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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Faltam 10 dias para as eleições

A imprensa tem direito de falar o que quiser, e o presidente tem direito de rebater. A Constituição prevê liberdade de imprensa e também a liberdade de expressão. José Eduardo Dutra, presidente do PT

Faltam 10 dias para as eleições
Carlos E. Marques, antropólogo

Faltam 10 dias para as eleições, e se inicia agora a chamada reta final das eleições. Resta agora o período mais critico do processo eleitoral. Período este que tudo indica será bastante sangrento, visto que, os últimos pudores, sé é que eles ainda existiam por parte de certo setor da imprensa desapareceu de vez. Agora é a vez do vale-tudo seja partidário, seja midiático.
Na junção destes dois vale-tudo estamos diante segundo as novas vestais da liberdade, de um eminente ataque a democracia, afaste-se aqui por ser desnecessário, que os democratas de hoje são os autocratas de ontem, aqueles que jamais se preocuparam com estas ameaças e temores durante longos períodos de ausência desta mesma democracia e liberdade hoje tão querida e ameaçada.
Seria risível, senão fosse preocupante tal movimento, preocupante, pois por trás de um discurso de defesa das liberdades encontra-se na verdade uma semente de destruição desta mesma liberdade. Ora qual é a ameaça de liberdade que enfrentamos neste país? Como nos lembra Luiz Fernando Veríssimo “Desde UDN x Getúlio nenhum presidente brasileiro foi tão atacado e denunciado quanto Lula.” Com efeito, lembra ainda o grande escritor e cronista gaucho e colorado que “O que talvez precise ser revisado, depois dos oito anos do Lula e depois destas eleições, quando a poeira baixar, seja o conceito da imprensa como formadora de opiniões.”
Tal qual Veríssimo corretamente o presidente do PTeco (e veja, portanto, que podemos não ser eleitores de um candidato, podemos inclusive ser critico de um governo, sem no entanto, que com isso sejamos antidemocráticos) lembra de modo indireto que a liberdade de imprensa é filha da liberdade de expressão. Dito de modo vulgar “Fala-se o que quer e ouve-se o que não quer”. Na mesma direção do Veríssimo, do presidente do PT segue o jornalista Alon Feuerweker quando lembra “Qual é o problema nos protestos de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT e de aliados contra a imprensa? Não são as reclamações em si. A imprensa possui o direito de publicar/veicular o que bem entende, e também os críticos da atividade jornalística têm a prerrogativa de dar opinião a respeito. É um direito universal. Justamente empenhada na defesa da própria liberdade, não é razoável a imprensa ficar com não me toques quando se exerce a liberdade alheia. Se o jornalista ou a empresa jornalística avaliam que foram atingidos na sua honra, que recorram à Justiça. O Código Penal está aí. O mesmo vale para os políticos, do governo ou da oposição: o Judiciário é o caminho para a busca de reparação." Em sua argumentação Alon corretamente observa que em verdade não se encontra nenhuma ameaça real a liberdade e se acaso houver existem mecanismos para sua refutação como o STF (que em várias decisões e jurisprudências afastou qualquer tipo de suposta ameaça ao campo das liberdades) e mesmo o Congresso Nacional.
Como tenho dito, a democracia não é necessariamente o melhor governo e sim o governo da maioria. Simples assim. Aqueles que não concordem com a regra que se busque dentro das normas sua alteração. No mais, como temos visto por parte da candidatura e dos apoiadores de José Serra (o partido da mídia golpista) é uma vergonha. Fala-se despudoradamente em manipulações, em ataques a honra, destruição de reputações e sobre o manto do discurso da liberdade em se violar esta mesma liberdade. Lamentável!!! O rio corre para o mar e se essa corrida não nos agrada paciência (não me agrada o governo Aécio e sua real violação das liberdades, nõ me agrada suas manipulações, não me agrada seu candidato, no entanto, devo resignar-me e aceitar se for a decisão da maioria mais quatro anos de promiscuidade entre a coisas publica e a coisa privada), faz parte do jogo democrático liberal burguês, o que não faz parte deste jogo é tentar por quais vias forem atingir o processo de forma autoritária. Pelo menos é o que pensa este socialista, defensor do pluralismo, das diferenças e do exercício radical das liberdades. E antes que perguntem, abro meu voto obrigatório (violador das minhas liberdades individuais) sempre à extrema-esquerda. Sou Plínio, sou a favor das reformas agrária, urbana, financeira, da taxação das grandes fortunas, da diminuição dos lucros acachapante dos bancos e do capital especulativo, sou a favor das minorias indígenas, quilombolas, homoafetivas, de direitos diferenciados para negros, mulheres e outras minorias historicamente violadas em seus direitos, do aborto, da legalização da maconha, liberdade religiosa e outras coisitas assustadoras para uns e outros denunciadores das ameaças as liberdades, aliás, varias destas vestais acabam em seu afã de defender as liberdades, não aceitando a liberdade de opinião e das práticas dos que pensam diferentes.

POS TEXTO, ACRESCIDO HOJE, DOMINGO
Mais uma reflexão chamando as coisas como são e defendendo um pouco mais de civilidade.
Luis Carlos Bresser Pereira (ex-ministro dos governos Sarney e FHC) mas acima de tudo um intelectual que sabe a importância de se desmontar bravatas:

Com estas considerações em mente, li em "Política de Direitos Humanos", excelente livro organizado por uma jovem professora de ciência política da USP, Rossana Rocha Reis, duas conferências pronunciadas por dois homens públicos da mais alta qualidade, José Gregori, primeiro titular da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, criada em 1997, e Paulo Vannuchi, atual titular dessa secretaria de nível ministerial
Os dois são amigos muito caros para mim: Gregori foi meu contemporâneo na Faculdade de Direito, e companheiro político de toda vida, Vannuchi, meu aluno no doutorado em ciência política na USP -um aluno de convicções firmes que milita no PT desde a sua fundação.
As duas conferências nos dão um quadro da luta pelos direitos humanos no Brasil, mas o que mais me chamou a atenção foi como elas se completam. Como o trabalho de um foi continuado pelo outro, como a luta pelos direitos humanos não é uma questão de partidos em conflito, mas de uma sociedade que se irmana na luta contra a tortura e a violência policial, contra o racismo e o antissemitismo, contra a prostituição de menores, contra a exploração de crianças e adolescentes, contra as violências dirigidas às mulheres, aos homossexuais.
Vannuchi foi o primeiro a falar. E sua fala foi a do reconhecimento de uma construção e de uma continuidade: "Existem avanços no sentido da consolidação de direitos, o que é particularmente claro de 1988 para cá... No governo FHC houve importantes avanços".
Gregori, por sua vez, além de corresponder ao apreço que Vannuchi manifestara por ele, assinalou: "Nossas posições políticas como todos sabem não coincidem, mas a nossa essência do ponto de vista do papel dos Direitos Humanos no Brasil é praticamente coincidente".
Não é só nesta área que há continuidade. Em vários setores ela data da transição democrática. Uma continuidade que responde à Constituição de 1988.
Por isso, nestas eleições, não posso deixar de ver com perplexidade, de um lado, a tese de que tudo começou no governo Lula, que jamais em tempo algum houve um governo como esse, e, do outro lado, o renascimento do udenismo liberal-autoritário segundo o qual o governo atual desrespeita a Constituição e a candidatura Dilma Rousseff é uma ameaça para a democracia brasileira.

Manifestações partidárias e apaixonadas desse tipo, sem base na realidade, não honram quem as faz. Não contribuem para a democracia brasileira.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama: 44° president of USA

Barack Hussein Obama já é o 44 ° presidente da história dos EUA. Bom fora as pompas e os cerimoniais, trago aqui o que considero mais importante dessa primeira fase da posse, pois a mesma ainda continuará com desfiles e festas.
Aretha Franklin: lindo, lindo, lindo sempre é lindo vê a Maria Betânia deles. Os que me conhecem sabe da minha paixão por ambas.
2° O discurso de posse. Neste caso me chamaram a atenção os seguintes pontos:
- Obama diz com todas as palavras que não importa o tamanho do estado e sim sua competência em atender ao seu público alvo. Nesta parte disse mais o mercado é bom mas insuficiente. Bom de forma velada como deve ser em um discurso como esse Obama joga na lata de lixo a onda neo-liberal. Foi ela segundo ele que levou a atual crise.
- Obama lembrou que as armas são importantes mas que respeito não se conquista com elas e sim com o ideal americano. Nesta parte também se disse aberto a cooperação com os amigos e ao dialogo com os inimigos. "É mais importante construir do que destruir". Ainda nesse tema Obama bateu pesado nos anos Bush e prometeu o retorno aos dogmas norte-americanos: a liberdade. Neste trecho ele então afirma que esta na hora da América voltar a sua tradição de cidadania.
- E por fim, se politicamente os momentos políticos foram os resumidos acima. O momento mais emocionante foi a parte final quando disse algo do tipo: há 60 anos um homem negro não poderia entrar em um restaurante e hoje seu filho faz esse juramento e assume a esse cargo.
Um grande discurso curto, potente, coerente e que deu recado.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

De Abraham Lincoln a Barack Obama

A admiração de Obama a Lincoln é notória e repetida várias vezes por Barack. Mas quem foi Abraham Lincoln? Em comum com Barack Obama, Lincoln fez carreira política em Chicago. Lincoln era um republicano, sim como já dissemos naquela série de post sobre a história política norte-americana, até a eleição de Delano Roosvelt, outro dos heróis de Obama, o partido progressista era o Republicano. O partido fundado pelos moradores do norte, pró-abolição e pró-confederação. Enquanto isso o partido democrata era dominante no sul racista, segregacionista, separatista e escravista. A eleição de Lincoln difere em tudo da de Obama, sua vitória fora apertada e sua posse já se dera sobre o efeito do que viria a ser a guerra civil: sete estados já estavam em rebelião aberta contra a União, para criar a Confederação sulista.
Além disso segundo várias publicações respeitadas norte-americana, inclusive a Enciclopédia Lincoln, a famosa viagem de trem, agora repetida por Obama, se deu em um clima bastante tenso. Segundo informações nunca totalmente confirmada, Lincoln seria assassinado durante essa viagem: segundo essa versão da história, os escravocratas de Mryland revoltados com a promessa do fim da escravidão teriam conspirado para assassinar Lincoln em Baltimore.
Alertados por uma agência de detetives contratada para a segurança do presidente eleito (sim naquela época não existia serviço secreto) a comitiva de Lincoln teria trocado de trem e abortado a parada na cidade de Baltimore. A respeito da possível conspiração não existem provas irrefutáveis mas é fato que a comitiva não parou em Baltimore, o que aliás foi motivo de chacota dos escravistas como na charge de Harper’s a 9 de março de 1861, sob o título “Flight of Abraham” (A fuga de Abraão).
Tudo isso é importante, pois se Lincoln que carregava o nome de patriarca e, como, tal foi um dos construtores da América moderna, hoje esse fardo cabe a seu admirador Obama. Esperemos que o fim da história seja diferente. Para quem não sabe, quatro anos após essa possível conspiração Abraham Lincoln seria assassinado no balcão do Ford’s Theatre pelo ator John Wilkes Booth.
PS: para os Obamaniacos ou os mais jovens toda euforia exagerada corresponde a uma decepção idem. Eu vi e vivi algo assim em 2002 e deu no que deu. Aliás como se parecem ambas as festas e a enormes expectativas.

Obama

Dando uma pequena pausa na questão da Palestina. Passemos para o principal assunto dessa semana quando se comemora o King Day, a posse de Barack Obama na presidência dos EUA. Como as eleições americanas teve o maior número de post da história do blog. Fiquemos com a criatividade brasileira.



quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eleições Americanas, o dia seguinte IV

Propositalmente para esse último post dessa série, o que motivou a criar esse nosso Quilombo virtual- Abanjá, na luta Agora, Já. Brindemos um Afro-americano no poder. Brindemos não por que a América será um país melhor para se lidar, porque não será. Brindemos não por que a América será menos imperialista, porque não será. Não será também menos violenta, não será menos poluidora, não será menos arrogante, não será mais voltada para os oprimidos pelo mundo e não será contra as ditaduras disfarçadas de democracia. Mas brindemos pois um afro-americano chegou lá, os que conhecem a América sabem o que isso significa e entendem o choro de Jesse Jackson, os que não conhecem pessoalmente (o meu caso mas que nutrem aquela mistura de amor e ódio pelo o que ela representa) mas que se dedica a estudá-la um pouco, sabe o que essa vitória significa. Brindemos e nos emocionemso, eu não escondo me emocionei ainda de madrugada com o choro do Rev Jesse Jackson e...
Esperemos que as discussões étnico-raciais no Brasil entre em uma nova era, esperemos que no Brasil possamos sonhar e acordar com um país mais justo racialmente. I (too) have a Dream e como Milton Nascimento com a poesia de Tadeu Franco em Coração Civil. Eu quero:
Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida
Eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso,um dia se realizar
Deu no NYTimes como diria o grande Ben Jor:
Racial Barrier Falls in Decisive Victory
Obama é fruto das cotas, diz reitor de faculdade 'negra'
Thiago PradoDireto de Porto Alegre
A eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos trouxe de volta a discussão sobre a questão racial. Para José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, a primeira do Brasil voltada para alunos negros e que se apresenta como a faculdade "negra", a ascenção de Obama é fruto do sistema de cotas, e a sua primeira visita oficial ao Brasil vai expor a verdadeira ideologia racial brasileira.

Para ele, a eleição de Barack Obama traz duas modificações na estrutura da sociedade americana. "Ela confirma que os Estados Unidos dão um passo adiante em suas políticas de segregação. Na terça-feira, o País disse não a essa separação, se assumiu como um fruto da miscigenação."
"No aspecto individual, a eleição de Obama reitera para os negros que eles podem e devem acreditar em seu potencial, em seus sonhos, em suas crenças. Que se você se preparar, pode desacreditar dos obstáculos, que não há mais a noção do impossível", acrescentou.
Ele ressaltou a política de cotas dos Estados Unidos, que possibilita maior acesso dos negros ao ensino superior, como fator determinante para a "nova cara" da sociedade americana. "A política de cotas raciais, ou ações afirmativas, permitiram que existisse um Obama, um Colin Powell, uma Condoleezza Rice... Os Estados Unidos já têm um geração formada pelas cotas raciais, e a tendência é aumentar. Já são 120 universidades voltadas para os negros."
"É obrigação de qualquer governo prover saúde e educação para todos, e quando isso não é possível, cabe ao Estado instrumentalizar esse acesso", acrescentou.
José Vicente se mostrou confiante quanto aos reflexos no Brasil. "Haverão muitos reflexos em nossa sociedade. Barack Obama vai visitar o Brasil, e todo um cerimonial terá de ser organizado. A Chancelaria brasileira, onde não há negros, vai receber com honras um negro com sua família, também negra. Isso é inédito no Brasil. Acredito que isso causará um efeito replicativo no Brasil."
No entanto, José Vicente ache que ainda há muito a se evoluir no Brasil no campo da afirmação racial. "Ainda é muito embrionário, estamos pouco avançados nesse aspecto. Os Estados Unidos são um País onde há 40 anos existiam leis que regravam a segregação, enquanto nós abolimos a escravatura há 120 anos. Mas no Brasil não temos negros em cargos de diretoria nas empresas e nem negros assumindo cargos políticos importantes."
Redação Terra

Eleições Americanas, o dia seguinte III

O discurso da Vitória. Os grifos são meus. O melhor orador de sua geração. Em alguns momentos emocionantes. O sonho de Luther King Jr valeu apena. Vale, vale muito o choro do Reverendo Jesse Jackson.
"Olá, Chicago! Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e Estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os EUA da América. É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA. Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho. À melhor equipe de campanha formada na história da política.
Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir. Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.

Esta é a vitória de vocês. Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos. Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.

Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.

O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação. E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar. Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer.
Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA da América".

Eleições Americanas, o dia seguinte II

Repercussões:
Lula
Segundo Lula, poucas vezes um negro chamou tanta atenção do mundo inteiro como o novo presidente norte-americano. "Eu penso que nós brasileiros, como segunda nação negra do mundo, depois da Nigéria, precisamos estar otimistas, esperançosos e com muito orgulho, porque não é pouca coisa eleger um negro para a presidência dos EUA"
Lula disse ainda que quem duvidava da vitória de um negro nas eleições dos Estados Unidos não pode mais ficar nesta posição. Segundo ele, isso só foi possível porque existe democracia. “Quem duvidava que um negro poderia ser eleito presidente dos EUA agora sabe que não pode [duvidar]. Só pode porque isso surgiu do processo democrático e permite que a sociedade se manifeste”.
O presidente pediu novamente o fim do embargo econômico a Cuba, porque, segundo ele, não há motivos para a manutenção do bloqueio. “Esperamos o fim do bloqueio a Cuba, porque não há mais nenhuma explicação na história da humanidade para o bloqueio”, argumentou. “De qualquer forma, há uma diferença muito grande entre ganhar uma eleição e governar um país como os EUA. Vamos esperar que ele tome posse para ver o que vai acontecer”.
fonte: site O Globo
Bush
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta quarta que "todos os americanos podem ficar orgulhosos de como as eleições da noite passada fizeram história", ao se referir à vitória do democrata Barack Obama, que será o primeiro governante negro do país.
Em declaração no Jardim da Casa Branca, Bush disse que o resultado é especialmente "encorajador" para a geração de americanos de raça negra que viveu os anos da discriminação racial. Ele também prometeu total cooperação de seu governo com seu sucessor democrata Barack Obama.
Bush ainda celebrou a possiblidade de ver Obama assumindo o governo. "Eu já posso ver o presidente Obama, sua mulher, Michelle, e suas duas lindas filhas atravessando as portas da Casa Branca", disse. "Eu sei que milhões de americanos estarão orgulhosos por este momento tão esperado", completou o atual presidente.
fonte: site Terra
A reação pelo resto do mundo
O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse esperar que a América se una à Europa para levar o mundo a um novo 'new deal'. "Espero, sinceramente, que sob a presidência de Obama, os Estados Unidos unam forças à Europa por este 'new deal', para beneficiar o mundo inteiro", declarou Barroso.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, felicitou Barack Obama por sua "vitória brilhante", em um comunicado difundido em Paris. "Receba as felicitações mais cálidas, minhas e de todo o povo francês. Sua vitória brilhante recompensa um compromisso incansável a serviço do povo americano", escreveu o presidente francês.

Já a chanceler alemã, Angela Merkel, incentivou Obama a enfrentar, com apoio da Europa, os desafios que o mundo enfrenta atualmente. "Estou convencida de que, graças à estreita e confiante colaboração entre Estados Unidos e Europa, enfrentaremos decididamente os novos perigos e riscos e saberemos aproveitar as múltiplas oportunidades que se abrem para nosso mundo globalizado", disse ela em um comunicado.

O presidente da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou que a vitória de Obama abre "uma nova era" para o diálogo nas relações internacionais. Fontes do Executivo espanhol disseram que Zapatero conversará com Obama nas próximas horas para parabenizá-lo por sua vitória.

O vice-ministro de Assuntos Exteriores russo, Grigori Karasin, disse que seu país espera que o triunfo de Obama leve Washington a uma interação mais construtiva com Moscou. "As notícias dos resultados das eleições americanas mostram que todos podem esperar uma renovação das posições dos EUA em relação aos problemas mais graves, incluindo os da política externa e, portanto, os vinculados às relações com a Federação da Rússia", disse Karasin.
Ásia e Oriente
O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu mudanças na "guerra contra o terror" que o exército americano empreende no Afeganistão. "Espero que sua eleição traga paz e vida ao Afeganistão. Nossa reivindicação ao novo presidente é que apresente mudanças em sua estratégia de guerra contra o terror", disse Karzai.
O presidente afegão assegurou que espera trabalhar com Obama, embora tenha reiterado que a "guerra contra o terror" não deveria acontecer em cidades afegãs, mas nas bases que os insurgentes mantêm nas áreas fronteiriças com o Paquistão. Os EUA comandam no Afeganistão uma coalizão que conta com cerca de 15 mil soldados americanos.

Já o dirigente palestino, Mahmud Abbas, pediu que sejam acelerados os esforços visando uma solução pacifica para o conflito entre palestinos e israelenses. Segundo o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina, "o presidente Abbas espera que a nova administração continue fazendo da paz uma de suas prioridades"."O presidente Abbas felicita o presidente americano eleito Barack Obama em seu nome e em nome do povo palestino e espera que ele acelere os esforços para se obter a paz, já que a solução do problema palestino e do conflito árabe-israelense é a chave da paz mundial", afirmou o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

O Irã considerou o triunfo de Barack Obama nas eleições americanas como uma demonstração do fracasso da política externa do ainda presidente George W. Bush, e insistiu em que os Estados Unidos devem mudar de atitude. "O povo americano tem de mudar suas políticas", disse Gholamali Haddad Ali, conselheiro do líder Supremo da Revolução Islâmica no Irã, Ali Khamenei.

Na China, o presidente, Hu Jintao, e o primeiro-ministro, Wen Jiabao, deram ênfase à importância de manter o progresso nas relações bilaterais entre os dois países. "O governo chinês sempre prestou muita atenção às relações entre China e EUA. Nessa histórica nova era, desejo que possamos levar a cooperação construtiva e a confiança a um novo nível, a fim de beneficiar a população dos dois países e de todo o mundo", disse Hu.

A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, considerou a vitória de Obama uma "medalha de honra para a democracia americana". A chefe da diplomacia israelense e líder do partido governante Kadima destacou o compromisso de Obama com a segurança de Israel. "Durante sua visita ao país, o povo israelense ficou impressionado com sua pessoa e seu compromisso em relação à segurança de Israel", disse Livni.
Fonte: site Terra e agências de notícias

Eleições Americanas, o dia seguinte

OBAMA PRESIDENTE,
LADIES AND GENTLMEN,
THE FOURTEEN-FOUR PRESIDENT OF UNITED STATES OF AMERICA, MR. BARACK HUSSEIN OBAMA.
VIVA A VITORIOSA POLÍTICA DAS AÇÕES AFIRMATIVAS!!!!!!!!!!!!
- Os EUA estão de volta a moda. O sonho americano esta de volta. A idéia de um país forjado sobre as opotunidades esta de volta.
- Muito bonito e digno o discurso de Mccain, reconhecendo o momento histórico pelo qual a América passa e que a vitória de um afro-americano minora em partes a imensa discriminação e opressão sofrida por esse grupo. Mccain também entrou para a história.
- Essa foi as eleições da novidade, parodiando Hobsbawan (e não que isso seja um julgamento valorativo de bom ou ruim) o século XXI enfim começou: uma eleição marcada pela nova geração e seus avanços tecnológicos.
- Os Democratas, como falamos várias vezes no post abaixo venceram em todos os estados democratas e também em pelo menos 7 estados republicanos, incluindo ai os estados de Nevada, Colorado, Novo México, Iowa, Ohio, Virgínia e Flórida. Quero chamar a atenção que as vitórias em Nevada e Novo México podem ser explicadas por fatores demográficos a grande maioria latina que desta vez se sentiu representada e impelida a votar, provavelmente estes estados tornem-se no futuro bastiões democratas. A Flórida sempre foi um estado divivdido que ora tende paraum lado ora para outro, a questão lá é criminal a máfia cubana sempre favorece aos repulicanos. Ohio é outro estado que muda de acordo com os eventos, por isso é considerado o principal estado eleitoral, seus 20 votos sempre decidem a eleição. A cada ciclo tende a um partido, em geral nos últimos 25 anos aos republicanos. Tudo isso amigos para repetir pela enésima vez nessas últimas horas: OBAMA ganhou no segregacionista estado da Vírginia, esse é o fenômeno mais notável dos últimos 50 anos da vida política americana. A última vitória democrata lá, foi a mais de 40 anos com Lindon Jhoson, um branco sulista. Veja bem, o estado segregacionista até os anos 90 em sua constitução estadual jamais votou democratas por considerar as ações civis um segunda guerra da secessão.
- Para atender aos mais curiosos, os últimos números indicam Obama com 57% dos votos populares contra 42% de Maccain. 338 deleados para Obama versus 163 para Maccain, enfim a goleada se confirmou. Ainda falta terminar a apuração em Carolina do Norte, Montana e Indiana. Os números indicam viória de Obama em Indiana e Carolina do Norte, no caso do estado que viu nascer o jogador Jordan (North Carolina) tudo que escrevi acima para a Vírginia acabe aqui, será outro triunfo histórico.
- Como sempre o nosso professor Idelber, esse mineiro que também fez a América e é hoje um dos intelectuais mais respeitados no que tange aos estudos literários. Professor em Tulane, Ildeber continua a votar em sua América preferida, a New Orleans:
Barack Obama eleito presidente dos Estados Unidos. Nasce um estadista
Ontem à tarde, antes de começar a cobertura ao vivo das eleições, eu fui ao supermercado renovar o estoque de cerveja. Alguns amigos iam passar por aqui e eu queria ter
Abitas em quantidade suficiente. Na fila do supermercado, uma daquelas senhoras bem New Orleans, negra, sorridente, com o rosto marcado pelo tempo, me pediu um documento que comprovasse a minha idade. Feliz da vida por ter sido confundido com um garoto de menos de 21 anos, eu entreguei minha carteira de motorista e ela brincou: ah, que legal ter um aniversário no Halloween!
Nos EUA, puxar papo político-eleitoral com um estranho é bem menos comum que no Brasil. Animado pela brincadeira dela, no entanto, eu me arrisquei: Ma'm, I'm feeling pretty good about tonight. Ela retrucou: I'm just hoping and praying. Subitamente tomado pela consciência de que aquela mulher, que quando menstruou pela primeira vez não podia sequer usar os mesmos bebedouros, banheiros públicos e piscinas dos brancos, estava prestes a ajudar a eleger Barack Obama presidente da república, eu comecei a sentir o nó na garganta. Perguntei a ela: did you ever think you'd live to see the day? Não era necessário completar a frase. Ao ouvir a pergunta sobre se já imaginara viver para ver esse dia, ela sabia muito bem a que eu me referia. Respondeu: No, son, I didn't. But God is good. E eu, ateu de carteirinha, desabei a chorar nos ombros daquela senhora negra e crente de New Orleans, que trabalhava por 6 dólares a hora num supermercado na noite de 04 de novembro de 2008, a noite em que nós e Barack fizemos história.
Ela encerrou o papo: fique calmo, meu filho. Vá beber sua cerveja tranquilo.
Como bom atleticano, eu tenho Ph.D. em desgraças e decepções. Uma avaliação mais ponderada dos alcances e dos limites do governo Obama terá que ser feita com calma, dentro de alguns dias – inclusive porque essa avaliação depende das quatro vagas ainda indefinidas no Senado (Minnesota, Geórgia, Alaska, Oregon). Caso os democratas conquistemos essas quatro vagas, o Presidente Obama terá a maioria mágica de três quintos (60 senadores), que garante a aprovação de qualquer projeto sem preocupação com obstruções. Até lá, é hora de comemorar.
É de se comemorar, por si só, o fim do regime mais desastrado, inepto e mentiroso da história da república. É de se celebrar o surgimento de um verdadeiro estadista, um homem que, no pódio da vitória, não esfrega seu sucesso na cara dos outros, não tripudia sobre os vencidos, não joga seus apoiadores contra os seguidores do candidato derrotado, mas opta pelo caminho oposto: a reconciliação, a união, a possibilidade do diálogo. É de se celebrar o fim da premissa de que os progressistas americanos só venceríamos à moda Clinton, fazendo concessão atrás de concessão para a direita. É de entusiasmar ter um líder que entende a internet, compreende o poder das novas tecnologias, tem um visão de futuro. O discurso de vitória de Obama foi o de um verdadeiro estadista.
Eu me orgulho de ter apostado. Desde
o primeiro minuto. E me junto à festa da Dona Sarah Obama, no Quênia:
Em breve, faço uma análise mais detalhada dos números. Mas adianto que as vitórias de Obama em Indiana e na Virgínia são marcos inesquecíveis. São o coroamento de uma estratégia inteligente, que redesenhou o mapa político dos Estados Unidos. Dificilmente essa garotada de 18 a 25 anos voltará à letargia política em que havia se afundado.
Como alguém que acredita na política – que acredita na desejabilidade e na inevitabilidade da política – e é pai de duas crianças, eu só posso dizer:
Obrigado, Barack. Escrito por Idelber às 05:16

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eleições Americanas, começa a apuração

Agora as apurações

-A CNN indica que 72% dos novos eleitores votaram em Barack Obama, em contraste com os 27% que colocaram o seu voto em John Mccain. Este dado não é propriamente uma novidade. O dado mais interessante estes eleitores compõem 10 por cento dos que participaram nestas eleições.

-Os primeiros estados em que a apuração já se iniciou. LEMBRANDO QUE se alguns estados já apuram os votos outros ainda irão votar até por volta das duas horas da madrugada em nosso fuso, afinal a América é um continente.

Vermont para Obama, Kentucky para Mccain. Indiana, Georgia, Virginia e Carolina do Sul too close to call, ou seja no voto a voto. A grande novidade é o resultado desta sondagem na Carolina do Sul, onde se esperava que Mccain vencesse facilmente. Na Georgia está tudo muito empatado. No Indiana está mais para Obama. Na Virginia aparece muito razoável para Obama.
Com esses primeiros dados vitória certa para OBAMA. Lembrando que a tarde nos adiantamos e assumimos que Obama já havia vencido, será?

Agora algumas considerações por que fechamos tão fácil com a vitória de OBAMA. O candidato democrático segundo as pesquisas vencerá em todos os estados democráticos, ou seja aqueles que votaram em Al Gore e Kerry nas últimas eleições, em compensação Obama esta a ganhar em vários estados republicanos como Colorado, Novo México, Vírginia, talvez Carolina do Norte. Para se ter idéia a mais de 40 anos que a Vírginia racista não vota democrata. Eis ai uma das chaves da vitória. A outra foi a entrada em massa das minorias no processo: negros, jovens, latinos e pobres. Estes grupos que historicamente não vão as urnas, pois não se sentiam representados agora sentem como se um deles pudesse chegar lá. E o MAIS IMPORTANTE, QUE JUSTIFICARA DIVERSOS ESTUDOS SOCIOLÓGICOS, os jovens independentemente de cor, classe e origem apoiam massivamente OBAMA, isto estará a indicar a vitória da política dos direitos civis? Serão esse jovens efetivamente pós-raciais, os resultados indicam para isso. Veremos

22:40
Novos dados:
John McCain leva Kentucky; Barack Obama, Vermont. McCain, 8 votos no Colégio Eleitoral, Obama com 3.

Na Flórida, os primeiros votos indicam 55% para Obama na Flórida contra 44% para Mccain.

Começam surgir diversas denúncias na net sobre complicações no processo eleitoral sempre a prejudicar os eleitores democratas.

Uma multidão começa a se reunir no Grant Park, onde Obama pretende falar de madrugada.

Vermont que elegeu Obama, é o estado mais progressista dos EUA tendo inclusive um senador socialista. Isso mesmo um senador que se assume como socialista.

Veja o que diz o professor Idelber em seu blog:

Os números que realmente importam virão da Geórgia, de Indiana e da Virgínia. Geórgia é o coração do Sul mais atrasado. Democrata nenhum jamais deu bola para o estado. Obama montou campanha forte por lá e, mesmo que não vença, se conseguir um bom desempenho, já será anúncio de noite feliz. Mesma coisa em Indiana, estado bem conservador, que sempre vota republicano, mas que este ano Barack contestou. Se Barack vencer em Indiana, abra a cerveja, porque será goleada.

E a Virgínia, a Virgínia, a Virgínia, que não vota democrata desde que Castelo Branco era presidente do Brasil, foi a grande novidade da campanha de Obama: ele sacou a mudança demográfica do estado, deu uma banana para a estratégia "focalizada" que havia dominado o Partido Democrata nos anos 90 e chegou ao dia da eleição como favorito no estado.


23:23

- Os resultados continuam a chegar e cada vez melhor apara os Democratas. O senador Obama surpreende e continua a ganhar na Carolina do Sul, um senador democrata foi eleito na Virginia (aqui faço um parêntese, para afirmar que o senado também esta em jogo: caso os democrata atinjam o número de 60 senadores em 100 a maioria absoluta estará garantida e Obama gorvenará dá menira que bem quiser). Obama também surpreende com uma grande votação na Flórida, se bem que nesse caso devem ser os votos antecipados.


-Urnas fecharam em vários estados. Destes, as projeções consideradas seguras tanto por CNN quanto MSNBC: Massachussetts, Illinois, Connecticut, Nova Jersey, Maine, Delaware, Maryland e Washington, a capital, vão para a conta de Obama. No Maine, os membros do colégio eleitoral são divididos proporcionalmente – 3 ficam com Obama, um com McCain. Oklahoma e Tennesse ficam com McCain.

-Segundo a CNN agora Mccain tem 77 votos garantidos e Obama 34 votos, Ou seja resultados fabulosos para Obama. Pois os estados democráticos importantes ainda não foram computados. Alguns sites nos EUA já falam em goleado e eleição epica para Obama.

-Para a ABC já é OBAMA 94 Mccain 34.

Para o bem da justiça digamos, as únicas duas coisas boas de Bush dois Secretários de Estados negros, isso também e um fator histórico, faça se justiça a Bush.

-A NBC acaba de projetar: Vitória de Obama na Pensilvânia.

- Para o NYTIMES fala em vitória de Obama na Flórida e em Ohio, se relamente acontecer...sai de baixo lá vem goleada.

23:35

Texto interessante do jornalista Sérgio Dávila:

Obama chega à eleição menos negro, e McCain, menos herói

A primeira menção ao nome Barack Obama no arquivo do jornal "New York Times" é de 6 de fevereiro de 1990. O título da reportagem: "Primeiro negro eleito para comandar a "Law Review" de Harvard". Uma das primeiras citações do jornal ao nome de John McCain é de 28 de outubro de 1967: "Filho do almirante McCain, sobrevivente do "Forrestal", está desaparecido em ataque".


A primeira se refere à prestigiosa publicação da Escola de Direito da Universidade Harvard. A segunda, à queda do avião no então Vietnã do Norte que o tenente da Marinha pilotava -"Forrestal" era um porta-aviões destruído em incêndio quatro meses antes, e do qual McCain era um dos sobreviventes.


Na entrevista de 1990, dada a Fox Butterfield, prêmio Pulitzer por ter trabalhado na revelação dos "Papéis do Pentágono", sobre os desmandos dos EUA no Vietnã, um Obama de 28 anos dizia que o fato de ter sido eleito mostrava "progresso" e "encorajava": "Mas é importante que não se usem histórias como a minha para dizer que tudo vai bem para os negros", argumentava: "Você tem de se lembrar que, para cada um como eu, há centenas ou milhares de estudantes negros com pelo menos o mesmo grau de talento que não têm chances".


Na reportagem de 1967, assinada de Saigon por R. W. Apple Jr. (1934-2006), que viraria um dos nomes mais importantes do jornal, o repórter lembrava que, após o incêndio do porta-aviões, o filho do almirante tinha tido um ataque de consciência. "É difícil dizer", afirmou McCain, meses antes da queda, "mas depois que eu vi o que as bombas e o napalm fizeram ao pessoal do nosso navio, não estou certo se quero mais jogar essas coisas no Vietnã do Norte".


Amanhã, na eleição presidencial mais empolgante e também das mais longas das últimas décadas, os Estados Unidos decidem quem colocam na Presidência do país, se Barack Obama, 47, ou John McCain, 72.
Não será injusto dizer que o primeiro chegará menos negro ao cargo. Durante a campanha, o democrata deixou de lado seu discurso pelas minorias e se apresentou ao país como "pós-racial". Foi a maneira que encontrou de atrair parte da classe média que reluta em votar num não-branco e sem a qual não se ganha eleição nos EUA.


Também McCain chega à reta final menos herói. Assim como não levou adiante o desejo de não bombardear o inimigo em 1967 -foi atingido em missão de ataque a uma usina-, o republicano abriu mão da independência que marcaria sua carreira política por ataques negativos que mancharão para sempre sua biografia.
Ainda assim, não importa o escolhido, será um pleito histórico.



Escrito por Sérgio Dávila às 04h42

23:52

- A vitória por goleada pode ser que não ocorra segundo números mais recentes. Nas urnas Maccain vai ganhando a Carolina do Sul, a Virginia e Indiana, três estados sempre republicanos e até ai nenhuma novidade, no entanto algumas pesquisas mostravam Obama a frente nesses estados. Podemos estar aqui diante do efeito Bradley que já explicamos no blog, ou seja o fator racismo. O elitor diz por vergonha que votará em um candidato negro e vota no outro. São três notórios estados racistas, mas de todo modo vamos esperar mais um pouco, pois nos EUA os votos se dividem de acordo com as regiões e a formação econômica, assim por exemplo a região dá onde vem os votos são bastante importante e eu não estou analisando os votos de acordo com a região. Já demostramos isso também aqui no Blog, por exemplo em vários estados 90% da população vota republicano no entanto as grandes cidades ou cidades universitárias votam democratas, como por exemplo no Colorado, onde as duas principais cidades concentram já a maioria dos eleitores o que deverá garantir vitória a Obama ainda que todo o interior vote Mccain.

- Segundo o professor Idelber:

É oficial: na eleição do Senado mais importante da noite -- para o blogueiro, pessoalmente --, a queridíssima Kay Hagan derrotou a outrora poderosa Elizabeth Dole. É o primeiro assento roubado dos republicanos na noite. Rumo à maioria absoluta no Senado.

Pela primeira vez desde 1952, os EUA terão um governo sem nenhum Bush nem Dole.

24:00
Obama ganhou Vermont, New Hampshire (que McCain tinha esperança de vencer), Connecticut, Massachusetts, Nova Jersey, Delaware, o Distrito de Colúmbia (da capital Washington), Maine e Illinois.

McCain ganhou Kentucky, Carolina do Sul, Tennessee, Oklahoma.

Obama confirma a vitória na Pensilvânia, democrata deste Clinton e votou contra Bush duas vezes e em New Hampshire. O resto era o esperado.

00:12
-só para registro já que os números finais serão diferentes mas nesse momento Obama tem 102 votos garantidos e 49% dos votos populares e Mccain 50% dos votos populares e 34 delegados. Como esperado Obama até agora venceu em toda a costa nordeste e mais Pensilvania e Ilinois seu estado político. Se somar a esses a vitoria garantida na costa Oeste, estará repetido o mapa das últimas eleições, ou seja a borda nordeste a costa oeste democrática e todo o restão republicano, ai que entra a vantagem já dita neste post de Obama, esse ano ele ameaça os repúblicanos em algum desses estados do meião (com vitória paraticamente certa no Colorado, Novo México). Bom mesmo que perca esses estados do meião caso ganhe na Florida fim de papo, vitóia de Obama; caso perca no meião e na Florida e ganhe Ohio também fim de papo. Ou seja, continua tudo muito bem para Obama.

00:43

-Para vários analistas Obama já ganhou no Ohio, estado que nos últimos anos sempre votou republicano. Se assim acontecer. OBAMA é o Presidente de número 44 dos EUA.


00:47

OFICIAL

BARACK OBAMA HUSSEIM É O NOVO PRESIDENTE DOS EUA. O PRIMEIRO AFRO-AMERICANO A CHEGAR LÁ.

00:48
Agora é só saber qual o tamanho da vitória.

00:56
Impressionante como é ruim a cobertura da Rede Globo das eleições , apesar da imensa equipe a cobrir as eleições. Além de uma série de falahas até agora eles não mostraram a vitória de Obama, aliás lá eles parecem desconhecer uma série de informações que passamos aqui. A apresentadora fala em disputa apertada... vixe tá perdidinha no Jornal da Globo.

00:58
Já que critiquei a Globo fica aqui o elógio para o esforço da Record News. Cada vez mais, a melhor opção para um jornalismo crítico e opinativo. Aliás a Record só melhora seu time de jornalista, agora chegaram o Carlos Dorneles e o Luiz Azenha. Assistir os programas jornalistícos da Record e da Record News é cada dia melhor, principalmente o programa de domingo a noite com ótimas matérias investigativas.

01:10
Neste momento Obama estar a ganhar na Vírginia e também na Carolina do Norte, se ganhar estará a quebrar uma tradilção de mais de 40 anos. Ambos os estados nao votavam democrata a mais de 40 anos e o mais fabuloso trata-se de dois estados que se opuseram violentamente aos direitos civis.

A CNN já dá 207 votos para Obama sem contar Califórnia, Wasghiton (estado) e Oregon. Isso que dizer que se somar os 55, 07 e 11 delegados de cada estado Obama já tem 280 votos. Os especialistas já falam em mais de 300 votos para Obama.

Dentro de instantes Obama poderá pronunciar como presidente.

01:20
Estados em que Obama já ganhou, em azul. Os estados com borda amrela são indefinidos, mas como já disse acima no momento tendendo para OBAMA daí poder falar em goleada, caso ele vença na Vírginia, Carolina do Norte e Flórida :

map2

01:30

A correria dos últimos dias cobrou o preço. E como as eleições estão definidas vou ir dormir. Verei gravado as imagens históricas da festa em Chicago, aliás o Parque onde ocorrerá a festa esta lotado cerca de 100 mil pessoas e por toda a Chicago cerca de 1 milhão de pessoas.
Para não dizer que não falei a eleição de Obama se parece coma de Lula na efervescência da vitória de um outsider (veja bem só nisso se parecem) ou seja alguém que não deveria vencer e vence. Bom por outro lado, o governo de ambos também vão ser parecidos, infelizmente no mundo prático Obama também acabará tendo que compor com as forças de sempre. Mas esse tipo de análise fica mais para frente.
PS: NÃO DEU VI TUDO AO VIVO. Amanhã escrevo mais.

Eleições Americanas

Mais texto a respeito da cobertura das eleições publicados ao longo do último ano:
Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Tom Bradeley: um prefeito afro-americano
Thomas J. "Tom" Bradley (29 de dezembro de 1917 - 29 de setembro de 1998) foi cinco vezes eleito prefeito de Los Angeles na California, no periodo de 1973-1993. Foi o primeiro e até agora o único prefeito negro de Los Angeles. Seus 20 anos na prefeitura marca a mais longa duração de um prefeito na história da cidade. Sua eleição 1973 fez dele o segundo afro-americano a ser eleito prefeito de uma grande cidade. O primeiro foi Carl Stokes de Cleveland, Ohio, que foi eleito em 1967.Bradley sem sucesso concorreu para governador da Califórnia, em 1982 e 1986, tendo sido derrotado pelo republicano George Deukmejian. Além de respeitado prefeito de LA foi a vitima mais famosa do racismo americano, mesmo concorrendo no ultra-liberal estado da California. Sua derrota foi alvo de dezenas de estudos sociológicos e de cientistas políticos, tornando famosa a expressão "o efeito Bradley" para explicar sua derrota em 1982 para o governo da California. De forma resumida trata-se da seguinte história: todas as pesquisas apontavam uma vitória relativamente fácil para Bradeley, a sua vantagem as vezes chegava a dois digitos, mesmo na boca de urna sua vitória era garantida frente do oponente republicano. Quando se abriram as urnas seu oponente saiu vencedor e com uma margem de 1,5% de votos de vantagem. A explicação que se tornou clebre na expressão efeito bradeley trata-se do seguinte alguns norte-americanos pós anos 60 sentem vergonha de se assumirem racistas ainda que os sejam, assim quando perguntados em pesquisa tenderiam a informar seu voto ao candidato afro-americano ainda que em seu intimo tenha já firmado voto no oponente branco.Um pouco mais da história de BradeleyTom Bradley nasceu no Texas. Bradley era um filho de um trabalhador rural nas fazendas de algodão e neto de ex-escravos. A família mudou-se para o Arizona onde jovem Tom ajudou a família nas plantações de algodão. Em 1924, a família se mudou para Los Angeles. Seu pai era trabalhador da ferrovia Santa Fé. Sua mãe trabalhava como faxineira. O Bradleys eram divorciados e a família participava de assistência pública. Bradley estudou em escolas públicas e tinha um futuro promissor em alguma faculdade mas era tambem um bom esportista o que lhe valeu uma bolsa no Politécnico High School, em Los Angeles, uma grande escola branca.A políticaSua entrada na vida política se deveu Crenshaw Democratic Club. O clube era parte do Conselho Democrático da Califórnia um grupo reformista e liberal organizado nos anos 50 por parte de jovens democratas nas campanhas presidenciais de Adlai E. Stevenson. Trata-se de um grupo predominantemente branco e tinha muitos membros judaicos, marcando assim o início da coligação, que, juntamente com os latinos, iria leva-lo a vitória eleitoral tantas vezes.Ele serviu em Los Angeles City Council de 1963 a 1972 (Camâra Municipal) em 1963 juntamente com Billy G. Mills, se tornariam os primeiros Afro-americanos eleitos para a Câmara Municipal . Seu 10o distrito compreendia a área multi-étnica de Crenshaw, a maioria dos eleitores eram brancos. Durante seu mandato, pronunciou-se contra a segregação racial no seio da Polícia, bem como contra a manipulação e violencia contra os negros nos tumultos de 1965.Em 1969, Bradley desafiou Yorty Sam, um democrata conservador (mais tarde republicano), pela indicação partidária. Apesar de uma boa verve politica e discurso sofreu uma campanha racista de seu colega de partido e oponente das primárias. Yorty questionou a credibilidade de Bradeley na luta contra o crime e pintou um retrato de seu colega democrata, como uma ameaça para Los Angeles, porque ele supostamente iria abrir-se a cidade para os Negros Nacionalistas. (uma das facçoes do Black Phanthers e dos negors islâmicos) Bradley era apesar de tudo um agente da polícia. Com o fator racial muitos eleitores hesitaram em apoiar Bradley.No entanto 04 anos mais tarde ele seria eleito prefeito entre seus efeitos esta a organização dos jogos olímpicos de 1984, além disso ajudou no sucesso financeiro da cidade. Bradley foi um impulsionador do trem metropolitano além de comandar a expansão do Aeroporto Internacional de Los Angeles que mais tarde recebeu seu nome: Tom Bradley Internacional Terminal em sua homenagem.Sua importância foi tamanha que recebeu um convite para ser ministro no governo democrata de Jimmy Carter cargo esse que ele não aceitou para permanecer no cargo de prefeito. ALém disso em 1984 foi um dos finalistas para o cargo de vice-presidente na chapa democrática comandada por Walter Mondale.Durante a maior parte do tempo de sua administração, a cidade o apoiou. Mas no seu quarto mandato, o congestionamento do tráfego, a poluição do ar, o estado da baia de Santa Monica o própiro crescimento dos bairros residenciais e comerciais. Além disso Bradeley mudou de posição e começou a apoiar a exploração petrolifera na baia da cidade, por fim ele se recusou a condenar os discursos de Louis Farrakhan, o ministro muçulmano e lider dos panteras negras no início dos anos 90, quando este fez discursos em Los Angeles e da população que muitos consideravam anti -Semitas.Enfim um político coerente do início ao fim. Após sair da prefeitura trabalhou na advocácia ate 1996 quando sofreu uma parada cardiáca seguida de um acidente vascular cerebral que lhe prejudicou a fala até o fim de sua vida cerca de 02 anos após esses incidentes aos 80 anos.
Postado por Carlos Eduardo às 18:04

Eleições Americanas

Abaixo, post publicados por aqui sobre essas eleições. Enquanto as apurações se iniciam por lá vamos relembrando o que aconteceu por aqui:
Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Endossos a Obama
Depois de meses sem eleição norte-americana. Falta de tempo, as notícias estão de volta nas palavras do excelente jornalista Argemiro Ferreira. Antes do artigo dele, acrescento outra informação que esta correndo na net. O Obama recebeu endoserment de 103 jornais, contra 32 a favor de Maccain. Nunca havia acontecido isso, um candidato ter o triplo de endossos, incluindo ai alguns históricos: Los Angeles Times depois de 26 anos fez um endosso, o último havia sido em 1972 e pela primeira vez endossa um Democrata. Além desse supreende o apoio do Washgton Post que sempre tende para os republicanos. O Chicago Tribune também endossou Obama. Desde que foi fundado, há 161 anos, esse jornal nunca apoiara um democrata. A revista Esquire a Fundada há 75 anos, que nunca manifestara preferência antes por qualquer candidato presidencial também apoia Obama.O endorsement é algo que os jornais brasileiros jamais adotam, ou seja assumir em editoriais explicando o porque a escolha de um dos candidatos e não figindo ser neutro. Aliás a edição virtual do Estado de Minas de hoje é uma piada (é umpanfleto contra o Quintão) mas o jornal fez uma matéria ouvindo as lideranças da campanha do Lacerda e estas dizem que a cobertura do Jornal é isenta. O Virgílio Guimarães disse mais que a cobertura do Jornal é fantástica, interessante não era o que ele achava antes....
Fonte: http://argemiroferreira.wordpress.com/
Ele foi o negro - ou africano-americano - que chegou aos mais elevados cargos na história dos EUA. Primeiro, o mais alto da hierarquia militar: chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. Depois o de secretário de Estado, terceiro na linha da sucessão (depois do vice e do presidente da Câmara), no qual resistiu enquanto pode à guerra no Iraque - e afinal aceitou defendê-la nas Nações Unidas.
Mas Colin Powell, que em 1995 era o candidato potencial preferido pela maioria dos americanos (republicanos, democratas e independentes) à Casa Branca, viu a própria imagem ser destroçada antes de deixar o governo Bush ao fim do primeiro mandato. Arrependeu-se publicamente do discurso na ONU, onde o pretexto das inexistentes armas de destruição em massa foi usado para justificar a guerra.
Desde então tem tido papel discreto, relativamente fiel ao partido ao qual se filiou em 1995, o republicano. Até ontem, quando reapareceu no centro do palco, como convidado do Meet the Press da NBC, e anunciou em entrevista que dará seu voto em 2008 ao democrata Barack Obama. Seria apenas mais um apoio, mas Powell foi mais longe - e fundamentou muito bem seus argumentos (leia íntegra da transcrição AQUI; e clique no YouTube, no final deste post, para ver e ouvir parte da entrevista).
Um conjunto de motivos fortes
Como ex-chefe militar e ex-secretário de Estado, seu respaldo contribui, em primeiro lugar, para desautorizar a alegação tão repetida pela campanha rival de que Obama está insuficientemente preparado para ser comandante em chefe. Powell foi enfático ao dizer que conhece John McCain há 25 anos e passou a conhecer Obama muito bem nos últimos dois.
“São ambos americanos dedicados e patriotas. (…) Qualquer um dos dois pode ser um bom presidente. (…) Preocupo-me com o rumo tomado pelo Partido Republicano nos últimos anos. Foi mais para a direita.” Quanto a Obama, Powell acha que passou bem pelo teste sobre a dúvida levantada em torno de suposta falta de experiência.
Durante o agravamento da crise econômica, disse, foi possível observar o comportamento dos dois candidatos. McCain inseguro, quase com um enfoque diferente a cada dia sobre como enfrentar a situação. “E fiquei apreensivo ainda com a escolha de Sarah Palin para vice”, disse o ex-secretário de Estado. “Minha conclusão foi de que ela não está preparada para ser presidente. Para ser vice, é preciso estar. Tal detalhe levanta dúvida ainda sobre a capacidade de julgamento de McCain”.
Quanto a Obama, Powell observou “uma firmeza, uma curiosidade intelectual, conhecimentos profundos e o enfoque adequado de problemas como esse da escolha do candidato a vice-presidente. Para mim, ele está perfeitamente preparado para exercer a presidência. Mostra vigor intelectual, não fica mudando a cada dia, daqui para ali.”
Um rumo estreito e perigoso
Com base na sua observação das últimas sete semanas, Powell também achou que a conduta do Partido Republicano e do próprio McCain tornou-se cada vez mais estreita. Obama, ao mesmo tempo, mostrava visão mais inclusiva e mais ampla sobre as necessidades e aspirações do povo americano, buscando superar as divisões étnicas, raciais e de gerações.
Para o candidato democrata, segundo o ex-secretário, “toda aldeia tem seus valores, todas as cidades têm valores. Não são apenas as cidades pequenas que têm valores”. A referência é ao discurso que passou a ser adotado na campanha republicana, principalmente pela candidata Palin.
“E, francamente, também estou desapontado com alguns dos enfoques recentes que passaram a aparecer nos anúncios de McCain. Sobre coisas que nada têm a ver com os problemas do país. Como o caso Bill Ayers, que passou a ser o centro da campanha (republicana). Por que essa insistência nisso? E porque os robocalls em todo o país insinuando ligações inexistentes de Obama com terrorismo?”
A última referência é aos telefonemas gravados de ataques aos democratas, feitos através de centrais automáticas. Powell não chegou a dizê-lo explicitamente, mas indicou que isso e o papel da vice Palin são parte do novo rumo mais à direita dos republicanos. Ele vê ainda com preocupação o fato de que o futuro presidente terá de indicar mais dois juízes para a Suprema Corte. Acha que McCain escolheria mais dois conservadores.
Contra o preconceito anti-islâmico
Há coisas que McCain não chega a dizer, mas Powell ouve de pessoas do partido. “A campanha permite que seja dito, por exemplo, que Obama é muçulmano. Ora, ele não é muçulmano. É cristão, sempre foi. E se fosse islâmico? O que há de errado em ser muçulmano neste país? (…) Ouvi altos membros do meu partido dizerem: ‘É muçulmano e pode estar ligado a terroristas’. Não se pode fazer isso na América”.
Ao reagir com firmeza, Powell citou ensaio fotográfico que viu numa revista. Incluia a foto de uma mulher com a cabeça junto ao túmulo do filho no cemitério de Arlington. A lápide citava condecorações por bravura na guerra do Iraque. Ele morreu ali, aos 20 anos. “Não havia cruz cristã, nem estrela de Davi, mas a crescente e a estrela da fé islâmica. (…) O nome dele era Kareem Rashad Sultan Khand”, disse.
Powell negou na entrevista estar apoiando Obama por ser negro como ele. E indignou-se mais de uma vez com as alegações absurdas e de má fé da campanha de McCain sobre o caso Ayers. Disse que Obama conhece bem os problemas do país, fala com autoridade sobre eles, sabe os desafios a enfrentar e está cercado por gente muito qualificada, terá excelente assessoria. “Está pronto a agir já no primeiro dia”, garantiu.

Eleições Americanas

Deu no blog do Pedro Dória:
As primeiras urnas já fecharam. Dixville Notch, no estado de New Hampshire, é historicamente a primeira cidade a votar. Dá meia-noite e todos os 75 habitantes, 21 eleitores, se reúnem para que sejam os primeiros a terem seus votos oficialmente contados.
Dixville Notch elegeu Ronald Reagan duas vezes. Elegeu George Bush, o pai, em 1988. E votou nele quando perdeu para Bill Clinton, em 92. Votou contra Clinton novamente em 1996, preferindo Bob Dole. Tanto em 2000 quanto em 2004, os 75 votaram em George W. Bush. Desde 1968 a cidadezinha vota em republicanos.
Hoje Barack Obama acaba de vencer as eleições de Dixville Notch.

Eleições Americanas - OBAMA esta eleito

A mais de um ano venho sempre escrevendo sobre as eleições americanas. A idéia era fazer uma série de post ao longo do dia e da noite a respeito das eleições, com curiosidades, notícias, prognósticos, torcida e etc. No entanto, a maquininha de datilografar resolveu pifar e estou aqui as voltas para fazer ela funcionar novamente, portanto e infelizmente não será possível o previsto. Caso consiga efetivamente colocar ela para funcionar prometo voltar a noite com pelo menos algumas informações.

Como não gosto do muro já digo aqui e de bom som. OBAMA será o próximo presidente do USA. O primeiro negro a chegar lá, 4o anaos depois o sonho continua.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Endossos a Obama

Depois de meses sem eleição norte-americana. Falta de tempo, as notícias estão de volta nas palavras do excelente jornalista Argemiro Ferreira. Antes do artigo dele, acrescento outra informação que esta correndo na net. O Obama recebeu endoserment de 103 jornais, contra 32 a favor de Maccain. Nunca havia acontecido isso, um candidato ter o triplo de endossos, incluindo ai alguns históricos: Los Angeles Times depois de 26 anos fez um endosso, o último havia sido em 1972 e pela primeira vez endossa um Democrata. Além desse supreende o apoio do Washgton Post que sempre tende para os republicanos. O Chicago Tribune também endossou Obama. Desde que foi fundado, há 161 anos, esse jornal nunca apoiara um democrata. A revista Esquire a Fundada há 75 anos, que nunca manifestara preferência antes por qualquer candidato presidencial também apoia Obama.
O endorsement é algo que os jornais brasileiros jamais adotam, ou seja assumir em editoriais explicando o porque a escolha de um dos candidatos e não figindo ser neutro. Aliás a edição virtual do Estado de Minas de hoje é uma piada (é umpanfleto contra o Quintão) mas o jornal fez uma matéria ouvindo as lideranças da campanha do Lacerda e estas dizem que a cobertura do Jornal é isenta. O Virgílio Guimarães disse mais que a cobertura do Jornal é fantástica, interessante não era o que ele achava antes....

As razões de Powell para apoiar Obama

Fonte: http://argemiroferreira.wordpress.com/

Ele foi o negro - ou africano-americano - que chegou aos mais elevados cargos na história dos EUA. Primeiro, o mais alto da hierarquia militar: chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. Depois o de secretário de Estado, terceiro na linha da sucessão (depois do vice e do presidente da Câmara), no qual resistiu enquanto pode à guerra no Iraque - e afinal aceitou defendê-la nas Nações Unidas.

Mas Colin Powell, que em 1995 era o candidato potencial preferido pela maioria dos americanos (republicanos, democratas e independentes) à Casa Branca, viu a própria imagem ser destroçada antes de deixar o governo Bush ao fim do primeiro mandato. Arrependeu-se publicamente do discurso na ONU, onde o pretexto das inexistentes armas de destruição em massa foi usado para justificar a guerra.

Desde então tem tido papel discreto, relativamente fiel ao partido ao qual se filiou em 1995, o republicano. Até ontem, quando reapareceu no centro do palco, como convidado do Meet the Press da NBC, e anunciou em entrevista que dará seu voto em 2008 ao democrata Barack Obama. Seria apenas mais um apoio, mas Powell foi mais longe - e fundamentou muito bem seus argumentos (leia íntegra da transcrição AQUI; e clique no YouTube, no final deste post, para ver e ouvir parte da entrevista).

Um conjunto de motivos fortes

Como ex-chefe militar e ex-secretário de Estado, seu respaldo contribui, em primeiro lugar, para desautorizar a alegação tão repetida pela campanha rival de que Obama está insuficientemente preparado para ser comandante em chefe. Powell foi enfático ao dizer que conhece John McCain há 25 anos e passou a conhecer Obama muito bem nos últimos dois.

“São ambos americanos dedicados e patriotas. (…) Qualquer um dos dois pode ser um bom presidente. (…) Preocupo-me com o rumo tomado pelo Partido Republicano nos últimos anos. Foi mais para a direita.” Quanto a Obama, Powell acha que passou bem pelo teste sobre a dúvida levantada em torno de suposta falta de experiência.

Durante o agravamento da crise econômica, disse, foi possível observar o comportamento dos dois candidatos. McCain inseguro, quase com um enfoque diferente a cada dia sobre como enfrentar a situação. “E fiquei apreensivo ainda com a escolha de Sarah Palin para vice”, disse o ex-secretário de Estado. “Minha conclusão foi de que ela não está preparada para ser presidente. Para ser vice, é preciso estar. Tal detalhe levanta dúvida ainda sobre a capacidade de julgamento de McCain”.

Quanto a Obama, Powell observou “uma firmeza, uma curiosidade intelectual, conhecimentos profundos e o enfoque adequado de problemas como esse da escolha do candidato a vice-presidente. Para mim, ele está perfeitamente preparado para exercer a presidência. Mostra vigor intelectual, não fica mudando a cada dia, daqui para ali.”

Um rumo estreito e perigoso

Com base na sua observação das últimas sete semanas, Powell também achou que a conduta do Partido Republicano e do próprio McCain tornou-se cada vez mais estreita. Obama, ao mesmo tempo, mostrava visão mais inclusiva e mais ampla sobre as necessidades e aspirações do povo americano, buscando superar as divisões étnicas, raciais e de gerações.

Para o candidato democrata, segundo o ex-secretário, “toda aldeia tem seus valores, todas as cidades têm valores. Não são apenas as cidades pequenas que têm valores”. A referência é ao discurso que passou a ser adotado na campanha republicana, principalmente pela candidata Palin.

“E, francamente, também estou desapontado com alguns dos enfoques recentes que passaram a aparecer nos anúncios de McCain. Sobre coisas que nada têm a ver com os problemas do país. Como o caso Bill Ayers, que passou a ser o centro da campanha (republicana). Por que essa insistência nisso? E porque os robocalls em todo o país insinuando ligações inexistentes de Obama com terrorismo?”

A última referência é aos telefonemas gravados de ataques aos democratas, feitos através de centrais automáticas. Powell não chegou a dizê-lo explicitamente, mas indicou que isso e o papel da vice Palin são parte do novo rumo mais à direita dos republicanos. Ele vê ainda com preocupação o fato de que o futuro presidente terá de indicar mais dois juízes para a Suprema Corte. Acha que McCain escolheria mais dois conservadores.

Contra o preconceito anti-islâmico

Há coisas que McCain não chega a dizer, mas Powell ouve de pessoas do partido. “A campanha permite que seja dito, por exemplo, que Obama é muçulmano. Ora, ele não é muçulmano. É cristão, sempre foi. E se fosse islâmico? O que há de errado em ser muçulmano neste país? (…) Ouvi altos membros do meu partido dizerem: ‘É muçulmano e pode estar ligado a terroristas’. Não se pode fazer isso na América”.

Ao reagir com firmeza, Powell citou ensaio fotográfico que viu numa revista. Incluia a foto de uma mulher com a cabeça junto ao túmulo do filho no cemitério de Arlington. A lápide citava condecorações por bravura na guerra do Iraque. Ele morreu ali, aos 20 anos. “Não havia cruz cristã, nem estrela de Davi, mas a crescente e a estrela da fé islâmica. (…) O nome dele era Kareem Rashad Sultan Khand”, disse.

Powell negou na entrevista estar apoiando Obama por ser negro como ele. E indignou-se mais de uma vez com as alegações absurdas e de má fé da campanha de McCain sobre o caso Ayers. Disse que Obama conhece bem os problemas do país, fala com autoridade sobre eles, sabe os desafios a enfrentar e está cercado por gente muito qualificada, terá excelente assessoria. “Está pronto a agir já no primeiro dia”, garantiu.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Por que a vantagem de Obama não é maior?

Depois de muito tempos em falar das eleições americanas, continuarei a não falar. Para quem quiser minhas próprias análises podem procurar aqui no Blog uma série de posts que escrevi em dezembro e início de janeiro quando ainda tinha tempo. Mas para não deixá-los na mão reproduzo aqui matéria do Idelbar um mineiro radicado nos EUA, ele é professor universitáerio pelas bandas de lá. Além de ser um bom resumo das carcterísticas das eleições americanas é uma resposta a F. de S. Paulo e suas imbecilidades.

Por que a vantagem de Obama não é maior?

Ao longo da semana passada, as matérias publicadas pela Folha sobre as eleições americanas repetiram um mesmo bordão, a insistente pergunta: por que a vantagem de Obama nas pesquisas não é maior? O objetivo deste post é explicar por que essa pergunta não faz sentido.

Na matéria escrita no domingo (link para assinantes), Fernando Rodrigues afirma: A economia do país está à beira de uma de suas piores recessões, como vários indicadores atestam, mas o candidato governista e republicano John McCain se mantém praticamente empatado nas pesquisas de intenção de voto com o democrata Barack Obama. Uma hipótese para explicar esse possível paradoxo é que a crise econômica tal qual tem sido noticiada na mídia, por causa dos indicadores ruins, ainda não afetou com força uma parcela considerável do eleitorado.

Jisuis, a crise econômica afetou muito mais que “uma parcela considerável do eleitorado”! A taxa de desemprego é a maior dos últimos cinco anos. O número de americanos que viram seus empregos de tempo integral reduzidos a meio horário chegou a 3,7 milhões, a maior cifra desde que o governo começou a computar esta estatística, há 50 anos. Sobre a crise imobiliária, a matéria da Folha afirma que ela fez milhares de pessoas perderem suas casas. Caro Fernando Rodrigues, as perdas de hipotecas não se medem aqui por milhares. Não se medem por dezenas de milhares. Não se medem por centenas de milhares. As perdas de casas nos EUA já há tempos se contam pelos milhões.

Por que, então, não faz sentido se perguntar por que Obama não tem vantagem grande nas pesquisas? A resposta é pateticamente simples: porque assim são as eleições americanas. Sabem qual foi o último candidato a ser eleito com mais de 50% dos votos? Bush pai, em 1988, com 53,4%. Exato, há duas décadas ninguém recebe mais de 50% dos votos aqui. Clinton foi eleito em 1992 com 43% (numa eleição atípica, já que havia um terceiro candidato, Perot, que recebeu 1 de cada 5 votos). Em 1996, numa goleada histórica de Clinton sobre os Republicanos, a diferença foi 49,2% a 40,7% sobre Bob Dole. Em 2000, quando Bush filho venceu joserobertowrightianamente, a diferença em favor de Al Gore no voto popular foi 48,4% a 47,9%. Trata-se de um sistema eleitoral onde cada um dos dois candidatos já entra com 40%. Aqui não existem goleadas de 62 a 38. Goleadas de 62 a 38 são exclusividade de países onde o governo bate recordes históricos de redução da desigualdade social e a única plataforma eleitoral da oposição é falar de grampos telefônicos.

Portanto, toda a indagação sobre o “problema” de Obama não tem o menor sentido. Os números são os esperados e quem conhece a história eleitoral americana sabe disso. Ninguém que conhece o jogo jamais achou que ia ser fácil.

O outro grande serviço que a Folha poderia prestar aos seus leitores é avisar que manchetes como Obama abre 5 pontos, McCain empata com Obama, McCain está um ponto na frente são não-fatos. Como os leitores deste blog já estão carecas de saber, as pesquisas nacionais não significam nada, pois a eleição é indireta. David Plouffe, o competentíssimo coordenador da campanha de Obama, afirmou outro dia numa conversa: “as tracking polls a gente nem olha”.

Segundo os cálculos deste blog, McCain tem, garantidos, 157 votos no Colégio Eleitoral. É a soma de Alaska, Utah, Idaho, Arizona, Wyoming, Dakota do Sul, Nebraska, Kansas, Oklahoma, Texas, Louisiana, Mississippi, Tennessee, Kentucky, Virgínia Ocidental, Alabama, Arkansas, Geórgia e Carolina do Sul.

Obama tem 200 votos sólidos no Colégio Eleitoral: é a soma de Califórnia, Washington, Oregon, Havaí, Illinois, Wisconsin, Vermont, Maine, Maryland, Nova York, Rhode Island, Connecticut, Massachusetts, Nova Jersey, Delaware e o Distrito de Columbia (da cidade de Washington).

Ganha quem chegar nos 270.

São 181 votos indefinidos: a soma de Ohio, Flórida, Pensilvânia, Nevada, Novo México, Virgínia, Carolina do Norte, Montana, Dakota do Norte, Michigan, New Hampshire, Indiana, Colorado, Iowa, Minnesota e Missouri. O mapinha, com o número de votos que cada estado carrega ao Colégio Eleitoral, é este.

As pesquisas nesses 16 estados são as únicas que importam. Em alguns deles, McCain é forte favorito, como em Missouri. Em outros, Obama é forte favorito, como na Pensilvânia. Mas é razoável dizer que em todos eles há alguma chance para ambos.

Em breve, um passeio estado a estado, por esses 16.

http://www.idelberavelar.com/

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Entre Obama e Hillary, a crise geracional do Partido Democrata

Um grande texto sobre a realidade dos Democratas nessa eleição. Do jornalista Pedro Dória:

Entre Obama e Hillary, a crise
geracional do Partido Democrata


Esta é uma semana de psicanálise, aqui nos Estados Unidos, para o Partido Democrata. Na tevê, uma jovem militante pró-Hillary Clinton, Debra Bartoshevich, está fazendo campanha para John McCain. ‘Sou democrata’, ela diz, ‘apoiava Hillary, agora votarei em John McCain.’ Aí, completa: ‘Você também pode fazer isso.’


Ela era delegada eleita nas primárias – tinha voto na convenção desta semana. Foi cassada. É feminista. Quando lhe perguntaram como poderia votar em alguém que pretende colocar na Suprema Corte juízes que derrubem a legalidade do aborto, Debra respondeu que não acreditava que McCain viesse a fazer isso.

Mas esta é a plataforma de McCain. Como era a de George W. Bush antes dele. E como juízes o suficiente mudarão nos próximos anos, McCain é capaz de conseguir. Certamente tentará.

A decisão de Debra Bartoshevich é irracional – e tanto líderes democratas quanto republicanos sabem disso. Há um bocado de irracionalidade no processo político norte-americano – e só a psicanálise explica. Barack Obama tem de lutar contra a idéia de que ele é elitista, enquanto McCain não seria.

McCain é neto e filho de almirante. Estava ele próprio para ser elevado a almirante quando partiu para a carreira política. Virou senador. É um herói de guerra – que não restem dúvidas. Obama é neto de avós da classe média baixa dos EUA por um lado e de humildes fazendeiros quenianos, do outro. Seu pai o abandonou, a mãe o criou com um salário de professora. Filho de mãe sozinha que se virou como deu. Pelo brilho conquistou as bolsas que lhe financiaram uma educação em universidade de ponta.

Não é que seja um defeito pertencer à elite. É só que, dada a história pessoal de cada candidato, é irreal que alguém considere Obama elitista e McCain, não.

Mas muito de política tem a ver com a percepção, as ilusões, as expectativas – psicanálise.

Ontem, quando Michelle Obama falou à convenção, ela tinha duas missões. A primeira, contando sua história, a de reforçar a idéia de que a família vem da classe média e que nada, em suas vidas, veio fácil. A segunda era seduzir as mulheres frustradas pela derrota de Hillary.

Os aplausos que recebeu foram mornos.

As feridas entre Bill e Hillary Clinton e Barack Obama estão abertas. Em parte, é amargura pela derrota. Em parte, é o lidar com a idade. O Bill Clinton que chegou à Casa Branca em 1992 era o primeiro da geração Baby Boom na presidência. Aquele foi um marco. Dwight Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson, Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter, Ronald Reagan e George H. W. Bush – todos tiveram idade suficiente para lutar na Segunda Guerra. Com as exceções de Johnson e Reagan, todos os presidentes pós-Segunda Guerra lutaram no conflito. Clinton foi um sopro repentino de juventude, uma brusca mudança de geração no comando. Um símbolo de fim da Guerra Fria. E ele era informal, visto vez por outra de bermuda, camiseta e boné, um sedutor.

Só que isso é história. Clinton, o atual Bush e McCain são da geração que tinha idade o suficiente para lutar no Vietnã. (McCain saiu de lá herói; Clinton se recusou a lutar; Bush escapou com o pistolão do pai. Obama era uma criança.) Os Clinton já cruzaram a faixa dos 60 anos.

É a população norte-americana que decidirá se é hora de mudar a guarda ou não. Se Clinton – o ex-presidente – tem motivos psicanalíticos para sua amargura, também é verdade que Obama não fez de nada para facilitar o processo de aproximação. Se falam formalmente, com gentileza e frieza. Não passa disso. Obama não se esforçou para ajudar com as dívidas da campanha de Hillary, não faz elogios públicos. O amor e carinho que Obama demonstra para com Ted Kennedy, o patriarca dos democratas no Senado, está longe da relação que mantém com Clinton.

Há uma disputa geracional dentro do partido e entre a população. Os líderes da velha guarda, Kennedy e Carter, se entregam apaixonados à mudança. Os líderes que estão sendo substituídos agora não gostam. Mais que compreensível. E essa briga é refletida no comportamento dos eleitores.

Esta é a história dessa semana. Lá fora, no eleitorado geral, há um problema de classe e outro de raça. Mas internamente, no Partido Democrata, o que pesa mais é geração. A geração do Baby Boom que fez a política revolucionária dos anos 60 se ressente da alternância. A cada dia, na convenção, essa mistura de ressentimento pela passagem do tempo e intransigência juvenil, uma briga de família em que as coisas jamais são ditas, vai sendo sublinhada. Os avós abraçam os netos enquanto pais e filhos se desentendem.

Não há nada de racional no processo. Não houvera a briga, Obama tinha a eleição garantida. Mas a briga está lá. E, na televisão, seu maior reflexo: Debra Bartoshevich, abraçada a um ideal feminista de outrora, jura que McCain nada fará para combater o aborto legal. Não importa quantas vezes McCain diga o contrário. Ele sabe. Hillary e Bill sabem. Obama também sabe.

Quantas Debras não existirão por aí? Essa é a questão.

Prezados leitores: de Palo Alto, na Califórnia, o Weblog está de volta.