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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A versão pelo fato

Retomando e retornando depois de meses a este espaço o textinho abaixo. Espero a partir do ano que vem retomar inclusive de maneira mais organizada e direcionada este espaço.

A imprensa brasileira é muito estranha. Será mesmo?

Bom a imprensa brasileira somente reproduz algo que acontece na imprensa universal. Talvez a daqui por uma série de vicissitudes aja de maneira mais irresponsável. Seja como for, não deixa de ser interessante ver as estripulias da mesma.

Como sou opositor deste governo. Como discordo deste governo que ai está. Sempre a esquerda minha oposição e discordância mas sempre uma discordância muito clara e firme penso que nesta posso dar um pitaco, pois ao contrário de 90% da blogosfera não estou no Fla-Flu não sou nem governo e nem oposição desconstrutiva de direita ao mesmo.

Exatamente desta posição que vejo com um certo ar de graça e com um certo lamentar o comportamento da imprensa, que de fato, não encara os verdadeiros problemas do atual governo, afinal este governo acima de tudo, atende aos interesses dos financiadores desta mesma mídia, mas por uma questão muito mais de rancor e de inveja necessita a todo custo tentar desestabilizar o governo. Bom por detrás deste rancor e da inveja temos algo mais sugestivo a retomada do poder pelo grupo do qual esta mídia faz parte. Dito isto temos duas notícias alvissareiras esta semana:

1- Um lote de vazamentos do Wikileaks aponta para uma série de conversas entre jornalistas brasileiros e embaixadores ou funcionários da Embaixada norte-americana. Os mais apressados aqueles que comem cru saíram desabotadamente e esbaforido a gritar contra os jornalistas os tratando como delatores. Grande bobagem. Embaixador tem como uma de suas funções recolher o máximo possível de dados e neste caso é uma questão óbvia consultar jornalistas. O problema é de duas ordens outras. A primeira é tratar estes jornalistas como formadores de opinião. Bom aqui deveríamos debater se a função de jornalista é ser formador de opinião e dois debatermos se de fato formam opinião. Tirante disto o resto é besteira como aliás boa parte das análises feitas pelos jornalistas formadores de opiniões todos eles em geral muito alienados para usar uma palavra de antigamente. Mais grave me parece são os menos alienados e ai descobrimos, por exemplo, que o jornalista Fernando Rodrigues disse corretamente ao embaixador norte-americano que o TCU é aparelhado pela oposição demo-tucana e não é isento. Ora esta ai uma análise correta a pergunta aqui então não é o encontro entre Rodrigues e o embaixador e sim porque tal informção nunca apareceu em sua coluna na F. de S.Paulo. Eis ai o drama da imprensa brasileira.

2- O segundo fato é a demissão de Orlando Silva, que o Ministério dos Esportes é um foco de corrupção todos sabem. E disto até o reconduzido procurador Geral do MPF um bobalhão que em sua doçura com o atual governo e com o anterior lembra os piores momentos do engavetador Geral da época FHC teve que reconhece e apresentar uma denuncia ao STF. Que para além da corrupção o Ministerio é extremamente mal administrado os muitos exemplos comprovaram. Que a soma disto tudo é motivo justo de demissão idem. Mas é muito grave que no fundo a razão real tenha sido a denuncia de que o Ministro seja Le próprio e para fins pessoais corrupto. Ora esta é denuncia muito séria e sem prova é calunia. Pois bem a imprensa irresponsavelmente alimentou e manteve esta história. E qual seja como se diz no interior, logo após o pedido de demissão do ministro, eu vi. Ninguém me contou eu vi na Globo News um repórter dizendo que as posturas do ministro demissionária desagradavam a CBF e a Fifa e outros lobbys. Ora bolas segundo este jornalista a saída do ministro era comemorado por estes. Ora, ora, ora esta era informação imprescindível de ser dita. Mas o descalabro da mídia chegou a tal ponto que na comemoração de seu feito a saída do ministro se ousa contar inclusive a estratégia. E neste mesmo canal mais tarde a notável Dora Kramer aquela para quem os males brasileiros se iniciaram em 2003 e notável opositora pelas razoes erradas do atual e do governo anterior com cara deslavada disse na mesma Globo News tudo indica que o ministro que saiu seja pessoalmente honesto, dificilmente apareceram provas de seu envolvimento pessoal e coisas do tipo. Ora então porque isto não foi dito as claras pelo órgão que ela trabalha. Seria difícil dizer apesar de pessoalmente limpo, o atual ministro é incompetente e leniente com possíveis corrupções o que o torna passível de demissão. Mas não no fla-flu que virou a mídia é normal se esconder o fato e se dar a versão.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ecos de uma outra época




Hoje depois de mais um longo e cansativo dia, mas como tem acontecido por aqui, com uma noite belíssima com os colegas, boa comida, bom vinho e alguma cerveja. Fui ler algumas matérias e eis que me deparo com certo retorno a uma época com certeza mais nobre do que a atual. Vamos aos fatos:

O menos importante o Vasco fopi campeão novamente e a torcida cantou Ah é Dinamite, nunca simpatizei com o Vasco mas fiquei feliz de ver o Vascão de volta a sua história e livre da praga chamada Eurico Miranda.

A outras notícia diz respeito a libertação de Cesare Batisti que como lembra o Ministro Marco Aurélio do STF já vem tarde. Não há o que se discutir a decisão é clara e límpida, o STF concedeu discricionariedade ao presidente da República e ele no uso desta discricionariedade decidiu pela não extradição. Uma decisão de governo e política, legitima já que decidida por um governo legitimamente válido. Mais importante me parece é a mensagem ao contrário do que tentam afirmar os acovardados e fãs de respostas simplórias, a libertação de Batisti reafirma que vale sim a pena a passionalidade e a luta por aquilo que consideramos ser o melhor caminho. Me lembrou a lindíssima letra Mal Necessário. Acho que tem faltado ideologia e a vontade de lutar por aquilo que achamos justo a doa a quem doer.

Por fim a demissão de Palocci, muito já foi dito a este respeito, mas pouco se diz do que para mim é o mais importante: Quais os caminhos que levam um ex-militante socialista a tornar-se consultor de empresas enquanto exerce mandato de representação popular?

ISTO SIM É CHOCANTE O RESTO ME PARECE TRANSVERGIR. A GRANDE PERGUNTA, A PERGUNTA FUNDAMENTAL, A PERGUNTA QUE IMPORTA PARA AQUELES QUE AINDA MILITAM A ESQUERDA E POR OUTRO MUNDO POSSÍVEL É SE PERGUNTAR COMO PODE UM EX-SOCIALISTA CONSIDERAR NORMAL FATURAR 20 MILHÕES COMO CONSULTOR DO CAPITAL PRIVADO.

domingo, 8 de maio de 2011

Direito de Vida e de Morte

Reflexões domingueiras e sem compromisso sobre o poder de morte e de vida



A vida é sagrada ouvimos aqui e alhures. Se assim o é o que justificaria a sua retirada. O que justificaria a comemoração de sua extinção. Veremos a própria sacralidade da vida. Mas partamos de um outro lugar e afirmamos, a vida não é sagrada. A vida política sim é sagrada. A vida é eminentemente política seja na Grécia Helênica, seja no Império de Roma, seja nos dias atuais do Império dos Estados Unidos da América. De trivial tão afirmação não tem nada. Ademais constatar este truísmo político em nada diminui o fato de que a vida e sua sacralidade (ou ausência política desta) varia de acordo com tempos, contextos, localidades e etc. A vida não é soberana e sim do soberano isto desde a Roma Antiga. No entanto este controle sobre a vida varia. Em Foucault e em sua História da Sexualidade é demonstrado como o direito sobre a vida e por conseqüência sobre a morte não é um privilégio absoluto, pois que submetido ao soberano. Mas difere muito o direito romano de confisco inclusive sobre a vida e o acordo moderno da sociedade através de pactos que segundo Hobbes transferiu o direito de deixar viver e decidir pela morte ao soberano. O que subsiste em ambos, de certo modo, é que somente o corpo do rei é sagrado, os demais são profanáveis.

Na época moderna é sobre o acordo Societal e é sobre a forma política que a vida deve ser encarada. Precisamente esta é a invenção da época clássica, como demonstra Foucault leva ao soberano acima de tudo o direito de vida. Novamente não é banal a inversão. Como já demonstrava Foucault em sua obra prima de mais de 40 anos, a vida pode ser extinguida em nome da própria vida. Foucault é preciso ao escancarar o problema de nossa época: "as guerras já não se travam em torno do soberano a ser defendido; travam-se em nome da existência de todos; populações inteiras são levadas a destruição mútua em nome da necessidade de viver" mais a frente Foucault completa "o poder de expor uma população à morte geral é o inverso do poder de garantir a outra sua permanência em vida." Aqui posto o drama (para alguns é claro) de nossa época. A modernidade mistificou e sagrou a vida para neste processo expor sua nulidade. Agora mais do que nuca sagrado é o corpo do rei e, por conseqüência a de seus súditos, os demais são descartáveis em nome da sacralidade mesma da vida.

O direito moderno se baseia na defesa da vida e não em sua extinção, sua defesa não se deve a humanismos ou direitos humanos deve se a própria razão do poder. Ora aqui talvez esteja uma pista (a própria razão do poder) para o que alguns consideram como escândalo, aberração e paradoxo, o reino do direito a vida é o que mais propaga o direito de matar. Não é paradoxal, não é aberração e não é escandaloso é a própria lógica do sistema, a defesa intransigente da vida deve ser obtida sobre eliminação da monstruosidade que coloca em risco a própria vida. Assim são legitimamente mortos aqueles que colocam em risco a vida. Nada de novo, na verdade tudo novo. O poder agora é eminentemente sobre a vida e não sobre a morte. Eis aqui uma novidade radical de nossa época, o império controla nossas vidas, o domínio agora é maior do que antes, novamente Foucault sobre o império das leis: "não devem iludir-nos: são formas que tornam aceitável um poder essencialmente normalizador." Sobre o fausto da sacralidade da vida esconde-se a sua usurpação. A vida não é mais absoluta é somente uma vida política. Se quiser chamar de paradoxo que chame: é sobre a defesa intransigente da vida e do viver (bio-poder) que se celebra a morte. A morte daquele que não soube viver sobre os desígnios da vida social. Eliminou-se neste processo, portanto a noção de vida em si mesma para fundar uma vida social. O homem moderno é um animal que coloca na política sua vida de ser vivo. Eis ai a razão de se comemorar a morte de alguém. Seja aqui seja alhures. Seja no Paquistão, seja na pacificação dos Morros. A modernidade berra através do bio-poder: a vida só é sagrada àqueles que a merecem. Diante disto pode-se até lembrar a sabedoria popular aos amigos do rei, tudo aos inimigos os rigores da Lei. Ao rei a sacralidade da vida ao inimigo a imolação da mesma. Imola-se a parte para se salvar o todo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Direita Volver


 
Passaram-se cinqüenta dias de Governo Dilma e alguns sinais começam a transparecer. Sinais ruins para aqueles que pensam em um governo a esquerda. O Governo da Presidenta Dilma caminha a passos largos para uma solução ultra liberal de mercado. Digo ultra liberal, pois com o antigo presidente Lula já era liberal. Mas agora as coisas andam de mal a pior. Deve ser por isto que a dita inteligensia de esquerda, da qual duvido a intelegesia e mais ainda a esquerda anda tão calada, tão quieta, como aliás tornou-se tradição deste que a companheirada assumiu o poder. E deve ser por isto que a impressa golpista e de mercado anda tão feliz com a presidente.

Dilma governa a direita e com a direita principalmente nos temas econômicos. Vejamos no auge da ultima crise econômica os liberais defendiam lá fora e aqui dentro eram seguidos pelos tucanos e os colunistas e economistas a serviço do tucanato a teoria do “apertar os cintos”. Lula e Mantega não apertaram os cintos. Ao contrário levaram o Brasil a um crescimento significativo e evitaram o desastre. Agora vem o governo da Presidenta Dilma e segue caminho diametralmente oposto corte de despesas estatais, alta de juros, aumento moderado do salário mínimo. Ou seja, novamente paga-se o preço os trabalhadores, as classes mais baixas e lucra-se como nunca os bancos, os agiotas dos juros e os defensores do Estado Mínimo e das desigualdades máximas. Lembremos que na época de FHC era assim corte de verbas e gastos somados de corte de verbas e gastos, só não se cortava obviamente a taxa exorbitante de juros que faziam tão felizes a companheirada tucana. Foi desta maneira que sucateamos nossa indústria nacional e agora estamos sobre este risco novamente, juros altos significa lucro para o setor não produtivo, punição ao setor produtivo, aumento da entrada de capital especulativo e, portanto, valorização do real o que prejudica as exportações e facilita importações, enfim problemas a vista. É PREOCUPANTE, principalmente quando lembramos da centralidade de Palocci neste governo. Mas não é só na economia, em outros setores começa a ASSUSTAR o conservadorismo deste governo como, por exemplo, nas relações exteriores, ora É INACEITÁVEL QUE ESTE GOVERNO CAIA NA ESPARRELA DA GRANDE IMPRENSA, de que a política externa do Governo Lula era ideológica, TODOS, REPITO TODOS OS ÓRGÃOS SÉRIOS, INCLUINDO OS NORTE-AMERICANOS RECONHECERAM (ALGUNS LEGITIMAMENTE QUEREM COMBATER – O QUE SÓ LEGITIMA O SUCESSO DA POLÍTICA) A IMPORTÂNCIA ASSUMIDA PELO BRASIL NAS RELAÇÕES EXTERIORES, E A IMPORTÂNCIA DESTA LIDERANÇA, POIS BEM SOBRE O GOVERNO DILMA VOLTAMOS A ÉPOCA DE AUXILIARES, de novo rejubilam-se a velha mídia e os tucanos, o Brasil voltou a seu papel de vira lata. ASSUSTA também a saída de um Secretário Nacional Anti-Drogas exatamente por ter externado opiniões que coadunam com que existe de mais moderno no mundo em relação ao combate ao uso de drogas. Ora não é criminalizando as drogas e seus usuários que resolveremos este problema, pois do contrário ele já estaria resolvido e segue em outros setores, como por exemplo, em uma possível diminuição do papel do INCRA quase que para sepultar de resto a combalida política de reforma agrária.

Por ora nos resta a velha e boa ladainha dos últimos 08 anos que este é um governo em disputa, me pergunto será entre a direita e a extrema direita entre liberais e neo-liberais, pois de esquerda sobra-se muito pouco. Lembra-me a frase dita pelo fantástico Florestan Fernandes “não se iluda eles não são de esquerda, são sindicalistas querendo melhorar de vida. Mas isto é um grande avanço” Perfeito como quase sempre o grande sociólogo, efetivamente eles não são de esquerda, e efetivamente, melhorar de vida já é um grande avanço e em alguns casos neste país já é revolucionário, mas chegou a hora de exigirmos mais, este é o terceiro governo, portanto, não devíamos mais estar em disputa e sim implementando um programa coerente de transformação do país. Quem sabe retorno em breve com base na entrevista de Rudá Ricci sociólogo da PUCMinas sobre o Lulismo, esclarecedor e aliás Rudá torna-se quase que voz única no coro dos descontentes, mas isto é assunto para outro post.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os resto a pagar de Aecim Neves

Depois de um não tão longo verão, quente e chuvoso, apareço por aqui de novo, mas pelo jeito os dois leitores que este Blog possuia se foram com tão longa ausência. Mas são os afazeres e agora as novidades da mudança, de cidade e estado, que se aproxima. Mas o que me traz aqui foi a leitura de um comentário no Blog do Luis Nassif e na sequência um outro comentário sobre este comentário, feito pela Mana, que foi professora de Sociologia da Cultura na época da minha graduação em C.Sociais na UFMG, resolvi também da um pitaco na conversa e por fim resolvi publicar tudo aqui. Inaugurando assim o Blog no ano de 2011.primeiro o texto do Bruno Fernandes e depois os comentários da Mana e meu.


Por Bruno Fernandes

Não tem preconceito. O problema não são os intrumentos de gestão. Pelo menos na minha opinião os problemas são políticos.É a forma como o governo se relaciona com a sociedade. O governo Aécio Neves e agora Anastasia alieana o povo da politica estadual.
Este processo de alienação acontece por vários meios. O primeiro é o controle da mídia jornalística. Ora, só a dificuldade de encontrarmos informações fidedignas sobre o que acontece no estado já indica isto. Sem falar nos profissionais que são pressionados e demitidos por conta de qualquer "imparcialidade".

O segundo se dá na forma que o executivo se relaciona com o legislativo. Governar por meio de lei delegada é um absurdo! Um absurdo! Isto é desvio ético! Aliás, lei delegada é um absurdo tão grande que nem deveria exisitir, e como alguém lembrou aqui em outros posts, apenas seis estados possuem esta opção em suas constituições.

Um terceiro problema é uma extensão do segundo. Não há consultas populares. As políticas são definidas de cima para baixo num ótimo exemplo da diferença entre PT e PSDB. Enquanto o primeiro, historicamente, se fez a partir de suas bases o segundo não tem base, e com uma postura arrogante formula as políticas para um povo que não conhece.

A verdade é que está na hora, ou passando da hora, da democracia nos moldes do Estado Democrático de Direito, ser debatido em MG para valer. Em MG vive um autoritarismo silencioso, no qual o executivo governa absoluto, enquanto o legislativo bóia - a oposição é massacrada em MG - e o povo é ludibriado por uma cobertura jornalística tendenciosa e manipuladora.

Comentário de Mana Coelho
Moro em BH e posso afirmar que isto é a pura verdade. Aécio e Anastasia, como todos os tucanos, acreditam que o povo e seus representantes não devem dar palpites. Não respeitam os movimentos sociais. São politicamente conservadores e se sentem no direito de fazer o que lhes vem na telha. Já pensaram o que significa, em pleno século XXI, construir uma cidade administrativa toda de concreto e vidro? Os gastos com energia são enormes! Não há nada de ecológico nesse projeto que precisa de luzes acesas dia e noite (não sei a razão de tantas luzes acesas fora da hora de expediente), de ar condicionado ligado. A inspiração vem da primeira metade do século XX: JK fez encomendou a Niemeyer a igrejinha, a casa do Baile, o Cassino e o Iate Clube da Pampulha. Depois virou governador e presidente. Aécio encomendou ao mesmo Niemeyer a cidade administrativa. Tomara que nunca seja eleito presidente. O Brasil não merece. Se depender de mim, nunca será.




Meu comentário: Carlos Eduardo MARQUES
Concordo com o autor do post e com a minha ex- Profa. Mana Coelho (que sabe do que fala - doutora em sociologia com trabalho na área da cultura). O menor dos problemas, mas não desimportante, é o tal choque de gestão. Ele é em si perverso, mas sua perversidade como apontado no post e no comentário da Profa. Mana advém de algo maior que é uma visao totalitária (e não há exagero neste ajetivo) deste núcleo do PSDB mineiro. Ademais na grande mídia vejo somente um blogueiro, o ex-editor de Época e autor do Blog Diario do Centro do Mundo, falar claramente o Aécim é o novo que já nasce velho. Todas as suas idéias são ultrapassadas a começar pela febre por grandes e desnecessárias obras: como o tal Centro Administrativo, que pessoalmente acho feio e como a profa. Mana queria entender o porque da necessidade de ficar aceso de madrugada, deve ser para impressionar os chegantes do Aeroporto de Confins !!!!Na tola visão do governador.Mas não é somente o Centro Administrativos tivemos a carissima e pouco eficiente duplicação da Cristiano Machado e A, Carlos, aliás desta segunda "meu caminho de roça" dizia desde o começo, o problema é o gargalo na chegada ao Centro e, este é lógio permaneceu ou melhor piorou visto que agora se trafega com um pouco mais de rapidez por toda a avenida e se enrosca tudo no viaduto da rodoviária, isto para não falar que tal qual o Cento Administrativo a faixa de cimento (autosbus ou algo do genêro) se encontra fechada neste janeiro; elementar o cimento cedeu, má qualidade e pressa para inaugurar a obra antes das eleições, segundo um funcionário (heroi) que deve ter sido demitido de uma empreiteira, a um órgão de imprensa (porque sim agora sem o Aecim, ainda que travada e com a boca torta do cachimbo se começa denunciar as obras do período passado) . Bom devido ao espaço nem adentrarei em outros aspectos até mais crueis do governo Aecim. Por ossos do ofício viajo bastante pelo interior de Minas e é pavoroso que em algumas regiões quase todos os equipamentos construídos nos últimos anos se chamam Tancredo Neves (sim é verdade, com aquelas fotografias imensas do velho pintada na parede ou nas quadras) ou Risoleta NEVES. Enfim como gosta de dizer seus puxa-sacos vai ver que o Aecim é mesmo moderno, o problema é que a modernidade abaraçado por ele acabou-se lá pelos anos de 1968.

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de setembro

Hoje são 11 de setembro, uma dia simbólico pelas fatalidades: foi neste di, há 09 anos atrás que as Torres Gemêas foram dinamitadas por fundamentalistas islâmicos. Para além do que representa os EUA, suas políticas e suas perversidades (que culminaram no outro 11 de setembro, falaremos dele mais adiante) o ataque as torres gemêas se constituiram em um ataque covarde e cruel pois atingiu de forma indiscriminada civis e não somente aqueles propositores de uma política tão fundamentalista quanto a de seus atacantes.

Mas 11 de setembro, e isto é esquecido, os silêncios convenientes, é também a data de derrubada do governo Allende. Na fatídica manhã do dia 11 de setembro de 1973, liderados por Pinochet a direita chilena bombardeia o Palácio de La Moneda o que leva ao suicidio/homicidio de Allende. 

Chile 1970
Salvador Allende lidera a Frente Partidaria denominda  Unidade Popular (coalizão formada pelos Partidos Socialista e Comunista, além de importantes grupos de esquerda como o MIR e o MAPU) que é eleita (isto mesmo, eleita por vias liberais democráticas, ou em linguagem marxista-leninista seguindo as regras e ditames do sitema burguês liberal). A direita chilena adota então uma série de medidas para minar o governo Allende, o primeiro governo socialista a chegar o poder por eleições como gostava de dizer alguns apoiadores de Allende,  como por exemplo: sabotagem, dos assassinatos cometidos por grupos de extrema-direita como o Patria y Libertad, dos blecautes patronais. Apesar ou por causa destes atos, nas eleições intermediárias de 1972, a Unidade Popular conseguiu ainda mais votos do que nas eleições presidenciais que levaram Allende ao poder, em 1970. Tal arrobo foi considerado a gota da agua e em 11 de setembro de 1973, sob as ordens de Pinochet o Moneda é atacado. Resta a Allende o gesto supremo dos grandes estadistas: Pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Allende resiste por algum tempo, com uma pistola, o apoio de muitos leais companheiros e sua guarda presidencial.
Aqui neste QUILOMBO prestamos nossa referência a estes heróis. Allende Vive!!!! Companerõ Presente, como diriam os chilenos ou os brasileiros daquela época.
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O Chile como o Brasil, Argentina, Uruguay e outros companerõs de latino-américa fomos vitimas desta praga chamada ditadura, portanto, datas como as de hoje deveriam ser dias civicos para que horrores como estes não se assanhem novamente e, mesmo para que, em honra dos que verteram sangue pela democracia a mesma não fosse tão enxovalhada pela elite punhos de seda de sempre. Deprimente ver esta eleite que se esbaldou, deitou e rolou, empanturrou-se como o bolo mal dividido falar hoje em ameaça a democracia e liberdades. Hoje como ontem efetivamente sofremos ameaças as nossas liberdades mas ontem como hoje os ameaçadores são os mesmos, uma parte retrogada, elitista e imbécil da elite brasileira. Foi esta que tão bem Claudio Lembro definiu de elite brnca, aliás o Claudio Lembo é ele mesmo um exemplo que é possível ser outro tipo de elite.
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Ainda hoje no dia 11 de setembro leio que a chamada War on drugs, outro feito de W. Bush, já matou no México, nos últimos 04 anos 28.361 pessoas. Destas, 70% das vítimas eram civis de ficha e conduta limpas. Dentre os mortos estão 900 mulheres, 90 crianças e 30 jornalistas.LAMENTÁVEL. Lembrete: Caldeiron, atual presidente do México e fiel seguido da War on drugs foi "eleito" sobre uma forte desconfiança de fraude e ao assumir, em dezembro de 2006, a Presidência com o cheiro e algo mais de fraude eleitoral no ar, convocou  no primeiro dia do mandato as Forças Armadas e partiu para a Guerra às Drogas. A meta era desviar a atenção e tentar legitimar o mandato por meio de forte adesão à anunciada estratégia.

domingo, 29 de agosto de 2010

Sobre Lula, eleições e ...

Que o Governo Lula seja um marco na história deste país não temos muitas dúvidas. Que seu governo tenha cumprido algumas metas importantes idem. No entanto, e falo como um eleito deste governo, pelo menos no pleito de 2002, bom 2006 já não me aprazia mais a miscelânea que havia transformado o outrora governo da Esperança. Hoje, pelo menos pessoalmente soa estranho para mim a tamanha euforia que fomos tomados naquele outubro de 2002, ou mesmo quem sabe, naquele primeiro de janeiro de 2003. Como não esquecer de que saímos em pleno dia 30 a noite de BH com dois ônibus lotdos de C. Sociais, ao todo só da UFMG foram dezenas de ônibus. Tempos interessantes aqueles em que a esperança havia vencido o medo e, ainda tínhamos um espírito jovem que entre festejar com amigos e familiares o Revellion preferíamos as multidões fazê-los nos alojamentos da UnB, na Esplanada dos Ministérios, na rodoviária ou em lugares perdidos de Brasília. Mas i mais importante e notável. Fizemos campanha, votamos e estivemos lá na Posse do primeiro operário brasileiro a assumir a presidência. Ainda hoje me lembro com cenas verdadeiramente épicas daquele dia 01 de janeiro, ou mesmo antes, no dia da vitória (festas em várias partes de BH) e outrora Sapo Barbudo dizendo entre outras coisas:

“(...) Nós precisamos garantir que cada homem ou que cada mulher, por mais pobre que seja, tenha o direito de tomar café de manhã, almoçar e jantar todo santo dia. Nós temos que garantir às pessoas o direito de morar. (...) Nós temos que garantir às pessoas o direito de conquistar a sua cidadania. Somente nós iremos fazer a reforma agrária tão sonhada por milhões e milhões de brasileiros.”

Olhando hoje em agosto de 2010, qual foi à esperança que perdemos. Por que o medo venceu? Qual foram os nossos erros, os da esquerda socialista, qual foram os nossos desvãos. Pois se garantimos a quase todos os direitos humanos a alimentação. Falhamos enormemente em transformar este país em um império da cidadania?

Mas uma coisa para mim é certa, Lula é o atraso. Dias desses Daniel Cohn (um dos lendários lideres do maio de 68) disse que o Lula representa a esquerda atrasada, discordo dele, Lula não é de esquerda, se um dia foi não é mais; a rigor para mim Lula não é nem mesmo social democrata. O seu partido, outrora dos trabalhadores, ate pode ser chamado de social democrata, mas mesmo estes já são minorias. Se discordo de Daniel Cohn pois Lula não é de esquerda concordo quando ele chama a atenção para o fracasso das sociais democracias (no mais discordo da visão eco-capitalista eurocentrada). Fracassaram as sociais democracias no controle do capital, na promiscuidades com as benesses do poder, e o produtivismo a qualquer custo. Essa é a nossa real derrota, nós os socialistas democráticos que defendemos o pluralismo, a diversidade, a cidadania e os direitos humanos cada vez mais vemos desrespeito aos bagres, bugres, negros e outras minorias.

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Falando nisso, para onde caminhará o PSDB? Parece claro que a ala liderada por Serra-FHC sairá bastante fragilizada. Por outro lado, o PSDB de Alckmim deve sair fortalecido. Aqui temos um problema, pois se por um lado, este PSDB não representa necessariamente a ultra-direita econômica representa a ultra-direita comportamental. Se Aécio conseguir eleger Anastásia seu poder de cacife cresce e ele irá desafiar Alckmim no comando do partido. Neste caso qual será o PSDB desta liderança, a se tomar os discursos de Aécio seria o PSDB do pós-lula e não do anti-lula ainda que na prática não difira muito do PSDB de Serra ou Alckmim. Por outro lado o DEM que chamo de DEMO dever ficar mais pálido e branco ainda, mais radical, mais ruralista, mais sectário, menos plural e mais tradição família e propriedade. Basta saber qual será o espaço deste partido de direita ideológico. No mais será aquela salada de sempre abraçando os novos amigos do poder.

Queria falar do PMDB mais neste balaio de gato talvez coloque minha mão em um outro momento.

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Falando em esquerda socialista, uma possível conseqüência positiva da vitória de Dilma será o desmascaramento da relação nefasta do governo federal com os movimentos sociais e, se isso for possível, podemos perseverar novamente um partido de massas ligado aos movimentos sociais modernos pela cidadania, direitos humanos, diversidade e reforma agrária, urbana e econômica. É preciso acabarmos com o neo-liberalismo na prática e não apenas no discurso, como lembra Conceição Tavares se o neo-liberalismo perdeu sua hegemonia como discurso continua a gracejar nas práticas, como aliás mostra os lucros cada vez maiores dos bancos, empreiteiras, siderúrgicas, metalúrgicas e outras. Aliás já repararam que os sucessos do Lula é o retorno aos anos 50 e 60, realmente é o Brasil do atraso, aquele do latifúndio (através do agronegócio) do setor primário (altamente destrutivo de vidas, culturas, patrimônios e natureza) e o setor econômico parasita de sempre. Com LULA a maior invenção brasileira no campo econômico gracejou como nunca: me refiro ao que chamo de invencionice brasileira, o capitalismo sem risco. Capitalismo sem risco é aquele comum aqui no Brasil: ex. Você constrói mega obras com dinheiro público e recebe depois o direito de explorá-la por 30 anos e com preço mínimo garantido pelo governo, este é o caso p. ex do setor elétrico. Ou quem sabe aquela negociata chamada privatização: aquela em que a TELEMAR saiu de graça para seus atuais proprietários. Veja o que disse o Estadão:

Nos últimos 12 meses, o banco emprestou R$ 300 milhões ao francês Carrefour e R$ 400 milhões à italiana TIM para capital de giro.A alemã Mercedes-Benz também levantou R$ 1,2 bilhão para ampliar sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP).A também alemã Volkswagen recebeu R$ 642 milhões nos últimos 12 meses. Entre 2009 e 2014, a montadora investirá R$ 6,2 bilhões, 38% com dinheiro do BNDES.A americana Cargill conseguiu R$ 160 milhões no banco estatal - o equivalente a um quarto do que a empresa de alimentos vai investir em novas fábricas em Primavera do Leste (MT) e Uberlândia (MG).



sábado, 24 de julho de 2010

Porque apoio Plinio Arruda Smapaio 50 para Presidente

Uma alternativa socialista: nossas tarefas e diretrizes

Para isso, o PSOL apresenta as seguintes diretrizes gerais e tarefas, que serão assumidas por todas as nossas candidaturas majoritárias e proporcionais:



Auditoria da dívida pública, com suspensão do pagamento dos juros e amortizações, controle do fluxo de capitais e do câmbio, com subordinação do Banco Central (BC) ao Estado e taxação progressiva das grandes fortunas (acima de R$ 2 milhões).

Defesa da reestatização da Vale; contra as privatizações, em especial a dos Correios (não à transformação da EBCT em Correios do Brasil S/A).

Defesa da soberania nacional, fim da privatização das florestas, revogação da MP 458, que legaliza a grilagem no campo; desmatamento zero.

Apoio aos povos indígenas, ribeirinhos e das populações tradicionais, contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte.

Pela revitalização e contra a transposição das águas do Rio São Francisco; contra obras que inviabilizam a permanência das comunidades tradicionais da região; defesa da revitalização e implantação de projetos para combater os efeitos da seca.

Defesa da Petrobrás 100% estatal; com monopólio estatal da produção e exploração de petróleo; controle estatal e social sobre o pré-sal; transição para fontes de energia renováveis.

Reforma agrária, defesa dos movimentos sociais sem-terra e das suas ocupações; limitação do tamanho da propriedade rural ao tamanho máximo de mil hectares, com expropriação de todas as terras que utilizem trabalho escravo e infantil.

Pela segurança alimentar da população, contra os alimentos transgênicos.

Reforma urbana: defesa dos movimentos sociais de sem-tetos e das ocupações urbanas; pelo direito à moradia digna, contras as remoções forçadas e por um plano de utilização de imóveis vazios que hoje servem à especulação imobiliária como ponto de apoio fundamental em uma política de habitação popular.

Fim da criminalização dos movimentos sociais e da pobreza; anistia a todos os militantes e dirigentes dos movimentos perseguidos com mandatos de prisão, condenações e processo judiciais.

Manutenção do direito de greve e fim dos interditos proibitórios. Defesa do direito de greve dos servidores públicos; contra o arrocho salarial e o congelamento de salários do funcionalismo; contras as medidas e projetos que visam precarizar, privatizar e destruir os direitos dos servidores e os serviços públicos.

Fim do fator previdenciário e defesa da previdência pública.

Apoio à demarcação, homologação, titulação e garantia de inviolabilidade dos territórios indígenas, quilombolas e os territórios de matriz africana; combate ao racismo ambiental.

Redução da jornada de trabalho de 40 horas, sem redução de salários; fim da flexibilização da jornada e dos direitos trabalhistas, fim dos bancos de horas.

Defesa do Plano Nacional de Educação da Sociedade Brasileira e destinação de 10% do PIB para garantir educação pública em todos os níveis.

Fim do modelo de gestão por Organizações Sociais na Saúde e extinção das Fundações privadas na gestão pública; defesa da saúde pública universal, integral e com controle social.

Auditoria da dívida ecológica decorrente dos passivos ambientais provocados pelas grandes indústrias e o agronegócio; utilização do dinheiro do resgate dessa dívida para pesquisa e transição para matrizes energéticas limpas e renováveis.

Reforma política com participação popular, baseada no financiamento público exclusivo de campanha.

Em defesa da legalização do aborto, pelo fim da criminalização das mulheres.

Contra o racismo, a homofobia e o machismo.

Pela democratização dos meios de comunicação; auditoria de todas as concessões das emissoras de rádio e TV; fim da criminalização das rádios comunitárias; anistia aos comunicadores populares; proibição da propriedade cruzada dos meios de comunicação; banda larga universal operada em regime público; criação do Conselho Nacional de Comunicação como instância deliberativa de definição das políticas de comunicação com participação popular; políticas públicas de incentivo à implementação de softwares públicos e livres, ampliando o acesso e a democratização.

Apoiar as experiências e investir em novas iniciativas de economia solidária, cooperativas e associativas.

Retirada das tropas militares do Haiti e sua substituição por contingentes de médicos, técnicos e professores.

Política externa referenciada na soberania brasileira, no combate ao imperialismo e no apoio às lutas e à autodeterminação dos povos.

Combate sem tréguas à corrupção institucionalizada no Brasil - defendendo a punição de todos os envolvidos em denúncias de desvios de verbas, cassação de mandatos de parlamentares corruptos, financiamento público exclusivo de campanha.

Por um Brasil Socialista e Democrático

Oficialmente as eleições já começaram. As candidaturas estão colocadas e registradas. Mas há algo de estranho, de muito estranho, nestas eleições. A ausência de propostas e a ausência forçada dos eleitores. Ora, quais são as propostas dos candidatos oficiais. Sim pois se depender do combinado entre as eleites dominantes, esta será, ou melhor é uma eleição plebiscitária. Entre o candidato da situação e o da oposição, que inclusive no fundo não diferem tanto assim. Talvez por isso tanta baixaria, tanta valentia visto que no que concerne a uma visão de país pouco ou nada diferem. Ou será que não? Como saber se uma das novidades desta eleição é a ausência de planos, programas e quetais. Ora o que pensam DILMA E SERRA sobre Educação, Saúde, Reforma Agrária, Sistema Financeiro, Meio Ambiente, etc. O que pensam a longo prazo não frases vazias e imbecis que eles andam distribuindo aqui e acolá...aliás na ausência de um programa fala-se o que a platéia quer ouvir.... e dá-lhe um festival de incoerência é um tal de defender movimento aqui e acusá-lo ali, tudo ao gosto da platéia. Mas pior do que esse fenômeno é a consolidação nestas eleições da ausência do eleitor. Você e Eu, todos Nós somos meros joguetes. Não existe espaço para o eleitor, este é a massa amorfa que deverá ficar inanimado até o dia das eleições. Neste dia como boi deverá se dirigir a sua seção e escolher entre a situação e a oposição. Como se estivéssemos fadados a somente este caminho. Urge que saiamos do marasmo e que retomemos o processo democrático. Urge que debatamos que país queremos. Que sociedade queremos. Que desenvolvimento queremos.

Urge para os de esquerda, da esquerda socialista e democrática, não da esquerda da Natura (eis que um novo paradoxo, um dos brasileiros citados na lista dos homens mais ricos do mundo o Sr. Leal da Natura é de esquerda) que recuperemos o discurso que construamos uma alternativa, uma frente anticapitalista. Estive na Amazônia e a Utopia se encontra nos movimentos chamados Tradicionais e seus novos direitos. Para aqueles que acreditam que a história chegou ao fim: a Amazônia e seus movimentos sociais de base darão a resposta. Cabe a nós da cidade  caminharmos junto a estes movimentos para o fortalecimento de uma nova época. A época não mais do capital e sim a era dos direitos autóctones, da diversidade, da pluralidade, da defesa da diferença. De uma diferença que é ela mesma fruto do combate a desigualdade. Eis uma era que não confunde equidade com igualdade.

Enfim necessitamos de unir nossas bandeiras em prol da sustentabilidade ambiental, a liberdade de expressão, a participação popular e o respeito aos direitos humanos sem concessões, a defesa da Reforma Agrária.





quarta-feira, 14 de julho de 2010

O PT e as bases católicas

Um grande texto que ajuda a entender porque não voto no PT, não votei no Lula e não votarei em Dilma.Com a declinada a direita de Marina e como não sou um cidadão do muro. Vou e com muit gosto em Plinio Arruda Sampaio.

O PT e as bases católicas

Enviado por luisnassif, ter, 13/07/2010 - 10:40

Do Valor
Era Lula mitiga adesão de bases católicas ao PT
Maria Inês Nassif, de São Paulo

13/07/2010
O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação. A ligação entre ambos, todavia, não é mais a mesma. Houve uma "despetização" desses movimentos. O setor progressista católico botou o pé para fora do partido que hoje está no governo da União e se move com mais desembaraço nos movimentos sociais do que fora do circuito de poder, e nos movimentos políticos suprapartidários, como o que resultou na aprovação do projeto Ficha Limpa, no dia 19 de maio.

As bases católicas progressistas ainda votam de forma majoritária no PT, mas não se misturam com o partido e são proporcionalmente menores que nos anos 80 e 90. Primeiro, porque a própria instituição perdeu a sua centralidade, com a redemocratização. "Nos anos 70 e 80, a Igreja era o guarda-chuva para a sociedade civil na defesa de direitos, um abrigo para os movimentos sociais e um centro de atividade política. Quando abriu o regime, não precisou mais exercer esse papel, porque floresceram outras institucionalidades", analisa o padre José Oscar Beozzo, da Teologia da Libertação - o veio de reflexão da Igreja de esquerda latino-americana que foi condenado à proscrição nos papados de João Paulo II e Bento XVI, acusado de tendências materialistas, mas que resiste nas bases sociais católicas de forma mais tímida e "de cabelos mais brancos", segundo Beozzo, e com mais dificuldades de reposição de quadros, na opinião de Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, um de seus teóricos.
Na democracia, a atividade partidária não precisa estar mais abrigada na Igreja, nem a Igreja tem a obrigação de ser o grande protagonista de movimentos políticos civis: "No movimento do Ficha Limpa, houve um trabalho conjunto com setores laicos. É melhor trabalhar assim", afirma Beozzo. "Sem a capilaridade da Igreja, dificilmente o movimento conseguiria reunir 1,6 milhão de assinaturas para a proposta de iniciativa popular", relativiza o juiz Márlon Reis, um dos organizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.
e outro lado, também foi gradativamente se reduzindo o espaço de atuação da Igreja progressista nas bases sociais. Isto se deve à evasão dos setores mais pobres das igrejas católicas, que rumam celeremente para templos evangélicos, e à política sistemática de esvaziamento dos setores católicos progressistas por Roma. A igreja da Teologia da Libertação ocupa um espaço, junto às classes menos favorecidas, a que os tradicionalistas não conseguem acesso. Quando esse setor tem seu acesso reduzido a estas bases, a adesão ao catolicismo também diminui. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, 89,2% declaravam filiação ao catolicismo em 1980; em 2000, eram 73,8%. Em 1990, esse índice era de 83% - um ritmo de queda muito aproximado a 1% ao ano nos dez anos seguintes. As religiões evangélicas eram a opção de 6,7% da população em 1980; já trafegavam numa faixa de 15,4% dos brasileiros em 2000. Segundo dados do Censo, subiu de 1,6% para 7,3% os brasileiros que se declaram sem religião.

O IBGE parece confirmar a teoria de Frei Betto em relação à origem dos que saem do catolicismo em direção às igrejas evangélicas: enquanto, na população total, 73,8% se declaravam católicos no Censo de 2000, esse número subia para 80% nas regiões mais ricas e entre pessoas de maior escolaridade.

Segundo Beozzo, a Igreja Católica encolheu nas comunidades onde viscejava o trabalho pastoral da igreja progressista. "Hoje a igreja é minoritária nas comunidades. Para cada três igrejas católicas, existem 40 pentecostais." Além da perda de fiéis para as igrejas católicas nas periferias urbanas, a Igreja católica tem perdido também para os que se declararam sem religião. É a "desafeição no campo religioso" a que se refere Beozzo.

Para Frei Betto, todavia, as perdas respondem diretamente à ofensiva da hierarquia católica contra a Teologia da Libertação. Essa é uma posição que foi expressa também pelo bispo emérito de Porto Velho, dom Moacyr Greghi, na 12ªInterclesial, no ano passado, quando as comunidades eclesiais de base surpreenderam ao reunir cerca de 3 mil delegados num encontro cujo tema era "CEBs: Ecologia e Missão - Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia". "Onde existirem as CEBs, os evangélicos não entram e os católicos não saem de nossa igreja", discursou dom Moacyr.
Segundo teólogos, padres e especialistas ouvidos pelo Valor, processos simultâneos mudaram as feições da ação política da igreja. A alta hierarquia católica fechou o cerco contra a Teologia da Libertação, quase que simultaneamente à redemocratização do país e à emergência de instâncias livres de participação democrática - partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e movimentos organizados.

O PT, principal beneficiário dos movimentos de base da Igreja, se autonomizou e absorveu quadros originários das CEBs, das pastorais e das ações católicas especializadas (JEC e JUC, por exemplo). Ao tornar-se poder, pelo voto, incorporou lideranças católicas, mas também decepcionou movimentos que estavam à esquerda do que o partido conseguia ir administrando o país e mediando interesses de outras classes sociais. "As bases estão insatisfeitas, mas têm medo de fazer o jogo da oposição, que está à direita do governo", analisa Frei Betto. "Tem uma parte dessa militância que tem pavor da volta do governo tucano", relata o candidato do P-SOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio.
O espaço do PT nas bases católicas ficou menor depois da ascensão do partido ao poder e da crise do chamado Escândalo do Mensalão, em 2005 - quando foi denunciado um esquema de formação de caixa 2 de campanha dentro do partido. Hoje, a relação dos católicos progressistas com a legenda não é mais obrigatória e os militantes de movimentos católicos de base são menos mobilizados e em menor número. Os partidos de esquerda acabaram incorporando um contingente da base católica que continua partidarizada, embora o PT ainda seja majoritário.

"O PT continua sendo o partido que tem mais preferência dos militantes das Comunidades Eclesiais de Base, mas existem partidários do P-SOL e tem gente que saiu do PT para militar com a Marina Silva, do Partido Verde", conta o padre Benedito Ferraço, um ativo militante . Em alguns Estados, como o Maranhão, onde existia uma militância histórica do antigo MDB autêntico, da época da ditadura, ainda se encontram bases católicas progressistas pemedebistas, segundo padre Ferraço. O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, que milita junto a setores da Igreja na defesa da reforma agrária - e assessora a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o tema - tem a adesão de líderes de movimentos da Igreja ligados à questão agrária. Contabiliza o apoio do ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra, o bispo emérito Dom Tomás Balduíno. Marina - que, embora tenha abraçado a religião evangélica, tem na sua origem política a militância nas CEBs - recebeu a adesão do guru da Teologia da Libertação, Leonardo Boff.

Na avaliação do ex-vereador Francisco Whitaker, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, as bases da igreja progressista têm saído da militância petista, mas engrossam mais as fileiras dos "sem-partido" do que propriamente as legendas mais à esquerda ou opções mais radicais pela ecologia, embora isso aconteça. "Hoje, a militância partidária é apenas uma das possibilidades", afirma Whitaker, que foi um dos líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que esteve à frente da campanha pelo projeto dos Ficha Limpa.
Whitaker e Frei Betto - este, junto com Boff, é um dos expoentes da Teologia da Libertação - apontam também um outro fator para a "despetização" das bases da Igreja: a absorção de quadros originários das CEBs e das pastorais sociais pelo próprio governo. "O movimento de base foi muito desarticulado, ou porque os seus líderes foram cooptados pelo governo do PT, ou porque foram incorporados à máquina partidária", diz Frei Betto. Isso quer dizer que o militante católico absorvido pelas máquinas partidárias e do governo deixou de ser militante e passou a ser preferencialmente um quadro petista.

A incorporação à máquina não é apenas a cargos de confiança em Brasília. "As representações estaduais do Incra e da Funasa, por exemplo, absorveram muita gente que veio dos movimentos de base da Igreja Católica", conta Frei Betto. Também a máquina burocrática do partido atraiu os militantes que antes atuavam nas bases comunitárias de influência católica.

A "laicaização" do PT foi mais profunda, todavia, após 2005. "O mensalão bateu forte nas bases católicas", avalia Whitaker. Sob o impacto do escândalo, centenas de militantes petistas aproveitaram o Fórum Social Mundial, que naquela ano acontecia em Porto Alegre, para anunciar a primeira debandada organizada de descontentes, que saíram denunciando a assimilação, pelo PT, das "práticas e a maneira de fazer política usuais no Brasil", conforme carta aberta divulgada por Whitaker. "Eu tomei a decisão de integrar o partido dos sem-partido", conta o ex-vereador. A aposta, naquele momento, era que esses dissidentes criassem um forte partido ligado à esquerda católica. O P-SOL nasceu, mas pequeno e fraco - uma reedição, em tamanho reduzido, da aliança entre esquerda católica e grupos marxistas que, 15 anos antes, havia criado o PT.
Os "sem-partido", no cálculo de quem saiu, são em maior número. Whitaker chama essa "despetização" de "saída para a sociedade": o contingente se incorporou ao movimento dos Ficha Limpa, agora reforça a briga pela aprovação da Emenda Constitucional de combate ao trabalho escravo e tem atuação na luta pela reforma agrária. Tem forte atuação também - e quase definitiva - na organização dos Fóruns Sociais Mundiais (FSM) que ocorrem todo ano, de forma quase simultânea ao Fórum Econômico Mundial de Davos, como uma opção de debate econômico dos excluídos das generosidades do capitalismo mundial. Exercem uma militância de certa forma invisível na política institucional, mas muito atuante nas bases, de questionamento da legitimidade das dívidas interna e externa.

O secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Daniel Seidel, afirma que esse setor católico vive hoje em estado de ebulição, depois de um período de recuo, imposto especialmente pela ofensiva de Roma contra os setores mais progressistas da Igreja da América Latina. No caso brasileiro, esse novo período de eferverscência é atribuído a Dom Dimas Lara, secretário-geral da CNBB, de um lado; e de outro lado, ao papel desempenhado pelas Assembleias Populares, um formato de organização das bases mobilizadas da Igreja. As Assembleias têm definido uma ação política fora dos partidos e engrossado as mobilizações dos movimentos populares. São um espaço para onde tem convergido a atuação da Igreja cidadã: é onde se definem questões de atuação conjunta com outras igrejas, leigos, movimentos sociais e partidos políticos, embora jamais vinculados a eles.

Embora a "saída para a sociedade" tenha se dado num quadro de frustração com o governo, existe cautela em relação a ações contra o governo Lula. "Tem uma parte das bases católicas que acha que, ruim com ele (Lula), pior sem ele. Essa parte tem pavor da volta de um governo tucano", analisa Arruda Sampaio. "Embora as bases estejam insatisfeitas, têm medo de denunciar o governo e fazer o jogo da oposição", diz Frei Betto. Isso ocorre também com os movimentos sociais que já estão descolados da Igreja, como o MST, que foram criminalizados nos governos de FHC, não concordam com os rumos tomados pelos governos de Lula, mas ainda assim preferem a administração petista, numa situação eleitoral de polarização entre o PT e o PSDB.

Ex-militantes egressos da Igreja migraram para Marina e Plínio
De São Paulo
13/07/2010

A Igreja progressista já não produz quadros para a política na quantidade que o fazia antigamente, mas a política brasileira pós-redemocratização está repleta de suas crias.

No início do governo, no comando do programa Fome Zero, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, contabilizou-s em artigo no "Correio Braziliense": Marina Silva, ex-militante das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja; Benedita da Silva, líder comunitária cujo primeiro marido, o Bola, militou no movimento Fé e Política; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que foi da Juventude Estudantil Católica (JEC) de Anápolis (GO); Dilma Rousseff, companheira de cárcere de Frei Betto e de outros religiosos, no presídio Tiradentes; José Graziano, formado politicamente na JEC; Olívio Dutra e Gilberto Carvalho, que vieram da Pastoral Operária; José Dirceu, que no período de clandestinidade foi abrigado no convento São Domingos; e o jornalista Ricardo Kotscho, com quem Frei Betto criou grupos de oração, base do trabalho evangelizador da Teologia da Libertação .

Muita água rolou por baixo da ponte, mas nessas eleições presidenciais pelo menos dois candidatos beberam dela. A evangélica Marina Silva, candidata a presidente pelo PV, é uma. "Nós crescemos na batina do dom Moacyr (Grechi)", afirma a candidata. Militante desde cedo das comunidades eclesiais de base do Acre, atribuiu à Igreja católica, em especial de dom Moacyr, o fato de o Estado ter encontrado caminhos políticos diferentes ao do narcotráfico. Foi o pessoal do dom Moacyr que ganhou eleições para governos e Senado e forneceu quadros para secretarias e estrutura burocrática,
O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, foi um incansável militante, dentro e fora da Igreja, pela reforma agrária. Era um quadro do PT até o racha de 2005. Acha que, em algum momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve liderança incontestável nas bases da Igreja, mas hoje não lidera mais "gregos e troianos".



A deputada e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB), embora não seja candidata à Presidência, é um exemplo de política que se criou nas bases da Igreja. Em Pernambuco, onde dava os seus primeiros passos na luta política, a Igreja progressista ajudava a organizar sindicatos rurais numa região em que as ligas camponesas - movimentos sociais muito atuantes antes do golpe de 64 - foram destroçadas pela ditadura. "Havia uma grande repressão às ligas e aos camponeses, mas a Igreja tinha uma relativa liberdade de transitar por esses espaços e aproveitava disso para organizar sindicatos", conta a deputada. Erundina veio para cá ameaçada pela repressão militar. Elegeu-se prefeita em 1989 - e foi a sua relação com a Igreja progressista que a protegeu nos momentos mais difíceis. (M.I.N)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Saudações aos que tem coragem

Ontem a ex-deputada Sandra Starling fundadora do PT em Minas e primeira candidato do partido ao governo de Minas no longínquo ano de 1982 desfilou-se do partido. Parabéns a ela que tem coragem. Já disse certa vez aqui no Blog, que acho que toda minha decepção com o PT é culpa de um ex-vizinho. Daqueles tipo que descrevendo as pessoas não acreditam, acham que é estereótipo, mas não o Cadu: o sindicalista, bancário, aquele cara voluntarioso, cheio de estrelas, um cara que se dava por uma causa...lembro rapidamente este fato, pois o relato abaixo de Starling sobre as campanhas heróicas e nobre do PT me fizeram lembrar desta época e destas pessoas. E assim se vai mais uma página da história petista, o partido que um dia ousou ser Partido e parafraseando Cazuza é agora apenas um coração partido. Ah e que se registre, esta simbiose PT-PMDB é das cousas menos ruins que o PT se fez e vem fazendo.

Satarlig tem 66 anos de idade - 32 dos quais dedicados ao PT.

"'É lamentável que o PT acabe refém de uma pessoa, que é o Lula. [Ele] Tem os seus méritos, mas todo mundo tem algum mérito; virou caudilho no partido, manda, desmanda, decide, todo mundo obedece. Não dá!", desabafou em entrevista à Folha Online.

- Agora, que negócio é esse? Ninguém tem vez e voz? Estou fora.



Antes distribuiu a carta que segue:

“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”

Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão, que intitula este artigo. Era repetida a boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.

Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.

É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido desde sempre.

Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão 28 anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes.

Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores. Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional.

Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões.

Em Minas, tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do país naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.

Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos.

Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar.

Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima.

Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde”.

domingo, 23 de maio de 2010

A ausência de um projeto nacional

Como é sabido ando afastado deste blog, são os deveres de ofício, que nestes meses tem sugado todas as minhas energias. No entanto, penso que estou próximo de voltar a certa normalidade. Quem sabe a normalidade de pelo menos sobrar um tempinho para prosear por aqui no blog. Assim sendo, hoje trago uma visão política que andei matutando nos últimos dias.
Política

Ando cada vez mais – não é desiludido o termo, pois que desilusão já é concessão ao pensamento dominante - impressionado com a ausência de um debate sério sobre um Programa de Desenvolvimento para o país. Percebam temos a julgar pela mídia – que insiste em esconder os demais candidatos – 03 candidatos. Em uma locução: são mais do mesmo. Impressionante qual a diferença real e não cosmética entre Dilma, Serra e Marina, esta última então é a grande decepção do certame (sobre isso já escrevi aqui no Blog) ela realmente anda exagerando, veja que, hoje ela esta a direita do Serra (disse Marina, p. ex essa semana que o maior acerto do presidente FHC foram as privatizações que ela não se oporia a nenhuma ainda que conteste as formas éticas de sua condução). A VERDADE É ESSA. E que me desculpem os que a apóia, lógico que um governo Marina seria infinitamente melhor e mais justo que um governo Serra (PRINCIPALMENTE NO QUE SE REFERE AO CAMPO DOS DIREITOS INDIVIDUAIS, NESTE CASO MARINA É UMA CONSERVADORA ESCLARECIDA, O QUE SE CHAMA DE LIBERAL NOS EUA, por isso em seu governos minorias teriam vez e voz, e mesmo temas tabus poderiam ser debatidos e discutidos), no entanto, estou analisando as falas da candidata e nelas, o programa econômico de Marina se encontra direita de Serra. Assim sendo temos 03 candidatos de um projeto único, o capitalismo de tipo liberal, tudo bem digamos assim os 03 candidatos enterraram as versões mais radicais do neoliberalismo, mas no fundo são todos a favor do desenvolvimento conservador capitalista. Dilma então mereceria um capitulo a parte, que não faremos neste momento. Mas digamos assim Dilma encarna a perfeição, aquilo que os bons e antigos C. Políticos tão bem denominavam de conservadorismo econômico com investimento social.

Estava a refletir sobre isso estes dias e comecei a achar que estava sendo injusto, resolvi pesquisar então e veja, o que achei na Carta Maior: uma matéria onde eles entrevistavam lideranças (do que a Carta Maior – com seu imenso lulismo- considera de esquerda, como o balaio de gato era muito grande e quase todos tinham a mesma opinião demonizadora do Serra e beatificadora da Dilma. Resolvi considerar somente a opinião de lideranças dos últimos 03 partidos de esquerda do país (os grifos são meus).


Ivan Valente (Psol) – Não há, até o momento, uma disputa de projetos, mas sim diferenças tópicas no mesmo projeto político de continuidade, em essência, do modelo neoliberal. A política econômica não está posta em questão, os fundamentos ortodoxos de corte dos gastos públicos, aumento de juros e liberdades totais de movimento de capitais farão parte tanto do programa da candidatura governista quanto da oposição de direita. O monumental impacto do pagamento de juros e amortizações da dívida pública para a área social não serão debatidos.

José Maria de Almeida (PSTU) – O que está em jogo é o controle da administração do Estado, localização que permitirá ao vencedor definir as políticas econômicas, ou seja, qual setor da sociedade será privilegiado com a distribuição dos recursos do país. É preciso registrar que as duas alternativas que se apresentam como favoritas na disputa eleitoral defendem o mesmo modelo econômico para o país. No governo FHC, privilegiaram-se banqueiros e grandes empresários, e no governo Lula também. Para os trabalhadores, como sempre, ficaram as migalhas das políticas sociais compensatórias.

Ivan Pinheiro (PCB) – Deveria estar em jogo um intenso debate sobre os grandes problemas nacionais, uma discussão ideológica, o confronto de projetos, a política externa brasileira, a integração da América Latina, a soberania nacional, a reestatização da Petrobras, a redução da jornada de trabalho, a reforma agrária e outros temas sobre o presente e o futuro do país. Infelizmente, as oligarquias e a mídia podem, com a força que têm, fazer desta eleição um par ou ímpar entre dois projetos de administração do capital, um capitaneado pelo PT e outro pelo PSDB. Há um risco de os candidatos desse campo, que disputam quem é mais eficiente para alavancar o capitalismo brasileiro, ficarem disputando qual mandato de oito anos (FHC ou Lula) apresentaram os melhores indicadores macroeconômicos.



Em minha opinião, as três lideranças de forma sucinta e sem firulas analisam a realpolitik. Vamos a ela, como lembra Ivan Valente em consonância com nossa opinião, não existe projeto alternativo. Existe a disputa pela paternidade e pela continuidade das políticas ortodoxas e ditadas pelo sistema financeiro. Em consonância com Ivan Valente, Zé Maria também reforça nosso sentimento de continuidade e chama a atenção, tal qual também, percebemos neste Fala-flu interminável e chato que virou a net que tamanha virulência neste momento, é necessária mas não pelo confronto salutar de idéias e projetos mas o que se busca é somente uma disputa comezinha pelo poder e suas benesses, que são tantas. E para arrematar, viva o velho Partidão, o outro Ivan o Pinheiro arremata a fala dos dois primeiros reunindo seus argumentos, reforçando-os e indo além ao lembrar que, o momento é mesmo desanimador, pois mesmo que na manutenção da política econômica poder-se-ia discutir pelo menos alternativas de nação, de país.

Para finalizar fica o amargo para nós de esquerda e a dura e necessária reflexão de que perdemos, ao menos momentaneamente a batalha, veja que é motivo de chacota- a verdade é dura- é motivo de chacota qualquer sugestão de uma alternativa, de uma disputa polarizada e ideológica. Aliás ideologia virou palavrório. O governo Lula entrará para a História como o governo que jamais na histõria deste país obteve tantos feitos. E obteve mesmo e são justo alguns dos louros que recebe, entrará para a História e isso não é pouca coisa como o governo que fez a maior inclusão da história (e isso ao contrário do que pensa as Vejas, Globos e Folhas não é algo menor muito pelo contrário) mas entrará também para a história como o governo que incluiu mas manteve a mesma taxa de desigualdade, pois que incluir não é diminuir distância entre classes e entrará sobretudo para nós como o Governo que esmagou e destruiu qualquer possibilidade de um outro modelo, hoje não temos mais discursos, debates, movimentos práticas, nem mesmo temos espaços nos meios modernos de debates. Estamos alijados somos como exilados em nossa pátria. Lula por isso realmente é o maior de todos os tempos, desde que, não insultemos a história e acrescentemos. O maior presidente conservador que tivemos o que não é pouca coisa, com Lula o sonho do bruxo Golbery se completou pena ele não estar vivo para assistir, o seu partido consentido, aquele que segundo Golbery seguraria as massas cumpriu o desígnio.