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sábado, 27 de março de 2010

Disciplina é liberdade; Compaixão é fortaleza; Ter bondade é ter coragem.

"Minha escola tem gente de verdade... Viver é foda morrer é difícil."

Hoje o dia amanheceu  mais saudoso. O grande lider da Legião Urbana Renato Manfredini Russo se vivo fosse completaria 50 anos. Gostem ou não. Renato foi o maior poeta/trovador urbano da história. E como faz falta a poesia, a verve, a coragem e mesmo a arrogância de Renato.

"E hoje em dia como é que se disse eu te amo".

Na verdade queria escrever em homenagem a este cara. Mas escrever o quê. Tanto já foi dito. Ficar no mesmo. Repetir o que todo mundo disse desnecessário.

"Hoje a tristeza não é passageira (...) quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lagrima (...) queria ser como os outros e rir das desgraças da vida(...) é só hoje e isso passa, só me deixe aqui quieto que isso passa, amanhã é um outro dia. Eu nem sei por que que me sinto assim. Vem de repente um anjo triste perto de mim. E essa febre que não passa. E o meu sorriso sem graça. Não me dê atenção. Quando tudo esta perdido, sempre existe uma luz. Quando tudo esta perdido sempre existe um caminho."  

Falar do quão genial era suas letras. Bobagem. Isso é fato, prova disso é o lançamento de um livro,“Como se não houvesse amanhã”, da editora Record (R$ 32). Nele, 20 autores diferentes recriaram, na forma de conto, as canções da Legião Urbana. Falar que se Renato compussese em inglês teria sido o New Bob Dylan é especulação, tal como falar o mesmo de Machado de Assis na literatura de romance. Mas que se a verve se mantivesse na lingua inglês um e outro teriam sido considerados os maiores do mundo em todos os tempos, teriam. Poderia falar de tanta coisa. Mas prefiro ouvir as músicas e deixar vocês com o próprio Renato em frases e pensamentos:

...Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim...


Tenho saudades de tudo que ainda não vi
Quando Você deixou de me amar aprendi a perdoar e a pedi perdão. Aos 29 anos resolvi viver
 É a verdade o que assombra, o descaso o que condena, a estupidez o que destrói...

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
acreditar nos sonhos que se têem
ou que os seus planos nunca vão dar certo
ou que você nunca vais ser alguém...

... Aqui no Brasil, nós somos alegres mas nós não somos felizes. Existe toda uma melancolia e uma saudade que a gente herdou dos portugueses e que a gente ainda nem começou a resolver. A gente não sabe o que é esse nosso país.

 Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?


desde pequenos nós comemos lixo
comercial e industrial
mas agora chegou a nossa vez
vamos cuspir de volta todo o lixo
em cima de vocês!
Somos filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola



Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim, que deve ser?
Vamos fazer nosso dever de casa
Aí então, vocês vão ver!
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema
Com as suas leis!

 Quando se aprende a amar,o mundo passa a ser seu.

 Triste coisa é querer bem a quem não sabe perdoar...

 O céu já foi azul, mas agora é cinza / E o que era verde aqui já não existe mais

 Nunca, Nunca, Nunca deixe alguém te dizer que aquilo que você acredita é babaquice, que de repente o teu sonho não vai dar certo...

 Às vezes nem me preocupo tanto comigo... Mas há pessoas que amo e não quero vê-las sofrer

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há.

 Disciplina é liberdade;
Compaixão é fortaleza;
Ter bondade é ter coragem.


Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
-Quero ficar só com você
Quem inventou o amor?


E mesmo sem te ver





Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz



Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei
Está tudo bem, tudo bem...
uh...uh...

Quem pensa por si só é livre e ser livre é coisa muito séria.

Só para sentir no sangue o ódio que Jesus lhe deu (...) não entendia como a vida funcionava discriminação por causa da sua classe e sua cor.




Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

 Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo. Quem roupou nossa coragem? Tudo é dor. E toda dor, vem do desejo de não sentir-mos dor...

Não preciso de modelos
Não preciso de heróis
Eu tenho meus amigos

Este é o nosso mundo.

O que é demais nunca é o bastante,a primeira vez e sempre a ultima chance.

Ainda que eu falasse a lingua dos homens, e falasse a lingua dos anjos, sem amor, eu nada seria.

Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?


vocês dizem que eu tenho a resposta eu não sei qual é a pergunta!

Dissestes que se tua voz tivesse força igual a imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a minha casa, mas a vizinhança inteira.

Um por todos e todos por um

Mas parece que é cada um por si
E Deus contra todos
Tem gente que gosta de machucar os outros

Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar eros e thanatos
Persephone e hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...



Mentir pra se mesmo é sempre a pior mentira.

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade.

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acaba.


Nem os santos tem ao certo a medida da maldade. Há tempos são os jovens que adoecem.

Força Sempre.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Bodas de Prata

Ontem dia 11, completou-se 25 anos do primeiro Rock In Rio.  Posso estar enganado mas pelas minhas perambulações na net não vi muitas notícias a respeito. Para falar a verdade, vi uma pequena nota de umas tres linhas no Blog/site do Luís Nassif. Uma pena, vsto que tal evento foi gigantesco em termos de estrutura, público e presença de artistas. Segundo o empresário Roberto Medina, responsável por quele evento e mais tarde pela franquia Rock In Rio: ""O Festival não era um projeto megalômano. Ele nasceu megalomaníaco porque, se você não botasse 1 milhão de pessoas na plateia, o festival não se pagava". Lembremos que corria o ano de 1984, quando o festival foi gestado, se por um lado a economia brasileria estava em frangalhos e a questão social ia de mal a pior por outro lado um vento de libertação corria na sociedade civil organizada. Era fato consumado o fim do regime ditatorial. A luta que marcaria aquele ano de 1984 e 1985 seria pelo direito do voto secreto e universal, as famosas Diretas Já. Foi o evento do Queen (ainda que não possamos esquecer os também excelentes shows do Iron Maiden , Ac/Dc ou dos progressistas do Yes ou os metaleiros do Scorpions. Que Show e da confirmação do Brock com direito a grandes shows das bandas oitentistas do rock brasileiro.

Saindo um pouco da história e caminhando para o presente logo após essa edição vitoriosa, Medina organizaria o Rock In Rio II em 1992, outro evento grandioso - deste eu me lembro já que no primeiro, tinha recem completos 03 anos de idade. O Rock In Rio II entre outros feitos trouxe ao país o New Kids on the Block, o caro e jovem leitor deve estar perdido, mas digamos assim eles eram o BackStreet Boys do fim dos anos 90, além de trazer o Guns a maior banda de rock daquele período, entre meados dos anos 80 e meados dos anos 90, entre outras. Por fim Medina transformou sua marca em um negócio lucrativo com direito a rede de lanchonetes e de roupas, além da realização de diversos eventos ao redor do mundo. Hoje o Festival acontece anualmente em duas cidades európeias com enorme sucesso: Madri, Lisboa e no último ano em Poznan, na Polonia. Segundo a família Medina, o Brasil deverá ter a quarta edição do Festival no ano de 2014 em conjunto com a realização da Copa do Mundo. Bom se será a quarta edição significa que teve uma terceira edição que se realizou no ano 2000 ou 2001. Foi um Festival irregular que contou com excelentes presenças como Beck e Qeens Stone Age mas algumas furadas que prefiro nem citar.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A década se foi

Hoje são 02 de Janeiro de 2010, portanto, a primeira década do século XXI se foi.Pensei muito em fazer uma série de listas, como tem pipocado em vários sites, blogs e mesmo na mídia convencional. Mas ai esbarrei em um problema que faz toda a diferença. Não tenho boa memória para nomes e datas, ou seja, considero que tenho até uma memória privilegiada quando trata-se dos temas com os quais lido profissionalmente, com informações em geral mas não me peçam para decorar. Essa não é minha praia. Eu sou aquele tipo de pessoa que é capaz de descrever em detalhes um filme mas não se lembrar do nome do mesmo, ou de seu diretor, ator/atriz principal. Portanto, como fazer uma lista de filmes marcantes, por exemplo, se não lembrarei os nomes e assim sucessivamente.
Optei então ao invés de lista. Comentar fatos que me foi retornando a memória. Talvez estes fatos por terem retornado a minha memória sejam mesmo os mais marcantes para mim nesta década. Ah outra coisa não se trata de classificação em ordem, ou seja, não utilizei critério nenhum para descrever os fatos abaixo, somente como dito a memória.
Notícias Marcantes
- 11 de Setembro de 2001, o ataque que mudou a década, a geo-política, a economia e as relações diplomáticas.
- Tsunami do Natal de 2004, tragédia impressionante que vitimou mais de 285 mil pessoas. Talvez pela nossa distância, talvez pela insensibilidade dos nossos dias, talvez pela mediocridade de nossa imprensa. Mas o fato é que até hoje penso que tal tragédia não foi retratada em toda sua dramaticidade. Volto a repetir os mortos passaram de 285 mil, mas se falam em mais de 500 mil, ou seja meio milhão de pessoas, já que em determinado momento as contagens foram suspensas.
- Eleição do Lula, acho que não vou comentar. Pois tal fato necessitaria do meu ponto de vista de milhares de páginas. Portanto, sendo o mais sucinto que posso: foi um prazer eleger o Lula em 2002, foi uma felicidade que nem eles (os Ptecos serão capaz de me retirar) participar da posse de Lula, junto a milhares de outros brasileiros que deixaram os confortos de seus lares e das festas para viajar até Brasília. Foi um desprazer ter votado em Lula em 2002, sem termos já naquele momento cobrado do candidato e de seu partido maiores coerências. Afinal sabíamos e fingimos não saber da Carta aos Brasileiros e dos acordos espúrios. Acima de tudo não votei no Lula em 2006, e continuo - A FAZER OPOSIÇÃO E CRITICAS À ESQUERDA, REPITO À ESQUERDA, PORTANTO, NÃO CONTÉM COMIGO PARA ESSAS IDIOTICES DA DIREITA MIDIATICA. OU SEJA, APESAR DE FAZER UMA OPOSIÇÃO, QUE A MAIORIA CONSIDERA RADICAL AO GOVERNO E AO EX-PARTIDO DOS TRABALHADORES, DISCORDO E DEFENDO O GOVERNO EM PRATICAMENTE TODOS OS EMBATES COM ESSA MÍDIA PODRE. POIS REAFIRMO SOU OPOSIÇÃO A ESQUERDA E NÃO A DIREITA. Para finalizar, podem (AS ELITES CARCOMIDAS) Brasileiras espernearem a vontade, pois apesar das minhas criticas virulentas -repito de esquerda e socialistas- este governo é muito melhor, infinitamente melhor do que os anteriores. Que digam os estrangeiros que percebem claramente tal fato.
- Eleição do Barack Obama, desde só podemos dizer que feito, que dream (para usar a palavra mágica de Luther King Jr) um presidente negro na maior (e por isso na pior) potência do mundo. Tirante isto já sabíamos que no império, tudo muda para permanecer no mesmo lugar. Aliás uma análise do governo Obama se aproxima muito da análise acima do governo Lula, poderia e pode fazer muito ainda pela agenda da esquerda liberal norte-americana, mas lembremos sua principal plataforma (mesmo que transformada para pior pelos conservadores do Partido Republicano e também do Democrata) a criação de um sistema público de saúde acaba de ser aprovado. Isto mesmo, a maior potência do mundo, não tinha um plano público de saúde. Aliás tão bem retratado em filmes e documentários como os do Moore. Alguns já dizem (entre eles ganhadores do prêmio Nobel) que esta (o plano público de saúde) vai ser a maior revolução dos últimos 50 anos. Mico mesmo só o prêmio Nobel da Paz que além de descabido foi indevido.
ps: este blog modéstia a parte cobriu todo o período pré-eleitoral (prévias), as eleições e a apuração do pleito norte-americano. Algo que muito nos orgulha (quem quiser pode rever através das Tags ai ao lado). Nosso modéstia, ainda que aparte, não nos permite esconder que demos várias informações antes da grande mídia brasileira. Pois tínhamos todo uma série de outros blogs em rede.
-Cruzeiro Campeão Brasileiro de Futebol. Que feito, que ano sensacional aquele de 2003. Um feito que ainda não consigo traduzir em palavras.
-César Cielo, maior a parte (e não podemos desconhecer que cientificamente tais maior(es) são um avanço formidável tanto o são que foram proibidos das competições - mas lembremos que desde as Olimpíadas a Federação Internacional de Natação resolvera ela mesma distribuir aos atletas com menores condições financeiras modelos de maior(es) - assim a tecnologia em tese estava a disposição de todos) a César o que é de César. E em plena Roma dos Césares, o César Brasileiro com sobrenome de Céu em Italiano foi coroado Rei. Ave César, Ave. O que César Cielo faz pelo nosso esporte é comparável aos feitos de Maria Esther Bueno, Guga, Pelé, Fitipaldi.
- Tecnologia. Esta foi sem dúvida a década da tecnologia, da massificação da Internet, da alta velocidade, das mídias sociais (Facebook, Orkut, Myspace, Twiter), da explosão dos Blogs que queiram ou não mudaram os rumos da imprensa convencional e oligopolizada, do Google, do Youtube, do 3G. Enfim que década, e o mais importante, ainda não temos distanciamento para fazermos uma análise sociológica, mas sem dúvida, se estava correto o sociólogo inglês Giddens quando ao explicar o surgimento da época Moderna, e acredito que estava, como uma revolução tão estupenda que não podia ser comparada com as épocas anteriores, toda essa tecnologia irá gerar uma nova forma de sociabilidade tão revolucionária quanto a modernidade.
- Crises Econômicas, lembremos que esta década já surgira de duas grandes crises econômica e, para muitos assistiu nos últimos dois anos a maior crise econômica desde o crash de 1929. Pode até não ter sido tudo o que previram mas de fato foi uma baita crise. Aliás pode não ter sido aqui, pois no mundo desenvolvido de fato a crise foi estupenda. E aqui palmas para o governo Obama que conseguiu segurar a fera pelos chifres pois lá a coisa foi muito feia.
- O Surgimento do Brasil como potência, enfim o país do futuro chegou lá. E hoje já é considerado (para desespero das vivandeiras da elite carcomida) um país respeitável. Para muitos o país a ser ouvido em várias polêmicas. Segundo o Financial Times será a quinta economia do mundo. Segundo o Le Monde é a nova prima donna da diplomacia internacional. E pasmem, apesar das Folhas, dos Globos e outros tentarem esconder e pior, criticarem de forma leviana, a Diplomacia Brasileira, a conservadora e influente Revista Foreign Affairs, considerou a diplomacia Brasileira a melhor do mundo, o que eles lamentam, pois com tal atitude o Brasil torna-se potência e não irão se submeter mais aos mandos norte-americanos. E até pouco tempo éramos presididos por um imbecil, quem em uma típica atitude de colonializado achava bonito falar na língua do seu conviva e não em sua própria língua como manda a etiqueta diplomática.
- A morte do Rei do Pop, dele Michael Jacson. A respeito ver aqui no próprio Blog um texto que escrevi sobre esse ser humano, demasiado humano e por isso brilhante.
Discos
Esta foi a década do Samba e das cantoras. Ê Semba ê. Nesta nossa listinha fazem samba ou flertam com ele: Cassia Eller, Maria Bethania, D. Jandira, Aline Calixto, Marienne de Castro, Beth Carvalho, Elza Soares todas sambistas.
Ps: como já afirmei minha memória para nomes não é das melhores, portanto, podem ter injustiças, ou seja, posso ter esquecido discos que me foram bastante caros nesta década.
Outra coisa que já é sabido dos mais próximos, sou um verdadeiro apaixonado pelo samba, pela música brasileira dos anos 60 e 70, principalmente música negra (aliás grande parte dos posts deste blog são dedicados a este tema), gosto também da Soul/Funk/Gospel norte-americano e por fim do chamado Brock dos anos 80 e inícios dos anos 90. Tudo isso para dizer que ouço muito pouco do que tem sido produzido atualmente. Aliás oço pouco porque o pouco que ouço em geral me desagrada.
- Vou começar com dois discos da década anterior, mas como foram lançados em 1999, boa parte destes discos foram sucessos em 2000 e 2001.
Californication do Red Hot Chilli Pepers e
There's Nothing Left to Lose do Foo Fighters
- Qualque um da Cássia Eller lançado nesta década e, olha que estão abaixo, dos discos dela da década de 90. Destaque para Acustico MTV de 2001 e 10 de Dezembro de 2002, ainda não ouvi o disco que é resultado da grvação ao vivo do show no Rock in Rio, de 2006 mas como vi aquela apresentação, o disco deve ser ótimo.
- Maria Bethania. PAUSA. Da minha paixão por Bethania é publica e sabida aqui no Blog. Mas como disse Nelson Motta, será ela uma ENTIDADE, Maria Bethania não tem altos e baixos em cerca de 45 anos de carreira só teve altos. Cada disco é um acontecimento. Portanto Ave Maria Bethania que nessa década nos brindou com 03 obras fantásticas. Brasileirinho de 2005, disco que inaugurou o selo da autora. Sobre este disco só posso dizer. Obrigado. Santeria de 2009, belissímo. Maricotinha lindíssimo e olha que deixei de fora Mar de Sophia, Ao Vico com Omara portuondo entre outras obras impares.
- Sandra de Sá e seu wonderful MPB, Música Preta Brasileira. Eta disco maravilhoso, ao mesmo tempo dançante e emocionante. Como a boa tradição Soul, este disco apesar de ser para dançamos, a dança aqui é libertadora, por isso também é um disco para se emocionar, como alías se emociona sempre 9chega as lagrimas) Sandra em algumas canções.
- Joss Stone, todos. Se bem que gosto demais do primeiro disco, The Soul Sessions de 2003 da maior cantora negra-branca, ou seria, da maior cantora branca-negra do mundo. Os criticos adoram seu terceiro disco, Introducing Joss Stone 2007, que também é o favorito da própria cantora. Acho belo como os demais da cantora mas fico com o primeiro. Uma grande obra.
- Gilberto Gil Viva São João (2001), simplesmesnte lindo e emocionante. Principalmente para quem tem algumas raízes no sertão.
-Marienne de Castro e seu maravilhoso disco de estréia Abre Caminho. Taí uma grande sambista e grande cantora. Para saber mais veja aqui no próprio Blog uma pesudo-critica (já que não sou especialista) bastante grande da cantora e deste disco.
Elza Soares Do Cóccix Até O Pescoço (2002) falar o que desta mulher, que foi considerada pelo BBC de Londres como uma das vozes do século passado. Neste disco entre outras coisas ela faz uma versão definitiva de Haiti entre outros eptardos em sua voz unica.
- Dona Jandira e seus disco de 2007 com mesmo nome. Falar o que sobre essa voz espetacular. Fico com o sambista Dudu Nicácio é a nossa Janis Joplin. D. Jandira uma mulher negra de 71 anos e que gravou pela primeira vez com 69 anos, consegue canbtar samba com verve de blues e blues com o balanceio do samba. Desde Elza Soares não via tamanha voz.
Aline Calixto, essa mineira premiada e super respeitada no meio do samba, seu primeiro disco, Aline Calixto de 2009 é um belo exemplo de que o samba (tal como prova Marienne de Castro) continua a ser o grande ritmo brasileiro.
- Los Hermanos e Seu Bloco do Eu Sozinho (senão me engano de 20010 foi a prova de que o pop-rock comercial teve alguns poucos momentos de lucidez e bom gosto. Este é um discasso. Que em certos momentos me lembrou os melhores momentos de Cazuza e Renato Russo.
- N.U.C e sua Resistência (2004), com esse disco os Negros da Unidade Consciente do Alto Vera Cruz mostrou que o Hip-Hop combina perfeitamente com bom gosto. Neste disco temos o melhor que o hip-hop brasileiro produziu, ou seja, uma música de protesto, de denuncia social, de análise político-social mas ao mesmo tempo com pitadas da cultura negra genuinamente brasileira. Assim neste disco o hip-hop é também cantiga de Roda com a participação das Maravilhosas Meninas de Sinhá (um grupo de senhoras moradoras do Alto vera Cruz/Taquaril). "No Alto Vera Cruz tem um Furacão que estremece o chão, que estremece o chão!!!!"
- Renegado e seu grande disco Do Oiapoque a Nova York, este disco do antigo vocalista do N.U.C Flávio Renegado é uma bela biografia do músico, de sua vida e de sua arte, no entanto, mais do que um relato pessoal, sua história mimetiza a história de milhares de outros jovens, pobres, pretos, da periferia, filho de mães solteiras e etc. é isso ai, para n´so que conhecemos a galera do Alto Vera Cruz/Taquaril o Flávio chegou lá da rua Oiapoque até fazer show em Nova York, com direito a escalas em Cuba, mas acima de tudo e, por isso mesmo, um grande artista acima de tudo o filho da D. Regina do Morro do Taquaril.
- Menção Honrosas para Diogo Nogueira Tô Fazendo a Minha Parte (2009), Adriana Calcanhoto Adriana PartiPam (2004) como é bom ser criança inteligente, não fica devendo nada aos maravilhosos discos infantis de Toquinho, Vinicius, Chico Buarque e Raul Seixas. Beth Carvalho e seus Beth Carvalho - 40 ANos de Carreira - Ao Vivo no Theatro Municipal Vol 1 e 2. (2006) e Beth Carvalho canta o Samba da Bahia (2008).
TV
House e Grey's Anatomy, mostram que a boa literatura independente do meio que se utilize é algo mágico. Grey's Anatomy na minha modéstia opinião é um dos amiores produtos da cultura de massa de todos os tempos.
Destaque na verdade para as séries. Os yankees são muito bons realmente, estou cada vez mais sériemaniaco. São tantas e boas opções.
Cinema
Com os lapsos de memória, esta era a lista que não queria fazer, pois vi cada coisa maravilhosa fora do circuito comercial nos festivais que rolam por aqui, e vou te dizer só no ano passado foram sem exageiros uns 10 festivais em BH,mas com certeza não vou lembrar o nome dessas obras primas quase sempre de países não centrais, assim como não lembrarei os excelentes filmes que vi principalmente nos anos de 2001 e 2002 no Belas Artes (explico, nesta época os 10 primeiros alunos da UFMG podiam entrar de graça nesta rede de cinema e como teve uma greve, meu esporte era ir ao Cinema todos os dias) mesmo assim vai ai uma listinha (na maioria filmes yankees comerciais, este pelo apelo publicitário e mesmo pela net acabam por ficarem mais claros na lembrança):
- As Invasões Bárbaras (2003) de Dennis Arcande Cidade de Deus (2002) de Fernando Meireles, dois dos maiores filmes que já vi na vida, osúnico que na minha opinião entrariam em uma lista de verdadeiros clássicos de todos os tempos.
- Má Educação o meu preferido, mas para falar a verdade de Almodovar todos os que vi nesta década foram bons.
- Já que foi uma década dos filmes da pixar: Procurando Nemo, das melhores análises sociológicas que eu vi.
- Adeus Lenin (2002) de Wolfang Becker
- Uma Mente Brilhante (2001) de Ron Howard
- Quase Famosos (2000) de Cameron Crowe
- Snatch Porcos e Diamantes (2000) de Guy Ritchie
- Bicho de sete Cabeças (2001) de Lair Bodanski
- Lucia e o Sexo de (2001) de Julio Medem mais um da boa invasão espanhola do fim dos anos 90 e início dos 2000. Depois os espanhois resolveram invadir foi o tênis.
- Onze Homens e um segredo, na verdade aqui rendo homenagem a toda a franquia. É o tipo de filme gostosode se ver e ponto final. Bom elenco e direção brincando de atuar.
- X-Men outra homenagem a franquia. Sé é para fazer entreterimento que se fça com qualidade. O mesmo vale para a série Homem- Aranha.
-Sideways entre umas e outras de Alexander Payne de 2004, isso sim que é movierood e dos bons.
- O último Rei da Escócia de 2006 de Kevin Macdonald
- Madame Satã
- Cauza
Pois é ...faltando tanta coisa. Mas em termos de atuação doia década de Natalie Portman.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

65 anos

Para não deixar batido. Hoje faz 65 primaveras do nascimento de Chico Buarque de Holanda. Ou seja, entre fins de maio e fins de junho de 1944, dois fatos marcantes o nascimento de minha progenitora e de Chico.
Bom para marcar a data um artigo acadêmico escrito por uma fã cinco anos atrás, quando o blue-eye completou 60 anos.


O samba da minha terra
Ciência Hoje - Dez/2004
Música e Literatura
Eneida Maria de Souza (*)
Durante a ditadura militar brasileira, compositores e artistas desempenharam um papel relevante na defesa dos ideais de liberdade e de cidadania.A análise da obra e da trajetória profissional de Chico Buarque de Holanda, um dos mais importantes nomes da música popular, recupera esses momentos de crise política, e presta homenagem ao compositor pelos seus 60 anos.
A música popular brasileira, na sua complexidade conceitual, atingiu o prestígio que tem hoje graças à atuação dos compositores representativos dos anos 60, de nível universitário, e com forte engajamento social e político. Em consonância com a revolução musical instaurada pela bossa nova, no final dos anos 50, inserida no contexto das mudanças realizadas pelo governo - 1956 a 1961 - do presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), delineia-se no país um desenho cultural e político de dimensão significativa para a compreensão do imaginário da época.
Embora o samba tenha exercido, em períodos anteriores, papel relevante para a legitimação dos conceitos modernos de nacionalidade e de identidade popular, articulando-se em torno de compositores de classes sociais distintas, somente mais tarde é que esse papel foi devidamente estudado.A retomada da linha evolutiva da música popular brasileira resultou do diálogo iniciado entre a classe intelectual e a classe artística, que ocorreu de modo incipiente nos anos 20-30 e teve sua efetiva realização nos anos 60-70.Chico Buarque de Holanda conversa com o samba urbano de Noel Rosa, assim como Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros mesclam as inovações da música internacional aos ritmos nacionais. Motivados pela lição revolucionária da 'batida' de João Gilberto, das variações jazzísticas de Antônio Carlos Jobim (1927-1994) e da poética de Vinícius de Moraes (1913-1980), aquela nova geração de artistas-intelectuais exerceu um papel de destaque na consolidação da música popular contemporânea.Como representante dessa classe de compositores, a escolha recaiu em Chico Buarque, não só pelo valor de sua obra, mas por estar o Brasil comemorando os seus 60 anos de idade.
Com ele estariam contemplados outros artistas dessa época, igualmente defensores de princípios de cidadania e liberdade assumidos na luta contra o governo ditatorial instaurado em 1964. A função que a canção popular exerce hoje como formadora de opinião pública decorre, em grande escala, da posição mantida por Chico Buarque ao longo de sua trajetória profissional, na condição de pensador - e de inventor - da cultura nacional. Como motivo condutor desta proposta de análise, será enfocada a apropriação da música como antídoto e saída para os males da nação, tendo como núcleo a canção Paratodos, homenagem feita por Chico Buarque aos compositores brasileiros.
O meu pai era paulista / meu avô, pernambucano / o meu bisavô, mineiro / meu tataravô, baiano / meu maestro soberano / foi ant0nio brasileiro / foi antonio brasileiro / quem soprou esta toada / que cobri de redondilhas / pra seguir minha jornada / e com a vista enevoada / ver o inferno e maravilhas / nessas tortuosas trilhas / a viola me redime / creia, ilustre cavalheiro / contra fel, moléstia, crime / use dorival caymmi / vá de jackson do pandeiro / vi cidades, vi dinheiro / bandoleiros, vi hospícios / moças feito passarinho / avoando de edifícios / fume ari, cheire vinicius / beba nelson cavaquinho / para um coração mesquinho / contra a solidão agreste / luiz gonzaga é tiro certo / pixinguinha é inconteste / tome noel, cartola, orestes / caetano e joão gilberto / viva erasmo, ben, roberto / gil e hermeto / palmas para todos / os instrumentistas / salve edu, bituca, nara / gal, bethania, rita, clara / evoé, jovens a vista / o meu pai era paulista / meu avô, pernambucano / o meu bisavô, mineiro / meu tataravô, baiano / vou na estrada há muitos anos / sou um artista brasileiroUm artista brasileiro
Em 1993, a canção Paratodos vem selar a linha genealógica instaurada por Chico diante dos pais legítimos e pais musicais: trata-se de uma toada homenagem aos personagens que integram a tradição da música popular. A letra contém uma bem-humorada saudação à música produzida em todo o território nacional, justificada pela origem múltipla do compositor, que se nomeia filho de paulista, neto de pernambucano, bisneto de mineiro e tetraneto de baiano. Partidário do conceito de música popular que privilegia o aspecto nacional em sua heterogeneidade - uma proposta distinta da modernista -, o compositor considera as manifestações locais como diferenças que se suplementam ao conceito de nação.A herança musical completa a genética, por reunir, na figura do "maestro soberano", Antonio Brasileiro (Tom Jobim), o nome e a função próprios à gestação musical do compositor brasileiro, inserido na tradição do samba, do chorinho e da bossa nova. O artista nasce do duplo poder de Antonio Brasileiro, a quem são atribuídas as funções de iniciador, maestro e legítimo representante da música popular brasileira: "O meu pai era paulista/Meu avô, pernambucano/O meu bisavô, mineiro/Meu tataravô, baiano/Meu maestro soberano/Foi Antonio Brasileiro."
A leitura da música popular sob esse ângulo esclarece não só a reflexão sobre a sua tradição como a discussão sobre questões de identidade. O músico e crítico José Miguel Wisnik, em A gaia ciência: literatura e música popular no Brasil, aborda a presença, em Paratodos, de vários pais, entre eles o pai paulista, o sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), "autor de Raízes do Brasil, remetendo a toda uma linhagem de fundações colhida nessa toada serenada". À herança genética se acrescentam a livresca e a intelectual, responsáveis por um pensamento moderno e canônico sobre a identidade brasileira.
Nos anos 30, o samba carioca "começou a colonizar o carnaval brasileiro, transformando-se em símbolo de nacionalidade", como afirma o antropólogo Hermano Vianna, em O mistério do samba, ao relegar os demais gêneros regionais. Tal atitude respondia pelo projeto de modernização e de nacionalização da sociedade. O mesmo não se verifica na posição de Chico Buarque em Paratodos, ao deslocar o samba de seu lugar anterior, de origem negra e carioca, e alçá-lo a símbolo de nacionalidade. Ao optar por compor uma toada, cantiga popular, de melodia simples e não circunscrita a uma região específica, o compositor dirige a saudação aos intérpretes de vários ritmos nacionais, do samba ao rock, e confirma a natureza heterogênea, híbrida e mestiça da música popular, avessa a critérios de pureza criativa ou de essência étnica.O mesmo não se dá com o Samba da bênção, de Baden Powell (1937-2000) e Vinicius de Moraes, modelo musical de Paratodos, composto nos anos 60. Nesse samba, é saudada a comunidade de compositores negros, homenagem que a bossa nova presta aos seus precursores e à tradição musical. Nas palavras da socióloga política Maria Alice Resende de Carvalho, citada pela psicanalista Maria Rita Kehl, em Da lama ao caos: a invasão da privacidade na música do grupo Nação Zumbi, essa comunidade não era brasileira, mas carioca, tendo alcançado o status brasileiro a partir das palavras de Vinicius, que se posiciona como "o branco mais preto do Brasil".
Eleger Tom Jobim o "maestro soberano" é ainda legitimar a filiação à bossa nova, representada por um de seus maiores símbolos, além de colocá-la como marco revolucionário da música brasileira em todos os seus aspectos. Por ocasião dos 90 anos do arquiteto Oscar Niemeyer, em 1997, Chico Buarque, em texto de homenagem, reitera as afinidades eletivas com Tom Jobim e as estende ao arquiteto. Ao sentimento de decepção do compositor por não ter morado em casa projetada para o pai por Niemeyer se mescla sua dívida diante da profissão de arquiteto, por não ter concluído o curso. Nesse texto, Niemeyer e Tom Jobim são evocados como símbolos do desejo de perfeição buscado pelo artista, aliando o sonho do arquiteto à música.
O livro do jornalista Fernando de Barros e Silva, Chico Buarque, recupera esse texto e o elege como abertura do ensaio. A passagem citada é retirada daí: "Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar."A escolha do precursor, assim como a linha evolutiva seguida por ele, insere Chico na mesma tradição de Caetano Veloso, representada pela bossa nova, embora tenham preferido eleger pais e caminhos diferentes. As distinções entre eles tornam-se mais visíveis por ter o compositor nomeado João Gilberto como seu precursor, afinidade que permite desenhar poéticas próprias e justificar posições. Em ambos persistem a intenção de legitimar influências e o propósito de assumir o pertencimento (o sentimento de fazer parte de) a um país inventado pelas suas canções.
A admiração de Chico Buarque por Antonio Brasileiro reside na defesa de uma estética pautada pelo lirismo, pelos temas amorosos e pela harmonia musical que se apropria das imagens e dos sons da natureza sob a forma de metáforas nacionalistas. É brasileiro o tom, revolucionária a urgência em preservar o desgastado sentimento de nação, através de resíduos da voz inaugural dos pássaros. O primeiro encontro entre eles talvez tenha sido com Sabiá, de 1968, nova canção do exílio que, durante o Festival da Canção, foi considerada distante dos ideais políticos do momento.Concorrendo com a politizada Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, Sabiá foi a escolhida e recebeu homérica vaia.O canto melancólico do exílio não correspondia ao tempo marcado por gritos e mordaças causados pela repressão.
O recado era sofisticado, tanto no nível melódico quanto textual, tornando-se incompreensível para os ouvidos da opinião pública, voltada para o estilo eloqüente das canções próprias ao ambiente espetacular dos festivais. A letra denuncia, em tom lírico, o silêncio imposto pela censura, pela evocação da paisagem emudecida do país das palmeiras. A emergência do canto e da voz "da sabiá" é uma metáfora da expressão artística reprimida: "Vou voltar/Sei que ainda vou voltar/Para o meu lugar/Foi lá e é ainda lá/Que eu hei de ouvir cantar/Uma sabiá."O meu samba é uma correnteO poder atribuído à música em Paratodos refere-se ao seu valor de antídoto, capaz de curar a humanidade de todos os males, motivo recorrente na obra de Chico Buarque. A função libertária da música se anuncia desde sua primeira canção, Tem mais samba, de 1965, em que ele afirma que, "se todo mundo sambasse, seria tão fácil viver". Mas a trajetória do artista, no empenho de ler a realidade pela mediação do discurso musical, passa por transformações e acarreta mudanças no tratamento desse discurso. O período vivido sob repressão política abala o impulso revolucionário do samba, como em Essa moça tá diferente, Corrente e Agora falando sério, notando-se que a ênfase no recurso auto-reflexivo e metalingüístico de sua obra contém uma leitura alegórica e denunciante do momento histórico:
"Agora falando sério/ Eu queria não cantar/A cantiga bonita/ Que se acredita/Que o mal espanta/Dou um chute no lirismo/Um pega no cachorro/E um tiro no sabiá/ Dou um fora no violino/Faço a mala e corro/Pra não ver banda passar."
Em Paratodos, a mensagem musical retirada dos intérpretes nacionais atua em todos os sentidos, ultrapassando o auditivo, uma vez que o seu consumo antropofágico se reverte em força positiva e em experiência de vida. A formação do artista se vale do exemplo da música, a ponto de se redimir dos males pelo exercício salutar da profissão. Na sua ação catártica, propicia ao outro a vivência da tristeza e da alegria, como prova do valor a ela atribuído. Seguindo o modelo das cantigas populares que se revestem de lição exemplar, o narrador-artista dirige-se ao público para aconselhá-lo, cumprindo missão instrutiva, comum aos repentistas de feiras nordestinas:
"Nessas tortuosas trilhas/A viola me redime/Creia, ilustre cavalheiro/Contra fel, moléstia, crime/Use Dorival Caymmi/Vá de Jackson do Pandeiro/Vi cidades, vi dinheiro/Bandoleiros, vi hospícios/Moças feito passarinho/Avoando de edifícios/Fume Ari, cheire Vinicius/Beba Nelson Cavaquinho."
Se a experiência da ditadura provocou sentimentos de mal-estar no artista e descrença na denúncia política pela música, em Paratodos o clima é de bem-estar e de purgação da dor pela alegria, em que se exercita o conceito de "gaia ciência", o "saber alegre" do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). A positividade existencial se nutre da experiência da dor, sem haver a superação de um pólo pelo outro. Os discursos do ressentimento, do luto e da melancolia são substituídos pela alegria restauradora. A abertura política no país havia sugerido o extravasamento de emoções, por meio do desfile alegórico e metafórico pela avenida do bloco da ditadura, em Vai passar (1984), em que se reforça o desejo de restauração da democracia e da vitória do samba popular.Semelhante posição se encontra na mais famosa canção do autor, A banda (1966), momento de exaltação do poder mágico e revolucionário da música. Durante a passagem da banda, vivencia-se, por instantes, a participação do homem comum, motivado a sair da alienação e a despertar para a ação. O tom lírico dessa composição, aliado à sua melodia contagiante, marcou o lançamento oficial de Chico Buarque no cenário nacional, embora tenha se convertido em argumento negativo no balanço de sua obra feito pela crítica.
O efeito catártico de Vai passar se realiza pelo desfile do "bloco do sanatório geral", anunciando o fim da ditadura militar.A década de 1990 registra o convívio dos países periféricos com o processo político e econômico da globalização, o que resultou não só no poder de igualar as qualidades locais com as estrangeiras, mas de ampliar as desigualdades, integrando globalmente as minorias. A imagem de nação moderna vai perdendo o seu traçado original, como na canção de 1998, Iracema voou, revisão do modelo romantizado da personagem Iracema, do livro de José de Alencar (1829-1877). O vôo de Iracema em direção à América, em busca de emprego, serve como emblema do destino de milhares de habitantes das nações periféricas, embalados pelo ritmo desconcertante do neoliberalismo. América refere-se ao nome do continente que se incrusta e se alegoriza no nome de mulher, Iracema, efetuando-se a inversão do sul pelo norte e a perda da identidade, causada pela falta de pertencimento ao lugar de origem.
Rompe-se o sentido positivo de Iracema representar o continente e se impor como mito fundador da colônia, como no romance romântico, ao ser relida na condição de desterrada na própria terra:
"Iracema voou/Para a América/Leva roupa de lã/E anda lépida/(...) Não dá mole pra polícia/Se puder, vai ficando por lá/Tem saudades do Ceará/Mas não muita/Uns dias, afoita/Me liga a cobrar:/É Iracema da América."
Um sambista que escreve livros
Se a força revolucionária do samba pode se realizar no espaço público da rua, da avenida, do carnaval ou das manifestações populares como as passeatas, os comícios das diretas, a literatura de Chico Buarque tem menor poder de "levantar poeira". Estorvo (1991), Benjamim (1995) e Budapeste (2003), além de Fazenda modelo (1974), compõem o seu acervo literário, mas se desvinculam - com exceção dessa primeira novela - de força alegórica e política, do apelo emotivo e sedutor das canções. O efeito truncado e labiríntico da narrativa atende ao descompasso das personagens com o mundo, à falta de saída dos problemas que atingem a sociedade pós-urbana e pós-moderna. A praça pública perde a função de ser o local de convivência humana e de palco de discussões, ao ceder lugar para a dispersão dos grandes centros urbanos, povoados pela fantasmagoria dos falsos encontros e de troca de experiências.
Com a ruína dos discursos utópicos, pelo esvaziamento do ideal de mudança alimentado pelo espírito revolucionário das décadas anteriores, Chico Buarque se reduplica em artista e escritor e abandona o palco da rua. O narrador de Budapeste é retratado na sua função invisível de ghost writer, o escritor fantasma que perde a identidade e se torna autor de livros que nunca escreveu. Por meio de um processo irônico, instaura-se o clima de estranhamento do escritor com a própria imagem.Chico Buarque é hoje um escritor pop, o duplo do artista consagrado, que, em virtude de seu temperamento e de estratégias mercadológicas, cultiva o sonho de se transformar em artista invisível, não cedendo à solicitação esquizofrênica da mídia. O compositor se esconde na pele do escritor, o artista detesta o palco e o espetáculo, alcança a popularidade por se mostrar avesso a ela e se consagra muito mais pela negação da celebridade. Ao contestar a participação mais efetiva na vida pública, furtando-se a emitir opiniões políticas ou se recusando a comparecer a sessões de homenagens, defende a vida privada como refúgio e se fecha para o populacho.
Comparece ao festival do livro em Parati, declarando: "Às vezes é bom que o escritor se exiba um pouquinho, que saia da toca e se reúna com outros escritores. Senão viram bichos esquisitos." Bicho esquisito ou não, Chico Buarque responde por uma participação efetiva na história da música popular brasileira e na defesa de uma imagem de país que ajudou a inventar com seus acordes dissonantes. Se os sonhos ficaram no meio do caminho, a intenção em realizá-los pela mediação da música permanece e se desdobra na revitalização de sua obra pelos futuros leitores.
SUGESTÕES PARA LEITURA
BARROS E SILVA, F.Chico Buarque. São Paulo, Publifolha, 2004.
CAVALCANTE, B.; STARLING, H. & EISENBERG, J.Decantando a república. Inventário histórico e político da canção popular moderna brasileira.Rio de Janeiro e São Paulo, Nova Fronteira/Faperj e Editora Fundação Perseu Abramo, 2004.
MATOS, C. N.; TRAVASSOS, E. & MEDEIROS, F.T.(orgs.) Ao encontro da palavra cantada. Poesia, música e voz. Rio de Janeiro, Sete Letras/CNPq, 2001.
VIANNA, H.,O mistério do samba. Rio de Janeiro, Editora da UFRJ/Jorge Zahar, 1999.(*)
Professora de Literatura da Universidade Federal de Minas Gerais

terça-feira, 16 de junho de 2009

The clash, punks not dead

Dediquei dois posts abaixo, a análise dos dois últimos discos da banda punk Green Day, onde afirmo serem eles uma excessão a correta afirmação de outro punk notório Iggy Pop de que o rock atualmente é o pior tipo de música.
E não é que por coincidência me deparo com um quiz no Facebook, denominado the Which punk rock star are you? E eis que a reposta foi:
quiz and the result is Joe Strummer (The Clash)
You seem really involved in politics or social problems and you want to do a lot about. Charity concerts or other actions - that's your way to fix the world. You show, that punk rock exist beyond sex, drugs and alcohol. But you still know how to rock. Good for you.
Diante do resultado só pode exclamar:
yes, alive the good and old punk rock !!!! E lógico tem tudo haver mesmo. Rock and social politcs
1979: London Calling
1980: Sandinista!
1982: Combat Rock.
Realmente o Clash é uma super banda, daquele tipo seminal, radical, autêntica, verdadeira. Assim sendo, ao som do disco, ótimo principalmente para os iniciantes The Clash: The Singles.
Vamos recordar um pouo a história dessa banda londrina comprometida com as lutas de seu tempo. Viva Sandino!!!Viva o Clash!!!! Fucker the Queen !!!! Rock against racism!!!
The Clash existiu entre 1976-1985. Foi uma banda aclamada pela crítica, o Clash se tornou conhecido por seu alcance musical (incorporando outros estilos musicais em seu repertório, como o funk, dub, ska, reggae o que demonstrava, por um lado a sensibilidade do grupo para a Londres Caribenha e negra e, por outra uma inovação no som cru do punk londrino da primeira geração) e por demonstrar uma sofisticação lírica e política que os distinguia da maioria de seus companheiros no movimento punk, lendária também foram as apresentações ao vivo da banda.
O Clash foi formado, como dito durante a primeira leva do punk britânico e ficou conhecido por sua visão extremamente esquerdista e pelas roupas que eles usavam com slogans revolucionários. A estreia em disco se deu com The Clash um álbum de punk rock seminal. A maioria das canções eram porradas de 2-3 minutos, mas as composições e melodias superiores destacaram Strummer e Jones entre a maioria de seus contemporâneos. Se com esse e o disco seguinte o Clash era sucesso de público e critica no Reino Unido, nos EUA a coisa era diferente e o grupo só estouraria em seu terceirto disco, o clássico Lodon Calling. Lodon era um álbum duplo. Além do punk, apresentava uma gama variada de estilos, incluindo o rockabilly e reggae, este é considerado o melhor álbum do Clash, e foi eleito um dos 10 melhores álbuns de sempre pela revista Rolling Stone.
Se Lodon era um álbum duplo vendido a preço de disco simples, Sandinista era um álbum triplo, além da postura política expressa no próprio nome do álbum, neste disco de 1980 o Clash também radicaliza musicalmente e além de experimentos com o reggae e o dub, se expande em direção a outros estilos musicais, que incluíam jazz e o hip-hop, no que torna a banda uma das pioneiras na fusão Rock- hip-hop.
Em 1982 sugrgeria Combact Rock, o mais vendido da história do grupo. O Clash, apesar de sua postura política engajada torna-se pop e faz turnês mundiais. O clima começa a ficar insustentável (quem sabe fruto desta contradição, mas não seria elas uma necessidade histórica, no processo dialético da produção inclusive musical em um ambiente de monopolio produtivo na mãos dos grandes media, brincadeirinha...) essa é uma época de muitas brigas internas e de mudanças no grupo com a saída do baterista Topper Headon envolvido com problemas decorrente do uso de drogas. Em 1983 foi a vez da expulsão do guitarrista Jones e assim temos o crepúsculo do Clash. O último e lamentável disco do grupo já foi lançado praticamente no ocaso do grupo, que pelo menos se despidiu de uma forma bem punk com shows gratuitos nas esquinas e bares da Inglaterra e Escocia.
O bandleader Joe Strummer após o Clash atuou em vários projetos paralelos, inclusive artuando como ator. Seu principal projeto The Mescaleros fundia suas duas maiores paixões musicais: o punk e o reggae. Em dezembro de 2002, Strummer morreu subitamente, vítima de um ataque cardíaco. Ele tinha 50 anos. O álbum do Mescaleros em que ele estava trabalhando, Streetcore, foi lançado postumamente em 2003, sendo aclamado pela crítica.
Algumas palavras sobre política, afinal são The Clash
Assim como a maioria das primeiras bandas de punk, o Clash protestava contra a monarquia e as elites no Reino Unido e ao redor do mundo. Mas, ao contrário de outras bandas da época, o Clash rejeitou o sentimento dominante de nilismo e de anarquismo. Eles se solidarizaram com diversos movimentos de libertação da época. Sua visão política era expressada explicitamente em seus versos, como em "White Riot", que encorajava jovens brancos a entrarem para organizações libertárias de negros, e em "Career Opportunities", que tratava da alienação das classes subalternas. Não custa lembrar que o auge do Clash coincide com a praga chamada Thatcherismo e com seu ultra-neo-liberalismo.
Em abril de 1978, durante um show do Rock against racism Joe Strummer vestiu uma polêmica camiseta com as palavras Brigadas Vermelhas e o emblema da facção Baader-Meinhof (dois grupos revoluionários europeus que pregavam a luta armada e meios violentos para a superação do capitalismo, o primeiro na Itália e o segundo na Alemanha) estampadas no centro. Ele declarou posteriormente que usou a camiseta não para apoiar os terroristas, mas para chamar atenção à sua existência. Ainda assim, ele se arrependeu depois do show, o que o levou a compor a canção "Tommy Gun", renunciando à violência como um meio de protesto.
O Clash apoiava o IRA e, posteriormente, o Sandinismo entre outros movimentos marxistas da América Latina e o já citado Rock Against Racism.
Para conhecer a genialidade deste grupo seriam várias as sugestões, mas de forma didática recomendo aqui o rap, isso mesmo, o rap-funkeado The Magneficiente Seven.

domingo, 14 de junho de 2009

Iggy Pop, Green Day e esse tal de rock

Há algum tempo não escrevo por aqui sobre música. E que me lembre raramente escrevi sobre rock. Tal lacuna talvez se explique pelo fato de que há alguns anos não consigo gostar de nada que se define, ou é definido como rock. Sim, lógico, existem algumas raras exceções que, no geral, confirmam a regra. Mas a afirmação abaixo de Iggy Pop me instigou demais. Instigou porque em linhas gerais concordo com tudo que o Velho e Bom Iggy disse a uma revista freancesa:
“... fascina-me a eternidade dos clássicos. E, além disso, sempre gostei estar do lado dos outsiders. E nesse momento, que possibilidades tem um standard frente a um novo disco do U2 ou do Coldplay? O rock se tornou a pior forma musical da atualidade: a mais feia esteticamente, a mais corrompida, a mais cínica e a que acompanha os piores sentimentos!"

Chamo a atenção para a parte que grifei em negrito. Concordo com Iggy: o rock atual é a pior forma de corrupção musical, algo que esteticamente enjoa e cinicamente canalha para ser fruído com algum prazer...

Dito isso, vamos a uma das exceções. E uma bela exceção: Green Day. Sim a banda californiana, que nasceu pop-punk... aquela mesma que se orgulhava de nada representar, de não se posicionar politicamente...surpreendeu no ano de 2004, com uma punk-ópera: American Idiot. Pois bem, cinco anos após o lançamento e muitos elógios, o aclamado disco de 2004 agora foi adaptado e será um musical da Brodeway (engraçado, agora me dou conta que não sei escrever a palavra Broadway).

Assim se referiu ao disco o crítico Wladimyr Cruz, no longínquo ano de 2004:
"Ufa! Enfim, o disco realmente parece uma trilha sonora de algum filme/peça de teatro que nunca existiu, e se você for acompanhando as letras, verá como tudo é bem amarrado e forma realmente um disco conceitual. O Green Day passou dos limites, chegou ao ápice de sua criatividade, cara-de-pau e loucura musical, e o triste disso tudo é que provavelmente todo esse conteúdo não será assimilado pelos fãs da banda, que dirá pela massa. Tudo cabeça demais para a molecada engolir. É como se "American Idiot" fosse o "Load" do Metallica. Meu veredito? Porra, é Green Day, a maior banda punk dos anos 90, e talvez a maior promessa do rock no novo milênio."

Pois bem depois do American Idiot, no pós idiot-leader Bush o Green Day, volta à carga e cinco anos depois surge: “21st Century Breakdown”. “21st Century Breakdown” é, de certa forma, uma seqüência do bem-sucedido “American Idiot”. Uma ópera rock focada na história de dois personagens, Christian e Gloria, sendo o primeiro alguém extremamente auto-destrutivo, revoltado e o segundo, uma mulher cheia de ideais e esperanças.
Em entrevista a MTV norte-americana, que pode por um feliz acaso, acompanhar em uma destas madrugadas o grupo explicou que este trabalho é uma mistura de influências e por isso experimental: por exemplo, o trio montou no estúdio de gravação um quadro com uma grande gráfico em forma de pizza: cada fatia representava estilos musicais diferentes e de agrado do grupo. Indo desde o rockabilly passando pelo death metal, p.ex.. A idéia era combinar acordes dessas diferenças influências e com isso, acredito (já que não foi dito nesta entrevista) produzir um colapso digno do século XXI. A banda divide o álbum em 3 atos – Heroes and cons, Charlatans and Saints e Horseshoes and handgranades – num total de 18 faixas.

Em que a banda na faixa ‘Know your enemy’, do primeiro ato clama por uma revolução que combata o silêncio. Nada mais adequado nessa época de silêncios atordoantes e de barulhos desacossadores. O segundo ato se inicia com o petardo ‘East Jesus nowhere’ que toca em temas como o recrutamento para o genocídio, Deus e religião, sempre com peso. O disco segue com ‘Peacemaker’, citando a paz apenas com vingança. ‘Last of the american girls’ é pop e trata do desastre das garotas americanas. A faixa seguinte, ‘Murder city’, é gás puro e fala do desespero e falta de esperança. Na seqüência, falando de abandono e da vida nas ruas, é a vez de ‘¿Viva La Gloria? (Little Girl)’. Mais uma balada, agora com ‘Restless heart syndrome’, exclamando que você é seu maior inimigo, vítima do sistema, encerrando o segundo ato. Para finalizar como qualquer Manifesto o disco traz no terceiro ato e na última faixa ‘See the light’, um apelo a luta: saber de que vale a luta, pois no fim é possível ver a luz no fim do túnel.

Escute seis canções de "21st CB" no site oficial do grupo (greenday.com): BreakdownBefore, The Lobotomy, East Jesus Nowhere, Restless Heart Syndrome21, Guns, American Eulogy. Ou então http://www.21stcenturybreakdown.com.br/
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Para finalizar, a resenha da Rolling Stone do disco:

Como suceder ‘American Idiot’: Com um épico ainda maior e de três Atos.Green Day – 21st Century Breakdown ()Por Rob SheffieldDesde que o Green Day eram os moleques do punk dos anos 90 que ninguém esperava que fossem crescer, tudo o que eles fazem vira uma surpresa. E o que é mais bizarro: o fato de que eles soam tão ambiciosos e audaciosos em seu oitavo álbum ou o fato de eles terem é conseguido chegar no oitavo álbum? De qualquer maneira, os perdedores que detonaram nas rádios em 1994 gritando “I got no motivation,” com Billie Joe Armstrong largado no sofá da sua mãe – eles acabaram sendo os últimos a ficarem de pé, aqueles vivendo ainda pelos ideais de sua época e escrevendo as canções mais difíceis de sua carreira bem depois de terem passado o ponto de acabarem no programa de TV Sober House (programa da VH1 onde estrelas famosas entram para reabilitação). E eles o fizeram com uma maldita ópera-rock.American Idiot parecia ser o kamikaze da carreira da banda – um álbum conceitual sobre esperanças e sonhos americanos, com personagens chamados St. Jimmy e Jesus of Suburbia? Bela tentativa! Mas, o álbum não somente resgatou o Green Day do limbo onde se encontravam, mas recarregou as baterias musicais da banda. Com quase 6 milhões de cópias vendidas e ainda contando (*só nos EUA), American Idiot se tornou a espécie de blockbuster multi-platinado do rock que não deveria mais existir, pois o Green Day se transformou naquela banda que não tem mais como existir outra igual – lidando com paixões fulminantes, correndo o risco de darem com os burros n’água com tal argumento. Até mesmo as canções que não funcionaram ou as partes do roteiro que não faziam sentido apenas aumentavam a diversão, pois Armstrong, o baixista Mike Dirnt e o baterista Tre Cool se recusavam a diminuir o ritmo.21st Century Breakdown é ainda melhor, tão majestoso e confiante que faz com que American Idiot pareça apenas uma espécie de “aquecimento”. Estão de volta no modo ópera-rock, dividindo o álbum em três partes, “Heroes & Cons,” “Charlatans & Saints,” e “Horseshoes & Hand Grenades.” Mas, desta vez não existem viagens de cerca de nove minutos – apenas duas das 18 faixas do álbum chegam na marca de cinco minutos – e o Green Day focou suas idéias em suas canções mais difíceis e afiadas até hoje. Armstrong traz agora uma compaixão ainda maior em seu vocal, até mesmo quando cospe versos auto-dilacerantes como, “My generation is zero/I never made it as a working-class hero.”Assim como American Idiot, 21st Century Breakdown é um épico com um pé nos anos 70, contando a história de dois jovens amantes punks em meio à fuga no colapso da América pós-Bush. Os heróis aqui são Christian e Gloria, dois garotos alienados pela igreja (“East Jesus Nowhere”), pelo estado (“21 Guns”) e por todos os adultos nos quais um dia eles acreditaram (“We are the desperate in the decline/Raised by the bastards of 1969”). Christian é o auto-destrutivo impulsivo (“Christian’s Inferno”), enquanto Gloria é mais idealista e política (“Last of the American Girls”), mas são forçados a cuidarem um do outro, pois ninguém mais fará isso por eles.Ao longo do álbum, a banda combina a força do punk com seu mais novo amor pela grandiosidade do rock clássico – em um momento estão falando de Bikini Kill, no outro estão mandando brasa no que parece o minuto final de “Jungleland.” A faixa-título é uma canção com diferentes partes que paga um tributo descarado à hinos de rádios dos anos 70 como “Bohemian Rhapsody” do Queen, “Fox on the Run” do Sweet e “All the Young Dudes” do Mott the Hoople. Armstrong nos leva para um tour do país, desde sua infância difícil (“Born into Nixon, I was raised in hell / A welfare child where the teamsters dwelled”) à idade moderna (“Video games to the towers’ fall / Homeland Security could kill us all”). Ele acaba com nada mais para mostrar a não ser sua raiva e o coração para transformar esta raiva em canções.As baladas são as mais açucaradas até hoje; “Last Night on Earth” poderia ser da banda Air Supply e não pense por um minuto que eles não adoram a idéia de irritar as pessoas com isso. Mas, os destaques são os hinos punk cheios de raiva. Eles se levam por entre violões latinos (“Peacemaker”), coros à la Clash (“Know Your Enemy”) e ataques de quatro acordes como na época de garagem (“Horseshoes and Hand Grenades”). “Last of the American Girls” aparece como uma canção de amor descompromissada para uma garota rebelde – quando Armstrong canta, “She won’t cooperate,” ele a está elogiando da melhor maneira possível.O Green Day desta vez mira sua arma na religião, com “East Jesus Nowhere” enquanto atacam a hipocrisia Cristã. Mas, na maioria das vezes cantam sobre o fato da América agora acordar de um pesadelo que durou oito anos. Na balada “21 Guns,” eles ainda parecem ter uma palavra ou outra para os desiludidos apoiadores de Bush (“Your faith walks on broken glass / And the hangover doesn’t pass”).Parte da emoção de 21st Century Breakdown é que os caras do Green Day não precisam se esforçar tanto assim. Não é que não existe ninguém mais com quem eles possam competir. (O quê? Sponge vai gravar uma adaptação tripla de Moby Dick? Provavelmente não!) Ainda assim, o esforço extras é ouvido na música e cada canção adiciona algo à vibe total de homens maduros tentando dificilmente se comunicar, desafiando-os juntamente com sua audiência. Eles revitalizam a idéia de verdadeiros rock stars que têm algo a dizer para o mundo real. Estão mantendo promessas que eles mesmos nunca fizeram, promessas deixadas para trás por todas aquelas bandas medianas dos anos 90 que acabaram pelo meio do caminho. Se é uma surpresa contínua o fato da banda ser os únicos a sempre pegarem a tocha e seguirem em frente, isso é parte do que faz 21st Century Breakdown tão atual e vital – O Green Day soa como se estivesse chocado como qualquer outra pessoa.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"Pedido aos leitores..."

Como prometido, abaixo publico a resposta do Ricardo ao post "Pedido aos leitores..."

Carlos,

Acho difícil fazer dicas desse tipo. Primeiro, pelo famoso fato de que gosto não se discute. Como diz o ditado: gosto é igual "nariz", cada um tem o seu. Mas, principalmente porque não faço anotações dessas coisas e, infelizmente, minha cabeça de bagre não é das melhores para memorizar nomes de filmes etc.

Bom, livros fiquei praticamente restrito aos obrigatórios, o que não é pouco. Então, não é de agora, muito pelo contrário, mas como já conversamos, indico a leitura de "Lavoura Arcaica", de Raduan Nassar.

Quanto aos filmes, até que vi uma quantidade razoável. Não sou nenhum cinéfilo, como o Mezenga, mas pude ver alguns bons filmes. Meu medo é confundir o que é desse ano com o que é do ano passado. E tenho certeza que vou esquecer a maioria mesmo. Portanto, faço aqui uma lista dos nacionais que neste momento, e nem sei se já estão disponíveis em DVD:
==> Brasileiros:
- O dia em que meus pais saíram de férias
- Batismo de sangue
- Baixio das bestas
- O homem que desafiou o diabo
- Tropa de elite

E sei (sem lembrar o nome agora) de vários outros, nacionais ou não, que não consegui ver.

Nacionais ou não, que já têm DVD (2006):

- Babel
- Os infiltrados