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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Música é Dom por isso quero trocar essa dádiva com vocês

Já disse por ai e já escrevi aqui e alhures. Que sou um cara simples: três coisas me satisfazem música, amizades e livros. Tal qual a música tão belamente interpretada por Bethania e Elis. Música e Amizade por toda parte. Este seria meu slogan se candidatasse a algo. Cada vez mais penso que meus caminhos de artista frustrado deveriam passar por pesquisar a música. Mas enquanto este dia não chega se é que chegará fico aqui com meus devaneios, principalmente em uma tarde como a de hoje em que as burocracias se sobressaem e não resta tempo para o principal que seria estudar para uma prova no domingo. Faço o quê ? me refugio no que me salva: a música. Fiquei  a matutar como os anos entre meados dos  60 e meados dos 70 foram genialmente profícuos e maravilhosos para a música brasileira. Foram anos incríveis...inacreditáveis, mágicos...indescritíveis em palavras. Assim sendo resolvi recorrer a minha pequena discoteca (eis a ironia, para quem necessita tanto de música como é pobre minha discoteca – já que blog é espaço pessoal confesso aqui, de vez enquanto, me dá uma vontade de fazer umas loucuras e tipo comprar tudo que tenho vontade, ai sim teria certeza de ter gasto bem meu suor) e elencar discos essenciais deste período, lógico que tal exercício é incompleto seja pelo meu desconhecimento de tanta coisa boa, seja por falhas da memória, seja por falta de visão, seja pelo prisma escolhido. Mas como música e DOM e dádivas devem ser trocadas, deixo aqui aos amigos a sugestão-suplica, ouçam estas obras primas:



Dom Salvador- Dom Salvador 1969

Dom Slavador e Abolição - Som, Sangue e Raça 1971 – Falar o quê. Um dos maiores momentos da nossa música.

Elza Soares- Elza Pede Passagem 1972

Elza Soares - Elza Soares e Wilson das Neves 1968, de Elza escrevi aqui mesmo um dia deste mais um post (curiosos dêem uma olhada ai abaixo)

Caetano Veloso – Transa 1972, Câe como gostamos que Câe fosse.

Gilberto Gil- Refavela 1977, na carreira profícua de Gil é difícil fazer afirmações peremptórias, mas acho este o seu maior disco.

Jorge Ben- Negro é Lindo 1971, e quem discorda!!!

Jorge Ben- O Bidu (Silêncio no Broklin) 1967

Jorge Ben e Gilberto Gil- Ogum Xangô

Jorge Ben – Africa Brasil 1976, tudo bem que aqui Bem já queria virar Benjor mas foi uma despedida em altíssimo nível.

Luiz Melodia – Perola Negra 1973, um dos maiores discos do nosso cancioneiro

Moacir Santos – Coisas 1965, outro que as palavras não são suficientes

Noriel Vilela – Eis o ôme 1968

Baden Powell e Vinicius de Morais 1966 – Os Afro-sambas, mais um indescritível

Wilson Simonal – Ninguém proíbe o amor 1975

Wilson Simonal – A VIDA É SO PARA CANTAR 1977

Toni Tornado- Toni Tornado 1972

Casiano- Cuban Soul 18 kilates 1976

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ainda sobre sonzeira, rap + rock +psicodelia + hardcore +reggae + punk

Encerrando essa viagem iniciada pelo RUNDMC. Abaixo Planet Hemp e seu underground raprockandrollpsicodeliahardcorreggae. Isso mesmo um coquetel de sonzeira formado por rap, rock ro'll, psicodelia, hardcore, reggae e punk. Fantastico.
Ela bate no bumbo e você sente no peito
Não tá ligado na missão. FODA-SE.

Ainda sobre hip-hop

Abaixo um dos melhores exemplo do hip-hop brazuca. O grande Sbotage. Morto até hoje em circunstâncias não explicadas pela polícia. Aliá como acontece segundo as estatísticas com a maioria dos pobres pretos e favelados.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Músicas, músicas e músicas (de volta IX)

Em dezembro último e em janeiro deste ano postei uma série de post fazendo a crítica musical de uma série de discos ou artistas essenciais da Soul e do Funk brasileiro. Gostei muito daquela empreitada de férias foram 08 pseudo-críticas que recomendo principalmente para lembrar um pouco do funksoul brasileiro, olhe nas memórias de post do lado direito da tela). Agora ando na correria e talvez por isso mesmo sentia necessidade de repetir a dose. Desta vez a idéia inicial era focar em artistas desconhecidos ou esquecidos pelo grande público, mas já adianto que não consigo e as vezes volto aos ídolos de sempre. Começamos como não pdoeria ser diferente com mais um brazuca do Funk.

Ladies e .... com os senhores o grande Almir Ricardo e seu maravilhoso LP Festa Funk.

Bom antes do disco em si, uma pena não ter conseguido a capa do disco para reproduzir aqui, pois para quem não conhece teria a chance de ver o nipe da capa, bem anos 80 com jaqueta jeans e tudo mais... Mas vamos ao que importa o disco.
Começando pelo nome poucas vezes um nome reflete tão bem um disco, realmente trata-se de uma festa. É o tipo do disco que Você colocava na vitrola do apartamento e já granatia a festa da moçada.
Aqui trata-se de um disco de passagem do que foi o Funk tal como concebido pelos grandes nomes da Montown e dos pesos pesados brasileiros para o que o Funk viria a ser. Almir Ricardi e seu disco tardio já que o mesmo é de 1984 não era um novato na coisa musical, ou como diz um amigo meu não era juninho. Desde os anos 60 ele já mantinha uma sólida amizade e parceria com gente do tipo de Tim Maia e Erasmo Carlos. E é dessa amizade e dessa vivência que ele traz o groove e o balanço. Em certos momentos temos até mesmo a sensação de que a banda de acompanhamento é a famosa Vitória Régia, que por tantos anos acompanhou Tim, mas não trata-se de uma outra banda de peso de Lincoln Olivetti e Jorge Robinson.
Mas chega de falatório o negócio e colocar o disco na vitrola e sair rodopeando. Pois em Festa Fuynk não se pode ficar parado. Ah e como todo Lp (por razões técnicas) trata-se de um disco pequeno com 08 deliciosas músicas. Chamo a atenção para a faixa 1 Festa Funk. É uma pista para entender um pouco do Funk como le gusta de Paula Lima. Ou então a faixa 3 Tô parado na Tua. Destaque também para a ótima Rebola Bola e a crítica elogiosa e jocosa de São Paulo Higt Society( uhuh viva as festinhas da higth sociedade com direito a Amauri Júnior).
Bom eu adorei e me deu vontade de sair dançando...espero que Vocês também gostem principalmente os que viveram os anos 80 vão se sentir em casa com essa sonoridade ...
Para quem quiser copiar o disco recomendo copiar do cavalo23.blogspot.com

sábado, 26 de julho de 2008

Cassiano: Cedo ou Tarde

Depois de muitos dias longe daqui. Como sempre o motivo são as diversas coisas tudo ao mesmo tempo e agora. No entanto, hoje resolvi dar um tempo e fruir a música. Estou ouvindo o divinal disco Cassiano: Cedo ou Tarde (com uma série de duetos espetaculares com Luiz Melodia, Sandra de Sá, Marisa Monte, Djavan, Ed Motta entre outors). Vida longa ao soul, ao funk ao balancê e a esse grito de libertação musical, estética, política, moral... cada vez tenho mais claro que qualquer escrita sobre um bom albúm só serve para diminuí-lo visto que nunca o retrata em toda sua grandeza.
De todo modo re-publico abaixo, dois posts sobre o soul e sobre cassianode dezembro do ano passado. Quando dedicamos uns 15 posts para fazermos críticas de discos essenciais para esse que escreve. E logo abaixo depois de um longo e tenebroso inverno, de volta Poesia para toda parte, com a poesia de Coleções (que no disco cedo ou Tarde é um maravilhosos dueto entre Cassiano e Djavan).

Músicas, músicas, férias VII

Eu sou tão fã das composições do Cara abaixo (e também de Hyldon), que não me sinto a vontade de comentá-lo, a Cassiano só consigo reverencia-lo e me emocionar sempre que ouço suas canções. Em uma expressão: Ele é um letrista genial. Mas isso seria pouco para descrever a influência do cara sobre a MPB- Música Preta Brasileira, na excelente expressão de Sandra de Sá, aliás Ela própria uma interprete divinal de Cassiano (a este respeito já fiz uma pequena crítica do disco MPB dessa interprete, aqui mesmo no Blog- quem estiver interessado busque na memória do blog, no mês de outubro). Aqui recomendo que ouçam os três discos do Cara, ainda que alguns seja mais difíceis de encontrar mesmo na Net.

Fiquem com o texto de B'side a respeito desse Cara.

É a hora de conhecer o trabalho de um dos mais brilhantes compositores da nossa MPB em qualquer tempo: Genival Cassiano dos Santos, ou simplesmente, Cassiano.

Nascido há 62 anos em Campina Grande, na Paraíba, veio para o Rio em fins da década de quarenta. Na Cidade Maravilhosa, aprendeu com o pai a tocar violão e bandolim e aos 19 anos, entrou para o meio artístico como integrante do grupo Bossa Trio, mais tarde rebatizado de Os Diagonais - que participariam nos três primeiros discos de Tim Maia fazendo os vocais de apoio.

Cassiano já alçara vôo solo quando Tim surgiu como uma bomba na MPB, cantando uma de suas primeiras composições: o eterno hit "Primavera (Vai Chuva)".

A letra pungente e a interpretação marcante do inesquecível Tim Maia mostraram o gênio de Cassiano - imediatamente convidado para gravar um disco em 1971. Imagem e Som. Seu primeiro trabalho-solo revelou outros ases na manga além de "Primavera". Vieram à luz "É isso aí" (não, não é a da Ana Carolina, garanto aliás que é melhor), "Já", "Uma lágrima" e "Não fique triste".

Com arranjos de Waldyr Arouca Barros, o trabalho de estúdio foi primoroso. O antigo grupo de Cassiano participou dando uma canja nos vocais e no baixo reinou o lendário Capacete, comparado a James Jamerson, craque do instrumento e músico número um de estúdio da não menos conhecida gravadora americana Motown.

Cassiano reapareceu em 1973 com um disco ainda melhor: Apresentamos Nosso Cassiano, pelo selo Odeon. E saíram do forno composições inspiradíssimas. "Melissa" foi uma homenagem à filha nascida dois anos antes. "A Casa de Pedra" é um soul-progressivo de diversas quebradas rítmicas e devastador - literalmente - porque nenhum coração de pedra resiste à beleza da letra e da interpretação do cantor / compositor. Só ouvindo a música pra saber mesmo como é...

E foi nessa época em que ele compôs aquela que é considerada a melhor música dele. "Cedo Ou Tarde" foi referência para dezenas de artistas da MPB que beberam da fonte da boa música, caso de Ed Motta, que apresentou a canção à Marisa Monte para que ela a regravasse.

Simplesmente sensacional...

Novo sumiço e Cassiano voltou em 1976, com um novo parceiro, Paulo Zdanowski, jovem de 19 anos que formaria algum tempo depois o grupo Brylho da Cidade - aquele mesmo de "Noite do Prazer". E aí foi lançado o terceiro e, pasmem, último disco do compositor: Cuban Soul - 18 Kilates, tão brilhante quanto seu antecessor.

"Coleção" foi um sucesso estrondoso por causa da novela Locomotivas, da Globo. "A lua e eu", outra balada que até hoje todo mundo acima dos 30 anos se lembra com carinho. "Salve essa flor", uma das preferidas dos seus fãs.
E ainda havia "Hoje é Natal", disparada a melhor música falando sobre o tema. Esqueçam "Noite Feliz", "Jingle Bells" e "Boas Festas". Cassiano sintetiza em pouco mais de três minutos e meio a singeleza desta data comemorada mundialmente.

O mais engraçado e o que me impressiona, nao só a mim mas a todos os fas do genero é que um monstro da MPB igual ao Cassiano já vai completar 30 anos sem fazer um único disco. Com tanta porcaria dominando as paradas, isto é incrivel !!!!

Felizmente ele nunca foi esquecido. Nos anos 90, ele reapareceu para gravar seus grandes sucessos com outros artistas - Luiz Melodia, Ed Motta, Sandra de Sá, Marisa Monte e muitos outros - o disco-tributo Cedo ou Tarde (Como sempre!).
Sem deixar de dizer que a delonga pra gravar ou aparecer em publico foi realmente motivos de saude

E o mesmo Ed Motta voltou a pagar tributo ao mestre em 2000, compilando 14 de suas grandes músicas para a Universal / Dubas Música e apresentando enfim o primeiro CD de Cassiano - Coleção. Que todos por obrigação deve ouvir inteiro até furar!


Glória eterna a Genival Cassiano dos Santos.

Ou seria... Genial Cassiano?


Músicas, músicas, férias IX

“I'M BLACK and I'M PROUD. I FEEL GOOD”

Podemos nos últimos post fazer uma pequena revisão da Soul Music brasileira. Na verdade muito vai ficar de fora, mas a idéia foi divulgar um pouco mais o Soul Brasileiro. Muita coisa boa ficou de fora. Seja por opção própria, como a exclusão de Tim que mereceria um Blog só para sua gorda musicalidade, e outras por que até mesmo nós, apesar de fãs não temos acesso a raridades como Gerson King Combo ou Black Rio e outros geniais do Soul brasileiro obscurantizados pelo sistema.

A música black brasileira da década de 70, influenciou e influencia grande parte da produção musical contemporânea, desde todo o rap nacional, passando pelo “funk” carioca, até o trabalho de artistas como O Rappa, Seu Jorge, D2, Paula Lima, Funk Como Le Gusta dentre tantos outros. Muitos desses trabalhos têm sido relançados em CD, como o Racional do Tim Maia, o disco do Hyldon, Maria Fumaça e outros da Black Rio. Alguns outros podem ser baixados na rede, ou então garimpados em sebos de vinil.

Discoteca Básica
- Black Soul Brothers: Miguel de Deus (1974)
- Na rua, na chuva, na fazenda: Hyldon (1974)
- Trio Esperança: Trio Esperança (1974)
- Nesse Inverno: Tony Bizarro (1974)
- Racional vols. 1 e 2: Tim Maia (1974/5)
- Cuban Soul: Cassiano (1976)
- Gérson King Combo: Gérson King Combo (1977)
- Maria Fumaça: Banda Black Rio (1977)
- Venha Matar Saudades: Carlos Dafé (1978)
- Melô do Mão Branca: Mão Branca (1979)
- Toni Tornado: Toni Tornado (1972)
- Dom Salvador: Dom Salvdor (1969)
- Dom Salvador e Abolição: Som, Sangue e Raça (1971)
- Jorge Bem: Negro é lindo (1971)


Poesia para toda parte

Sei que você gosta de brincar
De amores
Mas óh: comigo, não! (comigo, não!)
Sei também que você...
Eu não sei...mais nada
Um dia
Você vai
Ouvir
De alguém
O que ouvi de ti
Então irá
Pensar
Como eu
Sonhei em vão
Não vá...ou vá
Você é quem quer...
Quer saber?
Eu amo
Você!

Sei também que você...
Eu não sei...mais nada
Sei que um dia você vai ouvir
De alguém
O que ouvi de ti
Então irá
Pensar
como eu
Sonhei em vão
Não vá...ou vá
Você é quem quer...
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo...yeahhhh
Você!


terça-feira, 10 de junho de 2008

Wilson Simonal canta Tributo a Martin Luther King

Bala canção e homenagem do injustiçado Simonal a causa dos negros. Bacana ver a fala dele no início da música, onde afirma que apesar de ser Wilson Simonal ainda enfrenta vários problemas por causa de sua cor.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Músicas, músicas, férias IX

“I'M BLACK and I'M PROUD. I FEEL GOOD”

Podemos nos últimos post fazer uma pequena revisão da Soul Music brasileira. Na verdade muito vai ficar de fora, mas a idéia foi divulgar um pouco mais o Soul Brasileiro. Muita coisa boa ficou de fora. Seja por opção própria, como a exclusão de Tim que mereceria um Blog só para sua gorda musicalidade, e outras por que até mesmo nós, apesar de fãs não temos acesso a raridades como Gerson King Combo ou Black Rio e outros geniais do Soul brasileiro obscurantizados pelo sistema.

A música black brasileira da década de 70, influenciou e influencia grande parte da produção musical contemporânea, desde todo o rap nacional, passando pelo “funk” carioca, até o trabalho de artistas como O Rappa, Seu Jorge, D2, Paula Lima, Funk Como Le Gusta dentre tantos outros. Muitos desses trabalhos têm sido relançados em CD, como o Racional do Tim Maia, o disco do Hyldon, Maria Fumaça e outros da Black Rio. Alguns outros podem ser baixados na rede, ou então garimpados em sebos de vinil.

Discoteca Básica
- Black Soul Brothers: Miguel de Deus (1974)
- Na rua, na chuva, na fazenda: Hyldon (1974)
- Trio Esperança: Trio Esperança (1974)
- Nesse Inverno: Tony Bizarro (1974)
- Racional vols. 1 e 2: Tim Maia (1974/5)
- Cuban Soul: Cassiano (1976)
- Gérson King Combo: Gérson King Combo (1977)
- Maria Fumaça: Banda Black Rio (1977)
- Venha Matar Saudades: Carlos Dafé (1978)
- Melô do Mão Branca: Mão Branca (1979)
- Toni Tornado: Toni Tornado (1972)
- Dom Salvador: Dom Salvdor (1969)
- Dom Salvador e Abolição: Som, Sangue e Raça (1971)
- Jorge Bem: Negro é lindo (1971)


Músicas, músicas, férias VIII

As Dores do mundo

O teu olhar caiu no meu
A tua boca... na minha se perdeu!
Foi tudo lindo, tão lindo foi
E nem me lembro
Que veio depois...

A tua voz dizendo amor
Foi tão bonito
Que o tempo até parou
De duas vidas, uma se fez
Eu me senti
Nascendo outra vez...

E eu vou!
Esquecer de tudo
As dores do mundo
Não quero saber
Quem fui
Mas sim quem sou
E eu vou!
Esquecer de tudo
As dores do mundo
Só quero saber do seu
Do nosso amor...

O teu olhar caiu no meu
A tua boca... na minha se perdeu!
Foi tudo lindo, tão lindo foi
Eu nem me lembro
Que veio depois...

A tua voz dizendo amor
Foi tão bonito
Que o tempo até parou
De duas vidas, uma se fez
Eu me senti
Nascendo outra vez...

E eu vou!
Esquecer de tudo
As dores do mundo
Não quero saber
Quem fui
Mas sim quem sou
E eu vou esquecer de tudo
As dores do mundo
Só quero saber do seu
Do nosso amor...

E eu vou...
Esquecer de tudo
As dores do mundo
Não quero saber
Quem fui
Mas sim quem sou

E eu vou esquecer de tudo
As dores do mundo
Só quero saber do seu
Do nosso amor...(2x)

E eu vou!
Esquecer de tudo
As dores do mundo
Não quero saber
Quem fui
Mas de quem sou
E eu vou esquecer de tudo
As dores do mundo
E eu vou esquecer de tudo
As dores do mundo
E eu vou esquecer de tudo
As dores do mundo
E eu vou!...
Hyldon

Eis em minha opinião uma das letras mais bonitas do cancioneiro brasileiro. Um dos grandes representantes da Soul Music brasileira, que formou um trio imbativel ao lado de Tim Maia e Cassiano, o cantor, violonista e compositor baiano Hyldon tocou com os Diagonais (de Cassiano), Wilson Simonal, Tony Tornado e Tim Maia (de quem foi parceiro) e produziu discos de Jerry Adriani, Erasmo Carlos e Odair José. Teve seu primeiro e maior sucesso em 1975, com a balada "Na Rua, na Chuva, na Fazenda", título de seu primeiro disco, que ainda estourou "Na Sombra de uma Árvore" e "As Dores do Mundo". Gravou "Deus, a Natureza e o Amor" em 1976, sem conseguir repetir o êxito comercial. Recomendo ambos. Hyldon gravou ainda alguns discos (3) nos anos 80, em que sua verve de poeta continua inatacável, no entanto musicalmente a um certo distanciamento do Soul-funk. Ele foi re-gravado nos anos 90 através de bandas como o Kid Abelha, que regravou "Na Chuva" e do Jota Quest, que fez o mesmo com "As Dores do Mundo". Autor dos hits, Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda e As Dores do Mundo, o soul man Hyldon lançou nos anos 90 pela BMG o álbum Meu Primeiro CD – A Turminha do Bebê. É um projeto para a primeira infância. Mas ao contrário das tradicionais canções de ninar, o disco é uma tentativa lúdica de contar como é o dia do bebê.

Músicas, músicas, férias VII

Eu sou tão fã das composições do Cara abaixo (e também de Hyldon), que não me sinto a vontade de comentá-lo, a Cassiano só consigo reverencia-lo e me emocionar sempre que ouço suas canções. Em uma expressão: Ele é um letrista genial. Mas isso seria pouco para descrever a influência do cara sobre a MPB- Música Preta Brasileira, na excelente expressão de Sandra de Sá, aliás Ela própria uma interprete divinal de Cassiano (a este respeito já fiz uma pequena crítica do disco MPB dessa interprete, aqui mesmo no Blog- quem estiver interessado busque na memória do blog, no mês de outubro). Aqui recomendo que ouçam os três discos do Cara, ainda que alguns seja mais difíceis de encontrar mesmo na Net.

Fiquem com o texto de B'side a respeito desse Cara.

É a hora de conhecer o trabalho de um dos mais brilhantes compositores da nossa MPB em qualquer tempo: Genival Cassiano dos Santos, ou simplesmente, Cassiano.
Nascido há 62 anos em Campina Grande, na Paraíba, veio para o Rio em fins da década de quarenta. Na Cidade Maravilhosa, aprendeu com o pai a tocar violão e bandolim e aos 19 anos, entrou para o meio artístico como integrante do grupo Bossa Trio, mais tarde rebatizado de Os Diagonais - que participariam nos três primeiros discos de Tim Maia fazendo os vocais de apoio.
Cassiano já alçara vôo solo quando Tim surgiu como uma bomba na MPB, cantando uma de suas primeiras composições: o eterno hit "Primavera (Vai Chuva)".
A letra pungente e a interpretação marcante do inesquecível Tim Maia mostraram o gênio de Cassiano - imediatamente convidado para gravar um disco em 1971. Imagem e Som. Seu primeiro trabalho-solo revelou outros ases na manga além de "Primavera". Vieram à luz "É isso aí" (não, não é a da Ana Carolina, garanto aliás que é melhor), "Já", "Uma lágrima" e "Não fique triste".
Com arranjos de Waldyr Arouca Barros, o trabalho de estúdio foi primoroso. O antigo grupo de Cassiano participou dando uma canja nos vocais e no baixo reinou o lendário Capacete, comparado a James Jamerson, craque do instrumento e músico número um de estúdio da não menos conhecida gravadora americana Motown.
Cassiano reapareceu em 1973 com um disco ainda melhor: Apresentamos Nosso Cassiano, pelo selo Odeon. E saíram do forno composições inspiradíssimas. "Melissa" foi uma homenagem à filha nascida dois anos antes. "A Casa de Pedra" é um soul-progressivo de diversas quebradas rítmicas e devastador - literalmente - porque nenhum coração de pedra resiste à beleza da letra e da interpretação do cantor / compositor. Só ouvindo a música pra saber mesmo como é...
E foi nessa época em que ele compôs aquela que é considerada a melhor música dele. "Cedo Ou Tarde" foi referência para dezenas de artistas da MPB que beberam da fonte da boa música, caso de Ed Motta, que apresentou a canção à Marisa Monte para que ela a regravasse.
Simplesmente sensacional...
Novo sumiço e Cassiano voltou em 1976, com um novo parceiro, Paulo Zdanowski, jovem de 19 anos que formaria algum tempo depois o grupo Brylho da Cidade - aquele mesmo de "Noite do Prazer". E aí foi lançado o terceiro e, pasmem, último disco do compositor: Cuban Soul - 18 Kilates, tão brilhante quanto seu antecessor.
"Coleção" foi um sucesso estrondoso por causa da novela Locomotivas, da Globo. "A lua e eu", outra balada que até hoje todo mundo acima dos 30 anos se lembra com carinho. "Salve essa flor", uma das preferidas dos seus fãs.
E ainda havia "Hoje é Natal", disparada a melhor música falando sobre o tema. Esqueçam "Noite Feliz", "Jingle Bells" e "Boas Festas". Cassiano sintetiza em pouco mais de três minutos e meio a singeleza desta data comemorada mundialmente.
O mais engraçado e o que me impressiona, nao só a mim mas a todos os fas do genero é que um monstro da MPB igual ao Cassiano já vai completar 30 anos sem fazer um único disco. Com tanta porcaria dominando as paradas, isto é incrivel !!!!
Felizmente ele nunca foi esquecido. Nos anos 90, ele reapareceu para gravar seus grandes sucessos com outros artistas - Luiz Melodia, Ed Motta, Sandra de Sá, Marisa Monte e muitos outros - o disco-tributo Cedo ou Tarde (Como sempre!).
Sem deixar de dizer que a delonga pra gravar ou aparecer em publico foi realmente motivos de saude
E o mesmo Ed Motta voltou a pagar tributo ao mestre em 2000, compilando 14 de suas grandes músicas para a Universal / Dubas Música e apresentando enfim o primeiro CD de Cassiano - Coleção. Que todos por obrigação deve ouvir inteiro até furar!

Glória eterna a Genival Cassiano dos Santos.

Ou seria... Genial Cassiano?




Músicas, músicas, férias VI

The King of Brazilian Soul Music, a expressão caberia como luva para o próximo bacana que vamos focalizar, Toni Tornado. Ok dos focalizados até agora talvez Tornado seja o mais fraquinho? Será??? A frase acima é só uma brincadeira com o tamanho sucesso alcançado por Tornado, quando comparados a outros companheiros do Soul Brasileiro. Tornado, alegarão os mais resistentes se perdeu no meio da sonzeira Pop comercial, o que é meia verdade. o que é meia mentira... que ele optou por ser um ator de segundo plano no meio global e etc, etc e daí... o verdadeiro Tornado é este, retratado pelo álbum Toni Tornado de 1972:

A respeito deste disco escreveu Marcel Cruz:
James Brown ficaria orgulhoso se ouvisse esse disco, lançado em 1972 o álbum foi todo orquestrado e tocado por Dom Salvador (O Pai Do Funk Brazuca). Essa época Toni só andava em boa companhia, haja visto pelo seu primeiro disco lançado em 1971 e orquestrado por "monstros" como Paulo Moura, Waltel Branco, Leonardo Bruno e Orlando Silveira além do já citado Dom Salvador. É impossível ficar parado ao ouvir o álbum, todas as faixas são de tirar o fôlego e a maioria é de autoria do próprio Toni. Meu destaque vai para: "Não Grile A Minha Cuca" Dom Salvador esmerilhando no Piano, "Torniente", "Podes Crer, Amizade" hit da época, "Aposta" maior quebradeira!, "Uma Idéia" de Marcos e Paulo Sergio Valle, arranjo e letra fenomenal (é um lamento e é a que mais gosto) e "Tornado".

Músicas, músicas, férias V

Dom Salvador mais um nome obscuro para os que não são "fãs de carteirinha" do Soul Music brasileiro. Este músico é autor de pelo menos dois belissímos discos: Dom Slavador de 1969 e Som, Sangue e Raça de 1971.

Sobre o álbum Dom Salvador, Marcel Cruz escreveu:

Eis aqui a Gênese do Funk Brasileiro! (Samba Funk Samba Soul) Dom Salvador álbum gravado em 1969 que se tornou peça fundamental e serviu como norte para uma estética que desembarcava na terrinha a todo vapor, esse é um dos primeiros discos brasileiros com características funk, depois dele surgiram vários outros. Dom Salvador vinha duma linhagem bossa nova ou MPM (Música Popular Moderna) como alguns denominavam, antes desse álbum Dom trabalhou, entre tantos, com Elis Regina e Waltel Branco além de encabeçar dois projetos fabulosos: o Dom Salvador Trio e o espetacular Rio65 Trio junto com o baterista Edison Machado.

Ao que acrescento, este disco de fato é um marco do som que começava se fazer presente na terra brasilis. O segundo álbum que recomendamos é Som, Sangue e Raça em que Dom é acompanhado do grupo Abolição. Este grupo existiu somente por um ano, o suficiente para gravar essa obra prima. No entanto essa raiz musical produziu muitos outros frutos como a Banda Black Rio encabeçada por Oberdan, integrante dos mais importantes do Abolição e mestre indiscutivel dos metais. Este disco que traz algumas regravações do álbum anterior de Dom Salvador radicaliza no Swingue da Soul Brasileira. A ótima Abolição dá verdadeiros shows de musicalidade e improviso, aqui de forma definitiva o Soul Brasileiro começa se afirmar como uma música própria, ou seja que bebia na fonte norte-americana mas acrescentava a essa, toda a uma sonoridade genuinamente brasileira, o funk-sambeado. Meus amigos bem vindo aos inesquecíveis anos 70 brasileiro.

Dom Salvador tem um site, todo em inglês. Vá lá e descubra toda a genialidade desse pianista exímio. Aliás faço o seguinte ouça as "pauleiras" da fase Soul e depois se deleite com o refinado Jazz que o músico produz atualmente, em New York. Ladies e Gentelman é fabuloso, jogue fora o espírito vira-lata e veja que o Jazz brasileiro não deve nada aos monstros sagrados norte-americanos. Fica combinado então, assim que Você for a New York vá correndo no New York City's Water Club and Brooklyn River Cafe. Aliás no site de Dom Salvador tem uma descrição de sua música e a respeito do cantor, afie seu inglês e leia a página inicial, pois lá esta escrito o essencial sobre esse artista : http://www.domsalvador.com/base.htm

Um pouco mais sobre Dom Salvador:
Salvador da Silva Filho mora nos Estados Unidos há mais de vinte anos e como tantos outros gênios brasileiros ele foi esquecido pelo seu próprio país. De prodígio do samba jazz a messias do movimento Black Rio, Dom Salvador teve uma trajetória espetacular como músico, arranjador e compositor. Hoje, apesar de tocar piano num restaurante de Nova York e gravar raramente, seus discos dos anos 60 e 70 são caçados por todo mundo e valem, sem exceção, algumas centenas de reais cada um. Assim que chegou ao Rio de Janeiro vindo da cidade paulista de Rio Claro, fez parte do fervilhante movimento samba jazz liderando dois dos mais importantes trios da época, o Rio 65 Trio e o Salvador Trio, gravou no mesmo período dois discos com cada grupo.
LP Dom Salvador: autêntico groove brasileiro ,todos eles imprescindíveis à qualquer fã de música boa. O Rio 65 tinha Sérgio Barroso no baixo e a avalanche Edison Machado na bateria. O repertório do primeiro LP é mais bossa mas com um ataque feroz meio "be bop". A impressão é que o trio queria mostrar serviço, e acabaram conseguido, quebradeira total.No LP seguinte "A Hora e Vez da MPB." eles já estão mais maduros, o som é mais redondo e contido, com menos agressividade mas com mais consistência. As versões são mais originais e há mais composições de Salvador, aliás até o fim dos anos 60 ele era chamado apenas de Salvador, o Dom veio com o tempo, como uma coroação que as vezes era dada pra quem sabia tudo.
O primeiro álbum com Salvador Trio, com Edson Lobo no baixo e Victor Manga na bateria, tinha uma sonoridade mais jazz, o que já anunciava os caminhos que Salvador traçaria no futuro, e praticamente só composições próprias. O LP tinha uma capa que abria em três partes, bem diferente para época. O disco seguinte já tem Sérgio e Edison de novo na formação do trio e novamente uma pegada mais samba jazz, provavelmente por causa do estilo único de Edison Machado.
Até 1969 Dom Salvador só trabalhou como arranjador e pianista, gravou com meio mundo da bossa e da MPB e se aprimorou, incorporou soul e funk ao seu estilo brazuca e marcou a história da música negra no Brasil com seu disco "Dom Salvador" de 69. Ali ele criou o som que depois Tim Maia, Diagonais, Toni Tornado e Banda Black Rio também acabaram fazendo, autêntico groove brasileiro, o embrião do samba soul. A capa já mostra que ele não estava ali pra brincadeira e o texto explica que a intenção era mesmo fazer um disco de música negra não só brasileira como universal. Desse momento em diante Dom Salvador passa a mostrar seu lado mais autoral e original, o que talvez tenha até atrapalhado sua carreira, a maioria das pessoas não gosta de novidade e muito menos de ousadia.
A nova onda de Salvador foi lapidada por dois anos e culminou na sua obra prima de 1971 "Som, Sangue e Raça". Criou um monstro chamado Abolição, uma banda formada por ex-componentes dos grupos Cry Babies e Impacto 8 que játocavam soul no fim dos anos sessenta, adicionando metais, percussão e vocais a seu som.
O resultado é sofisticado e denso, a mistura de ritmos e estilos é ainda maior e mais perfeita, sem dúvida um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos. Nos anos seguintes Dom Salvador continua trabalhando como arranjador e músico, até que em 1973 muda pra Nova York e nunca mais volta ao Brasil. Por lá grava em 1976 seu disco mais desconhecido por aqui, o "My Family", com um único brasileiro na banda, o baterista Portinho, e bambas do jazz local como Justo Almario que tocava com Roy Ayers.
Nesse álbum ele volta ao jazz mas com uma pegada mais post bop, típica da época, um som mais livre onde ele mostra de novo seu virtuosismo no piano. Nesse período trabalha com alguns músicos americanos como o flautista Lloyd Mcneil, com quem gravou o incrível disco "treasures", aliás com Portinho na bateria. Os dois discos do "Salvador Trio" e o "Som, Sangue e Raça" chegaram a sair em CD mas só o segundo "Salvador Trio" está em catálogo (pela ótima gravadora inglesa Whatmusic), o negócio é torcer pelos relançamentos.
Rodrigo Piza, lojista e colecionador

Músicas, músicas, férias IV

Libere seu corpo meu irmão Libere sua alma, sua alma, sua alma, sua alma, sua alma....
A letra acima é de Miguel de Deus.

Um pouco sobre Miguel:

Miguel de Deus é um dos músicos mais versáteis dos anos 70, e ao mesmo tempo menos conhecido do grande público. Miguel nasceu em Ilhéus, na Bahia. Já morando no Rio de Janeiro em meados de 1969, formou a banda "Os Brazões" que explorava as influências africanas na música e na maneira de vestir e dançar. A banda fazia uma mistura de rock e psicodelia com elementos da música brasileira e africana. A banda acompanhou Gal Costa em uma de suas turnês no final dos anos 60.
Em 1974, Miguel de Deus criou a banda "Assim Assado", uma espécie de resposta ao sucesso do grupo Secos e Molhados. Em 1977, Miguel de Deus criou talvez o LP mais obscuro da black music setentista brasileira. O disco "Black Soul Brothers". Sobre esse disco não comentarei nada. POR FAVOR OUÇAM O DISCO É LINDO. Aliás, ao escutar o álbum siga os conselhos abaixo do amigo Daniel, que é um estudioso da musica popular brasileira. O que ele escreve sobre o post publicado abaixo, serve como luva para o álbum de Miguel de Deus:

Outro dia, estava conversando com o From Hell sobre como com o passar do tempo aprendemos a ler. Ao entrar na faculdade presumimos que sabemos ler. Ledo engano. Ao reler textos daquela época percebi como eram fáceis, básicos mas que no entanto nos causavam enormes dificuldades. Nossa capacidade cognitiva só vem aumentando desde então. Hoje podemos ler textos muito mais complexos sem a dificuldade que apresentávamos antes. Com a música o aprendizado é o mesmo. não sabemos ouvir. Não nos permitimos ouvir. Ouvimos a música sem prestar atenção na música em si. Nos concentramos em alguns trechos, na letra, um solo, mas não na totalidade. Assim como com a nossa capacidade de leitura, devemos apurar nossa capacidade de audição. Experimente ouvir o álbum sugerido no post atentando para toda sua magnitude. Preste atenção à todos os instrumentos e não só a voz de Ben. Com certeza irá descobrir uma música além da música. Nada que está ali está por acaso. Cada nota, instrumento, pausa, palavra, tem sua função e portanto deve ser apreciada de igual maneira.






sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Músicas, músicas e férias III

O terceiro disco que focamos chama-se "O negro é lindo" de 1971. Na vasta e qualificada discografia de Jorge Ben, este disco não não foge a regra e é um marco duplo: primeiro por sua adesão definitiva ao movimento Black Power, que fica claro na capa do disco e de forma definitiva a partir do anos de 1972 quando o cantor adota o famoso cabelão Black Power (veja capa do disco de 1972 On Stage). No entanto, é nas letras que essa adesão se explicita. O disco tem dez músicas, eis alguns dos títulos: Cassius Marcelo Clay em homenagem a Mohammed Ali, singela mas bastante bonita principalmente quando Ben compara a figura garbosa de Clay a Estátua da Liberdade (tamanha poesia engajada não é comum de se encontrar). Além dessa nessa mesma direção temos a faixa título Negro é Lindo, Zula, Comanche em homenagem a Joao Parahyba do Trio Mocotó, o disco ainda conta com uma música que viraria um clássico da obra do cantor-compositor Que Maravilha.

A segunda característica marcante deste disco se refere a sua musicalidade é um álbum marco na carreira de Jorge Ben, pois é a partir dele que Jorge adere ao Samba-Soul e Samba-Funk, da pra notar uma "sensível" mudança na batida do seu violão.

Com esse disco iniciamos tal como escrevi no primeiro post com esse título, comentários sobre albuns e artistas do Soul Music brasileiro. Tentaremos mostrar o swingue musical e a importância política dessa forma de musicalidade.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Elza negra, Negra Elza

Da série pseudo-críticas musicais.
Hoje focalizamos Elza Soares, já focalizamos aqui Sandra de Sá e o seu Música Preta Brasileira, e Iô Sô de Sérgio Santos uma bela homenagem ao Congado Mineiro.

O disco que focalizamos dessa (SILÊNCIO, NÃO ACHO ADJETIVOS) então vamos com o óbvio, essa grande ARTISTA é Elza Negra, Negra Elza. O melhor do disco é a vocalização única dessa verdadeira diva brasileira. E nesse disco a voz de Elza sobra, ultrapassa os tonais e mostra por que sua voz é única,
singular . Não é qualquer um que tem a qualidade de sua voz. Uma voz rouca, rasgada, de grande extensão e de tonalidade extremamente agradável.

Nesse disco Elza percorre as varias vertentes do samba, desde o samba de roda, passando pelo samba lamentação, com direito até mesmo um delicioso forró "Olindina" mas o que salta no disco é que o mesmo é puro soul. E ai sai de baixo, por que tal como Sandra de Sá, quando Elza canta com alma estamos diante de algo mais do que simples música, estamos diante de uma oração.

O disco começa com a autobiográfica "Como lutei" e de fato como lutou Elza. Seu começo de carreira foi doloroso como aliás seria sua vida, eis a própria contando:


"Aí comecei a cantar mas, na metade da música, eu me lembrei do que eu aprendi a fazer com a lata d'água (cantando com a voz roca e arranhada). E cantei a música inteira assim. O auditório, que a princípio estava rindo muito, parou. Ficaram quietos e depois começaram a aplaudir. Foi a primeira vez que eu senti uma sensação de ódio.

Eu achei aquilo uma crueldade, meu filho estava entre a vida e a morte; eu mãe, sendo apenas uma criança, tentando ganhar aquele dinheiro. Mas eu fui aplaudida de pé e o povo gritava e delirava. Eu terminei de cantar deitada no peito do Ary Barroso. Ele não resistiu e me abraçou. Então ele disse, "Senhoras e senhores, neste exato momento acaba de nascer uma estrela"."

Na sequência o disco segue com três samba, cada um com sua própria cadência como que mostrando a diversidade desse gêner. Destaque para o balanço presente em "Cobra Cainana". Se até o momento o disco flerta com o samba e com a exaltação da negritude, que apesar dos apesares resiste na luta. A quinta música do disco "Oração de duas Raças" é um libelo contra a discriminação e o sentimento de ódio, um belo texto a favor da concórdia. Dessa forma a Estrela de novo ressurge por cima, como que dizendo aos seus algozes ainda e apesar de vocês eu sobrevivi, cresci e percebi que a saída é sempre pela compaixão, tal como preconizava Luther King o caminho é sempre pela não violência.

O disco continua como uma autobiografia cantada e dessa forma continua percorrendo todas as nuances dessa Elza Negra temos então espaços para um forró "Olindina", para um samba-canção com cara de bolerão "Fim de noite" bem típico das boites em que Elza cantou no começo da carreira. E termina com "Samba do Mirere- Capitão do Mato" um belo samba de terreiro, que se inicia com os atabaques e continua sua referência aos santos através do ritmo marcado pelas palmas e e pelo coro que ajuda a compor o clima de festa de santo. Assim o disco fecha-se como deve ser em casa de bamba, com uma roda de samba. Um curto (apenas 10 músicas, afinal o roiginal era um LP) porém belo disco.

Pode não ser o melhor disco de Elza, mas isso lógico se deve a imensa discografia dessa artista e seu imenso talento nesses quase cinqüenta anos de carreira a se comemorar no ano que vem. Viva a grande sambista, a grande cantora de Jazz , a voz da bossa negra, a rainha da sambossa, ou seja a Elza dos mais de 45 discos, isso por que entre 1987 e 1998 ela só gravou dois discos.

Viva Elza Soares, por que hoje é dia de festa!!!!



sábado, 27 de outubro de 2007

Sobre o disco MPB

A notícia que reproduzo abaixo, já tem dois anos é da época do lançamento do disco de que comentaremos. Mas é que somente esses dias pode ouvir o disco todo, a que ela se refere... sei não, mas adorei, sabe aqueles discos que adoramos e pronto. Portanto, se Você gosta ou se interessa por essa tal de MPB- Música Preta Brasileira, reproduzo a notícia e a idéia de ouvir o disco, caso ainda não tenha ouvido. Aliás senão ouviu... que pena, só posso lamentar e recomendar a audição do mesmo.
O bacana desse disco é que a atmosfera é verdadeiramente soul, esse é o grande lance do disco. A tentativa de reprodução da atmosfera daquela época. E em minha modesta opinião, tal feito foi
exitoso. Tem-se até a impressão que foi usado aparelhos daquela época em determinados trechos de música...mas na verdade, os méritos são todos de Sandra, que através da voz modula o ritmo, e efetivamente permite a expressão de seus sentimentos. O disco, por fim funciona também como o rememoramento de uma época, em que o futuro parecia mais interessante do que essa época que vivemos. Por fim apesar de ter como modelo o soul norte-americano, aliás do disco conta com algumas versões e uma canção em inglês o que fica mesmo é uma brasilidade, nos ritmos e até mesmo uma aproximação com os ritmos nordestinos tradicionais. De forma, que ao fim do disco nos sentimos com a alma lavada e renovados com uma música brasileira que já não ouvimos mais.

Abaixo a matéria do site clique music



Sandra de Sá e a música preta brasileira

Cantora descobre novo significado para a sigla MPB em seu disco ao vivo, no qual revê seus 24 anos de carreira




01/03/2004
Marco Antonio Barbosa


Sandra de Sá
Sandra de Sá


Consolidando de vez a retomada em alto estilo de sua carreira, iniciada em 2002 com o álbum Pare, Olhe, Escute - no qual revisitava sucessos da soul music americana vertidos para o português - e que continuou com uma temporada de shows vitoriosa e cheia de convidados, Sandra de Sá não se cansa de defender que a verdadeira MPB não é a Música Popular Brasileira, e sim a Brazilian Black Music. "Há mais de dez anos falo de Música Preta Brasileira. No começo eu até brincava, dizendo que MPB é Música Preta Brasileira", confirma Sandra, que agora lança um disco ao vivo (pela Universal Music) que procura capturar seu bom momento atual.

O nome do álbum não poderia ser diferente: Música Preta Brasileira, registrado em dois shows (apenas para convidados) nas dependências da própria gravadora Universal, na Barra da Tijuca (RJ). No disco, Sandra não apenas procura sintetizar suas idéias sobre a música negra brasileira, mas também revê os principais pontos de sua carreira. Na verdade, uma intenção acaba se confundido com a outra, já que a cantora é legítima herdeira de Tim Maia e "afilhada" de figuras como Cassiano e Hyldon na seara black brazuca. "Há mais de 15 anos que eu luto para tentar gravar um disco assim, que fizesse não apenas uma revisão de minha história mas também lembrasse os grandes momentos de nossa música preta", diz Sandra.

Sandra elabora mais sobre a (sua) MPB: "Nossa música é altamente preta, como lá nos EUA eles têm a black music, nós também fazemos uma série de outros gêneros e estilos, só que com muito suingue. Aqui é o país do suingue, essa é uma bandeira que eu levantei há muito tempo e não canso de lutar por ela." Sobre a revisão de carreira - são 24 anos de estrada profissional - Sandra de Sá diz que o disco ao vivo é a maneira ideal de celebrar sua trajetória. "Quando assinei com a Universal em 2002, num contrato para dois discos, fiz questão de garantir que um deles fosse gravado ao vivo. Eu sempre quis gravar um CD assim. A todas as gravadoras pelas quais passei, sugeri fazer um disco ao vivo como este, mas nunca toparam e eu até já me indispus por causa disso", fala a cantora.

Todos os sucessos de Sandra estão no álbum. Desde a precursora Demônio Colorido, defendida pela cantora no festival MPB-80 (em 1980), seu primeiro sucesso, chegando às músicas gravadas em Pare, Olhe, Escute - versões como Nada Mais (Lately, de Stevie Wonder) e Qual É (What's Going On, Marvin Gaye). No meio, hits como Bye-bye Tristeza, Retratos e Canções, Olhos Coloridos e Sozinha (versão pessoal para o sucesso Sozinho, de Peninha). "O disco é um resumo do show que estamos fazendo desde o ano passado. Acho que todo a gravação deveria ser assim: entrar em estúdio para os grandes momentos que já foram apresentados ao vivo. A espontaneidade é tudo", conta Sandra, falando que gosta de simular o calor do palco:"Peço para desligarem o ar-condicionado, visto casacos e cachecóis para suar bastante e criar a sensação de que estou no palco junto à vibração do público".

Assim como nos shows, o disco Música Preta Brasileira tem a participação de vários convidados especiais: Gabriel o Pensador (que co-assina Boralá com Sandra), Toni Garrido, Luciana Mello e Alcione. "Não passa de uma grande confraternização entre amigos. Esse ditado de que no trabalho temos que separar as coisas não funciona comigo. Só trabalho com quem me identifico", fala a cantora. "Já cansei de cantar com todos eles em shows, o Gabriel gravou comigo, a Alcione é minha amiga há mais de vinte anos..." Sandra de Sá também presta sua homenagem à nata da música negra nacional regravando Tim Maia (Vale Tudo), Hyldon (As Dores do Mundo) e o clássico da negritude Black Is Beautiful (esta junto a Luciana e Alcione). "Esses caras todos mereciam uma estátua em praça pública. E o pior é que eles acabam sumindo. Ninguém ouve mais falar de Cassiano, Hyldon, Simonal. É uma discriminação, um crime", protesta Sandra.

O álbum, que também ganhará versão em DVD, inaugura a parceria da Universal com o canal de TV paga Multishow. O projeto ganha lançamento de gala no dia 24 de março, quando o canal exibe a versão integral do espetáculo (com 22 músicas, o mesmo conteúdo do DVD), além do making-of da coisa toda. O especial leva a direção de Belisário Franca e Jorge Espírito Santo. Em abril, quando o DVD chegar às lojas, Sandra sai em excursão. No que depender da cantora, os shows também trarão os convidados presentes no CD. "A dificuldade é conciliar as agendas, às vezes fica inviável. Mas quando não dá para trazer todo mundo, a solução é convidar algum outro artista com que também me identifico", diz. Zélia Duncan e Wilson Simoninha são exemplos de artistas que já subiram ao palco neste projeto ao lado de Sandra.
* Colaborou Mônica Loureiro

http://cliquemusic.uol.com.br/br/Acontecendo/Acontecendo.asp?Nu_Materia=4187