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domingo, 8 de fevereiro de 2009

O novo jornalismo -A MILÉSIMA SEGUNDA NOITE DA AVENIDA PAULISTA- e o prazer da leitura

No começo de Janeiro, mais precisamente no dia 03 publiquei o post O novo jornalismo -Radical Chique - e o prazer da leitura
Neste texto resenhava o livro Radical Chique de Tom Wolfe. Lá pelas tanta daquela resenha escrevi o seguinte:
"Infelizmente por aqui é só jornalismo chapa branca. Infelizmente não pode ler Realidade, Visão e outros ícones do bom jornalismo brasileiro, onde a reportagem era a rainha do noticioso. Como suspiro fica aqui, o registro de alguns projetos novos nessa direção como Piauí e Brasileiros. Bom agora vou correr atrás de outras feras do New Journalism e do Novo Jornalismo brasileiro, aqui destaca-se o saudoso Joel Silveira e dos vivos Ricardo Kotscho, o grande Hamilton Nogueira entre outros."
Pois bem, corri mesmo e na semana seguinte iniciei, melhor seria devorei, o maravilhoso livro A MILÉSIMA SEGUNDA NOITE DA AVENIDA PAULISTA DE JOEL SILVEIRA. Devorei não somente porque trata-se de um livro daqueles que se inicia e não se quer mais parar mas porque neste livro a ideia antropofágica é essencial, dai o termo devorar. No entanto, antes retornemos a resenha de Radical Chique, lá eu disse:
"Radical Chique realmente é um divisor de águas. Um marco. Para entender essa revolução somente lendo o ótimo posfácio de Joaquim dos Santos denominado Abaixo o jornalismo bege, sim porque é disto que se trata: abaixo esse pseudo-jornalismo, de baixa qualidade tão bem denominado por Joaquim como jornalismo declaratório por telefone, pois sim se o Wolfe exige que os poetas visitem as ruas, imagina seu desgosto com esse jornalismo de telefone e fechado nas redações. Aliás como deixa entrever Wolfe em vários trechos: a redação é o aprisionamento da reportagem. Recomendo enormemente a leitura do livro e do ótimo posfácio de Joaquim. Abaixo o Jornalismo Bege!!!!!!!!! e principalmente o jornalismo internetequês. Arghhhh!!!! Ah... não sei como você leitor fará? mas leia Radical Chique, pois ler uma reportagem após esse texto nunca será a mesma coisa (parafraseando o Alberto Dines do Observatótio da Imprensa). Reportagem, eu disse reportagem? Mas Radical chique é uma reportagem? ou será um conto? ou melhor será um belo ensaio sobre a burguesia de Nova York? Ou SERÁ UM ARTIGO? ou será um romance? Como nos lembra Wolfe é tudo isso e ao mesmo tempo!!!!!!!!! UHU!!!! "
Ora, ora, ora não retiro nada só faço uma correção em forma de homenagem, as palavras acima ditas para Wolfe cai como luva para Joel Silveira, mas com a vantagem para a genialidade do segundo, pois alguns dos textos reunidos no Livro Milésima Noite são do início dos anos 40, ou seja quase 30 anos antes de Wolfe.
Assim pode se dizer que as qualidades elevadas ao extremo do bom gosto por Wolfe já aparecia em Joel Silveira decadas antes. A reportagem que dá nome ao livro, bem como Eram Assim os Grã-finos em São Paulo tratam-se (até o momento pelo menos) as melhores reportagens jamais produzidas no Brasil. Lá é possível encontrar todas as qualidades do chamado "Novo Jornalismo": ou seja, uma narrativa que busca sobretudo os detalhes, faz descrição minuciosa de fatos, lugares e pessoas, é rica em dados e informações cinematográficas. E lógico permite ao autor entrar no texto com suas próprias impressões, com adjetivações, ironias, imagens, dialógos com os leitores e etc. Outra vantagem do texto de Joel é tornar didático algo que se encontra latente no texto de Wolfe: novo jornalismo é apurar bem, muito, exaustivamente, e contar o que foi apurado de maneira envolvente. E nisso volto a repetir: Eram Assim os Grã-finos em São Paulo é um texto inclassificável, pois lhe faltaria adjetivos. Destaque ainda para a sarcástica e irônica Dezoito Poetizas Contra o Mundo em Chamas.
Tal como na resenha de Wolfe, deixemos o próprio posfácio do livro, nos trazer algumas características da obra. Trata-se de um texto do grande biografo Fernando Morais, intitulado A víbora está viva:
"O livro que você acaba de ler retrata o surgimento, no Brasil, do gênero jornalístico chamado de "grande reportagem" - depois rebatizado como "novo jornalismo", "jornalismo investigativo" e, como diz o título desta coleção, "jornalismo literário". É verdade que a primeira grande reportagem de que se tem notícia no Brasil é muito anterior - o monumental Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo em 1902. Mas também é verdade que só no final dos anos 30 é que ela vai fazer parte do dia-a-dia dos grandes jornais. Um dos pioneiros do gênero, Joel Silveira defende a tese de que, mais do que uma opção da imprensa, a grande reportagem surge como válvula de escape à censura imposta pela ditadura do Estado Novo. Sem poder falar do que importava - a política - os jornais abriam espaço para a investigação de temas menos candentes.
(...)
E foi em Diretrizes que Joel se converteu em uma estrela do jornalismo, com visibilidade nacional. Mais precisamente depois que ele publicou, no começo dos anos 40, a reportagem "Grã-finos em São Paulo", um irônico, debochado perfil do high-society paulistano."
Ps: 1- este livro bem como o livro de Wolfe foram publicados pela Cia. da Letras na Coleção Jornalismo Literário.
2-Joel Silveira foi sergipano de Aracajú, onde nasceu em 23 de setembro de 1918. Veio para o Rio em 1937, tendo se destacado como jornalista e escritor. Publicou cerca de 40 livros. Foi agraciado com o prêmio "Machado de Assis", o mais importante da Academia Brasileira de Letras, em 1998, pelo conjunto de sua obra. Foi também ganhador dos prêmios "Líbero Badaró", "Prêmio Esso Especial", "Prêmio Jabuti" e o "Golfinho de Ouro". O escritor e jornalista faleceu no dia 15 de agosto de 2007 na cidade do Rio de Janeiro.

sábado, 3 de janeiro de 2009

O novo jornalismo -Radical Chique - e o prazer da leitura

Acabo de ler o livro Radical Chique e o Novo Jornalismo, da Editora Cia. das Letras. Tirando uns probleminhas (irritantes é verdade) aqui e acolá de tradução, trata-se de uma leitura indispensável para os amantes de um bom texto. O livro em questão é a reunião de um ensaio de Wolfe em que ele tenta explicar a magia do Novo Jornalismo, que como ele lembra "a literatura mais importante escrita hoje na América é de não-ficção, com a forma que foi, embora sem elegância, rotulada de Novo Jornalismo." Logo após esse ensaio em que se por um lado didaticamente o autor nos mostra o processo criativo e trabalhoso dessa forma de literatura - Segundo Wolfe, o Novo Jornalismo contempla quatro pontos compostos pelos relatos cena por cena, o uso preciso do diálogo, a anotação dos detalhes e o ponto de vista de alguns dos personagens em cada cena."É uma definição muito técnica. Permanece dentro dos limites do jornalismo, mas utiliza os elementos que tornaram muito popular a literatura", por outro pelo menos em minha modéstia opinião escorrega em críticas desnecessárias a outros estilos literários, como se realmente fosse necessário e obrigatório que toda literatura seja baseada na realidade, como por exemplo nestas falas: os poetas "devem sair de seus quartos e averiguar as diferentes coisas que existem no mundo" porque assim "vão tropeçar com coisas que nunca pensavam que poderiam ver"."A não ser que saiam e as vejam, nunca as conhecerão. Os detalhes se encontram quando um se submerge na vida do outro".
De todo modo, o melhor vem em seguida, qual seja a seleção de três belos exemplos de Novo Jornalismo de autoria de Wolfe: O último herói americano, A garota do ano e Radical Chique. Sob esse texto, fiquemos com as inovações linguísticas do próprio Wolfe HUUUUUUUUUUUUUUUUMMM!!!!!!! Radical Chique realmente é um divisor de águas. Um marco. Para entender essa revolução somente lendo o ótimo pósfacio de Joaquim dos Santos denominado Abaixo o jornalismo bege, sim porque é disto que se trata: abaixo esse pseudo-jornalismo, de baixa qualidade tão bem denominado por Joaquim como jornalismo declaratório por telefone, pois sim se o Wolfe exige que os poetas visitem as ruas, imagina seu desgosto com esse jornalismo de telefone e fechado nas redações. Aliás como deixa entrever Wolfe em vários trechos: a redação é o aprisionamento da reportagem. Recomendo enormemente a leitura do livro e do ótimo pósfacio de Joaquim. Abaixo o Jornalismo Bege!!!!!!!!! e principalmente o jornalismo internetequês. Arghhhh!!!! Ah... não sei como você leitor fará? mas leia Radical Chique, pois ler uma reportagem após esse texto nunca será a mesma coisa (parafraseando o Alberto Dines do Observatótio da Imprensa). Reportagem, eu disse reportagem? Mas Radical chique é uma reportagem? ou será um conto? ou melhor será um belo ensaio sobre a burguesia de Nova York? Ou SERÁ UM ARTIGO? ou será um romance? Como nos lembra Wolfe é tudo isso e ao mesmo tempo!!!!!!!!! UHU!!!! é REALIDADE, ora se escreves sobre alucinados, sua escrita também é alucinada, se escreves sobre produtores de whisky do meio oeste na época da grande depressão, idem, a linguagem deve ser do mesmo tom. Viva Wolfe e o fim das convenções. Aliás como diz Wolfe pontuação e sintaxe são convenções. Utilize as que te satisfaçam mais. Viva as grandes reportagens. Viva Rolling Stones, Esquire, NEW YORKER, New York Magazine, NY Rewien of Books, New Left, Antlantic e etc (peninha para Você, se for como eu um troglodita. Bem feito quem manda ser monolingue...como eu!? estás perdendo). Sim meus caros, sim... nada de Brasil. Infelizmente por aqui é só jornalismo chapa branca. Infelizmente não pode ler Realidade, Visão e outros ícones do bom jornalismo brasileiro, onde a reportagem era a rainha do noticioso. Como suspiro fica aqui, o registro de alguns projetos novos nessa direção como Piauí e Brasileiros. Bom agora vou correr atrás de outras feras do New Journalism e do Novo Jornalismo brasileiro, aqui destaca-se o saudoso Joel Silveira e dos vivos Ricardo Kotscho, o grande Hamilton Nogueira entre outros.
Ps: Wolfe começou jornalista da realidade e terminou romancista. Publicou dezenas de livros e foi um dos maiores, sim já que ainda somos antiquados lá vem os malditos rótulos que ele criticava, um dos maiores cronistas da América do século XX. Escreveu sobre drogas, corrupção, ganância, sociedade, sexo. Sempre com os olhos nas ruas.
Para terminar trecho do pósfacio do Joaquim Santos:

" A reportagem especial está fora de moda no Brasil. Não adianta procurar nos jornais ou nas revistas semanais. Não las hay. Como se fosse um bambolê, uma anágua ou um emplastro Sabiá. Já era. Démodée. Esse tipo de reportagem ao sabor Tom Wolfe, com o repórter em campo, participando da cena, ouvindo seus participantes, gastando alguns dias de investigação para ter o controle absoluto do assunto e depois contá-lo no capricho, investindo na subjetividade e na inteligência sutil...1. Ih, meu filho, isso não vende jornal.2. Ih, meu amigo, o leitor não tem mais tempo para ler isso tudo.3. Ih, isso é coisa de intelectual, agora o leitor quer tudo mastigadinho, em tópicos, assim, l, 2, 3.

O jornalismo declaratório é o grande vencedor do momento, e a ele enviamos daqui as batatas e também suas queridas aspas recolhidas por telefone. Os repórteres estão presos na redação, apurando por e-mail o que a autoridade tem a declarar. Quando saem à rua, não se concentram em nada com exclusividade, porque é preciso apurar várias histórias por dia. As matérias ficaram curtas, ao estilo USA Today. As redações, menores.Ufa! Que pedreira!"