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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Esperanza Spalding - Ponta de Areia


Lindo. Esperanza Spalding é uma das maiores vozes e musicista da atualidade. E além de tudo e muy bella. Veja aqui ela cantando em português, bela homenagem a nossa música desta norte- americana porreta.

sábado, 9 de outubro de 2010

Lena Horne - Stormy Weather/If You Believe


A damme acima, falecida este ano, mais especificamente em amio. Lena Horne morreu aos 92 anos. Pelo vídeo acima, percebe-se a grandeza fabulosa desta singer. Mas a vida de Horne vai muito além dos microfones e das telas, pois que foi também atriz de Holywood. Lena foi acima de tudo uma grande ativista. Horne pelo sistema segregacionista norte-americano desde cedo sentia-se sem lugar, pois que evidentemente negra para todos os whites era branca demais para os negros norte-americanos. Mesmo assim nunca teve dúvida de sua importância e da necessidade de sua militância pelas causas negras. Assim na segunda guerra mundial, Lena foi cantar para as tropas, mas fechou a boca quando quiseram que cantasse para uma plateia segregada.“Ou convidam os ‘brothers’ ou não canto.” Enfrentaria outras lutas, ano mais tarde tentaram impedi-la de morar em um bairro nobre de Holiwood por ser negra. Seu vizinho de frente o lendário Humphrey Bogart assim reagiu: quem estiver incomodado pela presença da Lena Horne, venha acertar as contas comigo. Fim da historia. Nos anos 60 protestou em casa ao lado de Martin Luther King. Cantou na monumental Marcha em Washington, do discurso “I have a Dream”, e participou de outro protesto no sul, ao lado dele, uma semana antes de ser assassinado. Ou seja foi grande artista, grande mulher, grande militante. The best singer.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pulo Moura se foi

Estou em viagem e por isso a dificuldade de acesso a net. No entanto, uma pausa, se faz necessária faleceu Paulo Moura. O grande Paulo Moura, certa vez acredito que disse aqui mesmo que esta ficando muito dificil com tantas perdas e nenhuma substituição. O campo das artes e do pensamento brasileiro definitivamente foi no século passado uma das grandes dádivas do Brasil ao mundo. Agora mais um se foi. é preocupante e assustador estamos ficando a merce do barulho. Portanto, em homenagem a música (este Dom Supremo) silêncio por favor em homenagem ao grande Paulo Moura e depois uma salva de palmas.

Agora do Blog do Nassif:

Madrugada em Ouro Preto - com Paulo Moura


Enviado por luisnassif, ter, 13/07/2010 - 20:34



Por Marcelo Procopio

Paulo Moura - Madrugada: um som sobe a ladeira em Ouro Preto

- uma história que contém Paulo Moura

Marcelo Procopio
Hoje é dia do Rock. Mas quem morreu foi Paulo Moura: “morreu para você filho ingrato” da música. Música é para sempre. Nos anos 1970, quando o Festival de Inverno da UFMG, ainda em Ouro Preto, estava revelando grandes nomes da música, teatro, artes plásticas e tudo o mais, aconteceu um momento mágico. Madrugada, quase dia, e uma som começa a chegar à Praça Tiradentes. Eu e amigos íamos sempre lá nos fins de semana. Quase sem dinheiro – às vezes dormíamos em repúblicas, outras em hotéis de quinta. Mas nem sempre.
Ficávamos a vagar pelas ruas, noites, bares. Conhecendo pessoas, ouvindo música, vendo artistas em esquetes, em todo canto da cidade. Bebendo, ficando loucos. Todo mundo quase louco, todo mundo todo lúcido em busca de novos mundos. Outras culturas. Rejeitando o “novo”, como diziam os tropicalistas que criavam tudo de novo, a partir, claro, de bases existentes. Revoluções são assim.
Servem para mudar radicalmente uma realidade. Como dizia O Onça, personagem de O Cometa, como se você tirasse uma cadeira, a destruísse, e colocasse uma mesa no lugar. Tudo novo. Um novo olhar. Outra história se dando conta que ainda é preciso mudar tudo outra vez. Depois.

Os camburões do Dops ficavam estacionados na Praça Tiradentes. Os policiais se misturavam no meio dos artistas, estudantes, professores, turistas, malucos, drogados, bêbados. Em 1971 prenderam centenas, inclusive o pessoal do grupo Living Theatre – na época, dirigido por Julian Beck e Judite Malina, que ficaram presos semanas, mais de mês no Dops de BH. O Estado de Minas publicou o Diário de Malina na prisão, uma série de vários dias, que tinha guardado e perdi.

A imprensa deu manchetes pelo país. Chamaram de O Festival da Bolinha (tempo de drogas químicas, comprimidas em comprimidos). Até hoje fico pensando no que deu no EM para publicar o Diário, num momento AI-5 da ditadura militar. O Living Theatre era convidado do Festival da UFMG para cursos e apresentações.
Me lembro de um outro episódio inusitado: a gente estava num bar da praça Tiradentes. Um daqueles. Barzão com alta profundidade. No comprimento e nas conversas. Cultura e política. Resistência e insistência. Nem era tarde assim. Antes da meia-noite. Um cara alto, vestido no capote preto, entra no bar, faz um gesto qualquer que chamou a atenção de todos. Todos olham em sua direção. Ele diz em alto e bom tom:

- Cada um na sua idiossincrasia. (Vira-se e vai embora).
E de um outro. Ouro Preto tinha aquele clima de festival. Era uma madrugada de sexta para sábado. E aconteceu:
Era 1971. Poderia ser 1972 - se a memória falha, não é o tempo exato que importa. Era Festival de Inverno da UFMG. Era Ouro Preto.
Era madrugada: 5 horas, quase querendo amanhecer. Ainda havia algum movimento na cidade. Bares, dois, três talvez, abertos na praça Tiradentes. Devia haver policiais do Dops nos cantos, observando.

A gente esperava, no frio, um pedaço de sol. E o fim da loucura, do porre homérico passar. Quase silêncio. Poucas vozes.
Então, como se do nada, um som começou a chegar na praça. Era música. Vinha de longe. Da rua São José. Lá de baixo. Do começo, do fim da ladeira.
A música cada vez mais perto. A gente procurando quem. Avistamos, enfim, um grupo: algumas pessoas seguindo a música. Subindo a rua trazendo a música.

Esperamos, olhando o som. Era um sopro. Um sax. Era homem e um pequeno grupo subindo a ladeira.

Cada vez mais próximo da praça. Cada vez mais gente: aqueles poucos que ainda esperavam um pedaço de sol na noite fria de julho e aquele grupo, ainda menor, que vinha junto com a música.
O músico e sua música chegaram na praça. Agora estávamos todos juntos: a música, o músico, as pessoas e o fim da noite em Ouro Preto.
Todos agora em volta da música. O músico ao lado de Tiradentes, a estátua na praça. A música enchendo a cidade. A gente levado pela música criava um êxtase coletivo. Felicidade. Os olhos. Se fosse possível ver os olhos agora...
Era Paulo Moura no sax. Era madrugada em Ouro Preto. Era um silêncio absoluto. Só havia no ar o som suave do sopro da música de Paulo Moura.
Era para nunca mais esquecer. Era para sempre. Madrugada, Ouro Preto, Paulo Moura e a música.

Comentário do Luis Nassif

Quem diria... Eu estava lá, cobrindo o festival para a revista Veja, no meu primeiro ano de trabalho.



quarta-feira, 9 de junho de 2010

Música é Dom por isso quero trocar essa dádiva com vocês

Já disse por ai e já escrevi aqui e alhures. Que sou um cara simples: três coisas me satisfazem música, amizades e livros. Tal qual a música tão belamente interpretada por Bethania e Elis. Música e Amizade por toda parte. Este seria meu slogan se candidatasse a algo. Cada vez mais penso que meus caminhos de artista frustrado deveriam passar por pesquisar a música. Mas enquanto este dia não chega se é que chegará fico aqui com meus devaneios, principalmente em uma tarde como a de hoje em que as burocracias se sobressaem e não resta tempo para o principal que seria estudar para uma prova no domingo. Faço o quê ? me refugio no que me salva: a música. Fiquei  a matutar como os anos entre meados dos  60 e meados dos 70 foram genialmente profícuos e maravilhosos para a música brasileira. Foram anos incríveis...inacreditáveis, mágicos...indescritíveis em palavras. Assim sendo resolvi recorrer a minha pequena discoteca (eis a ironia, para quem necessita tanto de música como é pobre minha discoteca – já que blog é espaço pessoal confesso aqui, de vez enquanto, me dá uma vontade de fazer umas loucuras e tipo comprar tudo que tenho vontade, ai sim teria certeza de ter gasto bem meu suor) e elencar discos essenciais deste período, lógico que tal exercício é incompleto seja pelo meu desconhecimento de tanta coisa boa, seja por falhas da memória, seja por falta de visão, seja pelo prisma escolhido. Mas como música e DOM e dádivas devem ser trocadas, deixo aqui aos amigos a sugestão-suplica, ouçam estas obras primas:



Dom Salvador- Dom Salvador 1969

Dom Slavador e Abolição - Som, Sangue e Raça 1971 – Falar o quê. Um dos maiores momentos da nossa música.

Elza Soares- Elza Pede Passagem 1972

Elza Soares - Elza Soares e Wilson das Neves 1968, de Elza escrevi aqui mesmo um dia deste mais um post (curiosos dêem uma olhada ai abaixo)

Caetano Veloso – Transa 1972, Câe como gostamos que Câe fosse.

Gilberto Gil- Refavela 1977, na carreira profícua de Gil é difícil fazer afirmações peremptórias, mas acho este o seu maior disco.

Jorge Ben- Negro é Lindo 1971, e quem discorda!!!

Jorge Ben- O Bidu (Silêncio no Broklin) 1967

Jorge Ben e Gilberto Gil- Ogum Xangô

Jorge Ben – Africa Brasil 1976, tudo bem que aqui Bem já queria virar Benjor mas foi uma despedida em altíssimo nível.

Luiz Melodia – Perola Negra 1973, um dos maiores discos do nosso cancioneiro

Moacir Santos – Coisas 1965, outro que as palavras não são suficientes

Noriel Vilela – Eis o ôme 1968

Baden Powell e Vinicius de Morais 1966 – Os Afro-sambas, mais um indescritível

Wilson Simonal – Ninguém proíbe o amor 1975

Wilson Simonal – A VIDA É SO PARA CANTAR 1977

Toni Tornado- Toni Tornado 1972

Casiano- Cuban Soul 18 kilates 1976

sábado, 29 de maio de 2010

Músicas, músicas, músicas

Corte quando eu mandar capinar. Samba do Mirere, samba do Mirere, samba do Mirere cajuê...
Esta Elza Soares é metonimica. Qual é, qual é. Tem excelentes profissionais, mas tem aquele metonimicos, por isso não humanos!!! Pelé não jogou futebol Pelé é o Futebol. Elza não interpreta ela é a própria Música. Ponto. Assim, assim, assim. Elza é metonimica pois não é humana é música, tudo em Elza é suingado. Privilegiados nós que podemos ouvir Elza!!!! Desnecessário já que insignificante diante da arte de Elza a BBC ter considerado-a a voz do século.
*****

Ja que suinguei pela enésima vez, aqui neste blog, MPB - Música Preta Brasileira, sempre que ouço novamente me emociono mais uma vez. Disco essencial, se tivesse só produzido este disco Sandra de Sá já mereceria figurar entre as maiores. Mas ela produziu mais outros pertados. Viva o disco MPB. Suingue, balanço, suor, lagrimas, sangue, raça e amor.

Sou criolo preto brasileiro...bora lá para quadra, bora lá pro baile.

Hoje eu peguei pensando em Você. Te amo e não te amo (...) Te amo e nem sei como amo. Doi no coração (...) Te amo e não quero te amar.

Seus olhos /Ao invés de verdes / Deveriam ser vermelhos, incandescentes, Na mão, ao invés de uma rosa
Você deveria ter um tridente /Sua voz é tão suave/ Quando deveria ser mais arrogante /Vadiando na minha cabeça /Não me deixa um só instante /Mas eu vou lhe guardar / Com a força de uma camisa /Me despir do pavor (...)

Um grande disco de amor, de todos os tipos. Por que a sua voz fala tanto para mim, com você tudo fica melhor, se Você perceber (...) vai ser a minha vez de ser feliz. Em uma voz, em um balanço, com um suingue e acima de tudo uma verdade (como p.ex. quando Sandra chega ao choro em uma das interpretações) que torna algo que em outras circunstâncias seria vulgar em algo sublime.
*****

Menos suingue mas a mesma genialidade dos citados acima: Tom Zé -No JARDIM DA POLÍTICA -AO VIVO . Tom Zé é genialmente o maior cronista musical do Brasil. Título reforçado com a saída de Chico Buarque deste ramo. Neste disco, já de um tempo atrás mas sempore atual,  Tom Zé nos brinda com uma aula de filosofia, ciência política e sociologia aplicada ao caso brasileiro. Assim com Tom percorremos o universo do boia-fria, da hiper valorização da alienação da mercadoria em seu significante universal o dolar, passamos pelo marcha partido, pela classe operária e entendemos um pouco de um tal discurso a favor da liberdade. Bravo Tom que No Jardim da Política nos ajuda a entender um pouco da miséria da política nacional.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Abre Caminho - Mariene de Castro

Ainda porque é dia do samba. Apresentamos a grande Mariene de Castro, uma voz linda e um rosto idem, essa filha de Oxum e de Salvador é o exemplo da vivacidade do Samba. Principalmente o Samba de Roda com seus toques em ijexás e afochés.

Mariene se declara apaixonada pela tradição popular. Em seu site: " O que faz de sua arte é pela história do seu povo, pelo respeito pelos negros que sofreram, pelos índios que foram exterminados dessa terra chamada Brasil. Enfim, pelo respeito àqueles que nos legaram a música, o swing de cantar e de sambar. Pela a herança do povo brasileiro que precisa ser preservada
Um pouco de Mariene
Mariene Bezerra de Castro, chamada carinhosamente por sua família de Ninha ou Mari. Apresentou-se para mim em uma foto em uma matéria de internet: Inegavelmente linda, com suas marcantes florzinhas no cabelo, os braços pintados de dourado e repletos de pulseiras largas também douradas. O dourado intenso tem explicação: é típico das filhas de Oxum. E Mariene é uma filha devota da Mãe dos rios, riachos, cachoeiras, fontes. É sabido que as Filhas de Oxum tem prazer em se enfeitar, principalmente com cores amarelas e douradas. É capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução, não pode haver ninguém superior a Oxum. Estas moças de OXUM como Mariene são um perigo para os filhos de Xangô (como este que escreve estas linhas). Oke Aro Oke Kabecile meu pai. Oxum é a desrazão do arazoado Xangô.
No seu site, Mariene afirma “O samba vem da minha infância”. Segundo ela o primeiro disco que ganhou foi de Luiz Gonzaga e logo em seguida um disco de Beth de Carvalho. PRONTO. Como mostra seu disco de estréia essas influências bem como sua infância em Andaraí na Chapada Diamantina seria definitiva na sua música e na sua arte. Mariene afirma, em seu site que ouvia bastante o disco de Beth e que sambava dentro de casa, se vestia de baiana. Além disso segundo ela o samba de roda, era de costume na sua casa "preparar o caruru de São Cosme e Damião. Essas músicas que eu canto hoje estão no registro da memória da minha infância. Eu me lembro do gosto e do cheiro do caruru”.
Seu disco de estréia imperdível se chama: Abre Caminho. Como, é sabido dos iniciados do Candomblé somente Exu abre os Caminhos. Então que Exu continue abrindo o caminho para mais essa voz de Oxum e para essa excelente cantora. Que em alguns momentos lembra Clara Nunes e em outros a grande Bethânia quando esta canta os maravilhosos sambas de rodas.
O disco abre com a música que dá título ao CD: Abre Caminho. Uma belo samba de exaltação ritmado com toques para Oxum. A múscia é uma declaração de amor ao Samba e a Oxum. Não custa lembrar que Samba é Semba, e Semba é o dono do corpo, uma das formas de Exu. A letra de Mariene diz tudo: Diga a mãe que eu cheguei...Cheguei. tô chegada. Esperei, bem esperado. Nessa minha caminhada. Sou água de cachoeira. Ninguém pode me amarrar. Piso firme na corrente,que caminha para o mar. Em água de se perdereu não me deixo levareu andei. Andei lá, andei lá, andei lá,eu já sei. O caminho andei lá. Eu nasci e me criei no colo das iabás. Andei por cima da pedras. Pisei no fogo sem me queimar. Andei onde mãe Clementina andou, E o samba mandou me chamar. Eu faço o que o samba manda. Eu ando onde o samba andar. Com a força da minha fé,Eu ando em qualquer lugar. Na beira do mar. Andei lá no Gantois andei. No samba de Edithandei lá no tororó. Andei no cortejo do Bonfim andei, andei, andei lá Na festa do Divino. Cantei pro menino, me Abençoar Ainda vou caminhar.
Na sequência Ilha de Maré também de autoria de Mariene, excelente letrista, em um ritmo mais próximo de um samba de gafieira com direito a naipe de metais. Diz trecho da música "Ah! Eu vim de ilha de Maré. Minha senhora. Pra fazer samba. Na lavagem do Bonfim. Saltei na rampa do mercado e segui na direção. Cortejo armado na Igreja Conceição."
Na terceira música, uma bela homenagem a outra baiana a grande Gal Costa, Mariene recria Raiz, que novamente soa como metalinguistica ao talento da moça: "Tá na beira do mar Nas folhas de sultão Nos metais de Ogun Iê Vento, raio e trovão Tá na voz mais bonita Que tem graça nas mãos Orumilá bem disse Será a voz da canção." Na quarta música Poema para uma Tribo novamente Mariene comunica ao mundo que só podemos ser universais na medida que somos raízes. Ela é universal porque essencialmente é de Andaraí.
Na música 05 Cantiga de Cangaceiro um lindissimo xote e uma letra idem, com direito ainda a Mariene declamar um cordel. É puro xamego, aquele tipo de música feita para sair dançando "É Lampi, É Lampi, É Lampi, É Lamparina É Lampião Meu nome é Virgulino". Eis ai a influência do primeiro disco ouvido pela moça e uma bela homenagem a Luiz Gonzaga ao exaltar Lampião: "Homem nenhum nasceu para ser pisadoÉ Lampi, É Lampi, É Lampi, É Lamparina É Lampião Meu nome é Virgulino, apelido, Lampião Passarinho avisou relampiou é lampi Passarinho avisou relampiou é lampiPassarinho avisou relampiou é lampiBendito louvado seja Menino Deus na estradaTrês vez salve o Cálix bento e a hóstia consagradaTambém salve a casa santaOnde Deus fez a moradaEo rosário de Maria Minha mãe ImaculadaPassarinho avisou relampiou, é lampiPassarinho avisou relampiou, é lampiSe o chão não mata a sedeA Sede não mata o chãoFere, corta, rasga e furaMas matar não mata nãoBicho de morte, é volanteQue mata sem precisãoCom a mão que balança o santo embala a rede do cãoPassarinho avisou relampiou, é lampiPassarinho avisou relampiou, é lampiMeu coração é o raso da CatarinaPé de saudade na duraDor que não quebra inclinamas na paixão meu coração é CajuínaPassarinho avisou relampiou, é lampiPassarinho avisou relampiou, é lampiMaria Bonita alumia o trançado do chineloCom bala de riflePapo Amarelo é o dito que corre no marteloA viola temperada, enfeitada de fit a e póNão toca mais em angico, foi tocar em mossoróFicou meu borná de balaQue eu chamo de curió."
Sua voz grave denota a personalidade forte herdada de Oxum. Disse a moça: “Hoje, eu sei que eu sou de Oxum, sei da minha relação com a Andaraí rodeada de rio, mas naquela época, não sabia. Só sentia que eu gostava muito dali onde eu tomava banho desde pequeninha”, Mariene foi criada nas águas do Rio Paraguassú.
Mas a maior supresa do disco chega com a música 07 Planeta Agua, novamente em homenagem ao seu firmamento - as aguas- Mariene recriou, isso mesmo, reinventou a música de Guilherme Arantes. A maior surpresa do disco, pois com os novos arranjos, inclusive com pequenas modificações na letra, em nada lembra a música de Arantes - assumo que só depois da metade da música fui sacar que era a velha Planeta Agua de Arantes. Mariene conseguiu transformar a a música de Arantes em uma belo Samba, com uma dignidade que a versão original não possui.
Mas a surpresa não para por ai pois a música 08 é uma Embolada de Coco. Eta menina nordestina arretada. Não ficou de fora nenhuma de suas influências de menina que cresceu entre Salvador e o interior da Bahia. Senão bastasse ser uma cantora formidável (com domínio pleno sobre a voz e o canto e por isso com segurança para cantar vários ritmos) com um sotaque gostoso Mariene definitivamente é uma grande letrista: "Garaximbola Peixe do MarEmbola, embolaQuero ver desembolarEmbola tu, embola euEmbola aqui, embola láEmbolador, no coco de embolarEmbolador dá soco no ganzáEmbolador tá louco pra embolarPega no garaximbolaVamos ao garaximbolarOlha bala emboladeiro, que o baleiro embalaEmbolador de balaEmbala bem bala de coco como quem no coco embolaChama o embalador de bala, emboladeiro pra embolarEmboladeiro, eEmboladeiro, aEmbala a bola na ladeira pra bola embolarEmbola o bolo da boleira que o baleiro dáBole no bolo de coco, molha um pouco o paladarEmbala a bola na ladeira pra bola embolarEmbola o bolo da boleira que o baleiroBole no bolo de coco, molha um pouco paladarEmbala a bola, embola o bolo, bala é pra desembalarO que embola é coco nesse coco de embolar, Embola a rede embolaO peixeEmbola o rio, embola o marEmbolador, de peixe euvou falar emboladorRemexe esse ganzáEmbolador me deixa começarPega no garamximbola e vamos garaximbolarCocoroca, candiru, pacu, caranguejolaSurubim, carapicu, cará, siri-patolaPirambú, xaréu, garoupa, carapau, garaximbolaPescador conhece o peixeEmbolador sabe embolarLeva o balaio ali, traz o balaio cáTem carapeba, pirará, tem curimatáCurvina, congo, xerelete, tem carapiáTem piaba, atum, linguado, tem pintado, aruanáTucunaré, cação, tainha, tambaqui, tamboatáTem peixe com cocoNesse coco de embolar."
E assim segue o disco com Nonô, e sua triste letra a respeito da tragédia das chuvas. Na decima música: Prece de Pescador, de novo a Bahia profunda e tão bem representada por Mariene em nova letra da moça: "Que luz é essa que vem lá do mar?É a Senhora das Candeias Mãe dos Orixás (...) Inaê por cima do mar prateoupor cima do mar mariô por cima do mar incandiou (...) Ê nijé nilé lodô Yemanjá ô Acota pê lê dêIyá orô miô. Com direito a backvocals em falsete tão comum nas sessões de Umbanda. Como não lembrar da minha querida Guananbi no Sertão Baiano...
O disco segue com Flor de Muçambe, onde a voz de Mariene explora todo os tons desta moda de viola. E nos lembra, aliás tal característica aparece em várias músicas, que viola também é instrumento essencialmente negro como mostra os belos violeiros do nosso interior e que de viola também se faz o samba. Ainda que no caso desta música se sobressaia mesmo uma viola cabocla.
Em Quebradeira de Coco, a presença de Mariene é um acontecimento agora sim !!!! Será Bethania do Brasileirinho ou então uma entidade com voz imponente e respeitosa de uma senhora. Acontece que Mariene é tão moça. "A dor é um coco ruim de quebrar Menino assustado no meio do mundo Busquei refúgio em teus braços (...) quem quiser ver a tristeza do jeito que Deus criou (...) e a voz de falsete no fundo: "São Jeronimo e Santa Barbara (...) tocando zabumba e dando viva ao senhor (...)" Quebradeira de coco Ê babaçue yá A dor é um coco ruim de quebrar". E de fundo a voz de falsete como dos pedintes do sertão miseravel: "Coitadinho de quem pede por grande necessidade. " A letra é de Roque Ferreira, aliás autor de quase todas as músicas que não são da Mariene.
Em Cantigas de São Cosme e São Damião a decima-quarta música do disco Mariene novamente retorna a sua memória de criança. Aliás o disco todo é uma grande homenagem a suas origens “Essas músicas que eu canto hoje estão no registro da memória da minha infância. Eu me lembro do gosto e do cheiro do caruru”. Portanto a letra de Mariene lembra, a beleza da Umbanda e seu sincretismo: "Ê Cosme, ê Cosme. Damião mandou chamar Que viesse nas carreiras Para brincar com Iemanjá Cosme e Damião Vem comer seu caruru Cosme e Damião Vem que tem caruru pra tu. Cosme e Damião cade Dou. Dou foi passear no Cavalo de Ogum. Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois dois Eu quero ver vadiar. Vamos levantar o cruzeiro de Jesus Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz".
Segundo Mariene, ela foi escolhida pela religião. “Eu fui conhecendo pessoas do Candomblé ainda na minha infância. Eu tinha até uma amiga da escola, que a mãe dizia que eu era de Oxum”. Para ela em sua crença o que ela gosta é da sabedoria, de cultuar a natureza, de respeitar ao tempo e às pessoas mais velhas. “Coisas do Candomblé”. Para ela, que depois da infância não teve o costume durante sua vida de freqüentar muitos terreiros, quando chegou no Gantois há mais de dez anos, houve uma relação muito forte com a casa, sempre recebeu um reconforto grande.
A decima quinta música e o samba denominado Samba de Terreiro. Que serve de preludio para a última música do disco. Uma gira: O ponto dos Caboclos, mais uma da Umbanda. "Eu já vou me embora Para a minha aldeia Eu já vou me embora, camarada, Para a juremeira Lá são sete estrelas, São sete os caminhos Todos levam a deus, camarada, Eu nunca estou sozinho Ô zazi ê Ô zazi a Ô zazi ê Maiangolê maiangolá(Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo) ... Um abraço dado, de bom coração É o mesmo que uma bênção, Uma bênção, Uma bênção." Com essa música Mariene fecha seu disco indo embora, lembremos que a música que inicia o disco é Abre Caminho.
Mariene Abriu com certeza mais um belo caminho da música brasileira.
Falta o devido reconhecimento:
Sua passagem pela França em uma série de 21 shows foram bastante exitosa. Segundo Mariene aonde ia, na França, havia rios por perto. “Não tinha um show que eu fizesse que não houvesse água por perto, que não tivesse rio por trás do palco, rio por perto do palco, aí eu me sentia em casa”. Para Mariene, isso é decorrente da espiritualidade, de sua relação de fé para com Oxum. Segundo o seu site "Ao voltar para o Brasil com uma pasta de matérias e elogios, procurou à imprensa baiana para mostrar a repercussão positiva que causou na mídia francesa. Entretanto, não houve interesse pelo seu trabalho e pelo reconhecimento que obteve internacionalmente. Apenas um ano depois, uma jornalista se interessou pela sua música e publicou uma reportagem com o título “Baiana lança carreira na França”. Desta viagem para a França até hoje, Mariene continuou sua labuta de conquista de platéia, de entregar release pessoalmente em jornal e até de panfletar na rua."

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Gil, Gilberto Gil

Esse post não tem muito sentido. Mas fazer o que. Certas coisas são indizíveis, certas emoções indescritíveis. Certos gênios só são diminuidos nas palavras. Eis assim com o nosso Xangô. Assim sendo, aqui fica só o grito: GIL, GILBERTO GIL, que coisa maravilhosa. Que Dom.
Obá Kossô !!!!
Axé Alafim de Oió.
Nada mais consigo dizer. Como é lindo ouvir Refavela (com resenha aqui no Blog), ou então Barra 69, Gilberto Gil 1968 - Os Mutantes, Gilberto Gil Vira-Mundo, Gilberto Gil Cidade de Salvador CD 1 e 2, Gil e Ben Jor Xangô e Ogum e tantos, tantos outros. Que músico fabuloso.

Òlò áwá la wulú

Olodó òlò odó

Oyá walé ni ilè Irá

Sangò walé ni Kosó.

Essa vontade de ser músico e cantor acaba me matando!!!

Luzia, Luluza
Passei toda a tarde ensaiando, ensaiando

Essa vontade de ser ator acaba me matando
São quase oito horas da noite, e eu nesse táxi
Que trânsito horrível, meu Deus
E Luzia, e Luzia, e Luzia
Estou tão cansado, mas disse que ia
Luzia Luluza está lá me esperando

Mais duas entradas, uma inteira, uma meia
São quase oito horas, a sala está cheia
Essa sessão das oito vai ficar lotada

Terceira semana em cartaz James Bond
Melhor pra Luzia não fica parada
Quando não vem gente, ela fica abandonada

Naquela cabine do Cine Avenida
Revistas, bordados, um rádio de pilha
Na cela da morte do Cine Avenida, a me esperar

No próximo ano nós vamos casar
No próximo filme nós vamos casar

Luzia, Luluza, eu vou ficar famoso
Vou fazer um filme de ator principal
No filme eu me caso com você, Luluza, no carnaval

Eu desço do táxi, feliz, mascarado
Você me esperando na bilheteria
Sua fantasia é de papel crepom

Eu pego você pelas mãos como um raio
E saio com você descendo a avenida
A avenida é comprida, é comprida, é comprida...
E termina na areia, na beira do mar
E a gente se casa na areia, Luluza
Na beira do mar
Na beira do mar
Gilberto Gil


sábado, 27 de junho de 2009

Michael Jackson

Como registro da passagem desse genial artista. Relato um pouco de como recebi essa notícia.


- Era uma quinta-feira, por voltas das 18h:10mins estava no hall de entrada da Fafich (no mesmo lugar, onde em 11 de setembro de 2001, vi a queda da segunda torre do World Trade Center) quando um colega de núcleo de pesquisa chega a com a notícia Michael Jackson morreu. Não sei, não consegui captar bem a mensagem. O fato era que nesse momento já estávamos em uma rodinha de amigos dividindo as pessoas por carros para irmos a comemoração da defesa de monografia de uma colega.

- Logo após mais uma comemoração (e essa semana foi farta delas, quase todas as noites; o que me ajuda a estar alheado dos jornais e notícias) já praticamente na madrugada de sexta-feira ao chegar em casa vejo e ouço a notícia. Baque. A ficha caiu. Era verdade Michal Jackson morrera. A sensação muito parecida com a que tive quando anunciaram a morte de Cassia Eller. Deve ser mentira. Como assim. Não faz sentido.

- Corto a cena e faço um fedback: na ida para a festa desta colega, o celular de um amigo toca. Era uma colega sua, lhe dando a notícia da morte de Jackson. Minutos depois seu telefone toca de novo, era sua mãe falando lhe da morte de Jackson. Ontem, minha mãe me confidenciou que chegou a pegar o telefone para me ligar e dar a notícia. Com isso, quero demonstrar independente das opiniões diversas, o lugar deste importante ícone: ele era alguém por quem as pessoas ligam para falar de seu falecimento.


- Volto a cena da incredulidade: talvez o que me chamou mais a atenção é que nunca fui, ou pelo menos, me considerei realmente um fã de Michael (ao contrário da Cassia Eller de quem era grande fã). Mas que estranho, como disse meu amigo Daniel no Peramblogando, inegável deu uma tristeza e um espanto. Incrível fiquei baqueado. Como não poderia deixar de ser, vício de profissão e no caso da madrugada de sexta, reforçado pelas cervejas me pôs a questionar o porquê deste sentimento. Afinal nem era tão fã assim do Michael? E ai a resposta veio rápida: os ícones são aqueles que fazem parte de nossa vida mesmo quando não percebemos. Era assim com Michael, ele fazia parte da paisagem. Para quem nasceu em inícios dos anos 80( meu caso fins de 81, em Dezembro) e conviveu em comunidades mais periféricas, como foi o meu caso Michael fazia parte das festinhas, dos aniversários, dos domingos e incrível falar isso, mas durante boa parte dos 80 Michael era sim, e as vezes sem sabermos, um grande modelo para nós não brancos. O negro que chegou lá. É isso. Minha tristeza vem de pensar que essa paisagem desapareceu. Uma paisagem, um tanto quanto feia e bizarra, a partir dos anos 90. Com o perdão do trocadilho infame, um tanto quanto pálida. Mas ainda uma paisagem com história na vida de alguns.

-Corto a cena novamente: é interessante, tenho 27 anos, e tenho pela função da docência superior e pela minha função no núcleo de pesquisa que ajudei a fundar convivido com pessoas mais jovens (graduandos) na faixa entre os 19 e 23, a diferença parece pouca e o é em termos de anos (aproximadamente 4 a 8 anos) mas em termos de vivência não. Assim alguém que tenha 20 anos nasceu ou em 88 ou 89, estes efetivamente devem ter conhecido Michael já por volta dos anos de 1993 já entrando no seu ocaso, uma pena, pois para esses trata-se apenas de uma figura louca, excêntrica, estranha, no fundo pedófila. Digo isso, pois a reação que recebi destes foi nesse sentido. Um estranhamento diante de tanto "oba-oba" pela morte de Michael. Pena eles não têm a noção do que se passa.

-Provavelmente eles não sabem que Michael vendeu 750 milhões de discos. Que Thriller é uma obra prima. Que Michael (re) inventou essa coisa chamada clipe. Que lançou um disco chamdo Bad. Que foi do wonderful Jacksons Five. Que foi primordial na economia norte-americana. E agora o principal, do ponto de vista sociológico: Michael arrebentou com a fronteira Black/Whitte. Ele foi o primeiro negro a modificar a programação de algumas rádios e Tvs, como por exemplo a MTV, foi o primeiro a gravar para fora do nicho dos Blacks. Foi negro e garoto propaganda da Pepsi, entre outros feitos. Mas acima de tudo foi humano e desta maneira foi um errante. Fica pelo menos a sensação que foi demasiado humano. Pena que teve uma infância que atrás da genialidade dos Jacksons Fives (que grande banda de soul/black/vocal) existia na verdade uma criança abusada e violentada em todos os sentidos. Fica pelo menos o depoimento de um amigo de Michael, a quem ele teria confessado: toda sua mudança brusca era uma tentativa de apagar a imagem de seu pai nele próprio.
Fiquem em Paz Michael e Obrigado!!!!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ainda sobre sonzeira, rap + rock +psicodelia + hardcore +reggae + punk

Encerrando essa viagem iniciada pelo RUNDMC. Abaixo Planet Hemp e seu underground raprockandrollpsicodeliahardcorreggae. Isso mesmo um coquetel de sonzeira formado por rap, rock ro'll, psicodelia, hardcore, reggae e punk. Fantastico.
Ela bate no bumbo e você sente no peito
Não tá ligado na missão. FODA-SE.

Ainda sobre hip-hop

Abaixo um dos melhores exemplo do hip-hop brazuca. O grande Sbotage. Morto até hoje em circunstâncias não explicadas pela polícia. Aliá como acontece segundo as estatísticas com a maioria dos pobres pretos e favelados.

RUN-DMC - Beats To The Rhyme

Para aliviar e curtir um grande balanço e uma ótima viber. RUNDMC. A revolucionária dupla que mudou a história da black music ao ser pioneira em uma nova forma de se tocar e cantar o funk. Mais tarde batizada de Rap- Ritmo e Poesia que acompanhado de outros elementos formariam o Hip-hop. Mais tarde RunDmc revolucionariam mais uma vez ao samplear uma banda de rock. Na hoje lendária gravação com o Aerosmith em Walk this way. Viva RUNDMC. Viva o hip-hop. Linguagem verdadeiramente genuína da periferia.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A catedral do Soul faz 50 anos

Nesse janeiro, a lendária gravadora fundada por Berry Gordy comemora seu cinquentenário. Como vocês sabem, a Motown virou sinonimo de boa música negra e do movimento soul e funk, graças a um elenco de artistas como Marvin Gaye, Stevie Wonderful (mais tarde resumido para Wonder) Diana Ross, os Jacksons. A Motown Records fez música e política, ou política e música desde seu surgimento em Detroit, isso por que em uma cidade com mais de 70% de negros o mercado ainda era dominado pelos brancos e apesar de ser uma cidade nortista mesmo lá a segregação insistia em aparecer. Pelo menos, é essa inferência que se tira das palavras de Duke Fakir, único integrante do quarteto vocal Four Tops ainda vivo em entrevista a BBC: " (...)(Gordy) criou o selo, pediu ao Four Tops para trabalhar com ele. Nós casualmente respondemos que não, claro (...) Nós o conhecíamos, mas não achávamos que um negro tivesse qualquer chence em Detroit, na indústria fonográfica, com uma gravadora".
Apesar desta resposta inicial posteriormente o Four Tops aceitaram o convite e se tornaram um dos grandes nomes da Motown. Inicialmente as músicas gravadas tinha como público a comunidade negra, ocorre que a Motown estava oferecendo uma música nova, diferente a princípio inclassificável. Mistura de muito balanço e temas amorosos. Originalmente a Motown tinha seu coração no lendário Studio A, nada mais lógico em se tratando de uma gravadora o que tornava esse estúdio diferente era sua localização na garagem da casa de Gordy. Não só a localização mas o próprio clima do estúdio refletia essa ideia de família: sendo comum a troca musical, artistica, amorosa entre as várias feras da Motown, Fakir lembra que era comum os artistas se encontrarem para jogar basquete ou para jantar e se reunir na casa de Mary Wilson da The Temptatinos. Enfim uma grande família musical que produziu além do já citados o genial Smokey Robinson, a ex-secretária da gravadora Martha Reeves, aliás Diana Ross também fora secretária da casa antes de assumir os microfones.
Com o grande sucesso da gravadora, em 1972 Gordy transferiu a sede da gravadora para a cidade quente, LA - Los Angeles. Para muitos músicos, especialistas e fãs a mudança foi prejudicial para todos: para a cena musical negra, para Detroit e para a gravadora que não conseguiu reproduzir a áurea do Studio A em sua sede nova e moderna. Para alguns a própria violência dos guetos da city se explicam um pouco por essa perda que ajuda a manter a baixa estima dos moradores da cidade. Vá se saber, o fato é que o antigo Major (prefeito) de Detroit um negro, digamos assim um jovem negão com jeito de cantor de rapper (brincões, aneis e colares) foi cassado por acusões sérias de assassinato em briga de gangues. Isso dá a medida de Detroit... Para a gravadora que chegou a colocar 200 hits em primeiro lugar na parada musical norte-americana os anos de LA nõ foram nada bons e em 1988 Gordy vendeu sua gravadora para as majors. Hoje, a Motown Records é uma subsidiária do Universal Music Group e nem lembra a lendária gravadora negra de Detroit, mas não se desepere assim que for em Detroit visite a antiga casa de Gordy transformada em museu e conheça o lendário Studio A, intacto, com instrumentos e gravadores.

sábado, 27 de setembro de 2008

Músicas, músicas e músicas X II - "Refavela"!

Lindo!!! Lindo!!! Emocionante!!!
Talvez (a incerteza se deve ao fato de que o autor deste disco já fez e faz tanta coisa boa) o maior disco na minha opinião do grande Gilberto Gil. Senhores e senhoras Refavela de 1977.

Refavela trata-se de um álbum, ou seja um disco linear em que as canções vão se compondo em um crescente até formar um retrato desejado pelo artista: a conexão Brasil-África. Trata-se de uma das obsessões positivas deste filho de Xangô - o PORTAL DO RETORNO- tal qual na viagem histórica organizado por ele e feita pelo presidente Lula. Aqui sem ser planfetário Gil constrói uma teoria sociológica, qual seja: a Africa e o Brasil são continuidades artistíco-cultural que se forma nas Favelas e se reconstrói cotidianamente nas Refavelas. E que tal como o morador da Africa, os negros brasileiros ainda continuam confinado em ghettos. Tal imagem teria ficado mais clara para o artista que acabara de chegar da Nigéria.

Assim cada uma das cançoes tenta refazer essa ponte Brasil-Africa, Bahia-Nigéria. Este Lp traz 10 canções, como já dito em um todo harmônico e coerente, e ai mais um ponto a favor da genealidade de Gil que foi capaz até mesmod e gravar uma bossa nova totalmente coerente com a idéia do disco. O disco se inicia com o poema Refavela, que pode ser considerado o resumo do mesmo:
Iaiá, kiriê /Kiriê, iaiá /A refavela /Revela aquela /Que desce o morro e vem transar /O ambiente /Efervescente /De uma cidade a cintilar /A refavela /Revela o salto /Que o preto pobre tenta dar /Quando se arranca /Do seu barraco /Prum bloco do BNH /A refavela, a refavela, ó /Como é tão bela, como é tão bela, ó
A refavela /Revela a escola /De samba paradoxal /Brasileirinho /Pelo sotaque /Mas de língua internacional /A refavela /Revela o passo /Com que caminha a geração /Do black jovem /Do black-Rio /Da nova dança no salão /Iaiá, kiriê /Kiriê, iaiá /A refavela /Revela o choque /Entre a favela-inferno e o céu /Baby-blue-rock /Sobre a cabeça /De um povo-chocolate-e-mel /A refavela /Revela o sonho /De minha alma, meu coração /De minha gente /Minha semente /Preta Maria, Zé, João /A refavela, a refavela, ó /Como é tão bela, como é tão bela, ó /A refavela /Alegoria /Elegia, alegria e dor /Rico brinquedo /De samba-enredo /Sobre medo, segredo e amor /A refavela /Batuque puro /De samba duro de marfim /Marfim da costa /De uma Nigéria /Miséria, roupa de cetim /Iaiá, kiriê /Kiriê, iáiá.

O disco segue então refazendo a ponte com a hoje já clássica Ilê Aye, (que depois teve uma regravação antològica no disco Rappa Mundi de O Rappa) em homenagem ao Bloco Afro mais importante no processo de consientização negra de Salvador. Aqui a ponte refeita é bastante clara na mensagem:Black is Beautiful, ou como diz a própria letra:
Somo crioulo doido somo bem legal/Temos cabelo duro somo black power/Somo crioulo doido somo bem legal/Temos cabelo duro somo black power (...)Branco, se você soubesse o valor que o preto tem/ Tu tomava um banho de piche branco, e ficava preto também.
Veja bem a maravilha dessa letra, aqui Gil não somente adere ao movimento norte-americano de valorização estética do negro, mas vai além ao propor uma inverção na teoria do embranquecimento (da qual ele tinha familiaridade, Gil se formou na Universidade da Bahia, onde teve contato com grandes antropólogos). Aqui o idela de Nação não é mais branco, ao contrário, como diz a letra é negro. Afinal Branco tome um banho de piche...

Destaque também para a maravilhosa faixa 04 "No norte da Saudade", onde musicalmente busca-se a mescla entre a sonoridade das percussões afro-brasileiras dos bolocos de Axé de Salvador com resquícios do psicodelismo da fase londrina do cantor, tudo isso em um ritmo de Reggae. Aqui a lembrança é de estarmos diante dos melhores momentos do Novos Baianos. Mas a mensagem é a mesma a Refavela esta espalhada pela América. Viva a Jamaica uma legítima Refavela.

Na busca dessa ponte destaca-se ainda as deliciosas (e ai percebe-se que a voz de Gil é ela prória um instrumento musical) Baba alapalá(faixa 05) em saudação ao Orixá da Cabeça de Gil Xngô. E Balafon (faixa 09) onde Gil demonstra que os instrumentos musicais que temos aqui são todos de presentes também no Daomé (Nigéria) e Patuscada de Gandhi, um maravilhoso Afoché daqueles que por mais que Você tente não vai ser possível ficar parado.

Por fim queria destacar três outras canções que a príncipio poderia destoar do disco, a bossa-nova "Samba do Avião"que aqui ganha novos arranjos. Esqueçam qualquer uma das versões que já ouviu dessa música. Aqui efetivamente ela ganha sentido. O Rio, aqui mimetiza o Brasil. A idéia contida aqui e tal como dito na faixa 03 Aqui e Agora e na faixa 08 "Era Nova" é que para o Brasil se entender é necessário que não esconda sua façe negra, pelo contrário que sinta orgulho dessa ponte com a África. Mas mais do que isso a mensagem final é de que as dificuldades políticas do Brasil daquela época representava para muitos brasileiros no exílio uma nova forma violenta de desterritorialização. Para Gil trata-se de uma época de desterritorialização extrema e sua viagem a Nigéria (Favela) só aumenta a necessidade de retorno a Refavela....

Este álbum e a mistura de sons e sentimentos entrelaçados, resultando numa obra de essência e beleza, em meio a uma época de dificuldades políticas, enfrentadas pela classe artística politicamente consciente.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Músicas, músicas e músicas X I - "New York City Live"!

Bom dentro dessa nova fase de troca de informação sobre artistas não tão populares, chegou a vez do "Hypnotic Brass Ensemble". Para falar a verdade.... estou sempalavras como descrever... sabe aquele tipo de som que bate, que mexe, que te coloca em transe... sabe aquela sensação desbaratada após um daqueles filmes (após assistir Cidade de Deus e ficar andando meio alto pela Pça da Liberdade). Então essa é a sensação. Vamos conhecer um pouco sobre o Hypnotic e seu som verdadeiramente hipnotizador. Segundo o Marcel Cruz do ótimo Sacudinbenblog. O Hypnotic: O Hypnotic Brass Ensemble é formado por 8 músicos de Illinois-Chicago, do qual 7 são filhos do ex-trumpetista da Sun Ra Arkestra: Kelan Phil Cohran, o oitavo músico da HBE não tem laços de sangue porém, "é sem sombra de dúvida parte da família". São 4 trompetistas, 2 trombonistas, 1 Batera e um... Sousaphonista(?)rsrs (Sousaphone é uma Tuba que descende do Hélicon). A criação do grupo deu-se em 1999. Ainda segundo o Marcel a formação é:
Smoove (Trumpet)
June Baji (Trumpet)
Hudah (Trumpet)
Jafar Baji (Trumpet)
360 (Drums)
Elcid (Trombone)
Clef (Trombone)
L.T (Sousaphone)

Quis colocar o nome dos caras pois eles merecem. Para terminar as citações ao Marcel repito aqui o que ele disse e com o que concordo:

Pare realmente com tudo!!!!! Esse grupo é maior chapação, é ouvir e viciar fiquei realmente de cara com a música que eles fazem, uma groovera absurda.

O album aqui recomendado trata-se de uma coletânea da obra dos caras gravado ao vivo no dia 29/10/2007 no Higtline Ballroom de New York. Bom é um sobrevôo sobre o balanço, o groove e a hipnotização desses caras. O mais legal é perceber a reação do público. Ai que vontade de ouvir ao vivo. Por esse disco, apesar de ainda não ter ouvido , já reomendo as demais gravações dos caras. Pelas minhas pesquisas são mais três discos.
Bom continuo sem palavras para descrever especificamente o som. Vai lá, faz um favor para seus ouvidos e corre atrás.

Músicas, músicas e músicas X - Eis o Ôme

Eis o Ôme, disco essencial se você quer entender um pouco dessa tal de MPB- Música Preta Brasileira. Trata-se de um belíssimo exemplar do chamado samba de Terreiro com pintadas de samba de roda. Trata-se aqui de samba de Terreiro com maiúscula mesmo, ou seja, aquelas rodas que se formam nos Ilês pelo Brasil afora, antes ou depois das festas de santos. Sim eis a origem do nosso samba, lembra-se de já ter lido sobre a importância da Casa de Tia Ciata e outras, pois é. Era nos Terreiros que os filhos de santos e futuro bambas antes ou após tocar para os Orixás dançarem tocavam para o próprio Cavalo dançar. Se é que me entendem. Afinal Samba é Semba e semba e aquela umbigada em homenagem a Exu. No entanto, façamos uma pausa para conhecer melhor Noriel Vilela.

Eu particularmente nunca tinha ouvido falar do cara até o começo desse ano, quando uma colega em um trabalho de campo percebendo em meu MP5 as minhas preferências musicais se assustou diante da minha negativa em relação ao nome Noriel Vilela. Bem a correria do começo do ano acabou me afastando de uma pesquisa mais efetiva sobre o Cara, ainda que sempre a Lara me cobrando ouvir o Cara. Pois bem, a umas duas semanas foi a vez de outro amigo me recomendar o Noriel. Pois bem só me restou correr atrás. Veja a minha resposta a ambos: enfim estou ouvindo o grande Noriel Vilela. Muitooo boommm. Afinal " eu acredito sim, não fala mal da umbanda perto de mim" Minha coleção macumbeira tá cada vez maior.

Segundo a não tão confiável Wikipedia:

Noriel Vilela fez carreira como integrante do grupo vocal de samba Cantores de Ébano, que teve relativo sucesso nos anos 1950. Vilela também lançou o álbum-solo Eis o Ôme em 1968. Por essa época, Vilela morreu repentinamente e o Cantores de Ébano se desfez por algum tempo, até que se encontrasse um substituto à altura para o cantor.

A voz do cantor é um baixo profundo com uma dicção única no samba. Seu segundo álbum Eis o Ôme é uma sucessão de faixas de sambalanço com forte tempero afro, não apenas na sonoridade, como também na temática, voltada para a umbanda.

Vilela goza atualmente de um revival cult entre os admiradores do sambalanço e seu nome é facilmente encontrável nas redes de compartilhamento de arquivos da internet.

Pois bem, concordamos com a Wiki, Eis o Ôme é discografia básica. É um disco que se ouve do começo ao fim e, após o fim se ouve novamente. Ah havia me esquecido de fato trata-se de um disco voltado, para a Umbanda e nao para o Candomblé. Daí por exemplo mesmo na sudação a Xangô, ser em português e não no tradicional yorubá Oke Aro Oke. Trata-se de tarefa inglória escolher algumas músicas e nesse caso será sempre uma questão muito pessoal. Mas vamos lá: destaque para a faixa 2 Sravando Xangô de chamamento a ele sempre ele, "a Voz que faz o chão tremer". Para a faixa 4 Meu Caboclo não deixa e a performance vocal de Noriel. Aliás durante todas as cançoes chama a atenção as interpretações e mesmo o falar do cantor, que busca reproduzir o modo de dizer das entidades e encantados brasileiros que baixam nas sessões de umbanda (nesse caso destaque para a faixa 7 Eu tô vendo no copo). Mais para o fim do disco as últimas faixas têm-se um certo abandono do samba, aquele que a Wiki erroneamente chama de sambalanço algo que só seria criado pelo genial Jorge Ben alguns poucos anos depois desse disco e se encaminha para o Funk com o balancê todo brasileiro, destaca-se ai Cacundê, Cacundá e Acocha Malungo.
Enfim corra para ouvir. Noriel que morreu jovem tem outros trabalhos gravados com os Cantores de Ebano em que se destaca 16 toneladas, versão portuguesa de grande sucesso do blues norte-americano.

Músicas, músicas e músicas (de volta IX)

Em dezembro último e em janeiro deste ano postei uma série de post fazendo a crítica musical de uma série de discos ou artistas essenciais da Soul e do Funk brasileiro. Gostei muito daquela empreitada de férias foram 08 pseudo-críticas que recomendo principalmente para lembrar um pouco do funksoul brasileiro, olhe nas memórias de post do lado direito da tela). Agora ando na correria e talvez por isso mesmo sentia necessidade de repetir a dose. Desta vez a idéia inicial era focar em artistas desconhecidos ou esquecidos pelo grande público, mas já adianto que não consigo e as vezes volto aos ídolos de sempre. Começamos como não pdoeria ser diferente com mais um brazuca do Funk.

Ladies e .... com os senhores o grande Almir Ricardo e seu maravilhoso LP Festa Funk.

Bom antes do disco em si, uma pena não ter conseguido a capa do disco para reproduzir aqui, pois para quem não conhece teria a chance de ver o nipe da capa, bem anos 80 com jaqueta jeans e tudo mais... Mas vamos ao que importa o disco.
Começando pelo nome poucas vezes um nome reflete tão bem um disco, realmente trata-se de uma festa. É o tipo do disco que Você colocava na vitrola do apartamento e já granatia a festa da moçada.
Aqui trata-se de um disco de passagem do que foi o Funk tal como concebido pelos grandes nomes da Montown e dos pesos pesados brasileiros para o que o Funk viria a ser. Almir Ricardi e seu disco tardio já que o mesmo é de 1984 não era um novato na coisa musical, ou como diz um amigo meu não era juninho. Desde os anos 60 ele já mantinha uma sólida amizade e parceria com gente do tipo de Tim Maia e Erasmo Carlos. E é dessa amizade e dessa vivência que ele traz o groove e o balanço. Em certos momentos temos até mesmo a sensação de que a banda de acompanhamento é a famosa Vitória Régia, que por tantos anos acompanhou Tim, mas não trata-se de uma outra banda de peso de Lincoln Olivetti e Jorge Robinson.
Mas chega de falatório o negócio e colocar o disco na vitrola e sair rodopeando. Pois em Festa Fuynk não se pode ficar parado. Ah e como todo Lp (por razões técnicas) trata-se de um disco pequeno com 08 deliciosas músicas. Chamo a atenção para a faixa 1 Festa Funk. É uma pista para entender um pouco do Funk como le gusta de Paula Lima. Ou então a faixa 3 Tô parado na Tua. Destaque também para a ótima Rebola Bola e a crítica elogiosa e jocosa de São Paulo Higt Society( uhuh viva as festinhas da higth sociedade com direito a Amauri Júnior).
Bom eu adorei e me deu vontade de sair dançando...espero que Vocês também gostem principalmente os que viveram os anos 80 vão se sentir em casa com essa sonoridade ...
Para quem quiser copiar o disco recomendo copiar do cavalo23.blogspot.com

sábado, 26 de julho de 2008

Cassiano: Cedo ou Tarde

Depois de muitos dias longe daqui. Como sempre o motivo são as diversas coisas tudo ao mesmo tempo e agora. No entanto, hoje resolvi dar um tempo e fruir a música. Estou ouvindo o divinal disco Cassiano: Cedo ou Tarde (com uma série de duetos espetaculares com Luiz Melodia, Sandra de Sá, Marisa Monte, Djavan, Ed Motta entre outors). Vida longa ao soul, ao funk ao balancê e a esse grito de libertação musical, estética, política, moral... cada vez tenho mais claro que qualquer escrita sobre um bom albúm só serve para diminuí-lo visto que nunca o retrata em toda sua grandeza.
De todo modo re-publico abaixo, dois posts sobre o soul e sobre cassianode dezembro do ano passado. Quando dedicamos uns 15 posts para fazermos críticas de discos essenciais para esse que escreve. E logo abaixo depois de um longo e tenebroso inverno, de volta Poesia para toda parte, com a poesia de Coleções (que no disco cedo ou Tarde é um maravilhosos dueto entre Cassiano e Djavan).

Músicas, músicas, férias VII

Eu sou tão fã das composições do Cara abaixo (e também de Hyldon), que não me sinto a vontade de comentá-lo, a Cassiano só consigo reverencia-lo e me emocionar sempre que ouço suas canções. Em uma expressão: Ele é um letrista genial. Mas isso seria pouco para descrever a influência do cara sobre a MPB- Música Preta Brasileira, na excelente expressão de Sandra de Sá, aliás Ela própria uma interprete divinal de Cassiano (a este respeito já fiz uma pequena crítica do disco MPB dessa interprete, aqui mesmo no Blog- quem estiver interessado busque na memória do blog, no mês de outubro). Aqui recomendo que ouçam os três discos do Cara, ainda que alguns seja mais difíceis de encontrar mesmo na Net.

Fiquem com o texto de B'side a respeito desse Cara.

É a hora de conhecer o trabalho de um dos mais brilhantes compositores da nossa MPB em qualquer tempo: Genival Cassiano dos Santos, ou simplesmente, Cassiano.

Nascido há 62 anos em Campina Grande, na Paraíba, veio para o Rio em fins da década de quarenta. Na Cidade Maravilhosa, aprendeu com o pai a tocar violão e bandolim e aos 19 anos, entrou para o meio artístico como integrante do grupo Bossa Trio, mais tarde rebatizado de Os Diagonais - que participariam nos três primeiros discos de Tim Maia fazendo os vocais de apoio.

Cassiano já alçara vôo solo quando Tim surgiu como uma bomba na MPB, cantando uma de suas primeiras composições: o eterno hit "Primavera (Vai Chuva)".

A letra pungente e a interpretação marcante do inesquecível Tim Maia mostraram o gênio de Cassiano - imediatamente convidado para gravar um disco em 1971. Imagem e Som. Seu primeiro trabalho-solo revelou outros ases na manga além de "Primavera". Vieram à luz "É isso aí" (não, não é a da Ana Carolina, garanto aliás que é melhor), "Já", "Uma lágrima" e "Não fique triste".

Com arranjos de Waldyr Arouca Barros, o trabalho de estúdio foi primoroso. O antigo grupo de Cassiano participou dando uma canja nos vocais e no baixo reinou o lendário Capacete, comparado a James Jamerson, craque do instrumento e músico número um de estúdio da não menos conhecida gravadora americana Motown.

Cassiano reapareceu em 1973 com um disco ainda melhor: Apresentamos Nosso Cassiano, pelo selo Odeon. E saíram do forno composições inspiradíssimas. "Melissa" foi uma homenagem à filha nascida dois anos antes. "A Casa de Pedra" é um soul-progressivo de diversas quebradas rítmicas e devastador - literalmente - porque nenhum coração de pedra resiste à beleza da letra e da interpretação do cantor / compositor. Só ouvindo a música pra saber mesmo como é...

E foi nessa época em que ele compôs aquela que é considerada a melhor música dele. "Cedo Ou Tarde" foi referência para dezenas de artistas da MPB que beberam da fonte da boa música, caso de Ed Motta, que apresentou a canção à Marisa Monte para que ela a regravasse.

Simplesmente sensacional...

Novo sumiço e Cassiano voltou em 1976, com um novo parceiro, Paulo Zdanowski, jovem de 19 anos que formaria algum tempo depois o grupo Brylho da Cidade - aquele mesmo de "Noite do Prazer". E aí foi lançado o terceiro e, pasmem, último disco do compositor: Cuban Soul - 18 Kilates, tão brilhante quanto seu antecessor.

"Coleção" foi um sucesso estrondoso por causa da novela Locomotivas, da Globo. "A lua e eu", outra balada que até hoje todo mundo acima dos 30 anos se lembra com carinho. "Salve essa flor", uma das preferidas dos seus fãs.
E ainda havia "Hoje é Natal", disparada a melhor música falando sobre o tema. Esqueçam "Noite Feliz", "Jingle Bells" e "Boas Festas". Cassiano sintetiza em pouco mais de três minutos e meio a singeleza desta data comemorada mundialmente.

O mais engraçado e o que me impressiona, nao só a mim mas a todos os fas do genero é que um monstro da MPB igual ao Cassiano já vai completar 30 anos sem fazer um único disco. Com tanta porcaria dominando as paradas, isto é incrivel !!!!

Felizmente ele nunca foi esquecido. Nos anos 90, ele reapareceu para gravar seus grandes sucessos com outros artistas - Luiz Melodia, Ed Motta, Sandra de Sá, Marisa Monte e muitos outros - o disco-tributo Cedo ou Tarde (Como sempre!).
Sem deixar de dizer que a delonga pra gravar ou aparecer em publico foi realmente motivos de saude

E o mesmo Ed Motta voltou a pagar tributo ao mestre em 2000, compilando 14 de suas grandes músicas para a Universal / Dubas Música e apresentando enfim o primeiro CD de Cassiano - Coleção. Que todos por obrigação deve ouvir inteiro até furar!


Glória eterna a Genival Cassiano dos Santos.

Ou seria... Genial Cassiano?


Músicas, músicas, férias IX

“I'M BLACK and I'M PROUD. I FEEL GOOD”

Podemos nos últimos post fazer uma pequena revisão da Soul Music brasileira. Na verdade muito vai ficar de fora, mas a idéia foi divulgar um pouco mais o Soul Brasileiro. Muita coisa boa ficou de fora. Seja por opção própria, como a exclusão de Tim que mereceria um Blog só para sua gorda musicalidade, e outras por que até mesmo nós, apesar de fãs não temos acesso a raridades como Gerson King Combo ou Black Rio e outros geniais do Soul brasileiro obscurantizados pelo sistema.

A música black brasileira da década de 70, influenciou e influencia grande parte da produção musical contemporânea, desde todo o rap nacional, passando pelo “funk” carioca, até o trabalho de artistas como O Rappa, Seu Jorge, D2, Paula Lima, Funk Como Le Gusta dentre tantos outros. Muitos desses trabalhos têm sido relançados em CD, como o Racional do Tim Maia, o disco do Hyldon, Maria Fumaça e outros da Black Rio. Alguns outros podem ser baixados na rede, ou então garimpados em sebos de vinil.

Discoteca Básica
- Black Soul Brothers: Miguel de Deus (1974)
- Na rua, na chuva, na fazenda: Hyldon (1974)
- Trio Esperança: Trio Esperança (1974)
- Nesse Inverno: Tony Bizarro (1974)
- Racional vols. 1 e 2: Tim Maia (1974/5)
- Cuban Soul: Cassiano (1976)
- Gérson King Combo: Gérson King Combo (1977)
- Maria Fumaça: Banda Black Rio (1977)
- Venha Matar Saudades: Carlos Dafé (1978)
- Melô do Mão Branca: Mão Branca (1979)
- Toni Tornado: Toni Tornado (1972)
- Dom Salvador: Dom Salvdor (1969)
- Dom Salvador e Abolição: Som, Sangue e Raça (1971)
- Jorge Bem: Negro é lindo (1971)


Poesia para toda parte

Sei que você gosta de brincar
De amores
Mas óh: comigo, não! (comigo, não!)
Sei também que você...
Eu não sei...mais nada
Um dia
Você vai
Ouvir
De alguém
O que ouvi de ti
Então irá
Pensar
Como eu
Sonhei em vão
Não vá...ou vá
Você é quem quer...
Quer saber?
Eu amo
Você!

Sei também que você...
Eu não sei...mais nada
Sei que um dia você vai ouvir
De alguém
O que ouvi de ti
Então irá
Pensar
como eu
Sonhei em vão
Não vá...ou vá
Você é quem quer...
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo...yeahhhh
Você!


sábado, 14 de junho de 2008

Morre o baluarte da Mangueira, Jamelão

Jamelão
''rir de que?"
Ele atribuía os reveses ao fato de ter nascido pobre e, principalmente, negro.
Dizia que muitas vezes foi passado para trás por causa da cor.

Jamelão nasceu em 12 de maio de 1913 no bairro carioca de São Cristóvão, e ainda mantinha o vozeirão em plena forma, o que atribuía a um dom de Deus. O criador foi pródigo em lhe conceder um talento que o colocou entre os grandes da Música Popular Brasileira, embora tanto reconhecimento não tenha lhe valido uma tranqüilidade financeira. Homenageado a torto e a direito, Jamelão ainda tinha que fazer shows para pagar aquelas continhas que perturbam nossa vida todo mês.

Ele atribuía os reveses ao fato de ter nascido pobre e, principalmente, negro. Dizia que muitas vezes foi passado para trás por causa da cor, que lhe valeu o nome artístico dado pelo apresentador de uma gafieira onde pediu para cantar na cara dura e o locutor, sem saber-lhe nome, apresentou-o como Jamelão. Há outras versões para o apelido, citadas por ele mesmo em entrevistas, e não adiantava perguntar qual era a verdadeira porque respondia com o mau humor característico que não tinha caderno para anotar tudo que fazia (uma vez lhe perguntaram porque era sempre tão sério, ele fuzilou: ''rir de que?")

O puxador da Mangueira Jamelão - Arquivo O Globo A atitude era compreensível. Devia ser mesmo frustrante não ver a conta bancária acompanhar a consagração que recebia por suas interpretações, mas ele teve o auge de sua carreira numa época em que os direitos dos artistas eram completamente desrespeitados. Antes de descobrir seu caminho, Jamelão seguiu a sina dos garotos pobres, trabalhando como engraxate e vendedor de jornais, interessando-se no paralelo pelo samba, batendo uma percussão e freqüentando rodinhas de samba até que, já com algum nome no meio, com apenas 15 anos, foi levado à Mangueira pelo sambista Lauro Gradim Santos, onde começou como ritmista.

Nas rodas de samba ele cantava e também conseguia se apresentar nos cabarés que proliferaram depois do fechamento dos cassinos em 1946. Na época ele venceu um concurso de calouros e foi contratado pela rádio Continental e, depois, pela rádio Tupi. No começo dos anos 50, trabalhou como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo e se apresentou até na França. Fez sucesso no disco em gravações pela Continental de Folha Morta (Ary Barroso), Exaltação à Mangueira" (Enéias Brito e Aluísio Augusto da Costa) e "Ela disse-me assim", de Lupicínio Rodrigues. Jamelão viria a ser considerado o maior intérprete de Lupicínio, especializando-se no samba canção com suas profundas fossas amorosas. Ele gravou dois LPs dedicados à obra do compositor gaúcho, "Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues'' (1972) e "Recantando mágoas - A dor e eu" (1987).

Jamelão foi gradualmente se convertendo na voz da Mangueira, desde que começou a cantar os sambas enredo nos desfiles a partir da década de 50. Ele nunca aceitou ser chamado de "puxador de samba", reagia como se tivessem lhe xingado a mãe, dizendo que puxador era quem fumava maconha ou roubava carros. Ele era intérprete. E disso ninguém tinha dúvida. Muito menos ele, que batizou seu último disco de Cada vez melhor, reunindo regravações como Folha morta, ''Falsa baiana'' (Dorival Caymmi) e ''Ela disse-me assim'' Lupicinio), além de um pout-porri de sambas. O disco de um intérprete para ninguém botar defeito.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Wilson Simonal canta Tributo a Martin Luther King

Bala canção e homenagem do injustiçado Simonal a causa dos negros. Bacana ver a fala dele no início da música, onde afirma que apesar de ser Wilson Simonal ainda enfrenta vários problemas por causa de sua cor.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Bethânia e Gal_Oração mãe menininha

Ela e Gal em Oração a Estrela mais linda e ao Sol mais brilhante,enfim a Óxum mais bonita.