sábado, 27 de março de 2010

Disciplina é liberdade; Compaixão é fortaleza; Ter bondade é ter coragem.

"Minha escola tem gente de verdade... Viver é foda morrer é difícil."

Hoje o dia amanheceu  mais saudoso. O grande lider da Legião Urbana Renato Manfredini Russo se vivo fosse completaria 50 anos. Gostem ou não. Renato foi o maior poeta/trovador urbano da história. E como faz falta a poesia, a verve, a coragem e mesmo a arrogância de Renato.

"E hoje em dia como é que se disse eu te amo".

Na verdade queria escrever em homenagem a este cara. Mas escrever o quê. Tanto já foi dito. Ficar no mesmo. Repetir o que todo mundo disse desnecessário.

"Hoje a tristeza não é passageira (...) quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lagrima (...) queria ser como os outros e rir das desgraças da vida(...) é só hoje e isso passa, só me deixe aqui quieto que isso passa, amanhã é um outro dia. Eu nem sei por que que me sinto assim. Vem de repente um anjo triste perto de mim. E essa febre que não passa. E o meu sorriso sem graça. Não me dê atenção. Quando tudo esta perdido, sempre existe uma luz. Quando tudo esta perdido sempre existe um caminho."  

Falar do quão genial era suas letras. Bobagem. Isso é fato, prova disso é o lançamento de um livro,“Como se não houvesse amanhã”, da editora Record (R$ 32). Nele, 20 autores diferentes recriaram, na forma de conto, as canções da Legião Urbana. Falar que se Renato compussese em inglês teria sido o New Bob Dylan é especulação, tal como falar o mesmo de Machado de Assis na literatura de romance. Mas que se a verve se mantivesse na lingua inglês um e outro teriam sido considerados os maiores do mundo em todos os tempos, teriam. Poderia falar de tanta coisa. Mas prefiro ouvir as músicas e deixar vocês com o próprio Renato em frases e pensamentos:

...Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim...


Tenho saudades de tudo que ainda não vi
Quando Você deixou de me amar aprendi a perdoar e a pedi perdão. Aos 29 anos resolvi viver
 É a verdade o que assombra, o descaso o que condena, a estupidez o que destrói...

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
acreditar nos sonhos que se têem
ou que os seus planos nunca vão dar certo
ou que você nunca vais ser alguém...

... Aqui no Brasil, nós somos alegres mas nós não somos felizes. Existe toda uma melancolia e uma saudade que a gente herdou dos portugueses e que a gente ainda nem começou a resolver. A gente não sabe o que é esse nosso país.

 Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?


desde pequenos nós comemos lixo
comercial e industrial
mas agora chegou a nossa vez
vamos cuspir de volta todo o lixo
em cima de vocês!
Somos filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola



Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim, que deve ser?
Vamos fazer nosso dever de casa
Aí então, vocês vão ver!
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema
Com as suas leis!

 Quando se aprende a amar,o mundo passa a ser seu.

 Triste coisa é querer bem a quem não sabe perdoar...

 O céu já foi azul, mas agora é cinza / E o que era verde aqui já não existe mais

 Nunca, Nunca, Nunca deixe alguém te dizer que aquilo que você acredita é babaquice, que de repente o teu sonho não vai dar certo...

 Às vezes nem me preocupo tanto comigo... Mas há pessoas que amo e não quero vê-las sofrer

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há.

 Disciplina é liberdade;
Compaixão é fortaleza;
Ter bondade é ter coragem.


Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
-Quero ficar só com você
Quem inventou o amor?


E mesmo sem te ver





Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz



Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei
Está tudo bem, tudo bem...
uh...uh...

Quem pensa por si só é livre e ser livre é coisa muito séria.

Só para sentir no sangue o ódio que Jesus lhe deu (...) não entendia como a vida funcionava discriminação por causa da sua classe e sua cor.




Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

 Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo. Quem roupou nossa coragem? Tudo é dor. E toda dor, vem do desejo de não sentir-mos dor...

Não preciso de modelos
Não preciso de heróis
Eu tenho meus amigos

Este é o nosso mundo.

O que é demais nunca é o bastante,a primeira vez e sempre a ultima chance.

Ainda que eu falasse a lingua dos homens, e falasse a lingua dos anjos, sem amor, eu nada seria.

Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?


vocês dizem que eu tenho a resposta eu não sei qual é a pergunta!

Dissestes que se tua voz tivesse força igual a imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a minha casa, mas a vizinhança inteira.

Um por todos e todos por um

Mas parece que é cada um por si
E Deus contra todos
Tem gente que gosta de machucar os outros

Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar eros e thanatos
Persephone e hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...



Mentir pra se mesmo é sempre a pior mentira.

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade.

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acaba.


Nem os santos tem ao certo a medida da maldade. Há tempos são os jovens que adoecem.

Força Sempre.

domingo, 14 de março de 2010

O Enigma Marina Silva

Que não sou eleitor de Dilma e muito menos de Serra, os poucos leitores deste blog estão cansados de saber. Que me considero um órfão na atual conjuntura política brasileira idem. Todos os poucos leitores sabem também que no fato (aquilo que Marx chama de infra-estrutura) não vejo diferença entre PSDB e PT, a diferença e a guerra que ambos nos colocaram nos últimos 16 anos é de superestrutura, ou seja, esta no campo da representação do fato (do discurso e de forma vulgar naquilo denominado ideologia) e não no fato propriamente dito. A guerra aqui é pelo discurso autorizado e não por projetos. Tanto é que os empresários, parafraseando o presidente nunca jamais na história deste país ganharam tanto e foram tão aquinhoado pelo saco de bondade do governo. No entanto, exatamente por uma questão de status, de classe, ou seja de superestrutura, continuam estes mesmos empresários financiado o discurso raivoso anti PT. Assim a guerra se explica exatamente pelo fato de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço.



Por tudo isto tenho me esforçado para votar em Marina Silva. Mais ainda como animal político engajado que sou estou mesmo disposto a fazer campanha por Marina, pelo menos no meu pequeno circulo. No entanto, Marina é um enigma e fica muito difícil para alguém de esquerda apoiá-la. Pois a candidata não se define. Qual o lugar de Marina no espectro ideológico; e não me venham com essa lengalenga que ideologia não existe. Existe sim. Senão existisse não veríamos as Vejas, Folhas, Waacks, Bonners, Kammels, Mainardis e outros. Qual a posição de Marina na miscelânea partidária brasileira. Qual sua posição em relação a um projeto de país. Perguntas como essas são vitais para um apoio engajado a um candidato. Mas Marina não se explica. Normalmente em suas entrevistas tem adotado o tom proposital da indefinição. Ora tal postura não coaduna com a figura de Marina. Ora tem optado por se mostrar uma Marininha Paz e Amor. A história de Marina deveria torná-la tão mítica quanto o Lula mas é imperioso reconhecer Marina não é Lula. E mesmo o Lula só pode ser Paz e Amor porque em 03 eleições anteriores tinha sido Lula.



Preocupa-me essas indefinições de Marina ou mesmo o seu flerte com a direita ideológica. Tanto o é que Marina não se incomoda de ser tratada pelo jornalões ideológicos paulista como uma quinta coluna do candidato do PSDB. Gabeira, por exemplo, não esconde de ninguém que sua função na campanha é abrir palanque para Serra no Rio. Ora como assim? E Marina, Gabeira? Cabe a candidata definir-se logo e espero que se defina pelo seu campo histórico. Mas as perspectivas como essa se tornam cada vez mais remotas. Seu partido o Verde em São Paulo, Minas, Rio e boa parte do nordeste é um partido das elites e de antigos membros dos velhos partidões. Em Sampa foi tomado por uma série de empresários. Ora muitos dizem são empresários sérios e éticos, como os fundadores da Natura, ora, mas desde quando seriedade, ética e ser cumpridor das leis são méritos? Pois bem não bastasse esse flerte todo com a direita. Vemos agora a candidata Marina apresentar um dos seus consultores: Eduardo Giannetti. Giannetti é brilhante. Grande filósofo da economia. No entanto, Giannetti é daquela turma que se considera evoluída e, por isso mesmo dona da verdade, por ter percebido o erro histórico de ser de esquerda. Giannetti como Jabor e outros fazem a alegria da direita carcomida, pois são como provas da evolução da espécie.



Pois bem é esse Giannetti professor do IBMEC que auxiliará Marina? Assim volto a repetir fica difícil apoiar Marina. A candidata precisa se explicar. Concorda ela com Giannetti? Se sim. Tal informação precisa ficar clara. Pois para Giannetti os juros altos são culpa dos consumidores que preferem comprar a poupar ou então os investimentos públicos são “fetiches do capital físico”. Ora a expansão que vejo e sou agora participante do ensino superior público brasileiro não tem nada de fetiche. Por isso sempre insisto existem criticas e criticas. A minha ao governo Lula apesar de duras são sempre à esquerda. Por exemplo, me causa engulho ouvir falar que o estado brasileiro esta inchado. Esta é a maior besteira ideológica da direita. O que é Estado inchado? Por exemplo, Estado inchado é abrir mais de 10 mil vagas para professores universitários? Ou mais de 10 mil vagas para professores dos cefets? Neste sentido sou Lulista que se inche mais e mais o Estado de funcionários públicos concursados e de qualidade. Para Giannetti as políticas monetárias e cambiais devem permanecer intocadas e assim vai. É de Giannetti a seguinte frase na Folha de S. Paulo de hoje “Eu me identifico muito mais com os liberais clássicos, Adam Smith, John Stuart Mill, Alfred Marshall -que, aliás, foi quem trouxe o capital humano para a reflexão em economia.” Outras frases de Giannetti “Vamos ter de enxugar o gasto do governo. E provavelmente pensar mais em crédito para formação de capital do que em crédito para o consumo das famílias. Vamos ter de aceitar algum sacrifício agora para melhorar o futuro.” Ou “O Brasil precisa de um Estado forte, mas enxuto. O que nós temos hoje, para usar expressão do Sérgio Abranches, é um Leviatã anêmico. O Estado brasileiro faz muitas coisas que não deveria e deixa de fazer coisas que deveria.” Nada contra todo este ideário mas é necessário que fique claro que Marina presidente significa a volta das idéias mais ortodoxas do Consenso de Washington. E se assim o for, excelente presidência Marina (que em todo será infinitamente melhor do que a presidencia de Serra ou Dilma) mas não com o meu voto.

sábado, 13 de março de 2010

Natureza Selvagem

"perturbador, envolvente e impressionante quanto belo". - Joe Morgenstern, The Wall Street Journal.

"encantador e desnorteador" Carlos Eduardo, eu mesmo. Pois é assim que me sinto após assistir o filme Natureza Selvagem. Há muito um filme não me desnorteava tanto, o que inclusive torna bastante dificil escrever sobre. Mas vamos lá.

Começemos chamando a atrenção para trilha sonora, ela mesma uma personagem do filme, e obviamente ela também desnorteadora. Tocante e inesquecível. Um belissimo trabalho de Eddie Verder do Pearl Jam. Que com sua voz cortante e angustiada guia bem o tom do filme.

A direção e o roteiro são outras belas obras, Sean Penn revela-se cada vez mais um grande cineman, seja como ator, produtor, roteirista ou diretor. No caso deste filme seu roteiro e sua direção são primorosos. Trata-se de um verdadeiro filme de estrada pois Penn e seu diretor de fotografia Eric Gautier (também muito bom) optaram por filmar em locações naturais e assim tal qual o personagem principal somos convidados a viajar pelos EUA, desde o Alasca até Dakota, do México a California, de West Virginia ao deserto e assim sucessivamente.

Ainda nesta parte mais técnica o que falar do protagonista Emille Hirsch? Segundo Vilaça "Emile Hirsch oferece uma performance magnífica em seu minimalismo: sem investir em grandes explosões emocionais, ele ilustra a natureza contraditória e amargurada de Christopher McCandless através do olhar e da expressão de encantamento diante do mundo “real” que tanto admira e de sua clara atração pela solidão. Além disso, sua transformação física ao longo da narrativa é chocante, rivalizando com aquelas experimentadas por Christian Bale em O Operário e Tom Hanks em Náufrago". Mas de se notar também é a segura direção de Penn sobre o luxuoso elenco de apoio, com destaque para Kristen Stewart, Hal Holbrook, Vince Vaughn.

Passemos ao roteiro propriamente dito. Trata-se de um filme baseado em um livro que por sua vez conta a história veridica de um jovem viajante. Em 1990, com 22 anos e recém-licenciado, Christopher McCandless ao terminar a faculdade, doa todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, cerca de 24mil dolares, muda de identidade e parte em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano. Abandona, assim, a próspera casa paterna sem que ninguém saiba e mete-se à estrada. Viaja por uma boa parte da América (chegando mesmo ao México) à boleia, a pé, de carona, ou até de canoa, arranjando empregos temporários sempre que o dinheiro faltasse pois, Chris opta por abandonar o carro e queimar  o restante do dinheiro que possuia no início de sua jornada. Jornada esta que tem como finalidade a maravilhosa e selvagem natureza do Alasca. Mas enquanto o Alasca não chega Chris viaja por várias partes dos EUA e ainda que desconfiado das relações humanas e influenciado pelas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau, o que lhe acontece durante este percurso transforma a percepção do jovem de forma que já ao fim do filme perceberemos que a relação humana é o que resta para nossa espécie. 
Sean Penn vai intercalando a viagem de McCandless com breves flashbacks do seu passado, narrados em voz off pela irmã de Chris. Assim descubrimos que Chistopher quer fugir de sua  família materialista, hipócrita, cheia de mentiras e mesmo violenta. É exatamente durante a viagem que a camera de Penn, a fotografia de Gautier e a trilha sonora de Eddie Verder dão o tom da persona de Chris. Penn  capta melancolicamente, com vagar e gosto, a paisagem americana (aqui ressalte-se que por detrás das belas imagens da natureza selvagem temos na verdade uma narrativa da natureza humana com seus tipos e modos), e quase nos hipnotiza pelas imagens e som. Penn tem ainda a mestria de não entrar muito pelo lado místico ou de heroismo do rapaz timido, mostrando-nos apenas o lado de Chris extremamente simpático, uma pessoa que faz amigos com facilidade, com uma simpatia espontânea, mas que mesmo assim não se permite doar a este outro, o que incomoda Chris é o demasiado humano de nossa humanidade.  

A viagem em busca de autenticidade e auto-reconhecimento de Chris expõe não somente o protagonista embora não o admita - simplesmente fugindo de seu passado – e seu propósito não declarado (aliás, inconsciente) é encontrar alguma forma de preencher o vazio interior deixado pela relação conturbada com os pais. Mas existe toda uma pleiade com quem ele mantém relações e assim é possível perceber que existem muito mais "estranhos' aqui no sentido antropológico de alteridade do que imaginamos e assim antropologicamente o filme de Penn se torna grandioso pois coloca em dúvida a idéia das certezas absolutas.  Assim podemos nos perguntar seria Chris um rebelde dos anos 1990 ou mais um filho americano perdido, uma pessoa que tudo arriscava ou uma trágica figura que lutava com o precário balanço entre homem e Natureza e contra o materialismo da sociedade? Talvez a resposta seja mesmo a óbvia ambos. Eis ai outro grande mérito do grande Penn: humanizar nossa humanidade. Assim o héroi e também anti-héroi. é meigo e caridoso, mas também é cruel e egoista. Aliás se pensarmos bem (e a narração em off) tem essa função a reação do jovem é ela própria cruel e egoista. Dito de forma direta por mais defeituosoas que fossem as relações familiares e elas eram. A opção pela fuga é tão ou mais cruel do que os erros cometidos pelos parentes – e deixá-los sem notícias suas idem. Tanto o é que um de seus novos amigos de viagem e mesmo o nosso héroi em certo momento de sua viagem interna descobrem que o perdão é uma dádiva.

O héroi rancoroso que não consegue enxergar virtudes em sua vida acaba deste modo por querer inventar sua próppria humanidade, que nesse caso seria mais próxima da natureza. Eis de novo mais uma antropologizada do filme, pois é sábido que um dos maiores debates desde sempre na antropologia se dá exatamente no par dicotômico natureza-cultura. Chris ao criar sua própria cultura de certo modo inventa também sua natureza, aquela que nega um principio universal de nossa espécie a vida em sociedade. Assim vemos o nosso héroi por várias vezes recusando a humanidade dos que cruzam seu caminho, ao agir assim ele nega não a humanidade do outro mas sim a sua própria humanidade. Afinal a sociedade e formada pelo males como diz o próprio personagem.  Enfim poderia ainda escrever laudas e laudas tamanho a pertubação do filme. Mas termino chamando a atenção novamente para um momento de verdadeira obra prima: o plano final do filme. E humano demasiado humano descobrimos que mesmo na negação de nossa humanidade nos tornamos mais humanos. é ou não peretubador. principalmente quando se estar a ministrar disciplinas que refletem sobre esta questão. Grande Penn que nos conduz a um filme que incita a fugir mas também a ficar, que pode ser um elógio ao nilismo mas também ao seu oposto. Enfim não existe saída fácil e todos os caminhos tem seus prós e contras.

Notável mesmo foi este filme de 2007 ter sido deixado de lado pelo Oscar. Talvez explique inclusive o espirito deste prêmio e essa lenga-lenga de filme comercial e filme não comercial. Tudo balela no Oscar todos são comerciais incluindo os ditos independentes. Os independentes mesmo como este filmaço de Penn ficam de fora. Pois eu digo merecia o prêmio de direção, de fotografia, de roteiro adaptado, de ator principal, de atriz coadjuvante para a excelente Kristen Stewart, o de trilha sonora. Se o Oscar ignorou o filme outros prêmios não e ele se consagrou entre outros no: Sindicato dos Atores, no Globo de Ouro, na associação de criticos de cinema de Chicago, na associação de produtores, na Mostra de São Paulo, de Palm Springs entre vários outros ou mesmo nas listas dos melhores de 2007, feito que pelo menos 15 grandes críticos norte-americano o colocou na lista dos 10 mais e na maioria das vezes entre os 05 mais.

sábado, 6 de março de 2010

Musicais

Publicou meu amigo Daniel do Peramblogando a seguinte notícia:
"Foi com tristeza que recebi a notícia de que o Cordel do Fogo Encantado deixou de existir. Sem dúvida uma dos mais criativos grupos surgidos em nossa música nos últimos anos.(...) Conheci o Cordel em 2001, na primeira vez que fui à Pernambuco. Me lembro que vários colegas voltaram pra BH com cds do Cordel na bagagem. Me lembro também que no ônibus, durante o trajeto de volta alguém colocou o cd pra tocar. Ouvir "Chover" na estrada, com paisagens do sertão e um céu fechado realmente impressiona.
Uma pena. Sem dúvida uma grande perda. Ainda bem que os discos ficam pra contar a história. Que seus integrantes sejam felizes em outros projetos!"

Comentário meu postado lá no Peramblogando: Puxa que notícia triste e chata. Eu estava nesta mesma mitica viagem e realmente ouvir certas músicas com certas paisagens é algo inesqucivel e forte.
De todo modo dentro dos meus discos de sempre e dentro da lista elaborada com a ajuda do DANIEL dos melhores discos da decada passada o Cordel esta lá.

Vida que se segue
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Pena que não possamos dizer o mesmo sobre a passagem do grande Jhony Alf.
Jhony Alf nascido no Rio de Janeiro em 1929 recebeu de sua mãe doméstica e de seu pai cabo do exército falecido quando o pequeno Jhony tinha apenas 03 anos recebeu o nome de Alfredo José da Silva. Jhony começou nas artes do piano, NA QUAL FOI UM GIGANTE UM DOS MAIORES DE TODOS OS TEMPOS - aos 09 anos sobre a direção de uma amiga da patroa de sua mãe. Jhony negro, pobre brasileiro, genial como tantos outros dominou como pouco o velho e bom jazz norte-americano sua primeira paixão na juventude. Ainda praticamente adolescente participou de um grupo que tocava os grandes entre eles Poter e Gershwin. Nesta mesma época por influência da música se aproxima de uma classe média norte-americanizada do Rio, sendo aliás um aluno dedicado do Instituto Brasil -Estados Unidos, estuda também no excelente Dom PEDRO II. É este home culto e refinado que a partir dos anos 50 junto com outras feras como Tom, João Gilberto, Nora Ney, Maysa, e outro grande pianista Dick Farney  vão reinventar uma bossa nova para o samba. Para sermos mais justos, Rapaz de Bem de 1953 é uma verdadeira percussora do qu viria alguns anos depois ser denominado de Bossa Nova.
Ao longo dos anos 60,70 e início dos 80 compos verdadeiras obras primas do nosso cancioneiro. Além disso tocou com todo os grandes como Luís Bonfá, Sérgio Mendes, Luiz Carlos Vinhas entre muitos outros.
Genial, negro, educado,tímido, muito discreto e modesto não participava do coro dos contentes muito ao contrário. Um vanguardista segundo Menescal um homem a frente de seu tempo. Jhony realmente era assim  fez bossa antes da bossa, samba jazz antes do samba jazz, música homosexual nos anos 50, mudou-se para Sampa quando a patota bossanovista morava no Rio. Menos sol mais garoa. Pagou por toda a sua diferença. Disse certa vez "Posso dizer que fiz alguma coisa um pouco antes do resto do pessoal", outra vez afirmou "Sempre estive afastado da patota, porque sou muito desconfiado das pessoas. Os problemas que tive na vida me criaram dificuldade de relacionamento. Em meio de grupinho, nunca estava seguro." Para o
jornalista Ruy Castro, Johnny Alf foi o "verdadeiro pai da Bossa Nova". Tom Jobim, outro dos primeiros artistas da Bossa Nova, admirava Johnny Alf a ponto de apelidá-lo de "Genialf".
Descanse em Paz.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

curtinhas

- "É segredo não conto a ninguém". Parabéns aos moradores do MORRO DO BOREL. VIVA A UNIDOS DA TIJUCA CAMPEÃ DEPOIS DE 74 ANOS. Vitória merecida. Alegorias e fantasias noata 10! Comissão de Frente maravilhosamente nota 10! Harmonia e Evolução 10! Viva Paulo Barros o renovador do carnaval de Escola de Samba. Fiquei a imaginar ele comandando a festa de abertura da olimpiadas. Seir um Show memorável e insequecivel. Grande artista. Prova da genialidade. Como mostra a teoria sociológica sobre as inovações: o novo sempre causa polêmica e é repudiado pelo establishment.  Não foi diferente com a Tijuca e Paulo Barros. Apesar de nos últimos 06 anos a Escola  sair da avenida consagrada e Paulo Barros elogiadissimo, apesar da Escola ter ganho 04 Estandartes de Ouros (prêmio máximo da critica) a Escola sempre era rejeitada pelos jurados. Este ano a originalidade foi premiada. Parabéns Tijuca.

- CURTAS DE CINEMA
- Quero aqui dividir com Vocês as impressões que tive de três filmes que assisti em DVD. Acho que essa vontade vem fdo fato de que a meses não conseguia parar para assisitir um filme em casa a minha própria escolha.Pois bem vamos lá:
Primeiro assisitr um filme chamado Os Piratas do Rock, pensei comigo um filme sobre música. Melhor ainda sobre rock e ainda com Philip Seymour Hoffman só pode se bom e se não for, ruim também não pdoe ser. Ledo engano, a muito tempo não via um filme tão ruim. Quero assistir esse filme novamente, pois as vezes foi o meu olhar que estava desfocado. Mas realmente achei muito, muito ruim. É o famoso caso de uma idéia boa que não é bemrealiada.

Outro filme chma-se A Vida dos Outros ganhador do oscar de melhor filme estrangeiro de 2006. Trata-se de um grande filme. Grande roteiro, grande atuação dos atores (destaque para Ulrich Mühe) e uma excelente reflexão sobre os últimos momentos da Alemanha Oriental. O notável neste filme é sua fulga das soluções simplistas e rasteiras. Aqui as mazelas e crueldades do sitema oriental são mostrados e denunciados, no entanto tais mazelas não são mostradas de forma maniqueista e sim através de um olhar humanizado e por isso mesmo ambíguo na melhor tradição hitchicoquiana. Lógico não se trata de uma obra prima mas volto a repetir um bom e surpreendente filme. Ainda que o mesmo se perca, as vezes na minha opinião da metade para o fim. 

O terceiro filme que assisto é Se beber não Case. Bom tinha ouvido e lido sobre este filme. Os comentários sempre em tom ufanistas. Grande comédia. Das melhores comédias dos últimos tempos. Exemplo de vida inteligente na comédia e assim vai. Nestes casos sempre desconfio. E foi desconfiado que começei a assisitr este filme. Em uma palavra: MARAVILHOSO. Tudo que foi dito acima é verdade. O filme  é divertidissimo. Daqueles do cinema vir abaixo (li isto em uma critica, o que me acalmou já que como vi em casa tive vários ataques de risos. Vejo que não exagero) A cada mistério revelado, enfileram-se novos personagens bizarros e situações surrealistas. A estrutura de sketches é divertidíssima, mas é o humor politamente incorreto o grande diferencial da comédia. Ainda que na edição brasileira tenha sido usurpada grande parte do politicamwnte incorreto (por causa da censura. Sumiu-se assim várias cenas ou falas sobre sexo, piadas e etc). Melhor ainda é quando essas piadas são disparadas por Zach Galifianakis, o cara é show e tem um tempo de comédia brilhante e uma expressão que mistura intensidade e inocência. Fora que os extras são outro filme a parte. Ah e ainda tem participação do Mike Tyson e etc. Bom desnecessário dizer que trata-se de um filme que usa o non sense. Mas até este é muito bom, por exemplo, o roubo do tigre de Tyson...ASSISTAM.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Curtas

- Tinha me preparado para ser mais presente este ano no blog. Tinha até pensando em idéias e seções novas para o blog. Mas, porém, contudo e todavia as necessidades prementes do trabalho e de um novo projeto acabaram por colocar todos estes planos de lado. São quase um mês sem aparecer por aqui.

- É época de carnaval e, como no caso do blog, tinha planos de viajar para curtir em alto nível a festa momesca. A viagem  teve que ser adiada. Mas eis que. Nós. Isso mesmo, nós os belo horizontinos, na melhor tradição das festas carnavalescas, na raça, no suor, na cerveja e nos beijos (e em oficialidades)renascemos com o carnaval de rua na cidade. Desde o sábado anterior a festa, quando pode sair em dois blocos, um inclusive aqui do meu bairro, passando pelos dias de carnaval onde também já pode sair em  03 blocos e ir a um belo baile, há muito não via tanta animação em BH. Parabéns a Todos Nós. Parabéns por exemplo ao Cris Favela que apesar da PBH organiza o belo Carna Favela. Parabéns a todos e ai me incluo que fizemos na raça e sem BhTrans um belo desfile do Bloco de Desobediência Civil: Bloco da Praia. Grande festa. Concentramos durante cerca de 04 horas na Praia da Estação e depois saímos em cortejo até a porta da Prefeitura, onde nosso caminhão pipa  fez a lavagem da escadaria e da prefeitura e lógico de todos nós. Que bela festa. Com mmuito samba, marchinha e batuque. Que belo encontro entre os universitários que organizam o movimento de desobediência e os moradores de rua. Bom demais.

- Aliás a Praia da Estação merece rápidas palavras aqui. O negócio é o seguinte: Existe em BH uma Praça das mais bonitas e importantes, a Pça Rui Barbosa mais conhecida como Pça da Estação por circundar a imponente e histórica sede da nossa Estação Ferroviaria. Pois bem a praça berço dos grandes comícios, shows e outras manifestações sócio-políticas-culturais foi reformada e ficou belissíma. Ocorre que a Estação se transformou em um Museu, o de Artes e Ofícios sobre a direção de uma importante empresária e socialite belo-horizontina de família poderosa. E ai como sempre no afã higienizador e privatista o nosso poste, que dizer prefeito, resolveu baixar um Decreto proibindo a utilizando da Pça. Eis, eis, eis e nós fazemos piadas sobre portugueses hein. Ou seja a praça foi privatizada e proibida dos cidadão de Belo Horizonte. Como resposta um grupo de pessoas em sua maioria jovens e ligados aos cursos de humanidades da UFMG em um ato legítimo de desobidiência civil resolveram criar desde o ínicio de janeiro o Movimento Praia da Estação: trata-se de irmos todos os sábados para a Pça e transformá-la em uma grande Praia. O Movimento é um sucesso absoluto e o mesmo acabou por criar o Bloco da Praia. Vem para Praia vem. Aliás tem cada moça bonita por lá...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ditadura Capitalista da China

Se bem me lembro, das aulas de Ciência Política aprendemos com vários teoricos que o capitalismo e a democracia são primos-irmãos.Foi assim com Schumpeter, Dahl, Tocqueville entre vários outros. Ou seja, em um processo histórico o capitalismo junto com suas transformações culturais desembocaria em um sistema democrático, diga-se de passagem um sitema de democracia liberal burguesa. Ora dentro desta teoria é até mesmo possível a existência de ditaduras informais ou mesmo formais, que o diga nossa América Latina, mas neste caso as ditaduras são impostas sobre a retórica da Democracia. Tratava-se de suspender temporariamente a democracia em nome de combater um mal maior a ditadura do proletário.

Feito este preambulo chegamos a China. O que temos hoje na China é uma  ditadura não a do proletariado e sim a ditadura do mercado. Ainda que neste caso o mercado seja regido por mãos duras da elite do partido unico. Trotski já chamara a atenção de que a mistura do autoritarismo (que ele chamava de açoite) asiático com a bolsa de valores européias seria um perigo. Então estamos diante do perigo consumado. E não é qualquer perigo, imagina uma economia capitalista livre da interferência da organização sindical, da organização política, de direitos básicos e fundamentais, de direitos trabalhistas, culturais e etc. Eis a China e seu perigoso modelo.

Foi Marx que nos ensinou que a história nãos e repete a não ser como uma farsa de si própria. E novamente o barbudo estava correto. O que se vê hoje na China é uma farsa do processo revolucionário liderado por Mao a custa de milhões de vidas de seus compatriotas. Se Mao proclamava a superação da antiga sociedade e o surguimento em seu lugar de uma nova sociedade chinesa mais justa, solidária e desenvolvida. O que se vê hoje é somente um modelo chinês de desenvolvimento capitalista que une as argurias do sistema de mercado a mão de ferro de um governo autoritário, violento e centralizador. Mas a verdade se diga até nisto a China não inova, afinal foi também nas aulas de ciências políticas que lemos os vários teóricos elitistas: aqueles que a grosso modo defendem a existência de uma elite política preparada para guiar as massas ignobeis. Eis que na China para um melhor desenvolvimento e segurança (lembram-se que por aqui mesmo no Brasil passsamos uma decada inteira ouvindo que o mercado deveria confiar na solidez da nossa economia, que o mercado isso e aquilo, etc) do capitalismo resolveu a seu modo  o dilema da representação democrática. Bom pode até se afirmar que a China age como que a denunciar a farsa da democracia representativa, de novo Trotski nos ajuda a entender tal processo quando reprovara este sistema sob a alegação de que a democracia parlamentar, ao invés de dar demasiado poder às massas, paradoxalmente,  ela apassiva demasiadamente as massas, deixando a iniciativa para o aparato de poder estatal.
Enfim divagações sobre um sistema cruel de capitalismo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Disco para Sempre III



O Ano é 1972, o nome do disco é Transa, seu autor é um baiano tropicalista. Viva Caê. Na minha opinião o melhor disco de Caetano de todos os tempos. Como era comum na época, devido ao formato dos acetatos cada álbum não cabia mais do que 10 canções. No caso deste são 07 canções. Um pouco de história deste Lp fantastico.
Exilado em Londres desde 1969, Caetano Veloso obteve permissão para ficar um mês no Brasil em janeiro de 1971 para assistir à missa comemorativa dos 40 anos de casamento de seus pais. No Rio de Janeiro, o cantor foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica - na época em construção. Caetano não aceitou a "proposta", mas de volta a Londres, gravou no final do ano o LP com o nome de "Transa", lançado em território brasileiro em janeiro de 1972, quando o cantor voltou definitivamente ao país.
Este disco, portanto, é um misto deste momento. Segundo vários amigos o exilio foi bastante doloroso para Caetano que as vezes entrava em verdadeiras crises existênciais. Este Lp é um pouco retrato desta época das 07 canções apenas duas em português: Triste Bahia, uma declaração de amor e saudades a Bahia. Trata-se na verdade de uma canção com cerca de 10 minutos que misturam trechos de vários sambas de roda, composições do próprio Caetano e mesmo de alguns trechos de literatura baiana. É lasciva, cortante, alegre e triste, emocionante, como cabe ao bom samba, com destaque para a parte final da música, a repetição massante como que representando a loucura do artista de um ponto cantado nos Terreiros Baianos "Bandeira Branca enfiado em pau forte. Trago no peito a estrela do Norte". A outra música em português é Mora na Filosofia do grande Monsueto: "Eu vou lhe dar a decisão. Botei na balança Voce não pesou. Botei na peneira e voce não passou. Mora na fiolosoia. Para que rimar amor e dor. Mora na filosofia. Para que rimar amor e dor. Se seu corpo ficasse marcado por lábios ou mãos carinhosas eu saberia a quantos voce pertencia. Nao vou me preocupar em vê seu caso não é de ver para crer. Tá na cara. Eu vou lhe dar a decisão."
MAS DEFINITIVAMENTE O QUE TORNA ESTE DISCO MAGISTRAL É A INTERPRETAÇÃO DE CAETANO, SOBERBA, MARAVILHOSA, MAIS CAETANEADA DO QUE NUCA. SOMA-SE A ISSO UMA COZINHA DE RESPEITO.
O disco nas palavras do mesmo, veja que Eu e Caetano concordamos (já que li esta entrevista depois de ter escrito as linhas acima):
Caetano declarou em uma entrevista ao Jornal do Brasil: "Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo"
"Foi Transa que que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo. Como gravação, a melhor é Triste Bahia. Tem o Mora na Filosofia, que é um grande samba, uma grande letra e o Monsueto é um gênio. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo".

"You Don't Know Me" (Caetano Veloso) – 3:49
"Nine Out of Ten" (Caetano Veloso) – 4:57
"Triste Bahia" (Gregório de Matos Guerra, Caetano Veloso) – 9:47
"It's a Long Way" (Caetano Veloso) – 6:07
"Mora na Filosofia" (Monsueto Menezes, Arnaldo Passos) – 6:16

"Neolithic Man" (Caetano Veloso) – 4:55
"Nostalgia (That's What Rock'n Roll Is All About)" (Caetano Veloso) – 1:22

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dia de Martin Luther King



Hoje é a terceira segunda-feira de janeiro, portanto, feriado nos EUA o Martin Luther King Day. Como indica o próprio nome o feriado é uma homenagem  a Martin Luther King. Tal feriado estabelecido em 1986, em data próxima ao aniversário de King. Tal feriado não e pouca coisa como é sabido os norte-americanos não são dados a feriados, afinal time is money. Que eu me lembre lá os feriados são 4 de julho o Independence Day, em fins de novembro o Thanksgiving Day, o natal e o Martin Luther Kng Day. A luz da verdade existem nos EUA três feriados nacionais em comemoração a uma pessoa, mas nenhum com importãncia do Martin Luther King Jr que paralisa até mesmo Wall Street.

Como diz a imagem abaixo, no entanto, o Martin Luther King Day não é dia de descanso e sim de construir uma sociedade melhor.
"Martin Luther King Day não em um dia de folga torne seu dia em um dia de serviço".
Ps: para quem se interessar i do lado tem outros posts sobre Luther King Jr um inclusive com o seu famoso discurso I Have a Dream.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

Que tragédia no Haiti. Que nossas melhores enérgias e pensamentos estejam com nossos irmãos Haitianos. Pois o Haiti também é aqui. Que lastima a notícia do passamentode D. Zilda Arns, milhares de crianças brasileiras e milhares de crianças pelo mundo devem a essa brasileira sua sobrevivência.

Reproduzo aqui um texto que escrevi a exatamente um ano atrás e publiquei aqui mesmo no Blog.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009



Sobre o Haiti, ou sobre o ensino de africanidades no Brasil

Carlos Eduardo MARQUES*






Em 09 de janeiro do distante ano de 2003, o recém empossado presidente Lula, mais precisamente há 09 dias no cargo sancionava a Lei 10.639/03 que instituía no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática história e cultura africana e afro-brasileira. Pois bem, estamos em janeiro de 2009, precisamente no dia 12, ou seja, 06 anos após a sanção da lei e muito pouco se foi feito na prática, fato este reconhecido pelo próprio Ministério da Educação (MEC) em recente matéria publicada em diversos órgãos da imprensa. A pergunta a ser feita é: qual a razão para esse fracasso?


A resposta nos aponta para o passado, para o presente e para o futuro. Comecemos pelo passado. Logo após a sanção da lei foi corretamente diagnosticado que grande parte dos professores devido a sua formação em antigo currículo jamais tinham tido contatos com essa temática e, portanto não poderiam dialogizar esse conteúdo em sala de aula. Assim sendo, o MEC passou a instruir a aplicação dessa temática nos currículos e disciplinas das faculdades de educação visando a formação de novos professores. E para os atuais professores foram e são necessários cursos de aperfeiçoamento, especialização e formação complementar na temática. Pois bem se acredita que desta forma no presente próximo e no futuro tais temáticas sejam de domínio dos educadores e estes possam ministrar tais conhecimentos aos seus alunos.



As informações acima, se são por um lado auspiciosa não centra no principal problema sociológico da não aplicação dessa temática no currículo básico dos educandos. Pois não centra na razão principal para a ausência dessa temática do currículo básico e a necessária  sanção de uma lei para garantir a presença de tal tema em nossas escolas. A razão é mais profunda e diz respeito ao racismo e aos pré-conceitos em relação aos negros.




Ora pois, todos nós aprendemos nos livros sobre as Revoluções Européias, as revoluções norte-americanas e em alguns livros mais avançados até mesmo sobre revoluções nos países platinos. Aprendemos também sobre os avanços culturais e tecnológicos da cultura ocidental européia ou europeizada. Pois bem, fica então a questão: o porquê do não ensino das revoluções, os avanços culturais e tecnológicos em países africanos ou com maioria populacional formada por descendentes de africanos?


A título de esclarecimento, reproduzimos aqui uma passagem de minha dissertação que acredito ser esclarecedora desse comportamento:


“Abdias Nascimento[1] que cunhou um conceito/categoria clássico, o Quilombismo. No capítulo Documento nº. 7: Quilombismo: um conceito científico emergente do processo histórico-cultural das massas afro-brasileiras, do livro denominado Quilombismo (1980:245-281), busca, através da re-significação do termo quilombo em uma nova categoria simbólica, o quilombismo, um projeto de organização sócio-política, a partir de uma resposta teórica para os problemas étnico-raciais do País.


O autor inicia o texto afirmando que, ao contrário do que prega a historiografia convencional, as memórias dos afro-brasileiros não se iniciam com o tráfico negreiro, e sim na lembrança viva da Mãe África[2], ainda que um efetivo conhecimento desta, ou sua lembrança positiva enquanto nação seja obliterada em nossa realidade. Para Nascimento, este desbotamento da memória negro-africana é fruto de uma destituição secular, levada a cabo pela civilização capitalista contra as populações da diáspora africana, ou dito de outra forma, por um processo de discriminação e preconceito contra os negros. O autor mostra que cabe aos afro-brasileiros uma dupla tarefa: preservar a condição de edificadores do País, enquanto cidadãos genuinamente brasileiros, e participar do esforço de promoção e elevação das memórias e culturas negras.


Como exemplo cita os estudos realizados por Cheikh Anta Diop, em “The African Origin of Civilization”, em que ressalta os feitos científicos e culturais milenares do Egito e, segundo Nascimento (1980:250), “o processo da mistificação de um Egito profundamente negro e que se tornou branco por artes da magia européia dos egiptólogos”. Nascimento afirma que Diop buscava explicar não a superioridade do negro (pela idéia de raça ou de genes, uma vez ela não existe), e sim mostrar que uma série de fatores (sem nenhuma conotação com raça, etnia ou gene) contribuiu para a edificação e para o declínio da civilização egípcia. Isso significa que, se o estupendo desenvolvimento matemático, geométrico, de engenharia e lógica da civilização egípcia não pode ser explicado a partir da idéia de raça para a glorificação do gênio negro, o oposto também é válido, não se podendo, por motivos fenotípicos, apagar a participação do africano na cultura mundial.




Essa longa passagem Abdias Nascimento, nos permite: primeiro entender que a história e a cultura africana e afro-brasileira não podem e nem devem ser iniciadas a partir da escravidão. Ou seja, a versão dos vencedores. Pois o pouco que se estuda sobre África em nossas escolas se refere a esse sistema econômico-político e nesses casos se obliteram todo o processo quer seja de resistência, quer seja de colaboração dos próprios negros[3].


Em segundo lugar, Abdias Nascimento através de Diop nos mostra o processo de racismo que busca embranquecer e ocidentalizar feitos não ocidentais. Tal como afirmam Abdias e Diop, com o que concordamos o estudo da história africana e dos afro-brasileiros não tem como finalidade a glorificação do gênio negro, gênio esse que a genotopia cada vez mais nos mostra como algo insignificante, mas sim reverter um processo de pré-conceituação e racismo baseado na fenotipia. Por que, se comemoramos por um lado os resultados das pesquisas genéticas a demonstrar cientificamente a inoperância de um sistema baseado em raças vivemos em sociedade e nesse caso, raça diz respeito a uma ideologia. Como nos lembra Oracy Nogueira o preconceito brasileiro é um preconceito de marca (cor), tal fenômeno deriva da percepção de que raça tal como cor é um construto social e não um a priori biológico. A cor, raça ou fenotipia é uma construção e não um fenômeno natural e como tal deve ser combatida. Sendo o espaço escolar um dos mais adequados nesse processo. A cor, a origem e a fenotipia fazem parte dos mecanismos de reprodução de desigualdades sociais, ou seja, o status estamental surgido na escravidão persiste nos dias atuais. É necessário, portanto que este seja combatido. No Brasil, por exemplo, o status de atribuição, a cor ou a origem da família, ainda se sobrepõe ao status adquirido.




Por fim, fica aqui a esperança de que no futuro próximo os educandos brasileiros possam ler nos livros lado a lado: a Inconfidência Mineira e a Revolta dos Malês na Bahia, a Revolução Americana e a Revolução Haitiana. Aliás, sobre essa segunda, Você sabia?


- tratou-se somente da segunda nação a conquistar a independência nas Américas; e a primeira em que o processo nãos e originou nas elites sócio-políticas do período colonial anterior.


- que durante as guerras de independência latino-americanas, e durante os posteriores debates abolicionistas, o Haiti era o grande contra exemplo. Como fazer a independência sem haitizar (black power) o país? Como dar liberdade aos negros de modo que não se tornassem uma força política importante? A resposta foi então a libertação desacompanhada de uma política de direitos, o que obrigou aos recém libertos a única saída possível, a luta pela sobrevivência em um ambiente hostil;


- que Toussaint de L'Ouverture, chefe da revolução, foi um grande líder político e um militar respeitado nas cortes européias, devido seu enorme conhecimento de tática militar. Derrotou exércitos da Inglaterra, Espanha e França - algumas vezes lutando juntos contra ele e seus comandados. Que unificou e libertou seu país. E que só foi morto a partir de uma delação - a traição de um suposto aliado, pois que imbatível no campo de batalha.


- e o mais importante sua revolução vitoriosa e libertadora acabou por mudar os rumos até mesmo da Rev. Francesa. A queda do Haiti foi uma das razões para a derrocada da linha Jacobina da Revolução, ou seja, foi uma das razões, neste caso negativa, para o retorno do velho sistema político na França.


Eu não sabia.


__________


*Antropólogo. Pesquisador do NuQ/UFMG- Núcleo de Estudos Quilombolas e Pop. Tradicionais e Professor da FCJ/FEVALE/UEMG.


[1] Abdias Nascimento é uma figura ímpar na militância negra. Intelectual (autor de diversos livros que buscam aproximar o marxismo da temática étnico-racial), político (foi Senador pelo Rio de Janeiro), professor universitário (em diversas Universidades norte-americanas, como Yale, Harvard, Columbia, UCLA, chegando a professor titular da Universidade de Nova York Buffalo), artista plástico (fundador ou curador de diversos Museus voltados para a temática negra, como o Museu de Arte Negra no Rio de Janeiro, Ile Ife Museum, African Art Gallery), ativista negro (um dos fundadores da Frente Negra Brasileira nos anos 30 e do Teatro Experimental do Negro - TEN em 1944, grupo este que editava uma revista denominada Quilombo).


[2] Podemos inferir que, para o autor, não se trata de uma memória escravizada, ou seja, ainda que o corpo se encontre em um trabalho compulsório, a lembrança viva dessa Mãe África, agora já estereotipada, continua funcionando como um espaço de resistência. Essa mãe teria permitido ao filho (negro), mesmo nas piores situações, a não escravização de sua essência, sua alma. Daí a proliferação dos seus modos e fazeres pela cultura do escravizador.


[3] É sabido hoje (o que não justifica o sistema escravista) da colaboração das guerras tribais africanas pra o processo de escravização cá e além mar. Mas mesmo tal afirmativa, é educativa e necessária ao processo de combate ao racismo e pré-conceitos, pois que torna os africanos seres dotados de racionalidade. Precisamente aqui chegamos ao ponto, tal quais os escravos a história dos africanos e dos afro-brasileiros é coisificados, como se esses não fossem racionais produtores da história.






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Marcadores: Consciência Negra, Haiti, negritude

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Curtinha do Spider Man

Se Você é fã da série de filmes do Homem Aranha, a Marvel e a Columbia Pictures, responsáveis pela franquia anunciaram que já estão trabalhando no quarto filme da série, que no entanto, não contará com o ator Tobey Maguire e com o diretor Sami Reimi, dupla que na minha opinião são os maiores responsáveis pelo sucesso da franquia. Segundo dados os três filmes anteriores renderam cerca de incríveis 2,5 bilhões de dolares.
Estou asnsioso por esse novo filme sem a dupla. A responsabilidade vai ser grande e a cobrança também, segundo os esecutivos das produtoras tal mudança foi bastante doida mas necessário para oxigenar a série e para que se tenha um novo olhar sobre a trama. A idéia é que se valorize mais as raízes de Peter Parker....sei não mas isso parece a velha forma de copiar o que deu certo com Batman.

Bodas de Prata

Ontem dia 11, completou-se 25 anos do primeiro Rock In Rio.  Posso estar enganado mas pelas minhas perambulações na net não vi muitas notícias a respeito. Para falar a verdade, vi uma pequena nota de umas tres linhas no Blog/site do Luís Nassif. Uma pena, vsto que tal evento foi gigantesco em termos de estrutura, público e presença de artistas. Segundo o empresário Roberto Medina, responsável por quele evento e mais tarde pela franquia Rock In Rio: ""O Festival não era um projeto megalômano. Ele nasceu megalomaníaco porque, se você não botasse 1 milhão de pessoas na plateia, o festival não se pagava". Lembremos que corria o ano de 1984, quando o festival foi gestado, se por um lado a economia brasileria estava em frangalhos e a questão social ia de mal a pior por outro lado um vento de libertação corria na sociedade civil organizada. Era fato consumado o fim do regime ditatorial. A luta que marcaria aquele ano de 1984 e 1985 seria pelo direito do voto secreto e universal, as famosas Diretas Já. Foi o evento do Queen (ainda que não possamos esquecer os também excelentes shows do Iron Maiden , Ac/Dc ou dos progressistas do Yes ou os metaleiros do Scorpions. Que Show e da confirmação do Brock com direito a grandes shows das bandas oitentistas do rock brasileiro.

Saindo um pouco da história e caminhando para o presente logo após essa edição vitoriosa, Medina organizaria o Rock In Rio II em 1992, outro evento grandioso - deste eu me lembro já que no primeiro, tinha recem completos 03 anos de idade. O Rock In Rio II entre outros feitos trouxe ao país o New Kids on the Block, o caro e jovem leitor deve estar perdido, mas digamos assim eles eram o BackStreet Boys do fim dos anos 90, além de trazer o Guns a maior banda de rock daquele período, entre meados dos anos 80 e meados dos anos 90, entre outras. Por fim Medina transformou sua marca em um negócio lucrativo com direito a rede de lanchonetes e de roupas, além da realização de diversos eventos ao redor do mundo. Hoje o Festival acontece anualmente em duas cidades európeias com enorme sucesso: Madri, Lisboa e no último ano em Poznan, na Polonia. Segundo a família Medina, o Brasil deverá ter a quarta edição do Festival no ano de 2014 em conjunto com a realização da Copa do Mundo. Bom se será a quarta edição significa que teve uma terceira edição que se realizou no ano 2000 ou 2001. Foi um Festival irregular que contou com excelentes presenças como Beck e Qeens Stone Age mas algumas furadas que prefiro nem citar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Disco para Sempre II


Para iniciar a série retornamos ao ano de 1973, ano em que surgiu uma maravilha da nossa música: trata-se de Pérola Negra de um jovem chamado Luiz Melodia, por sua vez filho de um grande sambista chamado Osvaldo Melodia. Pérola Negra marca a estreia em disco do genial Negro Gato Luiz Melodia. Trata-se de um grande álbum (ainda que pequeno na minutagem, como era comum naquela época, apenas 28 minutos) e 10 maravilhosas músicas. Poucas vezes um nome foi tão fiel ao conteúdo. Todas grandes Pérolas.


Para se ter ideia da qualidade deste disco das 10 músicas, 05 se tornaram rapidamente referência no repertório do cantor e compositor. São elas: "Estácio, Eu e Você", "Vale Quanto Pesa", "Estácio, Holy Estácio", "Pérola Negra" e "Magrelinha". O disco é tão especial que além das citadas acima temos ainda as maravilhosas Pra aquietar (que fica entre um samba-rock, meio regga, difícil de classificar mas adorável de se ouvir: "os novos velhos tempos de férias (...) machismo elegância paterna(...) a noite é a brincadeira do dia, o dia é a brincadeira do mar, e o mar é a brincadeira da vida " seguida sempre do refrão Praquietar) e Forró de Janeiro (que como indica o nome trata-se de um gostoso e safado xaxado de salão). Ou então Farrapo Humano (que balanço é esse!!!). Enfim um disco com 10 excelentes músicas.


Viva Pérola Negra, este disco é um luxo só nas letras e nas melodias, detalhe tal música já tinha sido sucesso no ano de 1972, na voz da Maravilhosa Gal que como sempre lançava os novos e bons compositores. Melodia voltaria ao disco em 1976 com outra obra prima Maracutaias Comtempôraneas. Mas isso é pra outro post.

Disco para Sempre

Aproveitando este período de férias, quando podemos saborear mais e mais a boa música para iniciar mais uma série especial. Desta vez não irei analisar ou mesmo resenhar um estlo musical, um período ou um artista. Optei por fazer diferente. Trata-se de uma Seção chamada Disco para Sempre. A idéia aqui é postar sempre disco que considero essenciais. Daquele tipo: "se for para ir a uma Ilha isolada estes iriam na bagagem". A idéia (sempre que possível) será apenas fazer uma pequena apresentação dos discos e nãp uma análise dos mesmos. A intenção é compartilhar afinal o que é bom deve ser dividido.

O Plano Nacional de Direitos Humanos, o jornalismo brasileiro e as eleições

Estamos a ver uma verdadeira celeuma, ou melhor, uma guerra contra o "monstro da censura". Senhoras e senhores não se enganem as eleições já começaram e a grande mídia ferozmente já tomou sua posição de guerra. A mesma mídia, que segundo um colaborador do site do Luís Nassif cometeu pelo menos 12 grandes (aqui são grandes mesmos) pataquadas durante o ano que se passou. A mesma mídia que se recusou através de seus órgãos representativos participar da democrática e cidadã Conferencia de Comunicação, a mesma imprensa que se chafurdou e bebeficou-se com os censores e a censura de outra época, esta mesma mídia vem agora golpear o Plano Nacional de Direitos Humanos discutido e debatido também de forma democrática e cidadão.
O que essa mídia quer é eleger aqueles que defendem seus interesses. No Jornal Nacional pelo menos tem-se o mérito de não esconder o jogo, as favas com as regras do bom jornalismo, as favas com o contraditório, as favas com parcimônia e o equilíbrio, lá o negócio é chumbo grosso mesmo. É atacar a todo custo o Plano Nacional de Direitos Humanos visto que este, como disse matéria do Jornal “é fruto de um Estado que é o maior violador destes mesmos direitos” ora tal afirmativa trata-se de truísmo. O que importa mesmo, para estes é o plano macula o direito – falta pouco para eles utilizarem tais palavras – sagrado e natural da propriedade privada, da família e da moral. Vê-se que no fundo eles ainda estão no começo dos anos 60 por isso mesmo tão familiarizzado pelo monstro da censura. E para se sentirem mais em casa além de torpedear tamanho abuso de um Plano que fala em negociação com movimentos sociais e ousa falar em regulação da atividade da mídia (regulação esta que existe nos EUA, Inglaterra, França, Itália, Alemanha...), a nova fixação desta mesma mídia são as crises militares, nos últimos 10 dias já foram pelo menos duas crises. O interessante é que tais crises não se sustentam e nem encontram ecos. A ironia maior de todo esse movimento é que segundo o Datafolha, o editor (e isto faz toda a diferença ele não é um ventríloquo a narrar notícias e sim o editor destas notícias) Willian Bonner é a personalidade que recebe da nossa população a segunda maior nota na escala de "confiabilidade" entre todos os brasileiros.
É por esas e por outras que o esperto Willian chama seus telespectadores de Hommer Simpson. O pior é que tal comparação encontra eco neste resultado. Faz todo sentido com o resultado desta pesquisa. É triste ou não é nossa sina. O Willian Bonner é tão confiável que no dia que o Le Monde, o principal Jornal da língua francesa, pela primeira vez em sua história escolhe uma personalidade para simbolizar o ano: Lula. Tal fato noticiado em todos os veículos de comunicação tornou-se uma não noticia no Jornal do Willian; isso mesmo o JN simplesmente ignorou tal notícia que não entrou na pauta do telejornal. Ora notícia é notícia e disso até eu que não sou jornalista sei. Tanto faz o que acho do LULA e quem lê o Blog sabe o quanto sou critico do governo Lula (critico a sua esquerda). O fato é que ser escolhido o homem do ano e os motivos para tal escolha em um respeitado Jornal referência em uma cultura como a francófona é notícia. Portanto não se preocupem com o monstro da censura pois ele tem um rosto simpático e confiável para os brasileiros.
Para finalizar nós os leitores como sempre censurados que somos pelo monstro da censura interna da grande mídia continuamos perdidos, pois até agora (sábado 09 de janeiro) não vi, ouvi ou li nenhuma matéria explicativa e expositiva sobre o Plano de Direitos Humanos. ouvi, li e vi somente a opinião da Confederação Nacional da Agricultura, do DEM, dos donos da mídia, etc. Espero que o jornalismo não se torne “o mais baixo da escala do trabalho", em homenagem a outro grande jornalista, editor e ancora do jornalismo brasileiro. Aqui a referência é propositalmente agressiva como foi o dito pelo jornalista, agressivo e preconceituoso, pois como ensinou Paulo Freire não importa a titulação que a pessoa possui, mas o que ela tem a oferecer a uma discussão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sobre Dalva e Herivelto Martins


Algumas palavras sobre à micro-série Dalva e Herivelto produzida e veiculada pela Rede Globo. Como é sabido no Brasil a memória social não é muito privilegiada e, neste caso a TV ocupa um espaço de formação dos mais importantes, ainda que não raras vezes este espaço seja muito mal utilizado. Tudo isso para dizer que como não poderia deixar de ser estamos diante do debate entre liberdade artística e verdade fatual. Debate inevitável, quando se trata de uma obra com base em biografia, ou como gostam de dizer os cineastas norte-americanos, baseados em fatos reais. Deste modo, como gosta de dizer lá no Peramblogando meu amigo Daniel, vamos esclarecer algumas liberdades poéticas de Maria Adelaide Amaral e sua equipe. Para tanto nos basearemos no respeitado e importante Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira (que é uma obra de reconhecimento acadêmico).

Desnecessário dizer que como toda grande obra da Venus Platinada no que se refere aos quesitos técnicos como maquiagem, figurino, reconstrução de época a série foi show. No que se refere à atuação em si dos atores, penso que qualquer coisa que diga, não ajudará muito, pois esta não é a minha praia. Particularmente não gosto de Adriana Esteves e ela acabou por me surpreender. Apesar de em geral, ter achado que mais uma vez ela confunde atuação com caras, bocas e trejeitos e não estar a altura de tamanha persona que era Dalva, em vários momentos ela conseguiu dar a dignidade necessária a personagem e seu grande drama de Sr uma mulher que “amou demais’ como diz a própria personagem no leito de morte. Mas para mim o grande destaque acabou sendo o chamado elenco de apoio, este sim brilhou sendo que por incrível que se pareça em uma série focada em dois personagens principais os melhores momentos foram protagonizados pelo elenco de apoio, com destaque para Fafi Siqueira (tai alguém que realmente poderia representar Derci Gonçalves) ou pelos atores (não sei os nomes que viveram Nilo Chagas (este contido como caberia ao seu personagem) e Grande Otelo sendo este praticamente uma consciência crítica da época. Ou então a personagem Margo vivida pela ótima atriz Leona Cavalli, entre outros. Quanto a Fábio Assunção fez o dever de casa. Passemos então análise do roteiro em si. Comecemos pela própria Dalva de Oliveira, segundo Cravo Albin e sua equipe:

“Filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo. Além dela, os pais tiveram mais três meninas, Nair, Margarida e Lila e um menino que nasceu com problemas de saúde e morreu ainda criança. Seu pai, que era conhecido na cidade pelo apelido de Mário Carioca, era marceneiro e músico nas horas vagas, tocava clarinete e costumava realizar serenatas com seus amigos músicos, chegando a organizar um conjunto para tocar em festas. A pequena Vicentina gostava de acompanhá-lo nessas serenatas. Viviam de forma bastante modesta e quando ela tinha apenas oito anos, sofreram um duro golpe familiar: Mário faleceu, deixando a esposa com quatro filhos para criar. Dona Alice resolveu, então, tentar a vida na capital paulista, onde arrumou emprego de governanta. Conseguiu vaga para as três filhas em um internato de irmãs de caridade, o Internato Tamandaré, onde Vicentina chegou a ter aulas de piano, órgão e canto. A menina ficou lá por três anos, até ser obrigada a sair, devido uma séria infecção nos olhos. Nessa ocasião, a mãe perdeu o emprego, pois os patrões não aceitaram a presença da menina. Dona Alice conseguiu emprego de copeira em um hotel e Vicentina passou a ajudá-la. Trabalhou então como arrumadeira, como babá e ajudante de cozinha em restaurantes. Depois, conseguiu um emprego de faxineira em uma escola de dança onde havia um piano.”

Assim sendo, Dalva de Oliveira como a série deixou entrever várias vezes teve uma origem bem pobre e simples. Ocorre também que Dalva era filha de uma migrante portuguesa pobre e de um pardo também pobre. Dalva é fruto desta mistura dizem os textos da época se tratar de uma bela mulher que combinava uma cor morena com olhos verdes. Penso que a série acabou por embranquecer demais a realidade. Algo que se tornou mais gritante na escolha do elenco para sua família. Isso porque Peri Ribeiro (cantor e dos bons) filho da cantora e de Herivelto não se trata de alguém fenotipicamente branco.

Sobre seu casamento vamos pouco falar visto se tratar do centro da trama e neste ponto buscou-se ser mais fiel. No entanto é necessário novamente chamar a atenção para algumas liberdades poéticas, ao que se sabe Dalva nunca teve relacionamento com um mexicano ou caribenho e sim um relacionamento que acabou sendo seu segundo casamento com o empresário argentino Tito Clement com que ela viveria por volta de 13 anos, entre 1950 e 1963. Depois de separar de Tito já mais próxima ao fim da vida como retratado na série teve um caso com um rapaz bastante jovem. Mas aqui ressalto e acho mérito de Maria Adelaide Amaral (diga se de passagem romancista das melhores além de uma excelente roteirista) mostrar como naquela época a mulher ainda apresentava uma fragilidade, que, diga-se de passagem (fazendo sociologia rasa e vulgar), era sociológica, no sentido de que a mulher era aquela que devia subserviência total ao marido. E no caso de Dalva tão relação torna-se emblemática pois ao mesmo tempo que busca recusar tal relação, Dalva necessitava quase que ontologicamente, digamos assim de um homem que lhe mostrasse o seu devido lugar de mulher (lugar este pré-determinado socialmente).

Do ponto de vista de sua carreira aqui temos um paradoxo, pois apesar da série apresentar vários números musicais, de novo, diga-se de passagem, de enorme bom gosto e acuidade técnica (isso serve para mostrar que podemos realizar por aqui grandes musicais), considero que esta parte a série ficou devendo ao enorme talento (reconhecer o talento de alguém não significa necessariamente ser um grande fã do estilo) de Dalva. Penso que a série ao focar a relação matrimonial-profissional acabou por denegar a carreira de Dalva no pós casamento. Assim para quem assistiu a série, - e toda essa crítica se refere ao incomodo que senti com tal atitude, - ficou parecendo que após o fim do seu casamento a carreira de Dalva fora uma grande decadência. Algo bastante doloroso, com a antiga Estrela Dalva, cantando em churrascarias e circos. Ora aqui temos dois problemas: o primeiro diz respeito a própria dinâmica das brigas entre Dalva e seu ex-esposo, o grande compositor Herivelto Martins. Herivelto nunca escondeu (como bem demonstrou a série) que sem ele Dalva definharia. E da forma que a série caminhou poder-se-ia concordar com ele pois ambos teriam definhado após a separação. Portanto a ausência da carreira da cantora após o casamento, como que confirma esta teoria do marido ressentido. E o segundo é um problema de ordem fatual.

Ao que consta a carreira de Dalva após a separação foi bastante prodigiosa. Lembremos que ela se separa de Herivelto entre 1947 e 1949 vindo a falecer somente em 1972. Voltemos a Cravo Albin para percebemos o quão vitoriosa foi a carreira da estrela após o fim de seu casamento (portanto reproduzirei somente o texto referente a esta época, deixando de lado seus sucessos da época que vivia com Herivelto) que entre outras coisas chegou ser eleita em um ano a Rainha do Rádio, além de grandes sucessos e ter se tornado uma cantora internacional. Pois somente de relance a micro série falou do fato de Dalva ter cantado nos festejos de coroação da Rainha Elizabeth II, mas foi mais do que isso Dalva gravou um disco na Inglaterra que é considerado por muitos como um prenuncio da invasão da MPB pelo mundo, o que ocorreria na geração seguinte a bossanovista. Dalva além disso também teve uma bela carreira na região platina. Tendo morado inclusive durante cerca de 6 anos na Argentina, na verdade morava meio ano lá e meio ano aqui, o que lhe tornou uma referência quando se fala de boleros e tangos.
Segundo Cravo Albin (reproduzo abaixo) ao contrário do que fez crer a série Dalva continuou gravando e muito, tendo gravado aliás grandes sucessos, por exemplo, Lencinho Branco ou o disco Praça Onze sucesso do ano de 1965. Efetivamente a artista não era mais a mesma, mas poderá o estilo de música, de cantar e mesmod e se viver de sua época a velha Bossa tinha se ido, mas longe de ser um fracasso Dalva continuava a gravar a seu modo e ser referenciada pela Nova Bossa, aliás, Tom Jobim iniciou sua carreira de musico tocando e arranjando para Dalva que também o gravou como gravou o jovem Chico Buarque. Por fim praticamente um ano antes de morrer voltou às multidões ao gravar de defender a belíssima Bandeira Branca.

"Uma das grandes estrelas dos anos 1940, 1950 e 1960, sendo considerada uma das mais importantes cantoras do Brasil. Dona de uma poderosa voz, cuja extensão ia do contralto ao soprano, marcou época como intérprete. (...)o samba "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins não estourasse, ele se demitiria. O samba, de fato, foi um grande sucesso na voz dela, inaugurando uma duradoura batalha musical com Herivelto Martins, com os dois usando a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento. Nessa polêmica musical destacaram-se, ainda o bolero "Que será", de Marino Pinto e Mário Rossi e o samba "Errei sim", de Ataulfo Alves, ambas gravadas em 1950 e que se constituiram em grandes sucessos. Ainda nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Ave Maria", de Vicente Paiva e Jaime Redondo, com acompanhamento de Osvaldo Borba e sua orquestra. Ainda na década de 1950 atuou nos filmes "Maria da praia", de Paulo Wanderley; "Milagre de amor" e "Tudo azul", ambos de Moacir Fenelon.
Em 1951, novamente com acompanhamento da orquestra de Osvaldo Borba, gravou os sambas "Rio de Janeiro", de Ary Barroso e "Calúnia", de Marino Pinto e Paulo Soledade. Nesse ano, fez sucesso com a marcha "Zum-zum", de Paulo Soledade e Fernando Lobo e com o samba "Palhaço", de Osvaldo Martins, Washington e Nelson Cavaquinho, que aparece no selo do disco apenas como Nelson. Nessa época, fez várias excursões ao exterior, apresentando-se no Uruguai, Argentina, Chile e na Inglaterra. Em Londres, cantou na festa de coroação da Rainha Elizabeth II, no Hotel Savoy, acompanhada pelo maestro Robert Inglis. No ano seguinte, esse repertório foi gravado em Londres, nos estúdios da Parlophone, com o maestro Inglis e sua orquestra. O nome de Inglis foi aportuguesado para Inglês, a fim de facilitar sua comercialização no Brasil. No elepê, eles recriaram clássicos brasileiros como: "Tico-tico no fubá", "Aquarela do Brasil", "Bem-te-vi atrevido" e "Na Baixa do Sapateiro", além de vários outros sucessos.Em 1952, fez sucesso com a marcha "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e gravou também o samba "Vai na paz de Deus", de Ataulfo Alves e Antônio Domingues e a marcha-rancho "Mulher", e Marino Pinto e Paulo Soledade. Ainda nesse ano, lançou novos sucessos, "Kalu", um baião de Humberto Teixeira e "Fim de comédia", samba de Ataulfo Alves e foi eleita Rainha do Rádio, além de excursionar pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. Foi nessa ocasião que conheceu o empresário Tito Clemente, seu futuro marido. Em 1955, gravou sem muito sucesso os sambas-canção "Eterna saudade", de Genival Melo e Luiz Dantas e "Não pode ser", de Marino Pinto e Mário Rossi; o tango "Fumando espero", de Villadomat e Garson, com versão de Eugênio Paes; a valsa "Quinze primaveras", de Solovera e Ghiaroni; a marcha "Carnaval, carnaval", de Kléscius Caldas e Armando Cavalcânti e o samba "Foi bom", de Marino Pinto e Haroldo Lobo.
No ano seguinte, lançou os sambas-canção "Teu castigo", dos ainda iniciantes Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça e "Neste mesmo lugar", da já então consagrada dupla Kléscius Caldas e Armando Cavalcanti. Nesse mesmo ano, gravou os tangos "Lencinho querido", de Filiberto, Peña Losa e Maugéri Neto e "Confesion", de Discepolo e Amadori, com versão de Lourival Faissal, reforçando sua imagem de cantora de músicas românticas, especialmente o tango, gênero em que se saiu excepcionalmente bem. Em 1957, gravou com acompanhamento de Léo Perachi e sua orquestra o bolero "Nada", de Marino Pinto e David Raw e o samba-canção "Prece de amor", de René Bittencourt. Nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Há um deus", de Lupicínio Rodrigues com orquestração e piano de Antônio Carlos Jobim e acompanhamento de sua orquestra. Gravou na mesma época o samba "Eu errei, confesso", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti que de certa forma retomava as querelas de sua separação de Herivelto Martins. Do então marido Tito Clement gravou o samba-canção "Intriga", parceria com o sambista Sinval Silva e a toada "Sonho de pobre".
Em 1958, gravou do filho Pery Ribeiro o samba-canção "Não devo insistir", parceria com Dora Lopes. Nesse ano, lançou o LP "Dalva de Oliveira", no qual interpretou músicas de dos mais diferenciados compositores, incluindo "Copacabana beach", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti; "Não tem mais fim", de Hervê Cordovil e Renné Cordovil; "Folha caída", de Humberto Teixeira; "Intriga", de Sinval Silva e Tito Clement e "Testamento", de Dias da Cruz e Cyro Monteiro. No ano seguinte, gravou dois discos destinados às festividades do Dia das mães, as valsas "Minha mãe, minha estrela", de Rubem Gomes e Luiz Dantas e em dueto com Anísio Silva, "Amor de mãe", de Raul Sampaio e "Minha mãe", de Lindolfo Gaya sobre poema de Casemiro de Abreu. Gravou no mesmo ano a canção "Velhos tempos", do iniciante compositor Carlinhos Lyra, parceria com Marino Pinto. Lançou também o LP "Dalva de Oliveira canta boleros", com canções como "Lembra", de Tito Clement; "Sábias palavras", de Mário Rossi e Marino Pinto; "Vida da minha vida", de Antônio Almeida e "Finalmente", de Marino Pinto e Jota Pereira.
Em seguida, gravou as músicas "Quando ele passa", Oswaldo Teixeira, "Enquanto eu souber", de Esdras Silva e Ribamar; "Dorme", de Ricardo Galeno e Pernambuco e "Meu Rio", de Tito Clement, entre outras, incluídas no LP "Em tudo você", lançado pela Odeon em 1960. No ano seguinte, lançou outro LP apenas com tangos, entre os quais, "El dia em que me quieras", de Ghiaroni, Le Pera e Carlos Gardel e "Fumando espero", de Eugênio Paes, Garzô e Villadomat. Lançou também outro LP, com apenas seu nome como título, e que incluiu seus grandes sucessos "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins, "Segredo", de Marino Pinto e Herivelto Martins, "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Que será", de Mário Rossi e Marino Pinto.
Em 1962, gravou os boleros "Nem Deus, nem ninguém", de Roberto Faissal e "Sabor a mim", de Alvaro Carrillo e versão de Nazareno de Brito. Também nesse ano, gravou no pequeno selo Orion os sambas-canção "Arco-íris", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Amor próprio", de Marino Pinto e Carlos Washington. Gravou também o LP "O encantamento do bolero" do qual fazem parte "Minha oração", uma versão de Cauby de Brito; "Nem Deus nem ninguém", de Roberto Faissal; "Tu me acstumaste", de F. Domingues e "E a vida continua", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Em meados dos anos 1950, fixou residência em Buenos Aires, só retornando em 1963, mas onde gravaria, com sucesso, alguns tangos, logo editados no Brasil, entre os quais "Lencinho Branco", que foi muitíssimo executado, sendo um campeão de venda de discos. A cantora vinha sempre ao Rio de Janeiro, para temporadas artísticas em rádios e teatros. No ano de seu regresso ao Brasil, lançou o LP "Tangos volume II", e que trazia tangos como "Estou enamorada", de José Marquez e Oscar Zito, com versão de Romeu Nunes e "Vida minha", com versão de Cauby Peixoto.

Em 1965, lançou o LP "Rancho da Praça Onze", cuja música título, de Chico Anysio e João Roberto Kelly foi um dos destaques do ano. No mesmo disco estavam "Hino ao amor", versão da música de Edith Piaf; "Junto de mim", de Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu, "Fracasso", de Fernando César e Nazareno de Brito e "Ser carioca", de Fernando César. Dois nos depois lançou o LP "A cantora do Brasil"que marcou seu retorno ao disco após o afastamento provocado pelo acidente. Nesse disco, gravou a marcha "Máscara negra", de Pereira Matos e Zé Kéti, um dos maiores sucessos de sua carreira e que foi uma das mais executadas no carnaval daquele ano, tendo conquistado o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval criado naquele ano pelo MIS do Rio. (...)Lançou em 1970 aquele que acabaria sendo seu último LP e cuja música título, de autoria de Laércio Alves e Max Nunes, constituiu-se em enorme sucesso, "Bandeira branca", um marco em sua carreira.”

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A década se foi II

Alguns posts abaixo, elaborei com base na memória uma lista de fatos marcantes na última década. Lembro que afirmei sobre meus problemas de memória que acabariam me traindo. De todo modo, o Daniel do ótimo Peramblogando em seu comentário deixou a lista de discos dele da década. Sem dúvida ótimas pedidas, visto que o cara, alémd e umgrande ouvinte de música também é um especialista no assunto.


Portanto procederei da seguinte forma. Abaixo reproduzo a lista dele com os comentários sucintos a respeito dos discos. Depois reproduzo novamente a minha lista, para no fim acrescer algumas das sugestões do Daniel que haviam me fugido da memória e um outro disco muito bom que esqueci não sei como de colocar na lista.


"This Is It" - Strokes - Disco de rock competente.

"Back to Black" - Amy Winehouse - Grande intérprete, grandes músicas, grande disco.

"Cordel do Fogo Encantado" - Cordel do Fogo Encantado - Instigante e Inovador.

"Sujeito Homem 2" - Rappin Hood - Puta disco de rap.

"White Blood Cells" - The White Stripes - Mostrou o que uma guitarra e uma bateria podem fazer".

Audioslave" - Audioslave - Somam-se o talento de Cornell e os ex-Rage Against.

"Plastic Fang" - Jons Spencer Blues Explosion - Quando o blues realmente explode!

"Songs for the Deaf" - Queens of the Stone Age - Disco de rock competente e diferenciado.

"Get Born" - Jet - Disco de rock competente e simples.

"On and On" - Jack Johnson - Pra ouvir na praia, na chuva, na fazenda...

"Catching Tales" - Jamie Cullum - O jazz de tênis e calça jeans

"Futura" - Nação Zumbi - O derradeiro regresso do mangue beat

"Móveis Coloniais de Acaju" - Móveis Coloniais de Acaju - Inovador e divertido

"Live at the Apollo" - Ben Harper - O cara canta muito. Esse disco no Apollo é antológico.

"Franz Ferdinand" - Franz Ferdinand - O rock pode ser divertido.

"A Rush Of Blood To The Head" - Coldplay - Disco de rock sério e competente.

"Homem-Espuma" - Mombojó - Inovador

"Monkey Business" - Black Eyed Peas - Músicas pra tocar no rádio e nisso Will.I.Am e cia são perfeitos

"Encanteria" - Maria Bethânia - Lindo.

"Essa Boneca tem Manual" - Vanessa da Mata - Extremamente divertido.

"Iê Iê Iê" - Arnaldo Antunes - Disco de rock competente e ousado ao revisitar o iê Iê iê

"Tribalistas" - Tribalistas - Bela junção de Marisa, Carlinhos e Arnaldo. Pena que tocou demais... cansou. Mas é um ótimo disco.

"Them Crooked Vultures" - Them Crooked Vultures - Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters) + Josh Homme (Queens of the Stone Age) + John Paul Jones (Led Zeppelin) = Rock de primeira linha.

"Contraband" - Velvet Revolver - Mesma linha do Audioslave. Scott Weiland (Stone Temple Pilots) + Ex-Guns"

Acústico MTV" - Paulinho da Viola - O samba em estado de arte

"Acústico MTV" - Zeca Pagodinho - O pagode em estado puro

"Radiola" - Skank - Disco de pop-rock competente e atual

"MTV ao Vivo" - Planet Hemp - Foda. Sem mais...

"A Procura da Batida Perfeita" - Marcelo D2 - Se não encontrou a batida perfeita, chegou perto

"Samba Esporte Fino" - Seu Jorge - Junto com o Nogueira, um dos grandes responsáveis pelo resgate do samba.

"Monobloco" - Monobloco - Toda a aura dos carnavais de blocos

"Vagabundo" - Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede - Os opostos realmente se atraem


Alguns podem nunca figurar entre listas de melhores, mas sem dúvida, cada qual ao seu modo, trouxeram oxigênio pra música de maneira geral.


Minha lista:

Discos
- Vou começar com dois discos da década anterior, mas como foram lançados em 1999, boa parte destes discos foram sucessos em 2000 e 2001.
Californication do Red Hot Chilli Pepers e
There's Nothing Left to Lose do Foo Fighters
- Qualque um da Cássia Eller lançado nesta década e, olha que estão abaixo, dos discos dela da década de 90. Destaque para Acustico MTV de 2001 e 10 de Dezembro de 2002, ainda não ouvi o disco que é resultado da grvação ao vivo do show no Rock in Rio, de 2006 mas como vi aquela apresentação, o disco deve ser ótimo.
- Maria Bethania. PAUSA. Da minha paixão por Bethania é publica e sabida aqui no Blog. Mas como disse Nelson Motta, será ela uma ENTIDADE, Maria Bethania não tem altos e baixos em cerca de 45 anos de carreira só teve altos. Cada disco é um acontecimento. Portanto Ave Maria Bethania que nessa década nos brindou com 03 obras fantásticas. Brasileirinho de 2005, disco que inaugurou o selo da autora. Sobre este disco só posso dizer. Obrigado. Santeria de 2009, belissímo. Maricotinha lindíssimo e olha que deixei de fora Mar de Sophia, Ao Vivo com Omara Portuondo entre outras obras impares.
- Sandra de Sá e seu wonderful MPB, Música Preta Brasileira. Eta disco maravilhoso, ao mesmo tempo dançante e emocionante. Como a boa tradição Soul, este disco apesar de ser para dançamos, a dança aqui é libertadora, por isso também é um disco para se emocionar, como alías se emociona sempre Sandra em algumas canções (chega as lagrimas).
- Joss Stone, todos. Se bem que gosto demais do primeiro disco, The Soul Sessions de 2003 da maior cantora negra-branca, ou seria, da maior cantora branca-negra do mundo. Os criticos adoram seu terceiro disco, Introducing Joss Stone 2007, que também é o favorito da própria cantora. Acho belo como os demais da cantora mas fico com o primeiro. Uma grande obra.
- Gilberto Gil Viva São João (2001), simplesmesnte lindo e emocionante. Principalmente para quem tem algumas raízes no sertão.
-Marienne de Castro e seu maravilhoso disco de estréia Abre Caminho. Taí uma grande sambista e grande cantora. Para saber mais veja aqui no próprio Blog uma pesudo-critica (já que não sou especialista) bastante grande da cantora e deste disco.
Elza Soares
Do Cóccix Até O Pescoço (2002) falar o que desta mulher, que foi considerada pelo BBC de Londres como uma das vozes do século passado. Neste disco entre outras coisas ela faz uma versão definitiva de Haiti entre outros eptardos em sua voz unica.
- Dona Jandira e seus disco de 2007 com mesmo nome. Falar o que sobre essa voz espetacular. Fico com o sambista Dudu Nicácio é a nossa Janis Joplin. D. Jandira uma mulher negra de 71 anos e que gravou pela primeira vez com 69 anos, consegue canbtar samba com verve de blues e blues com o balanceio do samba. Desde Elza Soares não via tamanha voz.
Aline Calixto, essa mineira premiada e super respeitada no meio do samba, seu primeiro disco, Aline Calixto de 2009 é um belo exemplo de que o samba (tal como prova Marienne de Castro) continua a ser o grande ritmo brasileiro.
- Los Hermanos e Seu Bloco do Eu Sozinho (senão me engano de 20010 foi a prova de que o pop-rock comercial teve alguns poucos momentos de lucidez e bom gosto. Este é um discasso. Que em certos momentos me lembrou os melhores momentos de Cazuza e Renato Russo.
- N.U.C e sua Resistência (2004), com esse disco os Negros da Unidade Consciente do Alto Vera Cruz mostrou que o Hip-Hop combina perfeitamente com bom gosto. Neste disco temos o melhor que o hip-hop brasileiro produziu, ou seja, uma música de protesto, de denuncia social, de análise político-social mas ao mesmo tempo com pitadas da cultura negra genuinamente brasileira. Assim neste disco o hip-hop é também cantiga de Roda com a participação das Maravilhosas Meninas de Sinhá (um grupo de senhoras moradoras do Alto vera Cruz/Taquaril). "No Alto Vera Cruz tem um Furacão que estremece o chão, que estremece o chão!!!!"
- Renegado e seu grande disco Do Oiapoque a Nova York, este disco do antigo vocalista do N.U.C Flávio Renegado é uma bela biografia do músico, de sua vida e de sua arte, no entanto, mais do que um relato pessoal, sua história mimetiza a história de milhares de outros jovens, pobres, pretos, da periferia, filho de mães solteiras e etc. é isso ai, para n´so que conhecemos a galera do Alto Vera Cruz/Taquaril o Flávio chegou lá da rua Oiapoque até fazer show em Nova York, com direito a escalas em Cuba, mas acima de tudo e, por isso mesmo, um grande artista acima de tudo o filho da D. Regina do Morro do Taquaril.
- Menção Honrosas para Diogo Nogueira Tô Fazendo a Minha Parte (2009), Adriana Calcanhoto Adriana PartiPam (2004) como é bom ser criança inteligente, não fica devendo nada aos maravilhosos discos infantis de Toquinho, Vinicius, Chico Buarque e Raul Seixas. Beth Carvalho e seus Beth Carvalho - 40 ANos de Carreira - Ao Vivo no Theatro Municipal Vol 1 e 2. (2006) e Beth Carvalho canta o Samba da Bahia (2008).


Volto eu acrescendo a lista acima algumas das sugestões do Daniel e um grande disco que havia esquecido:

"Back to Black" - Amy Winehouse - Grande intérprete, grandes músicas, grande disco. Concordo em grau, genero e número. Eta lapso da memória...

"Cordel do Fogo Encantado" - Cordel do Fogo Encantado - Instigante e Inovador. Idem. Cordel sempre é muito bom, ainda que este disco em si não me lembro de ter ouvido. Vou correr atrás.

"Plastic Fang" - Jons Spencer Blues Explosion - Quando o blues realmente explode! Opa excelente pedido.

"Live at the Apollo" - Ben Harper - O cara canta muito. Esse disco no Apollo é antológico. Taí outro esquecimento imperdoavel.

"Encanteria" - Maria Bethânia - Lindo. Este estava na minha lista. Só para reforçar é Ela!!!!

"Acústico MTV" - Paulinho da Viola - O samba em estado de arte"

Acústico MTV" - Zeca Pagodinho - O pagode em estado puro. Pensei em colocar ambos na minha lista inicial. Na verdade declinei um pouco por ser um projeto que acho que se perdeu e talvez sei lá pq...mas já que esta na lista do Daniel vem para cá também.

"MTV ao Vivo" - Planet Hemp - Foda. Sem mais... Não conheço. Mas é Planet. Sou muito, muito fã do Planet. Imagino que seja as grandes músicas no palco. Não conheço vou correr atrás mas esta aqui pois a reunição de Black ALien, D2, B'Negão...se for esta a turma é antólogica.

Hypnotic Brass Esemble com dois grandes discos. O meu preferido Ao Vivo Higthline Ballroom NYC 10/29/2007. Hipnótico e maravilhoso. A onde o Jazz se encontra com Hip-hop. Disco maravilhoso na linha do melhor Jazz, Blues e R&B. E um outro disco de 2005 o Hypnotc Green. Disco de estúdio. Aliás as capas valem muito.
TV
Deixei também de falr no quesito televisão sobre uma oujtra série noete-americana estupenda, Californication. Maravilha. Porrada, Sexo, Sexo, Rock, Dorgas, drogas, sexo,sex,sexo e um texto maravilhoso, aliás o personagem principal é um escritor.
Onde mais Você pode ouvir a frase: " O Sr. comeu minha mãe." "Eu gosto de choraar depois de gozar". "Meu Pau sem teto precisa buscar um abrigo, não importa qual abrigo feminino" e tudo isso sem ser grosseiro e vulgar muito ao contrário.