecida de Almeida Martins – Coordenadora do Projeto Escola Integrada da Escola George Ricardo Salum/MG

Mestre Véio – Grupo Lenço de Seda / MG

Macaé Maria Evaristo – Secretária Municipal Adjunta de Educação/MG

Mestre João – Grupo Eu Sou Angoleiro/MG

Jauver Bethonico – Coordenador do Núcleo de Estudo da Capoeira da UFMG/MG

Mestre Leo – Grupo Meninos de Palmares/MG

16h30 - DEBATE

17h – Roda de Capoeira Angola com os Mestres

19 de setembro de 2008 – sexta-feira

9h às 12h – oficinas de capoeira com os mestres – inscrição prévia

14h – Seminário: Capoeira Angola e Patrimônio

Cada convidado terá 15 minutos

Mediador Marcos Cardoso

Mestre Rogério – Grupo Angola Dobrada/DE

Zulu Araújo – Presidente da Fundação Cultural Palmares/BA

Mestre Curió –Grupo de Capoeira Angola Irmãos Gêmeos/BA

Maria Marta Martins de Araújo – Diretoria de Proteção e Memória do IEPHA/MG

Michele Abreu Arroyo – Diretora de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura de BH/MG

Profa. Dra. Yacy-ara Froner - Departamento de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes – UFMG/MG

Mestre Moraes – Grupo de Capoeira Angola Pelourinho/BA

17h – Roda de Capoeira Angola com os Mestres

20 de setembro de 2008 – sábado

Festa de encerramento na Av. Jequitinhonha entre as ruas Padre Júlio Maria e Serra Azul, bairro Saudade.

A partir das 9h esquetes, cortejos, graffiti, barraquinhas de artesanato, roupas, livros, cds, bebidas e comidas típicas.

9h30 - circo
11h - grupo de dança Baobá
12h - tambores

Shows
14h - Baú du Maracah!
16h - Kamaphew Tawa e Banda Aspiral do Reggae
18h - Renegado

Visite nosso blog grupoiuna.blogspot.com

TODA PROGRAMAÇÃO TEM ENTRADA FRANCA



sábado, 6 de setembro de 2008

Sobre a Fump

Veja ai um belo texto do nosso velho amigo Barba. Sobre o conteúdo do texto concordo com o Barba, também fui vítima da insensatez da FUMP. Mas por outro lado, me preocupa como ficará a assistência ao menos afortunados da UFMG. Lembro que quando estava no Mov. estudantil, o CACS posicionou-se contra o fechamento da FUMP, pois como a maioria do movimento entendíamos que ela era um mal, más ao contrário da maioria que era um mal necessário.
Que fique de aprendizado para os doutos da FUMP que jamais aceitaram sentar com a parte mais sensata do mov. estundantil e pensar em soluções outras. De forma objetiva minhas maiores críticas eram:
1- a FUMP aliás como a FUNDEP havia virado uma empresa dentro da UFMG e nesse sentido ambas perderam a razão de ser. No caso da FUNDEP a questão é gravíssima haja visto que seus funcionários são a parte não concursado e com benefícios maravilhosos... vamo parando por aqui antes que fale algo....
Fiquem com o texto do Barba, aliás sempre bem escrito e claro:

Adiós FUMP

Setembro 3, 2008

A Fundação Universitária Mendes Pimentel foi criada com o intuito de prover assistência aos estudantes carentes da UFMG - sim, eles existem, porque que as universidade federais sejam ambientes “elitizados”, não é todo mundo aqui que fez cursinho de R$ 1000 por mês ou ganhou carro do papai ao ser aprovado.

Acontece que, nos meus quase 10 anos de UFMG (colégio técnico, graduação e mestrado) eu venho observando o que parece ser a precarização dos serviços oferecidos pela Fundação em contraposição ao aumento da taxa da Contribuição ao Fundo de Bolsas - que p*rra, de “contribuição” não tem nada, é obrigatória para quem quer se matricular. É principalmente com os recursos do CFB que a FUMP mantém seus projetos.

As coisas têm andado relativamente sob controle por aqui no quesito financeiro, mas não foi sempre assim. E o fato de eu não poder contar com ajuda externa em momentos de penúria sempre criou situações difíceis. Uma vez, numa dessas fases de absoluta falta de dinheiro, busquei a FUMP para tentar não pagar a tal “contribuição”.

Achei impressionante a rigidez administrativa com a qual eles “resolveram” o problema. Eu, que contribui para o Fundo de Bolsas durante toda a minha graduação, me senti tratado com alguém que estava pedindo um “favor” absurdo à Fundação - tipo, dinheiro emprestado pra comprar birita. Claro, além de uma série de percalços que foram minha culpa (ou do destino) nesse episódio, me espantou a má vontade coma qual a FUMP lida com a assistência estudantil.

Isso se cristalizou para mim quando uma colega teve sua assistência cortada porque um membro da família passou a receber um salário mínimo. A justificativa é que esse pagamento aumentou a renda média do grupo familiar dela, logo ela não precisava mais ser auxiliada pela FUMP. Ela, de carente, passou inclusive a contribuir com o FB.

Não busco aqui questionar a administração da FUMP em si. Os companheiros comunistas sempre insistiram em contas escabrosas em algumas gestões da Fundação, mas não acho que é o mérito entrar em detalhes ou fazer quaisquer julgamentos sobre isso. O papel de uma fundação assistencial é importante, ponto.

Mas, no meu ponto de vista, a FUMP se burocratizou a tal nível que o objetivo principal passou a ser superavitário e não assistencial. Da casa dos 90 reais em 2001, a Contribuição ao Fundo de Bolsas chega até R$194,50 hoje. Acho que sim, a grande maioria de quem estuda na UFMG tem condições de pagar e que é justo usar os recursos de quem pode para auxiliar os estudos de quem não pode. Mas e então? Todos têm recursos para pagar exatamente isso? O superávit da Fundação, que cresce ano a ano, não permitiria diminuir essa taxa ou, ao menos deixar de corrigi-la [de maneira abusiva]?

Agora parece tarde demais para levar esse tipo de discussão adiante. Semana passada me foi encaminhado o seguinte comunicado por e-mail:

____

OFÍCIO GR. No 366/2008 Belo Horizonte, 26 de agosto de 2008.

n. 157, em 22 de agosto de 2008,

Senhora Diretora,

comunico a V.Sa. que, a partir dessa data, para efetivação da matrícula semestral regular, não se exige mais, nesta Universidade, a apresentação do boleto, devidamente quitado, referente à Contribuição ao Fundo de Bolsas.De ordem do Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Professor Ronaldo Tadêu Pena, tendo em vista a decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu a cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas do País, divulgada no Diário da Justiça Eletrônico,

Tal definição será válida até que ocorra novo posicionamento do STF sobre a matéria.

Na certeza de sua plena colaboração, cumprimento-a,

Atenciosamente,

Profa. Maria Elisa de Souza e Silva

Chefe de Gabinete

___

Ou seja: ninguém precisa comprovar que pagou a CFB para se matricular. A respeito disso, a FUMP informa em seu site,

Embora a CFB não seja mais pré-requisito para efetivação da matrícula, a Fump continua contando com a solidariedade dos alunos que podem fazer a contribuição voluntária ao fundo de bolsas.

Acho que vão ter que cativar os calouros. Quem já passou algum constrangimento em relação a “contribuição” à FUMP não se sentirá muito solidário. Espero que isso implique em outra mudança no modo de gestão da Fundação que não seja apenas o arrocho de despesas.

Eu é que não dou mais um centavo.

fonte: http://faire-savoir.info/2008/09/03/adios-fump/#comments

Convocatória a favor da G.R.E.S Cidade Jardim

C O N V O C A T Ó R I A

Às comunidades de bairros, entidades de cultura, de trabalho social e de classe, igrejas, associações organizadas e à sociedade em geral,

A Escola de Samba Cidade Jardim e as entidades que a apóiam convocam a sociedade para um encontro com o propósito de reivindicar a reintegração de posse da sua sede, a qual vinha utilizando há décadas, ou de buscar outra solução adequada para o caso.

A PBH despejou a Cidade Jardim com uso de força policial na manhã do dia 19/08/08, numa atitude política, e não jurídica como ela vem afirmando à sociedade, e em flagrante descumprimento a um acordo anterior celebrado entre as partes.

O G.R.E.S. Cidade Jardim tem 47 anos de história, é um importante patrimônio da cultura popular de nossa cidade e mantinha um Centro Cultural com diversas atividades culturais, educativas e recreativas que atendiam à comunidade do Conjunto Santa Maria.

Contamos com a sua presença e as de seus companheiros e amigos.

Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

Endereço: Av. Álvares Cabral, 400 – Centro – (31) 3224 5018

Data: 09/09/2008 – Terça-feira

Horário: 18:00 horas

Alexandre Silva Costa

Presidente (9857-5345)


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Poesia para toda parte

RITOS DA PAZ


Saravá, A-i-é, Abá.

A Paz d'Aquele, que é
nossa Paz!
A Paz, que o Povo fará!

Saravá, A-i-é, Aba!

A louca Esperança
de ver todo irmão
caindo na dança da vida,
cantando vencida
toda Escravidão!
Vai ser abolida
a paz da Abolição
que agora temos.
E contra a paz cedida,
a Paz conquistada teremos!!!

Saravá,
do novo Quilombo de amanhã.
A-i-é dessa "festa de todos", que virá!

(A maneira de um Pregão)

-Aos treze de maio de mil-oitocentos-e-oitenta-e-oito,
nos deram apenas decreto em palavras.
Mas a Liberdade vamos conquista-la!



A-i-é,
a paz d'Aquele,
que é nossa Paz!

Abá,
a Paz que o Povo fará!

Palmares das lutas da Libertação.
Palmeiras da Páscoa da Ressurreição.
Saravá, A-i-é, Abá!!!

Milton Nascimento

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

No país que o errado é certo

Após quase 2 meses da Operação da PF que prendeu Daniel Dantas e seus associados, flagrados em operações financeiras e conversas criminosas, temos a seguinte situação:

1 - O delegado e auxiliares que comandaram a operação foram afastados estranhamente do caso;

2 - O Juíz foi achincalhado, por ter determinado as prisões;

3 - Ambos foram e continuam sendo desmoralizados, por diversos órgãos de imprensa, sobre o uso de carros, declarações, etc..;

4 - Um Presidente do STF melindrado, achando que sua decisão apressada em conceder o habeas corpus ao DD foi descumprida, correu em conceder o 2º, mesmo diante das novas evidências;

5 - Dá-se ao Ministro Gilmar Mendes, o microfone da indignação contra ações ditas policilescas e passa-se a impressão de que todos estamos desassistidos;

6 - Ao mesmo tempo, o Sr.Daniel Dantas ganha foro privilegiado, não pode ser preso em nenhuma hipótese, mesmo que apanhado com o dinheiro nas mãos;

7 - Os desafetos de Dantas, aqueles que o investigaram, denunciaram e esclareceram seus esquemas, foram afastados dos seus cargos. Dentro da PF e da Abin, Dantas não tem mais adversários no comando;

8 - Esqueceu-se o caso principal: Onde estão as mesmas páginas de jornais e revistas a investigar Dantas, suas empresas e suas atitudes????

Numa completa inversão de valores, hoje os acusados estão em paz, e os acusadores estão no inferno.

Frases, frases...

"Leis escritas são como teias de aranha. Pegarão os fracos e os pobres, mas serão despedaçados pelos ricos e poderosos" (Anacáris, príncipe dos citas)

"Hoje há grande demanda de pessoas que fazem o errado parecer certo" (Terêncio, dramaturgo latino nascido em Cartago)

"Nós enforcamos os ladrõezinhos e indicamos os grandes ladrões para os cargos públicos" (Esopo, fabulista romano)

"O roubo de milhões enobrece os ladrões" (Marquês de Maricá, político brasileiro)

"Os ladrões de bens privados passam a vida no cárcere e nos grilhões. Os ladrões de bens públicos, no ouro e na púrpura" (Catão, estadista romano)

"Há três tipos de governo: o que faz acontecer, o que assiste acontecer e o que nem sabe o que acontece" (George Santayna, filósofo norte-americano)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Entre Obama e Hillary, a crise geracional do Partido Democrata

Um grande texto sobre a realidade dos Democratas nessa eleição. Do jornalista Pedro Dória:

Entre Obama e Hillary, a crise
geracional do Partido Democrata


Esta é uma semana de psicanálise, aqui nos Estados Unidos, para o Partido Democrata. Na tevê, uma jovem militante pró-Hillary Clinton, Debra Bartoshevich, está fazendo campanha para John McCain. ‘Sou democrata’, ela diz, ‘apoiava Hillary, agora votarei em John McCain.’ Aí, completa: ‘Você também pode fazer isso.’


Ela era delegada eleita nas primárias – tinha voto na convenção desta semana. Foi cassada. É feminista. Quando lhe perguntaram como poderia votar em alguém que pretende colocar na Suprema Corte juízes que derrubem a legalidade do aborto, Debra respondeu que não acreditava que McCain viesse a fazer isso.

Mas esta é a plataforma de McCain. Como era a de George W. Bush antes dele. E como juízes o suficiente mudarão nos próximos anos, McCain é capaz de conseguir. Certamente tentará.

A decisão de Debra Bartoshevich é irracional – e tanto líderes democratas quanto republicanos sabem disso. Há um bocado de irracionalidade no processo político norte-americano – e só a psicanálise explica. Barack Obama tem de lutar contra a idéia de que ele é elitista, enquanto McCain não seria.

McCain é neto e filho de almirante. Estava ele próprio para ser elevado a almirante quando partiu para a carreira política. Virou senador. É um herói de guerra – que não restem dúvidas. Obama é neto de avós da classe média baixa dos EUA por um lado e de humildes fazendeiros quenianos, do outro. Seu pai o abandonou, a mãe o criou com um salário de professora. Filho de mãe sozinha que se virou como deu. Pelo brilho conquistou as bolsas que lhe financiaram uma educação em universidade de ponta.

Não é que seja um defeito pertencer à elite. É só que, dada a história pessoal de cada candidato, é irreal que alguém considere Obama elitista e McCain, não.

Mas muito de política tem a ver com a percepção, as ilusões, as expectativas – psicanálise.

Ontem, quando Michelle Obama falou à convenção, ela tinha duas missões. A primeira, contando sua história, a de reforçar a idéia de que a família vem da classe média e que nada, em suas vidas, veio fácil. A segunda era seduzir as mulheres frustradas pela derrota de Hillary.

Os aplausos que recebeu foram mornos.

As feridas entre Bill e Hillary Clinton e Barack Obama estão abertas. Em parte, é amargura pela derrota. Em parte, é o lidar com a idade. O Bill Clinton que chegou à Casa Branca em 1992 era o primeiro da geração Baby Boom na presidência. Aquele foi um marco. Dwight Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson, Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter, Ronald Reagan e George H. W. Bush – todos tiveram idade suficiente para lutar na Segunda Guerra. Com as exceções de Johnson e Reagan, todos os presidentes pós-Segunda Guerra lutaram no conflito. Clinton foi um sopro repentino de juventude, uma brusca mudança de geração no comando. Um símbolo de fim da Guerra Fria. E ele era informal, visto vez por outra de bermuda, camiseta e boné, um sedutor.

Só que isso é história. Clinton, o atual Bush e McCain são da geração que tinha idade o suficiente para lutar no Vietnã. (McCain saiu de lá herói; Clinton se recusou a lutar; Bush escapou com o pistolão do pai. Obama era uma criança.) Os Clinton já cruzaram a faixa dos 60 anos.

É a população norte-americana que decidirá se é hora de mudar a guarda ou não. Se Clinton – o ex-presidente – tem motivos psicanalíticos para sua amargura, também é verdade que Obama não fez de nada para facilitar o processo de aproximação. Se falam formalmente, com gentileza e frieza. Não passa disso. Obama não se esforçou para ajudar com as dívidas da campanha de Hillary, não faz elogios públicos. O amor e carinho que Obama demonstra para com Ted Kennedy, o patriarca dos democratas no Senado, está longe da relação que mantém com Clinton.

Há uma disputa geracional dentro do partido e entre a população. Os líderes da velha guarda, Kennedy e Carter, se entregam apaixonados à mudança. Os líderes que estão sendo substituídos agora não gostam. Mais que compreensível. E essa briga é refletida no comportamento dos eleitores.

Esta é a história dessa semana. Lá fora, no eleitorado geral, há um problema de classe e outro de raça. Mas internamente, no Partido Democrata, o que pesa mais é geração. A geração do Baby Boom que fez a política revolucionária dos anos 60 se ressente da alternância. A cada dia, na convenção, essa mistura de ressentimento pela passagem do tempo e intransigência juvenil, uma briga de família em que as coisas jamais são ditas, vai sendo sublinhada. Os avós abraçam os netos enquanto pais e filhos se desentendem.

Não há nada de racional no processo. Não houvera a briga, Obama tinha a eleição garantida. Mas a briga está lá. E, na televisão, seu maior reflexo: Debra Bartoshevich, abraçada a um ideal feminista de outrora, jura que McCain nada fará para combater o aborto legal. Não importa quantas vezes McCain diga o contrário. Ele sabe. Hillary e Bill sabem. Obama também sabe.

Quantas Debras não existirão por aí? Essa é a questão.

Prezados leitores: de Palo Alto, na Califórnia, o Weblog está de volta.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Retornos

A melhor coisa de um Blog é o retorno e principalmente quando este retorno vem dos próprios atores. Já recebi um comentário do Hyldon a respeito de um post que comentava sobre sua obra musical. E agora acabo de receber do Poeta Luis Carlos, o seguinte comentário a respeito do Post "Poesia para toda parte" dedicada a ele:

Escrevo por cima das letras acima...feita de minhas letras em punho...publicar significa dar ao público. Bom uso!

Luís Carlos de Oliveira Aseokaýnha

domingo, 24 de agosto de 2008

23 de agosto - Dia Internacional da Memória do Tráfico Negreiro

23 de agosto - Dia Internacional da Memória do Tráfico Negreiro

Para não esquecer jamais!!!

A data foi decretada pela Unesco em 1999.

Foi escolhida por ser a data da revolta de São Domingo, por Dessaline e Toussaint Louverture em 1791. Comemora a insurreição que houve na ilha de São Domingo, hoje Haiti e República Dominicana, na noite de 22 para 23 de agosto de 1791. A revolta abalou o sistema escravocrata e deu nascimento ao processo da abolição do tráfico negreiro translatlântico.

Representa a data da primeira república negra que foi liberada pelos próprios negros em luta contra os franceses.

mais em:
http://portal. unesco.org/ culture/es/ ev.php-URL_ ID=5420&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION= 201.html


Quem confia em Aécio Neves?

Quem confia em Aécio Neves?

Não há qualquer diferença entre as prioridades do "construtor de pontes" e o ideário neoliberal da cúpula tucana. As reformas estruturais mais importantes - agrária, habitação, educação e a do saneamento básico- não têm lugar na sua agenda. Como não teve nas de FHC, Serra e Alckmin.

Gilson Caroni Filho

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, gosta de aparecer na grande imprensa como o "tucano diferente". Um oposicionista que caminha na contramão da política pequena de seus companheiros de partido, apresentando- se como um homem público preocupado com o desequilíbrio federativo, originado pelo que chama de "hegemonia paulista na política". Sua originalidade residiria no fato de ser um oposicionista com propostas para o país, ave rara no bloco conservador. Nada mais enganoso. Nada mais perigoso.

Suas críticas mais recentes ao governo do presidente Lula desmontam os elementos discursivos empregados na tentativa de produzir sua significação, de elaborar uma persona que o defina como "construtor de pontes" entre partes que, segundo ele, estão "cegas por radicalizados projetos de poder".

Segundo o jornalista Ricardo Noblat, o governador lamenta que Lula desperdice o seu segundo mandato não promovendo reformas na Previdência Social, na área tributária e nas relações trabalhistas. Todas elas, segundo Aécio, "indispensáveis para a fundação de um Estado moderno, ficarão para ser feitas pelo sucessor de Lula. Que ainda será obrigado a enxugar despesas governamentais que não param de crescer".

Como se vê, não há qualquer diferença entre as prioridades do "construtor de pontes" e o ideário neoliberal da cúpula tucana. As reformas estruturais mais importantes - agrária, habitação, educação e a do saneamento básico-não têm lugar na sua agenda. Como não teve nas de FHC, Serra e Alckmin.

A reforma da Previdência é uma bandeira cara ao neoliberalismo. Com o "nobre" propósito de combater um falso déficit, o objetivo é a supressão de direitos, principalmente de mulheres e beneficiários do salário mínimo. Aécio finge ignorar que as receitas superam as despesas, mesmo após três anos seguidos de aumentos reais do mínimo.

Simula desconhecer que o presidente já afirmou que a reforma será pautada pelo Fórum de Negociação da Previdência, como proposta amadurecida na sociedade civil, "permitindo que as novas gerações tenham um sistema mais condizente com as necessidades dos trabalhadores". Um foco bem diferente do que reza o receituário mercantil.

Não sabe também que, em fevereiro, o governo encaminhou projeto de reforma tributária que pretende desonerar empresas, gerar mais empregos e acabar com a guerra fiscal entre os Estados. Em que nuvem anda o jovem Aécio? Ou em que praia do litoral fluminense tem surfado o neto de Tancredo?

Para o "construtor de pontes", o PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento) não passa de uma jogada marqueteira."Rode por Minas. Tente encontrar alguma obra de vulto financiada pelo PAC. Não encontrará", aconselha.

Pena que tenha esquecido de dizer que o Estado que governa tem 114 das 119 prefeituras envolvidas em desvios de verbas do programa. E que o PSDB detém o maior número de prefeitos sob suspeita de fazer parte do esquema de apropriação ilegal dos recursos. Alguém precisa lembrar ao governador que obras de vulto não brotam do chão, ainda mais se no subsolo há dutos duvidosos. E que, como liderança estadual, cabe a ele alertar seus correligionários quanto a esse pequeno deslize ético.

Em visita ao Rio, na manhã de um ensolarado 15 de agosto, Aécio atacou supostas falhas do governo na segurança pública, argumentando que "o governo federal não assumiu a sua responsabilidade na questão da segurança pública, contingenciando recursos do Fundo Penitenciário e do Fundo Nacional de Segurança". É uma pena que a censura da imprensa mineira, praticada em proveito do seu próprio governo, deixe o fenômeno de Minas tão desinformado.

Uma breve leitura do jornal Brasil de Fato, em 14 de maio de 2007, faria com que tomasse ciência de que na sua gestão ", os investimentos em saúde, segurança pública e educação caíram, de R$ 11,6 bilhões para R$ 8,7 bilhões, impactando a vida de milhares de pessoas na capital e no interior do estado."

Há algum tempo, a vereadora petista Neila Batista, em artigo intitulado "MG: Quase um Estado de exceção" afirmou que "o silêncio da Assembléia Legislativa de Minas, com exceção das poucas vozes do PT e do PC do B, e o pacto da maior parte imprensa regional, que se engajou em sua carreira rumo à Presidência da República confirmam a regra... ou a exceção"

Fragilizando instituições caras ao jogo democrático, ignorando a importância do sistema partidário e "fazendo uso de uma máquina de marketing inigualável no país", a "novidade" que vem das alterosas é a melhor expressão do mandonismo risonho que segue à risca os preceitos neoliberais.

Seria interessante que Aécio aproveitasse a segunda metade do mandato para redemocratizar o Estado, dialogar com os movimentos sociais e, se der tempo, conhecer Minas Gerais. É uma das unidades federativas mais ricas do país. Bem mais surpreendente que as noites do Leblon.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprens

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O afro Dorival Caymmi italiano

Do Blog irmão Atabaque

O afro Dorival Caymmi italiano

Capa do disco de 1957: a caricatura de Caymmi destaca seus traços negros


Dorival Caymmi (1914-2008) é uma esfinge brasileira.
Sua descendência afro materna é ocultada em favor de sua descendência italiana.



Caymmi como Machado de Assis passou por um processo de branqueamento de sua imagem como parte do jogo perverso que a democracia racial brasileira empreende contra o simbólico negro procurando esvaziá-lo de seus contextos em favor de uma idéia de mestiçagem que significa um não-negro em favor de um quase-branco.

Caetano Veloso, agora ressignificado depois de integrar o contente grupo dos "113 intelecutais anti-cotas" declarou que Caymmi foi o "gênio da raça".


Certamente ele evocava o talento ímpar de Caymmi no gênero humano, mas não deixa de ser ilustrativo da guerra simbólica que uma certa tradição intelectual brasileira elabora e atualiza sob seus termos a idéia de democracia racial onde a existência da identidade negra tem como limite seus valores euro centrados.

O legado de Caymmi para a cultura brasileira será possivelmente ainda maior se de sua figura não ocultarem de suas melenas brancas seu ondulado crespo e de seu longevo sorriso alvo seus carnaudos lábios negros.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Perrelas em apuros

Parece que eu não bradava sozinho. Loas ao Ministério Público.
Deu no Blog do Juca Kfouri.

Perrelas em apuros

Da assessoria do STJ

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), indeferiu o pedido de liminar em habeas-corpus e manteve a decisão do Tribunal Regional da 1ª Região (TRF1) de quebrar o sigilo bancário e fiscal dos dirigentes do Cruzeiro Esporte Clube. O presidente da entidade, Alvimar de Oliveira Costa, e o vice-presidente de futebol e também deputado estadual de Minas Gerais, José Perrella de Oliveira Costa, são acusados de enriquecimento ilícito com a venda dos direitos econômicos de jogadores.

Os dirigentes alegaram ao STJ que faltava fundamentação na decisão de quebra de sigilo expedida pelo TRF1 e pediram ao relator, ministro Og Fernandes, liminar para lacrar qualquer documento referente a eles até que a Sexta Turma do STJ julgue o mérito do habeas-corpus. No mérito, os dirigentes pedem a anulação da decisão proferida pelo TRF1.

O Ministério Público de Minas Gerais abriu procedimento administrativo contra os dirigentes em 2003. Na denúncia, há relatos de que eles se beneficiaram de contratos realizados com as empresas Hicks, Muse, Tate & Furst Incorporated (HMTF), que criaram a Cruzeiro Sports Licensing CO, além do contrato com a EMS Sigma Pharma, que viabilizou a contratação e venda de jogadores.

O ministro Og ressaltou que a decisão do TRF1 se fundou em suspeitas levantadas no próprio processo e a concessão de liminar exigiria a análise pormenorizada de provas, tarefa impossível num pedido de liminar em habeas-corpus. A questão de mérito ainda deve ser apreciada pela Sexta Turma.

O blog acrescenta que inúmeros cartórios mineiros estão sendo solicitados para mandar o que têm registrado em nome dos irmãos, que se dão muito melhor com o Cruzeiro do que o Cruzeiro se dá com eles.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

É hora de rever a Lei da Anistia

É hora de rever a Lei da Anistia

Pedro Dória

10/August/2008 · 14:07 ·

Levantado há quase duas semanas pelo ministro da Justiça Tarso Genro, esse não é um debate novo no Brasil. Também não é um debate no qual dê muita vontade de entrar. Na semana passada, passei duas horas conversando com a professora Flávia Piovesan da PUC-SP, uma das maiores autoridades no país em Direito internacional, com ênfase em direitos humanos. A conversa foi publicada, hoje, no caderno Aliás do Estadão. Quando estiver online, publico o link. Tive uma aula.

A questão fundamental, aqui, é tortura. O Chile também anistiou seus ditadores. Como fez a Argentina e tantos outros de nossos vizinhos. E todos reviram a anistia. O Brasil é único na recusa de sequer discutir o assunto. Por que nosso vizinhos reviram a anistia?

Porque tortura não é um crime anistiável.

Quando o Estado, detentor do monopólio do uso da força, tortura sistematicamente pessoas que estão sob sua guarda, comete um crime contra a humanidade classificado junto ao genocídio, à limpeza étnica, à esterilização forçada de mulheres. Não é matéria de opinião. A classificação é jurídica. E crimes contra a humanidade têm uma característica muito específica: nenhum país tem o poder legal de perdoá-los.

O Brasil é signatário da Convenção Interamericana de Direitos Humanos e da Convenção Contra a Tortura da ONU. O resultado prático é que quando qualquer um é torturado no porão de uma delegacia brasileira, seja hoje, seja no tempo da Ditadura, qualquer juiz de qualquer país signatário das convenções pode processar este cidadão brasileiro. Na verdade, se tiver as provas (mesmo que testemunhais) nas mãos, tem a obrigação de processar. Quando um crime contra a humanidade é praticado, todos somos vítimas. É por isto que 13 militares brasileiros são réus em um processo movido em Roma.

Processos assim começarão a aparecer, lá fora e aqui dentro. Há três processos na Justiça brasileira neste momento.

Um é movido pela família Teles, e pede que o Estado reconheça a culpa por torturas às mais bárbaras cometidas contra Amelinha Telles, sua irmã (que estava grávida), e os maridos respectivos. Algumas das sessões de tortura aconteceram na frente dos filhos crianças. Não pede a condenação do coronel Brilhante Ustra, que chefiava o DOI-CODI de São Paulo, mas pede que ele seja apontado como responsável em tribunal.

Outro caso, o mais recente, é do Ministério Público Federal de São Paulo, que lista os casos de vítimas de tortura indenizados pelo governo brasileiro no mesmo DOI-CODI de São Paulo e pede ao coronel Ustra e seu sucessor no comando da instituição que façam o ressarcimento dos cofres públicos pelo prejuízo causado.

Ambos os processos tentam driblar a leitura corrente da Lei de Anistia, jamais testada no Supremo Tribunal Federal, de que a anistia serviu também para a tortura. Não pedem a condenação pelos crimes. A lei diz que estão perdoados os crimes políticos e aqueles ‘conexos’, ou seja, relacionados. Do ponto de vista legal, tortura não é crime político; é crime contra a humanidade.

O terceiro processo quer responsabilizar o Estado brasileiro por não ter investigado o que houve com os guerrilheiros no Araguaia. Este não circula apenas na Justiça do Brasil, ele também foi aceito e está sendo analisado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA.

E aí está o pulo do gato: a decisão de se a anistia vale para a tortura não depende apenas do que dizem Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros. Após o STF, existe a Comissão e, acima dela, como última instância, a Corte Interamericana de Direitos Humanos. A Lei de Anistia do Peru foi anulada por esta corte.

Do ponto de vista legal, o governo do Brasil pode receber a ordem da Corte Interamericana de anular sua anistia e ignorá-la. Chile, Argentina, Peru, todos nossos vizinhos, têm histórico de acatar as decisões da Corte. Se não o fizer, neste tempo em que até a atrasada África começa a entregar seus ditadores para a Justiça internacional, o Brasil fica mal.

O torturador, cumpre lembrar, não é apenas aquele sargento sádico e desumano nos porões. O torturador segue uma cadeia de comando, que ativa ou passivamente, permitiu a tortura. A Justiça deve chegar aos generais que comprovadamente estavam informados e nada fizeram para evitar.

À direita, cobra-se apenas que seja coerente. Nos EUA, um de seus direitos mais caros é a Segunda Emenda à Constituição. Ela determina que todo homem tem o direito de ter uma arma em casa e resistir à tirania do Estado. Se o Golpe de 1964 veio com o objetivo de organizar o Brasil caótico de João Goulart, não importa. Se havia risco ou não de um Golpe comunista, também é irrelevante. A tirania que existiu foi aquela imposta pelas Forças Armadas Brasileiras que renegaram a Constituição, quebraram a hierarquia pondo-se contra seu comandante em chefe, o presidente eleito da República, suspenderam direitos de todos os cidadãos e seqüestraram o poder por 21 anos.

Qualquer cidadão tinha o direito de pegar em armas se o quisesse para resistir à tirania. Este, sim, é um crime anistiável. Em países como os EUA, sequer é crime. É direito constitucional.

Os torturadores do Brasil enfrentarão a Justiça cedo ou tarde. A única dúvida é se haverá tempo para que a Justiça seja feita com alguns deles vivos.

Previsível 'Jornal Nacional'

Do Blog do Juca, o único que coloca o dedo na ferida do esporte nacional.

Os Jogos da hipocrisia

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Não é de hoje que o Movimento Olímpico perdeu seu idealismo. Mas Pequim passa de todos os limites
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"POR QUE você não foi para Pequim?", perguntam.

"Porque não quis", respondo. Mais: estou entrando em férias e só volto aqui no dia 21. (Nota do blog: o "aqui" se refere apenas ao jornal...).

Claro que verei a Olimpíada e até comentarei no blog, mas ando cheio de tanta hipocrisia, a começar pela caça aos que são pegos no antidoping por hábitos que só fazem mal e pioram o rendimento.

Não aceito ver essa cartolagem imunda da família olímpica no papel de fiscal dos hábitos da juventude e, ainda por cima, expondo jovens à execração pública, como acabam de fazer com um jogador do handebol brasileiro.

Como não suporto o ufanismo da maior parte das narrações, com as exceções de praxe para os felizardos que podem assinar um canal de televisão fechada, razão pela qual darei uma fugidinha do país para acompanhar Pequim de uma cidadezinha colonial mexicana apaixonante chamada Guanajuato.

Porque passa do limite ver um Carlos Nuzman fazer quase o elogio da poluição ou se jactar pela maior delegação brasileira da história, quando só 12% de nossa rede escolar tem quadras de esporte.
Aliás, quanto mais medalhas o Brasil ganhar, mais ficará demonstrado o desvio de sua não-política esportiva, porque privilegia o alto rendimento em vez da inclusão social ou a saúde pública por meio da prática de esportes.

Dá engulhos ver a cartolagem em hotéis de até sete estrelas enchendo a boca para dizer que esporte e política não se misturam, quando nada foi mais político do que escolher Pequim para receber os Jogos, cidade que, além de poluída, é uma capital que se notabiliza por cercear direitos básicos da cidadania.

Tudo por dinheiro, tão simples assim.

Porque a China talvez seja o melhor exemplo, com todas as suas contradições, de como ainda não se achou um sistema razoável, tão óbvias são as mazelas do comunismo e do capitalismo reais.

É claro que verei tudo, é claro que me emocionarei com as vitórias brasileiras, como com a festa de abertura.

É evidente que torcerei para que aconteçam triunfos como nunca, porque tenho a surpreendente capacidade (surpreende a mim mesmo, diga-se) de voltar a ser criança a cada competição em seu apito inicial.

E não é de hoje.

Faço assim com os jogos de futebol lá se vão bem uns 26 anos, depois que se revelou a existência da chamada "Máfia da Loteria Esportiva".

Porque paixão é paixão e não se explica, não se racionaliza, se sente.

E se curte.

Sim, eu sei que serei capaz de me comover às lágrimas até com a superação de um atleta que não seja conterrâneo, como já me aconteceu inúmeras vezes.

Mas é preciso que se diga que mais que em Atlanta, quando os Jogos Olímpicos modernos comemoraram cem anos e a Coca-Cola alijou Atenas de recebê-los num crime contra a história, esta edição chinesa é um soco em quem associa o esporte à saúde e à liberdade.

Lamento sentir assim, mas quem viveu a inesquecível festa de Barcelona-1992, cujos equipamentos até hoje são utilizados por quem os pagou, os catalães, além da hospitalidade que recebeu o mundo tão bem, não pode engolir Pequim-2008.


Previsível 'Jornal Nacional'

De volta ao hotel, em Guanajuato, para ver o "Jornal Nacional", imaginei o que veria.

A exaltação da vitória do futebol masculino sobre os chineses, as "primeiras imagens" do filho de Marcelinho, que choraria, o oitavo lugar da ginástica feminina que "vale como ouro" e algum outro atleta brasileiro que, derrotado, cairia em prantos.

Sim, porque "a maior delegação brasileira da história", tirante os esportes em que tradicionalmente os atletas nacionais se dão bem, até agora, apenas participa, como era de se esperar.

Os decantados resultados do Pan-2007 não se repetem, porque a realidade teima em brigar com o ufanismo.

E as desculpas se sucedem, uma atrás da outra. E nem seria preciso.

Claro que estar entre as oito finalistas na ginástica não é pouca coisa.

Mas é obviamente frustrante verificar que a diferença para a Olimpíada passada foi de ir do nono ao oitavo lugar.

Nesse ritmo...

Ganhar de 3 a 0 da desfalcada China no futebol, então, é digno apenas de um rodapé. E ponto.

Para o futebol, Pequim começa agora, contra Camarões.

Eduardo Santos, o judoca, que ficou por pouco na luta pelo bronze, chorou o velho choro dos atletas brasileiros que lutam contra tudo e todos, porque o dinheiro, cada vez maior, patrocina muito mais mordomias dos cartolas que apoio aos atletas.

Mas isso você quase não vê no jornal.

Vida que segue, como diria João Saldanha, que tinha o hábito pouco brasileiro de falar das coisas como as coisas são.

No "Jornal Nacional", inclusive.

Ou, no caso dele, como as coisas eram.

Embora, no nosso caso, ainda sejam.

Melhor saber que o "JN" é finalista de um grande prëmio de mídia pela bela cobertura que fez do acidente da TAM, pouco mais de um ano atrás.

Catástrofe que consegue ser incomparavelmente maior que a não-política esportiva do Brasil.

Menos mal, que ao fim, Oscar mentiu para Kobe Bryant ao dizer, numa reportagem para lá de simpática, que o maior astro do basquete atual é melhor do que Michael Jordan, o equivalente a dizer que Kaká é melhor que Pelé.

E tão ruim como ver os chineses dizerem que dublaram a cantorinha que nos encantou e editaram até os fogos de artíficio.

Pára o mundo, por favor.

Eu quero descer.

E Guanajuato parece o lugar ideal para tal

Iara vai ao STF contra governo por não cumprir inclusão racial

O Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) entrou com uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) para que 17 ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva respondam por não cumprirem metas de inclusão racial em gabinetes e secretarias.


A entidade se baseia em um decreto do governo Fernando Henrique Cardoso, assinado em 2002, que prevê, no âmbito do Programa Nacional de Ações Afirmativas, mecanismos que garantam a realização de metas percentuais de participação de afrodescendentes, mulheres e pessoas portadoras de deficiência no preenchimento de cargos em comissão, como os chamados DAS (Grupo-Direção e Assessoramento Superiores).

Na última semana, por exemplo, o presidente Lula criou por medida provisória e sem concurso quase 300 novos cargos públicos, com salários que variam de R$ 1.977,31 a R$ 10.448. Em nenhum dos casos, no entanto, foi fixada qualquer meta de inclusão racial, social ou de gênero.

"Não é cota, mas tem que incluir (os afrodescendentes) . Só por descumprir a lei já é improbidade (administrativa) ", explicou o advogado do Iara, Humberto Adami. Segundo ele, o presidente Lula anunciou publicamente junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT) o "compromisso pessoal" de combater o racismo no ambiente de trabalho. O Palácio do Planalto não comentou o caso. Procurada, a Secretaria Especial de Promoção de Igualdade Racial (Seppir) informou que iria se inteirar da ação antes de se manifestar.

São citados no processo os ministros Fernando Haddad (Educação), Celso Amorim (Relações Exteriores), José Gomes Temporão (Saúde), Tarso Genro (Justiça), Guido Mantega (Fazenda), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), Carlos Lupi (Trabalho), Alfredo Nascimento (Transportes) , Edison Lobão (Minas e Energia), Paulo Bernardo (Planejamento) , Hélio Costa (Comunicações) , Miguel Jorge (Desenvolvimento) , Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Nelson Jobim (Defesa), Geddel Vieira Lima (Integração) e Márcio Fortes (Cidades). Também estão elencados no processo os ex-ministros Gilberto Gil (Cultura), Marina Silva (Meio Ambiente), Luiz Marinho (Previdência) e Marta Suplicy (Turismo).

Por decisão da ministra Ellen Gracie, do STF, nenhum dos ministros ainda foi notificado, o que juridicamente significa que não se pode considerar que haja um processo contra cada um deles. Os ministros da Justiça, Saúde e Trabalho confirmaram não terem sido notificados.

De acordo com o Iara, caso o Plenário do STF rejeite dar seguimento ao processo, o caso poderá ser encaminhado à Organização dos Estados Americanos (OEA), que, ao julgar a questão, pode estabelecer multa à União por descumprimento do decreto e aos próprios ministros do STF por omissão.

"Com o nosso processo o ministro vai ficar pessoalmente responsável, e não a União, que é um saco sem fundo e não paga nunca", avalia Humberto Adami, que informa que a própria OEA já considerou o Poder Judiciário e o Ministério Público brasileiros "racistas institucionais" .

"Esse descumprimento é prejudicial ao País, não só pela visão política que passa a ter, mas também porque acaba por transferir para o contribuinte o custo da eventual penalidade", disse o advogado.

Redação Terra

sábado, 2 de agosto de 2008

"Se Obama for presidente, a Casa ainda será Branca?"

O artigo abaixo foi publicado no site do Azenha. Só um comentário da minha parte: a questão racial esta posta e ponto final, o grande problema do Obama que já havíamos denunciado aqui, foi criar uma América pós-racial que definitivamente não existe. Foi isso que seu antigo pastor tentou mostrar. Agora ele esta mal com os racistas (como era previsível) e começa a ficar com a imagem arranhada entre os eleitores negros (afinal é uma ducha de água que um dos seus, em caso de ser eleito, tenha essa vitória creditada ao fato de que embranqueceu para tanto).
Aliás esse papo de não racializar a campanha só interessa aos racistas, bem parecido com os debates sobre cotas no Brasil. O pertencimento a um coletivo racial é conseqüência do olhar externo sobre ele, é resultado da exclusão, da discriminação, do maltrato. Afinal como bem disse um filósofo judeu:
O fenótipo judeu que talvez, eu não sei, me seja próprio, concerne, como problema, aos outros e somente se torna assunto meu na relação objetiva que eles pretendem me impor. (Améry, 2001, p. 187).

"Se Obama for presidente, a Casa ainda será Branca?"


Começou mais cedo do que eu imaginava. A título de responder a um discurso de Barack Obama a campanha de John McCain injetou a questão racial na disputa pela Casa Branca.

Fez isso de maneira cínica e eficaz, como sempre fazem os republicanos, que operam uma verdadeira "máquina de moer carne" apelando aos instintos mais selvagens dos eleitores.

Na campanha de 1988 ficou famoso o caso de Willie Horton. Era um condenado que participava de um programa que dava liberdade aos presos em alguns fins de semana, programa que tinha o apoio do então governador de Massachussets, Mike Dukakis, que se tornou candidato democrata à Casa Branca. Os republicanos trouxeram Horton para a campanha eleitoral, sugerindo que Dukakis era mole contra o crime, muito liberal e, portanto, incapaz de ser presidente dos Estados Unidos.

Isso era o que dizia o texto. Mas as imagens foram usadas de forma a sugerir aos eleitores brancos: se Dukakis for eleito ele vai soltar todos os assassinos negros que estão na cadeia.

É óbvio que contra Obama os republicanos não poderão fazer o mesmo. Eles estavam apenas esperando uma oportunidade para trazer a questão racial de volta. Num discurso recente o democrata disse que a campanha republicana tentaria pintá-lo como uma aberração, alguém que "não se parece com os presidentes que figuram nas notas do dólar". Foi o suficiente para que assessores de McCain - e o próprio candidato - atacassem Obama por supostamente ter trazido a questão racial para a campanha.

Aos republicanos o assunto interessa por um motivo muito simples: os eleitores de classe média baixa são os mais suscetíveis à insegurança gerada pela crise econômica. E a tendência deles seria votar por mudança. É aí que entra a questão da identidade. O que a campanha de McCain quer fazer é dizer a esse eleitor: mudança, sim, mas com alguém que seja como você, com o qual você tenha identidade. Esse é um bloco suficientemente grande de eleitores para decidir a eleição.

É óbvio que os republicanos não vão abraçar o texto que foi visto no Texas - um dos lugares mais racistas dos Estados Unidos: "Se Obama for presidente... ainda chamaremos a Casa de Branca?". Dirão a mesma coisa de forma subliminar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

As eleições municipais



Ontem ocorreu o primeiro debate para as eleições de BH, como nós os belohorizontino gostamos de falar. Que coisa mais chata e morna. Aliás se é para criar regras contra o debate para que faze-lo? Fora isso a mediocridade em termos gerais dos candidatos.
Sob o "debate" em si, algumas palavras. Dos 9 candidatos foram 8, deste destacaremos alguns:
Sérgio Miranda: ficou claro que é o mais preparado, o mais estudioso e conhecedor dos problemas e soluções para a cidade. No entanto, falta ao Sérgio do PDT o fervor do Sérgio de outras épocas, parece sempre deslocado como aliás é sua campanha: deslocada e tímida, quando acordarem pode ser muito tarde. Sérgio realmente é de outra época e foi capaz de usar seu tempo em uma das perguntas para elogiar, por exemplo, a participação e a legitimidade do PCO e de suas propostas (que visivelmente era alvo de chacotas por parte dos jornalistas e de outros candidatos). Por enquanto esse blog continua apoiando por coerência política do Sérgio. Um dias desses conto aqui, uma divertida discussão que dividiu em dois grupos velhos amigos de militância na esquerda, com uma parte inclusive eu defendendo a coerência e o voto no Sérgio e outra parte, os eleitores de Jô Morães apesar do PC do B.
Márcio Lacerda- o prefeito já eleito- pelo menos para a mídia mineira: quem é essa figura exógena a cidade. Pior, nem mesmo midiatico ou bom de comunicação o cara é. Achava que ele era aquela espécie de empresário bom de bico, mas pelo debate de ontem não parece ser o caso. Já começo a acreditar apesar dos apesares ser possível derrotar o imenso poderio financeiro e político do candidato, do prefeito e do governador.
Leonardo Quintão: o perigo mora ai. O Garotinho Jr ao contrário de Márcio é muito bom de mídia, é o jovem, o que deve se apresentar sobre o manto de ser o diferente de todos os que estão ai. Mas no fundo como ficou claro no debate apóia tudo que esta ai, o governo do estado e o governo federal e tudo mais que se pode apoiar e tirar vantagem na confusão ideológica dos dias atuais.
Gustavo Valadares: perdido, totalmente perdido. Fraco. Mais uma vez fica claro como os candidatos do DEM tem dificuldade de defender a ideologia de seu próprio partido. BH continua sentindo falta de um autêntico candidato de direita.
Vanessa Portugal: brava e corajosa. Usou seu tempo para demonstrar que Jô e Larceda são lados diferentes da mesma moeda. Aliás, Vanessa foi vítima de um ataque pérfido e covarde pelo Sr. Teodomiro Braga, poucas vezes vi uma atuação como a desse "repórter", diante da incompetência do Lacerda ele então fez às vezes de principal atacador dessa candidata. A direita não é boba não. Enxerga longe. Ah, tudo porque esse senhor tomou as dores dos demais candidatos quando Vanessa disse que as empresas de ônibus financia a campanha municipal e em troca comanda a política de transporte, o engraçado é que os demais candidatos não se opuseram a declaração da candidata, Valadares até defendeu que haja doações desse setor. Não contente o repórter interrompeu a candidata em sua resposta para questionar a seriedade da mesma.
Jô Morães: a liderança fez bem a Jô, que apesar de não se apresentar de forma arrogante, conseguiu dominar o debate. Além disso, a candidata tem excelente retórica, dessa forma mesmo quando se fazia uma acusação ou pegadinha a ela, a sua resposta invertia a pergunta inicial. Diante da ineficácia de Lacerda e de sua boa retórica Jô pode sim ir longe nessa eleição. De forma resumida, a sensação depois do debate foi a de que Jô já esta lá e alguns dos outros poderá acompanhá-la no segundo turno.
Jorge Periquito: o idiota, o óbvio ululante. O gênio do senso comum. Deverá na fase aguda da campanha ser a boca de aluguel de Lacerda, ou seja aquele que baterá nos candidatos que prejudicarem o prefeito já eleito de BH.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Fomos publicados no Afroblogs

NOSSA ESTOU SUPER-SUPER FELIZ , a nossa matéria sobre a Mostra de Realizadores Negors no Cine Humberto Mauro (veja post abaixo), foi selecionada para entrar na seção Afronotícias desse Blog (veja abaixo):

Cine Humberto Mauro exibe mostra de realizadores africanos * Hienas Tilaï* Como a África se vê, se filma, se mostra, em seus 50 anos de cinema.

Poesia para toda a parte

Do Coletivo de Entidades Negras.

Solano Trindade por sua filha Raquel



No dia 24 de julho de 1908, isto é, há cem anos, nascia Solano Trindade, um poeta de importância fundamental para a literatura afro-brasileira. Solicitamos à sua filha, Raquel Trindade, que falasse (ou melhor, escrevesse) um pouco sobre seu pai e ela gentilmente nos brindou com o texto a seguir, que desenha um rosto bem humano de um poeta que precisa ser lido sempre, especialmente pelas novas gerações.

SOLANO TRINDADE, MEU PAI
RAQUEL TRINDADE

Creio que é o sonho de toda criança: ter um pai como o meu. Na época em que os pais batiam muito nas crianças, ele era carinhoso e paciente com a gente: eu, Godiva, Liberto e Chiquinho. Em 1945, ele já falava no Direito da Criança, quando essa lei nem sonhava em existir.
Antes de sair para o trabalho, para vender seus livros e quadros (que trabalho, dirão meus irmãos trabalhadores, ele dizia quando entrava no trem da Leopoldina em Duque de Caxias, no Rio), ele brincava com a gente no quintal.
Um dia uma vizinha foi fazer queixa de mim, porque eu tinha batido no filho dela. Ela dizia: - Essa menina precisa de uma surra.
Meu pai, pra satisfazer a vizinha, disse pra mim: - Você não quer ser artista? Vamos fazer um teste, eu vou bater com o cinto na parede e você grita como se estivesse apanhando de verdade -. E assim foi... A vizinha ouviu os gritos de sua casa, e foi encontrar minha mãe Margarida no caminho: - Dona Margarida, estou morrendo de remorso, fiz queixa da Raquel e seu Francisco deu uma surra nela.

MARGARIDA - Francisco, você bateu em Raquel?

SOLANO - Que nada, essa menina é uma artista, eu batia na parede e ela gritava.

De tarde, a vizinha, ainda com remorso, me trouxe um bolo.

Quando eu tinha 8 pra 9 anos, meu pai arranjou um emprego no IBGE da Praia Vermelha (Rio), só que me levava junto, assinava o ponto e saía comigo, me levava na Pinacoteca, na Biblioteca Nacional, na Escola de Belas Artes, no Municipal do Rio de Janeiro para assistir óperas, balé e música clássica. Parávamos depois no bar Vermelhinho, na rua Araújo Porto Alegre, em frente à Associação Brasileira de Imprensa (Rio), onde ele se encontrava com Grande Otelo, a pintora Djanira, Aldemir Martins, o sociólogo Edson Carneiro, com quem, junto com a minha mãe, criou o Teatro Popular Brasileiro. Estava também o Barão de Itararé, Silveira Sampaio, Paschoal Carlos Magno, Aníbal Machado, a intelectualidade e os militantes de esquerda do Rio de Janeiro. E nessa, esquecia de assinar o ponto de volta no IBGE.
À noite, íamos assistir o Teatro Experimental do Negro, do Abdias Nascimento; outra noite, a Orquestra Afro-Brasileira e Abigail Moura; outra noite, o Ballet Afro de Mercedes Batista e o ensaio do grupo folclórico de Haroldo Costa, onde minha mãe ensinava dança.
Meu pai conversava muito comigo, me falava dos problemas raciais, da má divisão de renda do povo brasileiro. Me dizia do respeito que se devia ter com as diferenças, me falava da história da África, como eu devia me orgulhar de ser negra, sem discriminar qualquer outra raça. Enquanto minha mãe (Terapeuta Ocupacional, trabalhou no Museu da Imagem do Inconsciente, com Dra. Nice de Oliveira; era uma exímia costureira, bordadeira) me ensinou a fazer os serviços domésticos, a ser sempre honesta, a me afastar de vícios, como fumar e beber.
Ela, mesmo presbiteriana como era, me ensinou todas as danças folclóricas, com exceção das danças dos Orixás, que aprendi quando entrei no Candomblé.
Papai me orientava para as artes, me levando a ateliês de seus amigos, comprando livros, porque sabia que eu gostava de ler.
Fiz o primário gratuito porque tinha uma senhora, Dona Armanda Álvaro Alberto, que mantinha uma escola para as crianças pobres de Caxias, muito avançada, nos moldes europeus.
Mas o ginásio, não tinha público, papai pagava com dificuldade, pois ele vivia da arte. Aí eu atrasava o pagamento, passava abaixadinha na secretaria para que o Dr. Ely Combat (diretor do ginásio de Caxias) não me visse, aí ele ia até a sala de aula e falava:
- Quem não pagou a mensalidade não faz prova...
Falava com papai, ele dizia: - Filha, não vou lhe deixar nada material, só o que você estudar, vou pra cidade tentar vender um quadro ou livros, mas você não vai perder a prova.
Eu tinha uns 9 anos quando ele foi preso político. Policiais truculentos, armados até os dentes, invadiram à noite a nossa casa, ele estava de cueca "samba-canção", acalmava a gente, eu e minha irmã chorando, Liberto com sarampo na cama que os policiais reviraram dizendo que tinha armas escondidas. Logo papai, que era pacifista como Gandhi, mamãe ficou brava com os policiais.
Levaram ele... Mamãe ia de prisão em prisão com a gente, até que descobriu que ele estava preso incomunicável na Rua da Relação (Rio).
Depois, quando eu estudava o clássico, me levou para a Europa com o elenco do Teatro Popular Brasileiro, ele foi de avião, nós fomos de navio Louis Limiere, e voltamos no Provence.
Em 1961, convidados pelo escultor Assis, viemos para o Embu.
E hoje coloco em prática, com filhos e netos, todos os ensinamentos desse grande pai Solano Trindade.
Obrigada meu pai Francisco Solano Trindade e Maria Margarida da Trindade por terem existido.

Raquel Trindade, 26 de junho de 2008 - Embu das Artes, São Paulo - Brasil


Poema inédito de meu pai:

NEM SÓ DE POESIA VIVE O POETA

Nem só de poesia vive o poeta
há o "fim do mês"
o agasalho
a farmácia
a pinga
o tempo ruim, com chuva
alguém nos olhando
Policialescamente
De vez em quando
Um pouco de poesia
Uma conta atrasada
Um cobrador exigente
Um trabalho mal pago
Uma fome
Um discurso à moda Ruy
E às vezes uma mulher fazendo carinho
Hoje a lua não é mais dos poetas
Hoje a lua é dos astronautas

Solano Trindade
1969

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Cine Humberto Mauro exibe mostra de realizadores africanos

Cine Humberto Mauro exibe mostra de realizadores africanos




Hienas Tilaï


Como a África se vê, se filma, se mostra, em seus 50 anos de cinema? A despeito de ser a terra de grande parte de nossos ascendentes, pouco sabemos da representação que a África faz de si mesma. O continente africano tem, no nosso imaginário, muito mais as feições dos filmes que Hollywood e antropólogos de toda parte fizeram por lá, das imagens que a imprensa nos traz, quase sempre empenhada em retratar suas mazelas, do que imagens que os próprios africanos produzem. A mostra A África se Filma, exibida no Cine Humberto Mauro de 4 a 21 de agosto, apresenta um pouco do que os cineastas da África Ocidental têm realizado, colocando em evidência alguns dos nomes mais expressivos da produção dessa parcela do continente. A maior parte dos filmes que compõem a mostra é financiada, em parte ou em sua integralidade, por países europeus, o que não subtrai a ‘africanidade’ desses trabalhos. São obras com formas particulares e valiosas de vivenciar o mundo, com temas, narrativas, ambientações e questões estéticas próprias.

Os realizadores e suas origens

Abderrahmane Sissako – Mauritânia/ Mali
Souleymane Cissé - Mali
Idrissa Quedraogo – Burkina Faso
Gaston J-M Kabore – Burkina Faso
Djibril Diop Mambéty - Senegal


Programação
04 SEG

17h Hienas
19h CINECLUBE CURTA CIRCUITO
21h Vida Sobre a Terra

05 TER
17h Finyé
19h Tilaï
21h Samba Traoré

06 QUA
17h Buud Yam
19h MOSTRAVÍDEO ITAÚ CULTURAL
21h Esperando a Felicidade

07 QUI
17h30 Vida Sobre a Terra
19h Samba Traoré
21h Buud Yam

08 SEX
17h Tilaï
19h Esperando a Felicidade
21h Hienas

09 SAB
16h Samba Traoré
18h Finyé
20h Tilaï

10 DOM
16h Hienas
18h Buud Yam
20h Vida Sobre a Terra

11 SEG
17h Buud Yam
19h CINECLUBE CURTA CIRCUITO
21h Finyé

12 TER
17h Hienas
19h Esperando a Felicidade
21h Tilaï

13 QUA
17h Tilaï
19h MOSTRAVÍDEO ITAÚ CULTURAL
21h Vida Sobre a Terra

14 QUI
17h Esperando a Felicidade
19h Vida Sobre a Terra
20h30 Samba Traoré

15 SEX
17h Finyé
19h Hienas
21h Buud Yam

16 SAB
16h Finyé
18h Buud Yam
20h Esperando a Felicidade

17 DOM
16h30 Vida Sobre a Terra
18h Tilaï
20h Samba Traoré

18 SEG
17h Hienas
19h CINECLUBE CURTA CIRCUITO
21h Samba Traoré

19 TER
17h Finyé
19h Vida Sobre a Terra
21h Esperando a Felicidade

20 QUA
17h Buud Yam
19h MOSTRAVÍDEO ITAÚ CULTURAL
21h Tilaï

21 QUI
17h Samba Traoré
19h Esperando a Felicidade
21h Vida Sobre a Terra




Serviço:
Evento: A África se Filma
Data: 4 a 21 de agosto
Horário: confira a programação
Local: Cine Humberto Mauro
Preço: R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia entrada*)
---------------------------
*Atenção:
Meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos, conforme a lei.

Acatando a recomendação do Ministério Público, por meio, das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Promotoria e Justiça de Defesa do Consumidor e PROCOM–MG, em conjunto, o valor da meia–entrada estudantil é válido para estudantes regularmente matriculados na rede oficial de ensino, público ou particular de 1º, 2º e 3º graus, compreendendo os alunos de pós–graduação, mestrado, doutorado e aqueles matriculados em cursos pré–vestibulares previamente credenciados junto à UNE (União Nacional dos Estudantes), UEE/MG (União Estadual dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) ou UCMG (União Colegial de Minas Gerais).

Será exigida a identificação no ato da compra e na entrada do evento por meio da apresentação de identificação estudantil (carteira de estuda

terça-feira, 29 de julho de 2008

A universalização da banda-larga e o golpe das Teles

Se Você como eu considera hiper-caro pagar 70,00 reais de banda larga e mesmo 41,00 pela taxa mínima do telefone (NESSE CASO É ROUBO MESMO, ALIÁS VÁRIOS TRIBUNAIS DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ASSIM CONSIDERARAM, DECISÕES OBVIAMENTE REVERTIDAS POR SENHORES COMO GILMAR MENDE DO STF). Entenda o porque abaico, em matéria do blog do Tião, um cara do ramo das tecnologia:

A universalização da banda-larga e o golpe das Teles

Não sabia desta discussão, mas como tenho interesse no programa de universalização das telecomunicações fui atrás de informações hoje a tarde.

Privatização das telesO debate diz respeito a um imbróglio jurídico. Quando da privatização das teles estabeleceu-se o serviço prestado em regime público e em regime privado. O Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) - a propagandeada universalização da telefonia fixa, que nunca atingiu suas metas - é regime público. De acordo com a lei de concessões, a renda obtida nos negócios em regime público só pode ser usada na mesma modalidade. Assim, o lucro da telefonia fixa não pode ser usada para outros negócios. É sabido o método utilizado pelas teles para subsidiar a expansão da rede - aumento das tarifas em 500%, nunca questionado pelos órgãos reguladores. O regime público prevê também o retorno da infra-estrutura ao Estado, ao fim da concessão, para nova licitação.

O negócio é que o decreto presidencial 6.424, de 4 de Abril de 2008, que define a política de universalização da banda larga, estabelece uma contradição legal. Ele determina que as concessões feitas às empresas de telefonia e telecomunicações estão submetidas também à administração e instalação do chamado backhaul, ou infra-estrutura de banda-larga - que atenda a todas as municipalidades do país - conectando assim serviços públicos e mais de 55 mil escolas à Internet.

De acordo com o decreto, o backhaul deve ser parte da rede estabelecida de Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC). Esta infra-estrutura seria o seguinte, a empresa tem de estabelecer uma ligação física entre as linhas locais de todas as cidades brasileiras e sua infra-estrutura de dados - o conhecido DLS, Speedy por exemplo.

Entretanto, por pressão das teles, o backhaul foi definido como regime privado E como parte da STFC. O golpe é explicado em sua totalidade aqui, e envolveu, entre outros truques sujos, o uso de um funcionário da ANATEL(!) para tratorar a reunião do Conselho Consultivo da ANATEL, e empurrar as mudanças pretendidas pelas teles. Este digníssimo senhor se demitiu dias depois, para trabalhar na ABRAFIX (associação das teles).

Isto significa que o backhaul não é bem público sob concessão E que o lucro da telefonia fixa pode ser investido para expandir a rede de banda-larga - fatia mais lucrativa do mercado de telecomunicações no Brasil. É uma contradição jurídica feia, e que sustenta a maldita tarifa telefônica cara, reforçando o argumento falacioso da expansão dos serviços.

A solução é simples, mas a briga é feia. Dado que são concessões públicas, e que a expansão da banda-larga é parte da STFC, a infra-estrutura de banda-larga também seria um bem público. Portanto, não só sofreria regulamentação (de tarifa por exemplo) como deve ser retornada ao Estado ao fim do contrato. Mais, as teles estariam obrigadas a atender demandas públicas como acesso barato para redes sem fins lucrativos, etc.

Rola também a discussão no CGIbr, mas o comitê ainda não adotou postura frente à política de universalização da internet. É brincadeira? Alguns membros estão tentando reverter a insensatez que domina a gestão das telecomunicações neste país. Gustavo Gindre , por exemplo:

É justamente isso que eu gostaria de solicitar à Anatel. Que seja apresentado em nossa[do CGI] reunião o estudo técnico que afirma que o backhaul ou é parte da “infra-estrutura e equipamentos de sistemas de suporte e operação do STFC” ou que ele é “indispensável à prestação do STFC” e que, portanto, ele seria não apenas um bem reversível, como, principalmente, ele poderia ser motivo de troca no interior do contrato de concessão do STFC.

Pressionamos junto com Cristina de Luca, do convergência digital:

“A pergunta que muitos como Gindre continuam a fazer é simples: se o CGIbr é um órgão orientador, que inclui entre seus membros representantes de ministérios, mas também da sociedade civil, porquê não passa a ter uma atuação mais ativa na formulação de políticas públicas de fomento à Internet?”