quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Esperanza Spalding - Ponta de Areia
Lindo. Esperanza Spalding é uma das maiores vozes e musicista da atualidade. E além de tudo e muy bella. Veja aqui ela cantando em português, bela homenagem a nossa música desta norte- americana porreta.
sábado, 9 de outubro de 2010
Lena Horne - Stormy Weather/If You Believe
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Pulo Moura se foi
Agora do Blog do Nassif:
Madrugada em Ouro Preto - com Paulo Moura
Enviado por luisnassif, ter, 13/07/2010 - 20:34
Por Marcelo Procopio
Paulo Moura - Madrugada: um som sobe a ladeira em Ouro Preto
- uma história que contém Paulo Moura
Marcelo Procopio
Hoje é dia do Rock. Mas quem morreu foi Paulo Moura: “morreu para você filho ingrato” da música. Música é para sempre. Nos anos 1970, quando o Festival de Inverno da UFMG, ainda em Ouro Preto, estava revelando grandes nomes da música, teatro, artes plásticas e tudo o mais, aconteceu um momento mágico. Madrugada, quase dia, e uma som começa a chegar à Praça Tiradentes. Eu e amigos íamos sempre lá nos fins de semana. Quase sem dinheiro – às vezes dormíamos em repúblicas, outras em hotéis de quinta. Mas nem sempre.
Ficávamos a vagar pelas ruas, noites, bares. Conhecendo pessoas, ouvindo música, vendo artistas em esquetes, em todo canto da cidade. Bebendo, ficando loucos. Todo mundo quase louco, todo mundo todo lúcido em busca de novos mundos. Outras culturas. Rejeitando o “novo”, como diziam os tropicalistas que criavam tudo de novo, a partir, claro, de bases existentes. Revoluções são assim.
Servem para mudar radicalmente uma realidade. Como dizia O Onça, personagem de O Cometa, como se você tirasse uma cadeira, a destruísse, e colocasse uma mesa no lugar. Tudo novo. Um novo olhar. Outra história se dando conta que ainda é preciso mudar tudo outra vez. Depois.
Os camburões do Dops ficavam estacionados na Praça Tiradentes. Os policiais se misturavam no meio dos artistas, estudantes, professores, turistas, malucos, drogados, bêbados. Em 1971 prenderam centenas, inclusive o pessoal do grupo Living Theatre – na época, dirigido por Julian Beck e Judite Malina, que ficaram presos semanas, mais de mês no Dops de BH. O Estado de Minas publicou o Diário de Malina na prisão, uma série de vários dias, que tinha guardado e perdi.
A imprensa deu manchetes pelo país. Chamaram de O Festival da Bolinha (tempo de drogas químicas, comprimidas em comprimidos). Até hoje fico pensando no que deu no EM para publicar o Diário, num momento AI-5 da ditadura militar. O Living Theatre era convidado do Festival da UFMG para cursos e apresentações.
Me lembro de um outro episódio inusitado: a gente estava num bar da praça Tiradentes. Um daqueles. Barzão com alta profundidade. No comprimento e nas conversas. Cultura e política. Resistência e insistência. Nem era tarde assim. Antes da meia-noite. Um cara alto, vestido no capote preto, entra no bar, faz um gesto qualquer que chamou a atenção de todos. Todos olham em sua direção. Ele diz em alto e bom tom:
- Cada um na sua idiossincrasia. (Vira-se e vai embora).
E de um outro. Ouro Preto tinha aquele clima de festival. Era uma madrugada de sexta para sábado. E aconteceu:
Era 1971. Poderia ser 1972 - se a memória falha, não é o tempo exato que importa. Era Festival de Inverno da UFMG. Era Ouro Preto.
Era madrugada: 5 horas, quase querendo amanhecer. Ainda havia algum movimento na cidade. Bares, dois, três talvez, abertos na praça Tiradentes. Devia haver policiais do Dops nos cantos, observando.
A gente esperava, no frio, um pedaço de sol. E o fim da loucura, do porre homérico passar. Quase silêncio. Poucas vozes.
Então, como se do nada, um som começou a chegar na praça. Era música. Vinha de longe. Da rua São José. Lá de baixo. Do começo, do fim da ladeira.
A música cada vez mais perto. A gente procurando quem. Avistamos, enfim, um grupo: algumas pessoas seguindo a música. Subindo a rua trazendo a música.
Esperamos, olhando o som. Era um sopro. Um sax. Era homem e um pequeno grupo subindo a ladeira.
Cada vez mais próximo da praça. Cada vez mais gente: aqueles poucos que ainda esperavam um pedaço de sol na noite fria de julho e aquele grupo, ainda menor, que vinha junto com a música.
O músico e sua música chegaram na praça. Agora estávamos todos juntos: a música, o músico, as pessoas e o fim da noite em Ouro Preto.
Todos agora em volta da música. O músico ao lado de Tiradentes, a estátua na praça. A música enchendo a cidade. A gente levado pela música criava um êxtase coletivo. Felicidade. Os olhos. Se fosse possível ver os olhos agora...
Era Paulo Moura no sax. Era madrugada em Ouro Preto. Era um silêncio absoluto. Só havia no ar o som suave do sopro da música de Paulo Moura.
Era para nunca mais esquecer. Era para sempre. Madrugada, Ouro Preto, Paulo Moura e a música.
Comentário do Luis Nassif
Quem diria... Eu estava lá, cobrindo o festival para a revista Veja, no meu primeiro ano de trabalho.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Música é Dom por isso quero trocar essa dádiva com vocês
sábado, 29 de maio de 2010
Músicas, músicas, músicas
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Abre Caminho - Mariene de Castro
Mariene se declara apaixonada pela tradição popular. Em seu site: " O que faz de sua arte é pela história do seu povo, pelo respeito pelos negros que sofreram, pelos índios que foram exterminados dessa terra chamada Brasil. Enfim, pelo respeito àqueles que nos legaram a música, o swing de cantar e de sambar. Pela a herança do povo brasileiro que precisa ser preservada
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Gil, Gilberto Gil
Obá Kossô !!!!
Axé Alafim de Oió.
Nada mais consigo dizer. Como é lindo ouvir Refavela (com resenha aqui no Blog), ou então Barra 69, Gilberto Gil 1968 - Os Mutantes, Gilberto Gil Vira-Mundo, Gilberto Gil Cidade de Salvador CD 1 e 2, Gil e Ben Jor Xangô e Ogum e tantos, tantos outros. Que músico fabuloso.
Òlò áwá la wulú
Olodó òlò odó
Oyá walé ni ilè Irá
Essa vontade de ser músico e cantor acaba me matando!!!
Luzia, Luluza
Passei toda a tarde ensaiando, ensaiando
Essa vontade de ser ator acaba me matando
São quase oito horas da noite, e eu nesse táxi
Que trânsito horrível, meu Deus
E Luzia, e Luzia, e Luzia
Estou tão cansado, mas disse que ia
Luzia Luluza está lá me esperando
Mais duas entradas, uma inteira, uma meia
São quase oito horas, a sala está cheia
Essa sessão das oito vai ficar lotada
Terceira semana em cartaz James Bond
Melhor pra Luzia não fica parada
Quando não vem gente, ela fica abandonada
Naquela cabine do Cine Avenida
Revistas, bordados, um rádio de pilha
Na cela da morte do Cine Avenida, a me esperar
No próximo ano nós vamos casar
No próximo filme nós vamos casar
Luzia, Luluza, eu vou ficar famoso
Vou fazer um filme de ator principal
No filme eu me caso com você, Luluza, no carnaval
Eu desço do táxi, feliz, mascarado
Você me esperando na bilheteria
Sua fantasia é de papel crepom
Eu pego você pelas mãos como um raio
E saio com você descendo a avenida
A avenida é comprida, é comprida, é comprida...
E termina na areia, na beira do mar
E a gente se casa na areia, Luluza
Na beira do mar
Na beira do mar
Gilberto Gil
sábado, 27 de junho de 2009
Michael Jackson
sexta-feira, 27 de março de 2009
Ainda sobre sonzeira, rap + rock +psicodelia + hardcore +reggae + punk
Ainda sobre hip-hop
RUN-DMC - Beats To The Rhyme
Para aliviar e curtir um grande balanço e uma ótima viber. RUNDMC. A revolucionária dupla que mudou a história da black music ao ser pioneira em uma nova forma de se tocar e cantar o funk. Mais tarde batizada de Rap- Ritmo e Poesia que acompanhado de outros elementos formariam o Hip-hop. Mais tarde RunDmc revolucionariam mais uma vez ao samplear uma banda de rock. Na hoje lendária gravação com o Aerosmith em Walk this way. Viva RUNDMC. Viva o hip-hop. Linguagem verdadeiramente genuína da periferia.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
A catedral do Soul faz 50 anos
sábado, 27 de setembro de 2008
Músicas, músicas e músicas X II - "Refavela"!
Talvez (a incerteza se deve ao fato de que o autor deste disco já fez e faz tanta coisa boa) o maior disco na minha opinião do grande Gilberto Gil. Senhores e senhoras Refavela de 1977.
Refavela trata-se de um álbum, ou seja um disco linear em que as canções vão se compondo em um crescente até formar um retrato desejado pelo artista: a conexão Brasil-África. Trata-se de uma das obsessões positivas deste filho de Xangô - o PORTAL DO RETORNO- tal qual na viagem histórica organizado por ele e feita pelo presidente Lula. Aqui sem ser planfetário Gil constrói uma teoria sociológica, qual seja: a Africa e o Brasil são continuidades artistíco-cultural que se forma nas Favelas e se reconstrói cotidianamente nas Refavelas. E que tal como o morador da Africa, os negros brasileiros ainda continuam confinado em ghettos. Tal imagem teria ficado mais clara para o artista que acabara de chegar da Nigéria.
Assim cada uma das cançoes tenta refazer essa ponte Brasil-Africa, Bahia-Nigéria. Este Lp traz 10 canções, como já dito em um todo harmônico e coerente, e ai mais um ponto a favor da genealidade de Gil que foi capaz até mesmod e gravar uma bossa nova totalmente coerente com a idéia do disco. O disco se inicia com o poema Refavela, que pode ser considerado o resumo do mesmo:
Iaiá, kiriê /Kiriê, iaiá /A refavela /Revela aquela /Que desce o morro e vem transar /O ambiente /Efervescente /De uma cidade a cintilar /A refavela /Revela o salto /Que o preto pobre tenta dar /Quando se arranca /Do seu barraco /Prum bloco do BNH /A refavela, a refavela, ó /Como é tão bela, como é tão bela, ó
A refavela /Revela a escola /De samba paradoxal /Brasileirinho /Pelo sotaque /Mas de língua internacional /A refavela /Revela o passo /Com que caminha a geração /Do black jovem /Do black-Rio /Da nova dança no salão /Iaiá, kiriê /Kiriê, iaiá /A refavela /Revela o choque /Entre a favela-inferno e o céu /Baby-blue-rock /Sobre a cabeça /De um povo-chocolate-e-mel /A refavela /Revela o sonho /De minha alma, meu coração /De minha gente /Minha semente /Preta Maria, Zé, João /A refavela, a refavela, ó /Como é tão bela, como é tão bela, ó /A refavela /Alegoria /Elegia, alegria e dor /Rico brinquedo /De samba-enredo /Sobre medo, segredo e amor /A refavela /Batuque puro /De samba duro de marfim /Marfim da costa /De uma Nigéria /Miséria, roupa de cetim /Iaiá, kiriê /Kiriê, iáiá.
O disco segue então refazendo a ponte com a hoje já clássica Ilê Aye, (que depois teve uma regravação antològica no disco Rappa Mundi de O Rappa) em homenagem ao Bloco Afro mais importante no processo de consientização negra de Salvador. Aqui a ponte refeita é bastante clara na mensagem:Black is Beautiful, ou como diz a própria letra:
Somo crioulo doido somo bem legal/Temos cabelo duro somo black power/Somo crioulo doido somo bem legal/Temos cabelo duro somo black power (...)Branco, se você soubesse o valor que o preto tem/ Tu tomava um banho de piche branco, e ficava preto também.
Veja bem a maravilha dessa letra, aqui Gil não somente adere ao movimento norte-americano de valorização estética do negro, mas vai além ao propor uma inverção na teoria do embranquecimento (da qual ele tinha familiaridade, Gil se formou na Universidade da Bahia, onde teve contato com grandes antropólogos). Aqui o idela de Nação não é mais branco, ao contrário, como diz a letra é negro. Afinal Branco tome um banho de piche...
Destaque também para a maravilhosa faixa 04 "No norte da Saudade", onde musicalmente busca-se a mescla entre a sonoridade das percussões afro-brasileiras dos bolocos de Axé de Salvador com resquícios do psicodelismo da fase londrina do cantor, tudo isso em um ritmo de Reggae. Aqui a lembrança é de estarmos diante dos melhores momentos do Novos Baianos. Mas a mensagem é a mesma a Refavela esta espalhada pela América. Viva a Jamaica uma legítima Refavela.
Na busca dessa ponte destaca-se ainda as deliciosas (e ai percebe-se que a voz de Gil é ela prória um instrumento musical) Baba alapalá(faixa 05) em saudação ao Orixá da Cabeça de Gil Xngô. E Balafon (faixa 09) onde Gil demonstra que os instrumentos musicais que temos aqui são todos de presentes também no Daomé (Nigéria) e Patuscada de Gandhi, um maravilhoso Afoché daqueles que por mais que Você tente não vai ser possível ficar parado.
Por fim queria destacar três outras canções que a príncipio poderia destoar do disco, a bossa-nova "Samba do Avião"que aqui ganha novos arranjos. Esqueçam qualquer uma das versões que já ouviu dessa música. Aqui efetivamente ela ganha sentido. O Rio, aqui mimetiza o Brasil. A idéia contida aqui e tal como dito na faixa 03 Aqui e Agora e na faixa 08 "Era Nova" é que para o Brasil se entender é necessário que não esconda sua façe negra, pelo contrário que sinta orgulho dessa ponte com a África. Mas mais do que isso a mensagem final é de que as dificuldades políticas do Brasil daquela época representava para muitos brasileiros no exílio uma nova forma violenta de desterritorialização. Para Gil trata-se de uma época de desterritorialização extrema e sua viagem a Nigéria (Favela) só aumenta a necessidade de retorno a Refavela....
Este álbum e a mistura de sons e sentimentos entrelaçados, resultando numa obra de essência e beleza, em meio a uma época de dificuldades políticas, enfrentadas pela classe artística politicamente consciente.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Músicas, músicas e músicas X I - "New York City Live"!
Smoove (Trumpet)
June Baji (Trumpet)
Hudah (Trumpet)
Jafar Baji (Trumpet)
360 (Drums)
Elcid (Trombone)
Clef (Trombone)
L.T (Sousaphone)
Quis colocar o nome dos caras pois eles merecem. Para terminar as citações ao Marcel repito aqui o que ele disse e com o que concordo:
Pare realmente com tudo!!!!! Esse grupo é maior chapação, é ouvir e viciar fiquei realmente de cara com a música que eles fazem, uma groovera absurda.
O album aqui recomendado trata-se de uma coletânea da obra dos caras gravado ao vivo no dia 29/10/2007 no Higtline Ballroom de New York. Bom é um sobrevôo sobre o balanço, o groove e a hipnotização desses caras. O mais legal é perceber a reação do público. Ai que vontade de ouvir ao vivo. Por esse disco, apesar de ainda não ter ouvido , já reomendo as demais gravações dos caras. Pelas minhas pesquisas são mais três discos.
Bom continuo sem palavras para descrever especificamente o som. Vai lá, faz um favor para seus ouvidos e corre atrás.
Músicas, músicas e músicas X - Eis o Ôme
Eu particularmente nunca tinha ouvido falar do cara até o começo desse ano, quando uma colega em um trabalho de campo percebendo em meu MP5 as minhas preferências musicais se assustou diante da minha negativa em relação ao nome Noriel Vilela. Bem a correria do começo do ano acabou me afastando de uma pesquisa mais efetiva sobre o Cara, ainda que sempre a Lara me cobrando ouvir o Cara. Pois bem, a umas duas semanas foi a vez de outro amigo me recomendar o Noriel. Pois bem só me restou correr atrás. Veja a minha resposta a ambos: enfim estou ouvindo o grande Noriel Vilela. Muitooo boommm. Afinal " eu acredito sim, não fala mal da umbanda perto de mim" Minha coleção macumbeira tá cada vez maior.
Segundo a não tão confiável Wikipedia:
Noriel Vilela fez carreira como integrante do grupo vocal de samba Cantores de Ébano, que teve relativo sucesso nos anos 1950. Vilela também lançou o álbum-solo Eis o Ôme em 1968. Por essa época, Vilela morreu repentinamente e o Cantores de Ébano se desfez por algum tempo, até que se encontrasse um substituto à altura para o cantor.
A voz do cantor é um baixo profundo com uma dicção única no samba. Seu segundo álbum Eis o Ôme é uma sucessão de faixas de sambalanço com forte tempero afro, não apenas na sonoridade, como também na temática, voltada para a umbanda.
Vilela goza atualmente de um revival cult entre os admiradores do sambalanço e seu nome é facilmente encontrável nas redes de compartilhamento de arquivos da internet.
Pois bem, concordamos com a Wiki, Eis o Ôme é discografia básica. É um disco que se ouve do começo ao fim e, após o fim se ouve novamente. Ah havia me esquecido de fato trata-se de um disco voltado, para a Umbanda e nao para o Candomblé. Daí por exemplo mesmo na sudação a Xangô, ser em português e não no tradicional yorubá Oke Aro Oke. Trata-se de tarefa inglória escolher algumas músicas e nesse caso será sempre uma questão muito pessoal. Mas vamos lá: destaque para a faixa 2 Sravando Xangô de chamamento a ele sempre ele, "a Voz que faz o chão tremer". Para a faixa 4 Meu Caboclo não deixa e a performance vocal de Noriel. Aliás durante todas as cançoes chama a atenção as interpretações e mesmo o falar do cantor, que busca reproduzir o modo de dizer das entidades e encantados brasileiros que baixam nas sessões de umbanda (nesse caso destaque para a faixa 7 Eu tô vendo no copo). Mais para o fim do disco as últimas faixas têm-se um certo abandono do samba, aquele que a Wiki erroneamente chama de sambalanço algo que só seria criado pelo genial Jorge Ben alguns poucos anos depois desse disco e se encaminha para o Funk com o balancê todo brasileiro, destaca-se ai Cacundê, Cacundá e Acocha Malungo.Enfim corra para ouvir. Noriel que morreu jovem tem outros trabalhos gravados com os Cantores de Ebano em que se destaca 16 toneladas, versão portuguesa de grande sucesso do blues norte-americano.
Músicas, músicas e músicas (de volta IX)
Ladies e .... com os senhores o grande Almir Ricardo e seu maravilhoso LP Festa Funk.
Bom antes do disco em si, uma pena não ter conseguido a capa do disco para reproduzir aqui, pois para quem não conhece teria a chance de ver o nipe da capa, bem anos 80 com jaqueta jeans e tudo mais... Mas vamos ao que importa o disco.
Começando pelo nome poucas vezes um nome reflete tão bem um disco, realmente trata-se de uma festa. É o tipo do disco que Você colocava na vitrola do apartamento e já granatia a festa da moçada.
Aqui trata-se de um disco de passagem do que foi o Funk tal como concebido pelos grandes nomes da Montown e dos pesos pesados brasileiros para o que o Funk viria a ser. Almir Ricardi e seu disco tardio já que o mesmo é de 1984 não era um novato na coisa musical, ou como diz um amigo meu não era juninho. Desde os anos 60 ele já mantinha uma sólida amizade e parceria com gente do tipo de Tim Maia e Erasmo Carlos. E é dessa amizade e dessa vivência que ele traz o groove e o balanço. Em certos momentos temos até mesmo a sensação de que a banda de acompanhamento é a famosa Vitória Régia, que por tantos anos acompanhou Tim, mas não trata-se de uma outra banda de peso de Lincoln Olivetti e Jorge Robinson.
Mas chega de falatório o negócio e colocar o disco na vitrola e sair rodopeando. Pois em Festa Fuynk não se pode ficar parado. Ah e como todo Lp (por razões técnicas) trata-se de um disco pequeno com 08 deliciosas músicas. Chamo a atenção para a faixa 1 Festa Funk. É uma pista para entender um pouco do Funk como le gusta de Paula Lima. Ou então a faixa 3 Tô parado na Tua. Destaque também para a ótima Rebola Bola e a crítica elogiosa e jocosa de São Paulo Higt Society( uhuh viva as festinhas da higth sociedade com direito a Amauri Júnior).
Bom eu adorei e me deu vontade de sair dançando...espero que Vocês também gostem principalmente os que viveram os anos 80 vão se sentir em casa com essa sonoridade ...
Para quem quiser copiar o disco recomendo copiar do cavalo23.blogspot.com
sábado, 26 de julho de 2008
Cassiano: Cedo ou Tarde
De todo modo re-publico abaixo, dois posts sobre o soul e sobre cassianode dezembro do ano passado. Quando dedicamos uns 15 posts para fazermos críticas de discos essenciais para esse que escreve. E logo abaixo depois de um longo e tenebroso inverno, de volta Poesia para toda parte, com a poesia de Coleções (que no disco cedo ou Tarde é um maravilhosos dueto entre Cassiano e Djavan).
Músicas, músicas, férias VII
Eu sou tão fã das composições do Cara abaixo (e também de Hyldon), que não me sinto a vontade de comentá-lo, a Cassiano só consigo reverencia-lo e me emocionar sempre que ouço suas canções. Em uma expressão: Ele é um letrista genial. Mas isso seria pouco para descrever a influência do cara sobre a MPB- Música Preta Brasileira, na excelente expressão de Sandra de Sá, aliás Ela própria uma interprete divinal de Cassiano (a este respeito já fiz uma pequena crítica do disco MPB dessa interprete, aqui mesmo no Blog- quem estiver interessado busque na memória do blog, no mês de outubro). Aqui recomendo que ouçam os três discos do Cara, ainda que alguns seja mais difíceis de encontrar mesmo na Net.
Fiquem com o texto de B'side a respeito desse Cara.
É a hora de conhecer o trabalho de um dos mais brilhantes compositores da nossa MPB em qualquer tempo: Genival Cassiano dos Santos, ou simplesmente, Cassiano.
Nascido há 62 anos
Cassiano já alçara vôo solo quando Tim surgiu como uma bomba na MPB, cantando uma de suas primeiras composições: o eterno hit "Primavera (Vai Chuva)".
A letra pungente e a interpretação marcante do inesquecível Tim Maia mostraram o gênio de Cassiano - imediatamente convidado para gravar um disco em 1971. Imagem e Som. Seu primeiro trabalho-solo revelou outros ases na manga além de "Primavera". Vieram à luz "É isso aí" (não, não é a da Ana Carolina, garanto aliás que é melhor), "Já", "Uma lágrima" e "Não fique triste".
Com arranjos de Waldyr Arouca Barros, o trabalho de estúdio foi primoroso. O antigo grupo de Cassiano participou dando uma canja nos vocais e no baixo reinou o lendário Capacete, comparado a James Jamerson, craque do instrumento e músico número um de estúdio da não menos conhecida gravadora americana Motown.
Cassiano reapareceu em 1973 com um disco ainda melhor: Apresentamos Nosso Cassiano, pelo selo Odeon. E saíram do forno composições inspiradíssimas. "Melissa" foi uma homenagem à filha nascida dois anos antes. "A Casa de Pedra" é um soul-progressivo de diversas quebradas rítmicas e devastador - literalmente - porque nenhum coração de pedra resiste à beleza da letra e da interpretação do cantor / compositor. Só ouvindo a música pra saber mesmo como é...
E foi nessa época em que ele compôs aquela que é considerada a melhor música dele. "Cedo Ou Tarde" foi referência para dezenas de artistas da MPB que beberam da fonte da boa música, caso de Ed Motta, que apresentou a canção à Marisa Monte para que ela a regravasse.
Simplesmente sensacional...
Novo sumiço e Cassiano voltou em 1976, com um novo parceiro, Paulo Zdanowski, jovem de 19 anos que formaria algum tempo depois o grupo Brylho da Cidade - aquele mesmo de "Noite do Prazer". E aí foi lançado o terceiro e, pasmem, último disco do compositor: Cuban Soul - 18 Kilates, tão brilhante quanto seu antecessor.
"Coleção" foi um sucesso estrondoso por causa da novela Locomotivas, da Globo. "A lua e eu", outra balada que até hoje todo mundo acima dos 30 anos se lembra com carinho. "Salve essa flor", uma das preferidas dos seus fãs.
E ainda havia "Hoje é Natal", disparada a melhor música falando sobre o tema. Esqueçam "Noite Feliz", "Jingle Bells" e "Boas Festas". Cassiano sintetiza em pouco mais de três minutos e meio a singeleza desta data comemorada mundialmente.
O mais engraçado e o que me impressiona, nao só a mim mas a todos os fas do genero é que um monstro da MPB igual ao Cassiano já vai completar 30 anos sem fazer um único disco. Com tanta porcaria dominando as paradas, isto é incrivel !!!!
Felizmente ele nunca foi esquecido. Nos anos 90, ele reapareceu para gravar seus grandes sucessos com outros artistas - Luiz Melodia, Ed Motta, Sandra de Sá, Marisa Monte e muitos outros - o disco-tributo Cedo ou Tarde (Como sempre!).
Sem deixar de dizer que a delonga pra gravar ou aparecer em publico foi realmente motivos de saude
E o mesmo Ed Motta voltou a pagar tributo ao mestre em 2000, compilando 14 de suas grandes músicas para a Universal / Dubas Música e apresentando enfim o primeiro CD de Cassiano - Coleção. Que todos por obrigação deve ouvir inteiro até furar!
Glória eterna a Genival Cassiano dos Santos.
Ou seria... Genial Cassiano?
Músicas, músicas, férias IX
“I'M BLACK and I'M PROUD. I FEEL GOOD”
Podemos nos últimos post fazer uma pequena revisão da Soul Music brasileira. Na verdade muito vai ficar de fora, mas a idéia foi divulgar um pouco mais o Soul Brasileiro. Muita coisa boa ficou de fora. Seja por opção própria, como a exclusão de Tim que mereceria um Blog só para sua gorda musicalidade, e outras por que até mesmo nós, apesar de fãs não temos acesso a raridades como Gerson King Combo ou Black Rio e outros geniais do Soul brasileiro obscurantizados pelo sistema.
A música black brasileira da década de 70, influenciou e influencia grande parte da produção musical contemporânea, desde todo o rap nacional, passando pelo “funk” carioca, até o trabalho de artistas como O Rappa, Seu Jorge, D2, Paula Lima, Funk Como Le Gusta dentre tantos outros. Muitos desses trabalhos têm sido relançados em CD, como o Racional do Tim Maia, o disco do Hyldon, Maria Fumaça e outros da Black Rio. Alguns outros podem ser baixados na rede, ou então garimpados em sebos de vinil.
Discoteca Básica
- Black Soul Brothers: Miguel de Deus (1974)
- Na rua, na chuva, na fazenda: Hyldon (1974)
- Trio Esperança: Trio Esperança (1974)
- Nesse Inverno: Tony Bizarro (1974)
- Racional vols. 1 e 2: Tim Maia (1974/5)
- Cuban Soul: Cassiano (1976)
- Gérson King Combo: Gérson King Combo (1977)
- Maria Fumaça: Banda Black Rio (1977)
- Venha Matar Saudades: Carlos Dafé (1978)
- Melô do Mão Branca: Mão Branca (1979)
- Toni Tornado: Toni Tornado (1972)
- Dom Salvador: Dom Salvdor (1969)
- Dom Salvador e Abolição: Som, Sangue e Raça (1971)
- Jorge Bem: Negro é lindo (1971)
Poesia para toda parte
Sei que você gosta de brincar
De amores
Mas óh: comigo, não! (comigo, não!)
Sei também que você...
Eu não sei...mais nada
Um dia
Você vai
Ouvir
De alguém
O que ouvi de ti
Então irá
Pensar
Como eu
Sonhei em vão
Não vá...ou vá
Você é quem quer...
Quer saber?
Eu amo
Você!
Sei também que você...
Eu não sei...mais nada
Sei que um dia você vai ouvir
De alguém
O que ouvi de ti
Então irá
Pensar
como eu
Sonhei em vão
Não vá...ou vá
Você é quem quer...
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo
Quer saber? [Quer saber?]
Eu amo...yeahhhh
Você!
sábado, 14 de junho de 2008
Morre o baluarte da Mangueira, Jamelão
''rir de que?"
Ele atribuía os reveses ao fato de ter nascido pobre e, principalmente, negro.
Dizia que muitas vezes foi passado para trás por causa da cor.
Jamelão nasceu em 12 de maio de 1913 no bairro carioca de São Cristóvão, e ainda mantinha o vozeirão em plena forma, o que atribuía a um dom de Deus. O criador foi pródigo em lhe conceder um talento que o colocou entre os grandes da Música Popular Brasileira, embora tanto reconhecimento não tenha lhe valido uma tranqüilidade financeira. Homenageado a torto e a direito, Jamelão ainda tinha que fazer shows para pagar aquelas continhas que perturbam nossa vida todo mês.
Ele atribuía os reveses ao fato de ter nascido pobre e, principalmente, negro. Dizia que muitas vezes foi passado para trás por causa da cor, que lhe valeu o nome artístico dado pelo apresentador de uma gafieira onde pediu para cantar na cara dura e o locutor, sem saber-lhe nome, apresentou-o como Jamelão. Há outras versões para o apelido, citadas por ele mesmo em entrevistas, e não adiantava perguntar qual era a verdadeira porque respondia com o mau humor característico que não tinha caderno para anotar tudo que fazia (uma vez lhe perguntaram porque era sempre tão sério, ele fuzilou: ''rir de que?")
A atitude era compreensível. Devia ser mesmo frustrante não ver a conta bancária acompanhar a consagração que recebia por suas interpretações, mas ele teve o auge de sua carreira numa época em que os direitos dos artistas eram completamente desrespeitados. Antes de descobrir seu caminho, Jamelão seguiu a sina dos garotos pobres, trabalhando como engraxate e vendedor de jornais, interessando-se no paralelo pelo samba, batendo uma percussão e freqüentando rodinhas de samba até que, já com algum nome no meio, com apenas 15 anos, foi levado à Mangueira pelo sambista Lauro Gradim Santos, onde começou como ritmista.
Nas rodas de samba ele cantava e também conseguia se apresentar nos cabarés que proliferaram depois do fechamento dos cassinos em 1946. Na época ele venceu um concurso de calouros e foi contratado pela rádio Continental e, depois, pela rádio Tupi. No começo dos anos 50, trabalhou como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo e se apresentou até na França. Fez sucesso no disco em gravações pela Continental de Folha Morta (Ary Barroso), Exaltação à Mangueira" (Enéias Brito e Aluísio Augusto da Costa) e "Ela disse-me assim", de Lupicínio Rodrigues. Jamelão viria a ser considerado o maior intérprete de Lupicínio, especializando-se no samba canção com suas profundas fossas amorosas. Ele gravou dois LPs dedicados à obra do compositor gaúcho, "Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues'' (1972) e "Recantando mágoas - A dor e eu" (1987).
Jamelão foi gradualmente se convertendo na voz da Mangueira, desde que começou a cantar os sambas enredo nos desfiles a partir da década de 50. Ele nunca aceitou ser chamado de "puxador de samba", reagia como se tivessem lhe xingado a mãe, dizendo que puxador era quem fumava maconha ou roubava carros. Ele era intérprete. E disso ninguém tinha dúvida. Muito menos ele, que batizou seu último disco de Cada vez melhor, reunindo regravações como Folha morta, ''Falsa baiana'' (Dorival Caymmi) e ''Ela disse-me assim'' Lupicinio), além de um pout-porri de sambas. O disco de um intérprete para ninguém botar defeito.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Wilson Simonal canta Tributo a Martin Luther King
Bala canção e homenagem do injustiçado Simonal a causa dos negros. Bacana ver a fala dele no início da música, onde afirma que apesar de ser Wilson Simonal ainda enfrenta vários problemas por causa de sua cor.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Bethânia e Gal_Oração mãe menininha
Ela e Gal em Oração a Estrela mais linda e ao Sol mais brilhante,enfim a Óxum mais bonita.



