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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

curtinhas

- "É segredo não conto a ninguém". Parabéns aos moradores do MORRO DO BOREL. VIVA A UNIDOS DA TIJUCA CAMPEÃ DEPOIS DE 74 ANOS. Vitória merecida. Alegorias e fantasias noata 10! Comissão de Frente maravilhosamente nota 10! Harmonia e Evolução 10! Viva Paulo Barros o renovador do carnaval de Escola de Samba. Fiquei a imaginar ele comandando a festa de abertura da olimpiadas. Seir um Show memorável e insequecivel. Grande artista. Prova da genialidade. Como mostra a teoria sociológica sobre as inovações: o novo sempre causa polêmica e é repudiado pelo establishment.  Não foi diferente com a Tijuca e Paulo Barros. Apesar de nos últimos 06 anos a Escola  sair da avenida consagrada e Paulo Barros elogiadissimo, apesar da Escola ter ganho 04 Estandartes de Ouros (prêmio máximo da critica) a Escola sempre era rejeitada pelos jurados. Este ano a originalidade foi premiada. Parabéns Tijuca.

- CURTAS DE CINEMA
- Quero aqui dividir com Vocês as impressões que tive de três filmes que assisti em DVD. Acho que essa vontade vem fdo fato de que a meses não conseguia parar para assisitir um filme em casa a minha própria escolha.Pois bem vamos lá:
Primeiro assisitr um filme chamado Os Piratas do Rock, pensei comigo um filme sobre música. Melhor ainda sobre rock e ainda com Philip Seymour Hoffman só pode se bom e se não for, ruim também não pdoe ser. Ledo engano, a muito tempo não via um filme tão ruim. Quero assistir esse filme novamente, pois as vezes foi o meu olhar que estava desfocado. Mas realmente achei muito, muito ruim. É o famoso caso de uma idéia boa que não é bemrealiada.

Outro filme chma-se A Vida dos Outros ganhador do oscar de melhor filme estrangeiro de 2006. Trata-se de um grande filme. Grande roteiro, grande atuação dos atores (destaque para Ulrich Mühe) e uma excelente reflexão sobre os últimos momentos da Alemanha Oriental. O notável neste filme é sua fulga das soluções simplistas e rasteiras. Aqui as mazelas e crueldades do sitema oriental são mostrados e denunciados, no entanto tais mazelas não são mostradas de forma maniqueista e sim através de um olhar humanizado e por isso mesmo ambíguo na melhor tradição hitchicoquiana. Lógico não se trata de uma obra prima mas volto a repetir um bom e surpreendente filme. Ainda que o mesmo se perca, as vezes na minha opinião da metade para o fim. 

O terceiro filme que assisto é Se beber não Case. Bom tinha ouvido e lido sobre este filme. Os comentários sempre em tom ufanistas. Grande comédia. Das melhores comédias dos últimos tempos. Exemplo de vida inteligente na comédia e assim vai. Nestes casos sempre desconfio. E foi desconfiado que começei a assisitr este filme. Em uma palavra: MARAVILHOSO. Tudo que foi dito acima é verdade. O filme  é divertidissimo. Daqueles do cinema vir abaixo (li isto em uma critica, o que me acalmou já que como vi em casa tive vários ataques de risos. Vejo que não exagero) A cada mistério revelado, enfileram-se novos personagens bizarros e situações surrealistas. A estrutura de sketches é divertidíssima, mas é o humor politamente incorreto o grande diferencial da comédia. Ainda que na edição brasileira tenha sido usurpada grande parte do politicamwnte incorreto (por causa da censura. Sumiu-se assim várias cenas ou falas sobre sexo, piadas e etc). Melhor ainda é quando essas piadas são disparadas por Zach Galifianakis, o cara é show e tem um tempo de comédia brilhante e uma expressão que mistura intensidade e inocência. Fora que os extras são outro filme a parte. Ah e ainda tem participação do Mike Tyson e etc. Bom desnecessário dizer que trata-se de um filme que usa o non sense. Mas até este é muito bom, por exemplo, o roubo do tigre de Tyson...ASSISTAM.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Abre Caminho - Mariene de Castro

Ainda porque é dia do samba. Apresentamos a grande Mariene de Castro, uma voz linda e um rosto idem, essa filha de Oxum e de Salvador é o exemplo da vivacidade do Samba. Principalmente o Samba de Roda com seus toques em ijexás e afochés.

Mariene se declara apaixonada pela tradição popular. Em seu site: " O que faz de sua arte é pela história do seu povo, pelo respeito pelos negros que sofreram, pelos índios que foram exterminados dessa terra chamada Brasil. Enfim, pelo respeito àqueles que nos legaram a música, o swing de cantar e de sambar. Pela a herança do povo brasileiro que precisa ser preservada
Um pouco de Mariene
Mariene Bezerra de Castro, chamada carinhosamente por sua família de Ninha ou Mari. Apresentou-se para mim em uma foto em uma matéria de internet: Inegavelmente linda, com suas marcantes florzinhas no cabelo, os braços pintados de dourado e repletos de pulseiras largas também douradas. O dourado intenso tem explicação: é típico das filhas de Oxum. E Mariene é uma filha devota da Mãe dos rios, riachos, cachoeiras, fontes. É sabido que as Filhas de Oxum tem prazer em se enfeitar, principalmente com cores amarelas e douradas. É capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução, não pode haver ninguém superior a Oxum. Estas moças de OXUM como Mariene são um perigo para os filhos de Xangô (como este que escreve estas linhas). Oke Aro Oke Kabecile meu pai. Oxum é a desrazão do arazoado Xangô.
No seu site, Mariene afirma “O samba vem da minha infância”. Segundo ela o primeiro disco que ganhou foi de Luiz Gonzaga e logo em seguida um disco de Beth de Carvalho. PRONTO. Como mostra seu disco de estréia essas influências bem como sua infância em Andaraí na Chapada Diamantina seria definitiva na sua música e na sua arte. Mariene afirma, em seu site que ouvia bastante o disco de Beth e que sambava dentro de casa, se vestia de baiana. Além disso segundo ela o samba de roda, era de costume na sua casa "preparar o caruru de São Cosme e Damião. Essas músicas que eu canto hoje estão no registro da memória da minha infância. Eu me lembro do gosto e do cheiro do caruru”.
Seu disco de estréia imperdível se chama: Abre Caminho. Como, é sabido dos iniciados do Candomblé somente Exu abre os Caminhos. Então que Exu continue abrindo o caminho para mais essa voz de Oxum e para essa excelente cantora. Que em alguns momentos lembra Clara Nunes e em outros a grande Bethânia quando esta canta os maravilhosos sambas de rodas.
O disco abre com a música que dá título ao CD: Abre Caminho. Uma belo samba de exaltação ritmado com toques para Oxum. A múscia é uma declaração de amor ao Samba e a Oxum. Não custa lembrar que Samba é Semba, e Semba é o dono do corpo, uma das formas de Exu. A letra de Mariene diz tudo: Diga a mãe que eu cheguei...Cheguei. tô chegada. Esperei, bem esperado. Nessa minha caminhada. Sou água de cachoeira. Ninguém pode me amarrar. Piso firme na corrente,que caminha para o mar. Em água de se perdereu não me deixo levareu andei. Andei lá, andei lá, andei lá,eu já sei. O caminho andei lá. Eu nasci e me criei no colo das iabás. Andei por cima da pedras. Pisei no fogo sem me queimar. Andei onde mãe Clementina andou, E o samba mandou me chamar. Eu faço o que o samba manda. Eu ando onde o samba andar. Com a força da minha fé,Eu ando em qualquer lugar. Na beira do mar. Andei lá no Gantois andei. No samba de Edithandei lá no tororó. Andei no cortejo do Bonfim andei, andei, andei lá Na festa do Divino. Cantei pro menino, me Abençoar Ainda vou caminhar.
Na sequência Ilha de Maré também de autoria de Mariene, excelente letrista, em um ritmo mais próximo de um samba de gafieira com direito a naipe de metais. Diz trecho da música "Ah! Eu vim de ilha de Maré. Minha senhora. Pra fazer samba. Na lavagem do Bonfim. Saltei na rampa do mercado e segui na direção. Cortejo armado na Igreja Conceição."
Na terceira música, uma bela homenagem a outra baiana a grande Gal Costa, Mariene recria Raiz, que novamente soa como metalinguistica ao talento da moça: "Tá na beira do mar Nas folhas de sultão Nos metais de Ogun Iê Vento, raio e trovão Tá na voz mais bonita Que tem graça nas mãos Orumilá bem disse Será a voz da canção." Na quarta música Poema para uma Tribo novamente Mariene comunica ao mundo que só podemos ser universais na medida que somos raízes. Ela é universal porque essencialmente é de Andaraí.
Na música 05 Cantiga de Cangaceiro um lindissimo xote e uma letra idem, com direito ainda a Mariene declamar um cordel. É puro xamego, aquele tipo de música feita para sair dançando "É Lampi, É Lampi, É Lampi, É Lamparina É Lampião Meu nome é Virgulino". Eis ai a influência do primeiro disco ouvido pela moça e uma bela homenagem a Luiz Gonzaga ao exaltar Lampião: "Homem nenhum nasceu para ser pisadoÉ Lampi, É Lampi, É Lampi, É Lamparina É Lampião Meu nome é Virgulino, apelido, Lampião Passarinho avisou relampiou é lampi Passarinho avisou relampiou é lampiPassarinho avisou relampiou é lampiBendito louvado seja Menino Deus na estradaTrês vez salve o Cálix bento e a hóstia consagradaTambém salve a casa santaOnde Deus fez a moradaEo rosário de Maria Minha mãe ImaculadaPassarinho avisou relampiou, é lampiPassarinho avisou relampiou, é lampiSe o chão não mata a sedeA Sede não mata o chãoFere, corta, rasga e furaMas matar não mata nãoBicho de morte, é volanteQue mata sem precisãoCom a mão que balança o santo embala a rede do cãoPassarinho avisou relampiou, é lampiPassarinho avisou relampiou, é lampiMeu coração é o raso da CatarinaPé de saudade na duraDor que não quebra inclinamas na paixão meu coração é CajuínaPassarinho avisou relampiou, é lampiPassarinho avisou relampiou, é lampiMaria Bonita alumia o trançado do chineloCom bala de riflePapo Amarelo é o dito que corre no marteloA viola temperada, enfeitada de fit a e póNão toca mais em angico, foi tocar em mossoróFicou meu borná de balaQue eu chamo de curió."
Sua voz grave denota a personalidade forte herdada de Oxum. Disse a moça: “Hoje, eu sei que eu sou de Oxum, sei da minha relação com a Andaraí rodeada de rio, mas naquela época, não sabia. Só sentia que eu gostava muito dali onde eu tomava banho desde pequeninha”, Mariene foi criada nas águas do Rio Paraguassú.
Mas a maior supresa do disco chega com a música 07 Planeta Agua, novamente em homenagem ao seu firmamento - as aguas- Mariene recriou, isso mesmo, reinventou a música de Guilherme Arantes. A maior surpresa do disco, pois com os novos arranjos, inclusive com pequenas modificações na letra, em nada lembra a música de Arantes - assumo que só depois da metade da música fui sacar que era a velha Planeta Agua de Arantes. Mariene conseguiu transformar a a música de Arantes em uma belo Samba, com uma dignidade que a versão original não possui.
Mas a surpresa não para por ai pois a música 08 é uma Embolada de Coco. Eta menina nordestina arretada. Não ficou de fora nenhuma de suas influências de menina que cresceu entre Salvador e o interior da Bahia. Senão bastasse ser uma cantora formidável (com domínio pleno sobre a voz e o canto e por isso com segurança para cantar vários ritmos) com um sotaque gostoso Mariene definitivamente é uma grande letrista: "Garaximbola Peixe do MarEmbola, embolaQuero ver desembolarEmbola tu, embola euEmbola aqui, embola láEmbolador, no coco de embolarEmbolador dá soco no ganzáEmbolador tá louco pra embolarPega no garaximbolaVamos ao garaximbolarOlha bala emboladeiro, que o baleiro embalaEmbolador de balaEmbala bem bala de coco como quem no coco embolaChama o embalador de bala, emboladeiro pra embolarEmboladeiro, eEmboladeiro, aEmbala a bola na ladeira pra bola embolarEmbola o bolo da boleira que o baleiro dáBole no bolo de coco, molha um pouco o paladarEmbala a bola na ladeira pra bola embolarEmbola o bolo da boleira que o baleiroBole no bolo de coco, molha um pouco paladarEmbala a bola, embola o bolo, bala é pra desembalarO que embola é coco nesse coco de embolar, Embola a rede embolaO peixeEmbola o rio, embola o marEmbolador, de peixe euvou falar emboladorRemexe esse ganzáEmbolador me deixa começarPega no garamximbola e vamos garaximbolarCocoroca, candiru, pacu, caranguejolaSurubim, carapicu, cará, siri-patolaPirambú, xaréu, garoupa, carapau, garaximbolaPescador conhece o peixeEmbolador sabe embolarLeva o balaio ali, traz o balaio cáTem carapeba, pirará, tem curimatáCurvina, congo, xerelete, tem carapiáTem piaba, atum, linguado, tem pintado, aruanáTucunaré, cação, tainha, tambaqui, tamboatáTem peixe com cocoNesse coco de embolar."
E assim segue o disco com Nonô, e sua triste letra a respeito da tragédia das chuvas. Na decima música: Prece de Pescador, de novo a Bahia profunda e tão bem representada por Mariene em nova letra da moça: "Que luz é essa que vem lá do mar?É a Senhora das Candeias Mãe dos Orixás (...) Inaê por cima do mar prateoupor cima do mar mariô por cima do mar incandiou (...) Ê nijé nilé lodô Yemanjá ô Acota pê lê dêIyá orô miô. Com direito a backvocals em falsete tão comum nas sessões de Umbanda. Como não lembrar da minha querida Guananbi no Sertão Baiano...
O disco segue com Flor de Muçambe, onde a voz de Mariene explora todo os tons desta moda de viola. E nos lembra, aliás tal característica aparece em várias músicas, que viola também é instrumento essencialmente negro como mostra os belos violeiros do nosso interior e que de viola também se faz o samba. Ainda que no caso desta música se sobressaia mesmo uma viola cabocla.
Em Quebradeira de Coco, a presença de Mariene é um acontecimento agora sim !!!! Será Bethania do Brasileirinho ou então uma entidade com voz imponente e respeitosa de uma senhora. Acontece que Mariene é tão moça. "A dor é um coco ruim de quebrar Menino assustado no meio do mundo Busquei refúgio em teus braços (...) quem quiser ver a tristeza do jeito que Deus criou (...) e a voz de falsete no fundo: "São Jeronimo e Santa Barbara (...) tocando zabumba e dando viva ao senhor (...)" Quebradeira de coco Ê babaçue yá A dor é um coco ruim de quebrar". E de fundo a voz de falsete como dos pedintes do sertão miseravel: "Coitadinho de quem pede por grande necessidade. " A letra é de Roque Ferreira, aliás autor de quase todas as músicas que não são da Mariene.
Em Cantigas de São Cosme e São Damião a decima-quarta música do disco Mariene novamente retorna a sua memória de criança. Aliás o disco todo é uma grande homenagem a suas origens “Essas músicas que eu canto hoje estão no registro da memória da minha infância. Eu me lembro do gosto e do cheiro do caruru”. Portanto a letra de Mariene lembra, a beleza da Umbanda e seu sincretismo: "Ê Cosme, ê Cosme. Damião mandou chamar Que viesse nas carreiras Para brincar com Iemanjá Cosme e Damião Vem comer seu caruru Cosme e Damião Vem que tem caruru pra tu. Cosme e Damião cade Dou. Dou foi passear no Cavalo de Ogum. Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois dois Eu quero ver vadiar. Vamos levantar o cruzeiro de Jesus Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz".
Segundo Mariene, ela foi escolhida pela religião. “Eu fui conhecendo pessoas do Candomblé ainda na minha infância. Eu tinha até uma amiga da escola, que a mãe dizia que eu era de Oxum”. Para ela em sua crença o que ela gosta é da sabedoria, de cultuar a natureza, de respeitar ao tempo e às pessoas mais velhas. “Coisas do Candomblé”. Para ela, que depois da infância não teve o costume durante sua vida de freqüentar muitos terreiros, quando chegou no Gantois há mais de dez anos, houve uma relação muito forte com a casa, sempre recebeu um reconforto grande.
A decima quinta música e o samba denominado Samba de Terreiro. Que serve de preludio para a última música do disco. Uma gira: O ponto dos Caboclos, mais uma da Umbanda. "Eu já vou me embora Para a minha aldeia Eu já vou me embora, camarada, Para a juremeira Lá são sete estrelas, São sete os caminhos Todos levam a deus, camarada, Eu nunca estou sozinho Ô zazi ê Ô zazi a Ô zazi ê Maiangolê maiangolá(Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo) ... Um abraço dado, de bom coração É o mesmo que uma bênção, Uma bênção, Uma bênção." Com essa música Mariene fecha seu disco indo embora, lembremos que a música que inicia o disco é Abre Caminho.
Mariene Abriu com certeza mais um belo caminho da música brasileira.
Falta o devido reconhecimento:
Sua passagem pela França em uma série de 21 shows foram bastante exitosa. Segundo Mariene aonde ia, na França, havia rios por perto. “Não tinha um show que eu fizesse que não houvesse água por perto, que não tivesse rio por trás do palco, rio por perto do palco, aí eu me sentia em casa”. Para Mariene, isso é decorrente da espiritualidade, de sua relação de fé para com Oxum. Segundo o seu site "Ao voltar para o Brasil com uma pasta de matérias e elogios, procurou à imprensa baiana para mostrar a repercussão positiva que causou na mídia francesa. Entretanto, não houve interesse pelo seu trabalho e pelo reconhecimento que obteve internacionalmente. Apenas um ano depois, uma jornalista se interessou pela sua música e publicou uma reportagem com o título “Baiana lança carreira na França”. Desta viagem para a França até hoje, Mariene continuou sua labuta de conquista de platéia, de entregar release pessoalmente em jornal e até de panfletar na rua."

Dia do Samba

É hoje, dia 02 de dezembro, o Dia Nacional do Samba. Dele sim senhor, a Voz do Morro. Falando em Voz do Morro, chega de mansinho Zé Keti:
Salve o samba, queremos samba.
Quem está pedindo é a voz do povo de um país.
Salve o samba, queremos samba.
O Dia Nacional do Samba surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Esta foi a data que ele visitou Salvador pela primeira vez. Hoje a data é feriado nacional.
No Rio e em Salvador a data é bastante comemorada. No estado Rio, hoje é dia de festa em trocentas rodas. Com destaque para o Samba do Trem -belo evento quando os sambistas do subúrbio de Osvaldo Cruz - para os não iniciados na região de Madureira berço de duas das maiores Escolas de Bambas: Portela e Império Serrano - tocam durante a viagem do ramal de trem que sai da central do Brasil até Osvaldo Cruz , antes porem uma grande festa e roda de samba na Central do Brasil. Além desse evento várias rodas como a famosa Roda de Samba do Quilombo da Pedra do Sal, na prainha região da Saúde e do Gamboa, no Porto 9qualquer dia desse posto uma pequena historieta desta região do Rio, a Congo Square brasileira nas palavas de Muniz Sodré). Aliás este que vos fala honrosamente recebeu o convite para este evento -e incrível tinha até financiamento para ir- mas outros compromissos nos impediu de comparecer. Para quem tá de bobeira na Cidade Maravilhosa, veja ai os dados da Festa: Projeto SAL do SAMBA, convida para a Festa “Pedra do Sal – 25 anos de tombamento como patrimônio afrobrasileiro”, que seria realizado de 25 de novembro a 02 de dezembro de 2009 no largo João da Baiana - Quilombo Pedra do Sal – Saúde – RJ. Como roda de samaba, afoxés e palestras de vários estudiosos e apoiadores da causa quilombola.
Aqui em BH rola festa hoje no Palácio das Artes em homenagem ao grande sambista mineiro Ataulfo Alves e, sexta-feira, tem grande festa com a Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte, a partir das 18:30 hs no Centro Cultural da UFMG (nesta eu quero esta presente). Ambas gratuitas. Falando nisso a correria não me permitiu registrar mas participei a cerca de um mês de uma festa de samba maravilhosa. Linda mesmo, aqui pertinho de casa, na Barragem Santa Lúcia. Que roda de bambas magnifica com direito entre outros ao lendário Mestre Conga da Cidade Jardim, do alto dos seus quase 90 Conga cantou, encantou, dançou e como dança o verdadeiro samba. Conga era daquela época que o verdadeiro sambista fazia de tudo: compunha, cantava, dançava, dirigia a escola, tocava todo os instrumentos, e corria muito da polícia. Além disso a roda teve a Wonderful voice D. Jandira (sobre ela tentarei um dia se a emoção permitir escrever um post especifico - somente a registro a maior voz do Brasil depois dela Bethania - supera até mesmo a magnifica Elza Soares). A roda foi ótima e reuniu tanto a moçada nova como o 02 do Samba, Dudu Nicacio, Mestre Jonas entre outros vários bambas, afinal roda de samba é assim não se anuncia, pede se a vez senta na mesa toma uma loira gelada e canta-se e a memória viva e o samba mais bem dançado desta cidade com seus antigos mestres. Viva o Samba !!!!
Abaixo Mestre Affonso fala um pouco mais do samba de BH
Embora Belo Horizonte seja um celeiro de bambas na música em geral, na área do samba, diante da grandiosidade dos nossos intérpretes e compositores da atualidade, as oportunidades para despontar para o cenário nacional foram poucas. E quando falo do samba da atualidade é porque no passado existiu aqui uma turma da pesada. Turma que freqüentava a Rua da Bahia, que teve até a participação do inesquecível NOEL ROSA, o poeta da Vila Isabel, quando por algum tempo ele morou no bairro da Floresta, em BH: “A vida é esta, subir Bahia descer Floresta”.
Na primeira metade da década de 50, após o fechamento dos bares do Ponto e do Trianon, começara a funcionar a Gruta Metrópole, que foi sem dúvida, o ultimo reduto da vida boêmia daquela rua. De Rômulo Paes a Gervásio Horta, entre outros grandes nomes, a música invadia a cidade.
Voltando aos tempos atuais, alguns dos nossos intérpretes e compositores de tempos em tempos aparecem no cenário nacional, dando-se destaque ao Toninho Geraes, que é até agora o único que se firmou e, graças a Deus, vai a cada dia nos enchendo mais e mais de orgulho.
De repente a nossa força feminina começa a invadir o maior reduto do samba brasileiro, e aí começamos a quebrar paradigmas, samba mineiro invadindo com força o Rio de Janeiro. Minas Gerais sai em busca do tricampeonato na 4ª Mostra de Novos Talentos do Carioca da Gema, que é um dos maiores redutos de sambistas, na região da Lapa. Seguindo os passos de Aline Calixto e Janaina Moreno, vencedoras do concurso respectivamente em 2007 e 2008, a cantora Michelle Andreazzi foi selecionada para disputar a final no dia 11 de novembro.
Mas a história não é simples como pode parecer. Por estarmos fora do eixo Rio/São Paulo, tudo fica muito difícil e o investimento é altíssimo. A luta é árdua porque na maioria das vezes somos considerados estranhos no ninho. Mas o importante é saber e sentir que através das meninas estamos alcançando objetivos e conseguindo a notoriedade tão sonhada. Elas estão dando banho de seriedade, de profissionalismo e dedicação em muito marmanjo que às vezes se considera dono da cocada preta... e da branca também. Nossas meninas fazem seu trabalho de peito aberto sem aquela preocupação – muito comum por aqui – de esconder o jogo.
E assim, através das nossas valorosas guerreiras, vamos aprendendo, nós os marmanjos, principalmente os da minha geração, que a luta sem competições desnecessárias é que nos leva ao sucesso. Importante não é a erudição, importante é a dedicação à causa. O samba é de todos aqueles que se dedicam a ele com amor, carinho e respeito.
Tocar e cantar muita gente sabe; o que a maioria ainda não aprendeu é dedicar-se de corpo e alma à causa, à bandeira do samba, sem deixar que a vaidade ou o egoísmo tomem conta da vontade de cada um.
Um cronista da década de 30, Francisco Guimarães, O Vagalume, que publicou o livro “Na Roda do Samba”, em 1933, falava que no samba existem os sambistas e os sambestros. O sambista é aquele que veste a camisa, participa verdadeiramente do samba defendendo-o como causa nobre.
O Sambestro é aquele que vive do samba, ganha dinheiro através dele, mas não se envolve, não defende, não faz nada pelo seu crescimento. Nossas meninas são sambistas e fazem acontecer. Mas que aqui em BH tem muito sambestro, isso tem!
Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista.

*Afonso Marra Filho, o Mestre Affonso, é natural de Belo Horizonte. Músico, produtor, radialista, colunista, está imerso no mundo do samba há 50 anos. Como diretor de Bateria, é detentor de dezoito notas dez e vários Tamborins de Ouro, maior premiação individual no Carnaval de Belo Horizonte. Atualmente, é colaborador do Programa Acir Antão, como repórter do samba, na Rádio Itatiaia, todos os domingos.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Carnaval

1- É hoje a quarta Escola a desfilar: a minha Mocidade Independente de Padre Miguel, entra na avenida para homenagear as belas letras brasileiras nas pessoas de Machado de Assis, Guimarães Rosa e Academia Brasileira de Letras, centenários de Machado e Guimarães: um deles de morte e outro de vida se fosse vivo. A Mocidade que nos últimos anos vem acumulando resultados bastante ruins. Vem esse ano com o retorno de algumas figuras emblemáticas da Escola como Vander Pires, no entanto aposta em uma carnavalesco novato. Vamos ver o que dá.
Mas o mais legal do Carnaval carioca é o chamado carnaval de rua, aquele formado por blocos são mais de 2000. Que beleza, que festa, o genuíno pular e brincar carnaval. Ontem por exemplo mais de duas dezena saíram as ruas com destaque para o Cordão da Bola Preta e seus 90 anos e cerca de 800 mil brincantes. É isso que chateia os que moram aqui em BH, o genuíno carnaval não necessita do poder público e sim de espírito brincante. Coisa aliás que acompanhei esses dias em Diamantina de famoso carnaval, a festa faz parte do ethos dos moradores. Para os que gostam de brincar só resta viajar e ir pular fora para os que não estão em condições financeiras, o negócio é ficar cabrunhado como estou por aqui. Para quem quiser ter uma ideia sobre o carnaval de rua do Rio tanto O Globo como o JB tem cadernos especiais, para essa festa eminentemente popular e divertida. Por aqui o silêncio continua a imperar solenemente.
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2- quando se homenageia dois gênios do quilate de Machado e Guimarães sinto falta de uma homenagem a outro gênio brasileiro do samba, faltou homenagem ao centenário de Cartola.
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3- Reproduzo abaixo, um texto que escrevi para um amigo e que tem haver com esse post. Fica a título de ilustração.
Sobre a música Coroação de um Rei Negro me lembro do Jair cantando ela em um dos discos Casa de Samba. Essa música trata-se do samba enredo do Salgueiro de 1971. Maravilhoso e campeão. Isso não é um mero detalhe: é necessário um pouco de história das escolas de samba para perceber a importância sócio-política dessa música. Vamos lá, de forma bem resumida:
A partir de fins dos anos 40 as escolas de samba já estavam ficando grandes e importantes, passaram então a entrar em contato com os acadêmicos da Escola de Belas Artes, primeiramente para a avaliação e produção dos desfiles e depois para a função que hoje conhecemos como de carnavalesco. O principal nome dessa primeira época é o revolucionário e genial Fernando Pamplona da Escola de Belas Artes. Acadêmico Pamplona se interessava pela temática negra tendo levado para o teatro erudito os elementos da semiótica afro-brasileira. No carnaval para se te ideia ele foi o iniciador de quase todos os grandes caranavalescos, incluindo os grandes: Arlindo Rodrigues, Joasinho Trinta. Veja a lista: Arlindo Rodrigues, Maria Augusta, Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães, Renato Lage, Max Lopes. Como já adiantei acima, Pamplona era um acadêmico apaixonado pelas questões africanas e chegou mesmo a militar na esquerda brasileira, com isso ele revolucionou o carnaval das escolas ao chamar a atenção para o fato de que a festa devia voltar a suas origens africanas e para isso realizou uma série de carnavais históricos e campeões para o Salgueiro sempre com a temática de valorização do negro e de seus personagens perseguidos pela história oficial: são dessa época os lendários enredos (alguns destes desfiles feito pelos pupilos de Pamplona) Quilombos de Palmares, Festa para um Rei Negro, Xica da Silva, Aleijadinho, Chico Rei, Bahia de Todos os Deuses entre outros. São carnavais dentro de uma mesma temática a valorização do negro e da negritude. Para Pamplona os príncipes e princesas europeias que faziam parte do cenário carnavalesco nada tinha a ver com a nossa cultura. Após o Carnaval de 1960, a cultura afro-brasileira passou a ser valorizada. O negro como belo e de valor passou a ser a temática dos desfiles. Daí sua importância cultural, estética e política, unia assim suas convicções políticas como contestação do estado de coisa e também ao próprio movimento mais amplo da música e cinema novo. Por isso não se trata de uma música qualquer por um lado tinha que responder a esse projeto carnavalesco e por outro como qualquer samba enredo tinha que manter a harmonia da escola em desfile e o mais importante garantir o enredo. Para finalizar, uma curiosidade essa música nasceu sempre popular, Pamplona e sua equipe foram votos vencidos pois preferiam outro samba mas esse foi aclamado na quadra.
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4- Atentem-se para o desfile da Império Serrano. Algo me diz que o império da Serrinha vai rememorar seus momentos de auge. Para quem não sabe a Império junto a Portela e Mangueira formam o trio de ferro do carnaval do Rio. Mas ao contrário destas duas a Império apesar de ser reconhecida como a Academia do Samba e berço entre outros do maravilhoso Silas de Oliveira, D. Ivone Lara, Tia Clementina e outros grandes nomes do samba carioca sempre foi a prima pobre da turma e praticamente desde os anos 70 não figura entre as escolas favoritas. Mas esse ano a escola da Serrinha de volta a Elite promete muito, principalmente por que conta com o melhor samba-enredo - regravação do samba-enredo de 1976 (aliás não poderia ser diferente na Escola de Silas) trata-se de um samba que mescla bela poesia com trechos de um enorme sucesso popular quando regravado por Clara Guerreira Mineira Nunes adepta da Portela escola geograficamente vizinha da Serrinha. Portanto fiquemos atento, pois acho que a homenagem as Iabás (ou seja as órixas femininas) do mar vai dar samba. Uma coisa é certa toda a avenida vai cantar e encantar com o belo samba, os moradores da Serrinha terão a garra de sempre, a garra de uma Escola formada na estiva (o primeiro sindicato independente deste país), o problema é sempre a grana...Mas to cravando Império da Serrinha de volta no desfile das campeãs e se isso acontecer ficarei bastante feliz.
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5- A Mangueira irá bastante desfalcada esse ano a Avenida, trata-se do designo de Olorum que chamou a sua morada entre outros três nomes essenciais de Mangueira: Jamelão, Carlos Cachaça e Xango, sobre os dois primeiros muito já foi dito, sobre o terceiro nem tanto: Xango foi interprete da Escola antes de Jamelão e depois se dedicou a organizar a Harmonia da Escola .
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6- Todo nosso Axé ao grande Neguinho da Beija-Flor que mesmo em sua luta contra o Câncer decidiu não se afastar de sua Beija Flor ameaçando até mesmo abandonar o tratamento, decisão da qual foi persuadido por seus amigos. Viva Neguinho, a própria encarnação do samba de Nilopolis (homem de uma Escola só tão raro nos dias atuais). O fato é que apesar da doença Neguinho anda feliz que nem pinto no lixo e aliás vai se casar em plena avenida tendo como padrinho entre outros o Presidente Lula. Os demais cantores de samba prometem uma surpresa para Neguinho e seus quase 40 anos de Beija Flor. Como diz o samba desse ano "Salve as aguas de Oxalá embala eu Baba". Aliás a Beija-Flor tem sido ultimamente a Escola mais a dedicar a temática negra, tendo aliás a pouco tempo ganho um caranaval em homenagem aos Quilombolas.