terça-feira, 16 de junho de 2009

SITUAÇÃO ATUAL SOBRE OS DIREITOS QUILOMBOLAS

Nota da Coordenação Nacional de Articulaçõ das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.

SITUAÇÃO ATUAL SOBRE OS DIREITOS QUILOMBOLAS
Na história do Brasil, as Comunidades Quilombolas são e sempre foram exemplo de organização social, assim como as comunidades negras em toda diáspora africana. Como evidência dessa importante forma de organização, estimamos existir atualmente cerca de 5.000 comunidades quilombolas em todo território nacional, com histórias que vão desde pouco menos de 100 anos de formação a séculos de existência.

Hoje, essas milhares de comunidades vêm formando grande rede de articulação em vários níveis: organizações locais, municipais, regionais, estaduais e nacional, essa última representada pela CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), hoje com presença em quase todas as Unidades da Federação.

Essa crescente mobilização das Comunidades Quilombolas tem trazido importantes resultados na construção de uma política de Estado que reconheça os direitos desse grupo, que vai desde a criação do Artigo 68 do ADCT (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) e outras citações contidas na Constituição Federal de 1988, passando por decretos, portarias, instruções normativas, tratados internacionais e legislações editadas pelos governos estaduais.
Dessas conquistas, vale destacar o decreto 4.887, assinado pelo Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, em 20 de novembro de 2003, regulamentando os procedimentos técnicos e administrativos para o reconhecimento, demarcação, delimitação e titulação dos territórios quilombolas, que traz o critério de auto-reconhecimento, como elemento básico para o início do processo de regularização. Ele traz outros avanços no que diz respeito à regularização fundiária e ainda cria o Programa Brasil Quilombola, que destina recurso de vários órgãos do Governo Federal para o desenvolvimento social e econômico das comunidades.

A partir da criação do decreto, o número oficial de comunidades identificadas no país passou de 743 para mais de 3.000, o que gerou grande preocupação no setor fundiário, seguida de forte estratégia na tentativa de anulação dos direitos quilombolas, puxada pela bancada ruralista, empresas do agronegócio e grupos de comunicação.

Além da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3239/04), de autoria dos Democratas, ex-PFL (Partido da Frente Liberal), em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal), que contesta a constitucionalidade do decreto 4887/03, existem atualmente os seguintes projetos no Congresso Nacional:

PDC 44/07 de autoria do Deputado Federal Valdir Colatto (PMDB-SC) que pede a anulação do decreto 4887;
PL 3654/08 de autoria do mesmo deputado, que ‘regulamenta’ o artigo 68 do ADCT, segundo os interesses da bancada ruralista;
PEC 190/00 de autoria do Senador Lúcio Alcântara (PSDB/CE), que exclui o Artigo 68 e insere novo item (no Capítulo VIII, Título VIII, seria o artigo 232-A), que apresenta outra redação para o texto do Artigo 68, com o problema de sugerir tratar-se de indivíduos e não coletividades e de indicar que a titulação deverá ser feita ”na forma da lei”, sem dizer qual seria essa lei.
PL 6264/05, aprova o Estatuto da Igualdade Racial, havendo uma forte pressão para a retirada do texto que trata dos territórios quilombolas de dentro do Estatuto.

A situação acima apresentada demonstra o quanto as comunidades quilombolas têm incomodado os grileiros e latifundiários em todo país. Para piorar, além desses procedimentos jurídicos e legislativos, acontece atualmente, em todo país, uma série de ações de violência contra famílias quilombolas, negação da identidade étnica do grupo, pedido de reintegração de posse por parte de fazendeiros e criminalização do movimento social quilombola.

Importantes grupos de comunicação fazem uso da concessão pública para se colocarem a serviço dos ruralistas. Órgãos do Estado Brasileiro também tem atuado em favor desses grupos (Polícias Militar, Civil e Federal, órgãos ambientais, etc) e o próprio judiciário, em alguns casos.
ESTRATÉGIA DE DEFESA DOS DIREITOS QUILOMBOLAS
Do ponto de vista político, jurídico e administrativo
A CONAQ tem atuado em várias frentes a fim de reverter esse quadro crítico de direitos ameaçados. Um grupo de organizações sociais de defesa dos direitos humanos tem dialogado diariamente entre si e com o movimento quilombola. Das ações já desenvolvidas, destacam-se:

Diálogo com a 6ª Câmara do Ministério Público Federal (Índios e Minorias), para tratar das estratégias de defesa dos direitos quilombolas;
Diálogo com a assessoria da Senadora Marina Silva para a articulação de um grupo de parlamentares que apóiem a causa quilombola;
Diálogo com o Ministro Edson Santos da SEPPIR, Deputado Federal Carlos Santana – PT/RJ (Presidente da Comissão Especial para análise do Estatuto da Igualdade Racial) e Deputado Federal Antônio Roberto – PV/MG (Relator do Estatuto da Igualdade Racial), para tratar do Estatuto da Igualdade Racial;
Diálogo com Dr. Pedro Abramovay, secretário de assuntos legislativos do Ministério da Justiça, Ministro da Justiça Tarso Genro e Advogado Geral da União Ministro Toffoli, todos para tratar da ADI 3239;
Em curso, elaboração de memorial, com informações para subsidiar o STF na votação da ADI 3239;
Pedido de Audiência Pública ao STF;
Pedido de Audiência com os Ministros do STF para tratar da ADI, sendo que até agora fomos recebidos por Menezes Direito, Carlos Ayres Brito, Ricardo Lewandowsky e Carmem Lúcia Antunes Rocha;
Pressão sob o INCRA, para consolidação de alguns processos de regularização que estejam em estágios mais avançados, como forma de fortalecimento do decreto.
Do ponto de vista da sensibilização da opinião pública
Escrevemos o Manifesto pela Defesa dos Direitos Quilombolas, petição colocada na internet, para colher assinaturas das pessoas sensibilizadas com a questão. Já passamos de 2000 assinaturas. Está sendo utilizada o sitio www.conaq.org.br, página da CONAQ na Internet, pra dar visibilidade às ações que acontecem.

Foi aberto diálogo com um grupo de artistas negros para o desenvolvimento de uma campanha, envolvendo também artistas não negros sensíveis à causa quilombola. Essa campanha incluirá falas públicas dos artistas dizendo que apóiam a causa quilombola; ida dos artistas ao STF, Congresso Nacional e outros espaços estratégicos; e realização de shows desses artistas em apoio aos direitos quilombolas, em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A CONAQ tem feito diálogo também com movimentos do campo e movimentos ambientalistas. Assim, participou do lançamento da Aliança Camponesa e Ambientalista em Defesa da Reforma Agrária e do Meio Ambiente, no Senado Federal, em 10 de março de 2009. Participou da I Semana pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, em debate sobre a Criminalização das Lutas Populares dos Povos do Campo. E participou da Vigília em Defesa da Amazônia, no Senado Federal, dia 13 de maio de 2009.

A participação da CONAQ na Conferência de Revisão de Durban, realizado em Genebra – Suiça, entre os dias 20 e 24 de abril do corrente, foi fruto de muita disputa entre atores interessados em compor a delegação brasileira. Ela foi importantíssima para a divulgação da questão quilombola em âmbito internacional, resultando na Carta de Genebra em Defesa dos Direitos Quilombolas (disponível no site da CONAQ). Também valeu para se abrir um diálogo na França, com vistas à construção de campanha internacional em defesa dos direitos quilombolas.

Em diálogo com a AMAR, organização não-governamental francesa, ficou estabelecido que: serão recolhidas assinaturas na França para apresentar ao Estado brasileiro; a CONAQ fica convidada à participar da Semana da Solidariedade no mês de novembro na França; e a Organização Povos Solidários promoverá uma Campanha na Europa em defesa dos direitos quilombolas no Brasil.

Estamos propondo às organizações representativas do movimento quilombola nas esferas estaduais e locais, que sejam realizados manifestos, audiências públicas nas Assembléias Legislativas, mobilização de atores políticos nos estados, etc, para que o movimento em defesa dos direitos quilombolas ganhe força nas também nas bases, não ficando restrito ao espaço de Brasília.

Estamos propondo a realização da Mobilização Nacional pela Defesa dos Direitos Quilombolas, em Brasília, durante a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial – II CONAPIR, entre os dias 25 e 28 de junho, com os quilombolas delegados da CONAPIR mais outros que conseguirem mobilizar ônibus dos estados para o ato, além dos movimentos parceiros.

Foi aberto diálogo com a direção nacional do Movimento Sem-Terra – MST, no sentido de tentar aproximar as lutas quilombola e da reforma agrária. Sugestão de acompanhamento, pelas entidades quilombolas estaduais, da ação política que o MST está organizando, dias 08 e 09 de junho, pela defesa do PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), com ocupação nos INCRAS dos Estados. Em negociação, apoio dos assentamentos do DF e entorno na mobilização nacional pela defesa dos direitos quilombolas.
Coordenação Executiva

domingo, 14 de junho de 2009

Iggy Pop, Green Day e esse tal de rock

Há algum tempo não escrevo por aqui sobre música. E que me lembre raramente escrevi sobre rock. Tal lacuna talvez se explique pelo fato de que há alguns anos não consigo gostar de nada que se define, ou é definido como rock. Sim, lógico, existem algumas raras exceções que, no geral, confirmam a regra. Mas a afirmação abaixo de Iggy Pop me instigou demais. Instigou porque em linhas gerais concordo com tudo que o Velho e Bom Iggy disse a uma revista freancesa:
“... fascina-me a eternidade dos clássicos. E, além disso, sempre gostei estar do lado dos outsiders. E nesse momento, que possibilidades tem um standard frente a um novo disco do U2 ou do Coldplay? O rock se tornou a pior forma musical da atualidade: a mais feia esteticamente, a mais corrompida, a mais cínica e a que acompanha os piores sentimentos!"

Chamo a atenção para a parte que grifei em negrito. Concordo com Iggy: o rock atual é a pior forma de corrupção musical, algo que esteticamente enjoa e cinicamente canalha para ser fruído com algum prazer...

Dito isso, vamos a uma das exceções. E uma bela exceção: Green Day. Sim a banda californiana, que nasceu pop-punk... aquela mesma que se orgulhava de nada representar, de não se posicionar politicamente...surpreendeu no ano de 2004, com uma punk-ópera: American Idiot. Pois bem, cinco anos após o lançamento e muitos elógios, o aclamado disco de 2004 agora foi adaptado e será um musical da Brodeway (engraçado, agora me dou conta que não sei escrever a palavra Broadway).

Assim se referiu ao disco o crítico Wladimyr Cruz, no longínquo ano de 2004:
"Ufa! Enfim, o disco realmente parece uma trilha sonora de algum filme/peça de teatro que nunca existiu, e se você for acompanhando as letras, verá como tudo é bem amarrado e forma realmente um disco conceitual. O Green Day passou dos limites, chegou ao ápice de sua criatividade, cara-de-pau e loucura musical, e o triste disso tudo é que provavelmente todo esse conteúdo não será assimilado pelos fãs da banda, que dirá pela massa. Tudo cabeça demais para a molecada engolir. É como se "American Idiot" fosse o "Load" do Metallica. Meu veredito? Porra, é Green Day, a maior banda punk dos anos 90, e talvez a maior promessa do rock no novo milênio."

Pois bem depois do American Idiot, no pós idiot-leader Bush o Green Day, volta à carga e cinco anos depois surge: “21st Century Breakdown”. “21st Century Breakdown” é, de certa forma, uma seqüência do bem-sucedido “American Idiot”. Uma ópera rock focada na história de dois personagens, Christian e Gloria, sendo o primeiro alguém extremamente auto-destrutivo, revoltado e o segundo, uma mulher cheia de ideais e esperanças.
Em entrevista a MTV norte-americana, que pode por um feliz acaso, acompanhar em uma destas madrugadas o grupo explicou que este trabalho é uma mistura de influências e por isso experimental: por exemplo, o trio montou no estúdio de gravação um quadro com uma grande gráfico em forma de pizza: cada fatia representava estilos musicais diferentes e de agrado do grupo. Indo desde o rockabilly passando pelo death metal, p.ex.. A idéia era combinar acordes dessas diferenças influências e com isso, acredito (já que não foi dito nesta entrevista) produzir um colapso digno do século XXI. A banda divide o álbum em 3 atos – Heroes and cons, Charlatans and Saints e Horseshoes and handgranades – num total de 18 faixas.

Em que a banda na faixa ‘Know your enemy’, do primeiro ato clama por uma revolução que combata o silêncio. Nada mais adequado nessa época de silêncios atordoantes e de barulhos desacossadores. O segundo ato se inicia com o petardo ‘East Jesus nowhere’ que toca em temas como o recrutamento para o genocídio, Deus e religião, sempre com peso. O disco segue com ‘Peacemaker’, citando a paz apenas com vingança. ‘Last of the american girls’ é pop e trata do desastre das garotas americanas. A faixa seguinte, ‘Murder city’, é gás puro e fala do desespero e falta de esperança. Na seqüência, falando de abandono e da vida nas ruas, é a vez de ‘¿Viva La Gloria? (Little Girl)’. Mais uma balada, agora com ‘Restless heart syndrome’, exclamando que você é seu maior inimigo, vítima do sistema, encerrando o segundo ato. Para finalizar como qualquer Manifesto o disco traz no terceiro ato e na última faixa ‘See the light’, um apelo a luta: saber de que vale a luta, pois no fim é possível ver a luz no fim do túnel.

Escute seis canções de "21st CB" no site oficial do grupo (greenday.com): BreakdownBefore, The Lobotomy, East Jesus Nowhere, Restless Heart Syndrome21, Guns, American Eulogy. Ou então http://www.21stcenturybreakdown.com.br/
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Para finalizar, a resenha da Rolling Stone do disco:

Como suceder ‘American Idiot’: Com um épico ainda maior e de três Atos.Green Day – 21st Century Breakdown ()Por Rob SheffieldDesde que o Green Day eram os moleques do punk dos anos 90 que ninguém esperava que fossem crescer, tudo o que eles fazem vira uma surpresa. E o que é mais bizarro: o fato de que eles soam tão ambiciosos e audaciosos em seu oitavo álbum ou o fato de eles terem é conseguido chegar no oitavo álbum? De qualquer maneira, os perdedores que detonaram nas rádios em 1994 gritando “I got no motivation,” com Billie Joe Armstrong largado no sofá da sua mãe – eles acabaram sendo os últimos a ficarem de pé, aqueles vivendo ainda pelos ideais de sua época e escrevendo as canções mais difíceis de sua carreira bem depois de terem passado o ponto de acabarem no programa de TV Sober House (programa da VH1 onde estrelas famosas entram para reabilitação). E eles o fizeram com uma maldita ópera-rock.American Idiot parecia ser o kamikaze da carreira da banda – um álbum conceitual sobre esperanças e sonhos americanos, com personagens chamados St. Jimmy e Jesus of Suburbia? Bela tentativa! Mas, o álbum não somente resgatou o Green Day do limbo onde se encontravam, mas recarregou as baterias musicais da banda. Com quase 6 milhões de cópias vendidas e ainda contando (*só nos EUA), American Idiot se tornou a espécie de blockbuster multi-platinado do rock que não deveria mais existir, pois o Green Day se transformou naquela banda que não tem mais como existir outra igual – lidando com paixões fulminantes, correndo o risco de darem com os burros n’água com tal argumento. Até mesmo as canções que não funcionaram ou as partes do roteiro que não faziam sentido apenas aumentavam a diversão, pois Armstrong, o baixista Mike Dirnt e o baterista Tre Cool se recusavam a diminuir o ritmo.21st Century Breakdown é ainda melhor, tão majestoso e confiante que faz com que American Idiot pareça apenas uma espécie de “aquecimento”. Estão de volta no modo ópera-rock, dividindo o álbum em três partes, “Heroes & Cons,” “Charlatans & Saints,” e “Horseshoes & Hand Grenades.” Mas, desta vez não existem viagens de cerca de nove minutos – apenas duas das 18 faixas do álbum chegam na marca de cinco minutos – e o Green Day focou suas idéias em suas canções mais difíceis e afiadas até hoje. Armstrong traz agora uma compaixão ainda maior em seu vocal, até mesmo quando cospe versos auto-dilacerantes como, “My generation is zero/I never made it as a working-class hero.”Assim como American Idiot, 21st Century Breakdown é um épico com um pé nos anos 70, contando a história de dois jovens amantes punks em meio à fuga no colapso da América pós-Bush. Os heróis aqui são Christian e Gloria, dois garotos alienados pela igreja (“East Jesus Nowhere”), pelo estado (“21 Guns”) e por todos os adultos nos quais um dia eles acreditaram (“We are the desperate in the decline/Raised by the bastards of 1969”). Christian é o auto-destrutivo impulsivo (“Christian’s Inferno”), enquanto Gloria é mais idealista e política (“Last of the American Girls”), mas são forçados a cuidarem um do outro, pois ninguém mais fará isso por eles.Ao longo do álbum, a banda combina a força do punk com seu mais novo amor pela grandiosidade do rock clássico – em um momento estão falando de Bikini Kill, no outro estão mandando brasa no que parece o minuto final de “Jungleland.” A faixa-título é uma canção com diferentes partes que paga um tributo descarado à hinos de rádios dos anos 70 como “Bohemian Rhapsody” do Queen, “Fox on the Run” do Sweet e “All the Young Dudes” do Mott the Hoople. Armstrong nos leva para um tour do país, desde sua infância difícil (“Born into Nixon, I was raised in hell / A welfare child where the teamsters dwelled”) à idade moderna (“Video games to the towers’ fall / Homeland Security could kill us all”). Ele acaba com nada mais para mostrar a não ser sua raiva e o coração para transformar esta raiva em canções.As baladas são as mais açucaradas até hoje; “Last Night on Earth” poderia ser da banda Air Supply e não pense por um minuto que eles não adoram a idéia de irritar as pessoas com isso. Mas, os destaques são os hinos punk cheios de raiva. Eles se levam por entre violões latinos (“Peacemaker”), coros à la Clash (“Know Your Enemy”) e ataques de quatro acordes como na época de garagem (“Horseshoes and Hand Grenades”). “Last of the American Girls” aparece como uma canção de amor descompromissada para uma garota rebelde – quando Armstrong canta, “She won’t cooperate,” ele a está elogiando da melhor maneira possível.O Green Day desta vez mira sua arma na religião, com “East Jesus Nowhere” enquanto atacam a hipocrisia Cristã. Mas, na maioria das vezes cantam sobre o fato da América agora acordar de um pesadelo que durou oito anos. Na balada “21 Guns,” eles ainda parecem ter uma palavra ou outra para os desiludidos apoiadores de Bush (“Your faith walks on broken glass / And the hangover doesn’t pass”).Parte da emoção de 21st Century Breakdown é que os caras do Green Day não precisam se esforçar tanto assim. Não é que não existe ninguém mais com quem eles possam competir. (O quê? Sponge vai gravar uma adaptação tripla de Moby Dick? Provavelmente não!) Ainda assim, o esforço extras é ouvido na música e cada canção adiciona algo à vibe total de homens maduros tentando dificilmente se comunicar, desafiando-os juntamente com sua audiência. Eles revitalizam a idéia de verdadeiros rock stars que têm algo a dizer para o mundo real. Estão mantendo promessas que eles mesmos nunca fizeram, promessas deixadas para trás por todas aquelas bandas medianas dos anos 90 que acabaram pelo meio do caminho. Se é uma surpresa contínua o fato da banda ser os únicos a sempre pegarem a tocha e seguirem em frente, isso é parte do que faz 21st Century Breakdown tão atual e vital – O Green Day soa como se estivesse chocado como qualquer outra pessoa.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

As Ações Afirmativas nas Universidades Públicas

DEBATE – AÇÕES AFIRMATIVAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Recente debate entre Yvonne Maggie (contra as cotas raciais) x Elio Gaspari (a favor das cotas raciais) no contexto de suspensão das cotas raciais nas universidades estaduais do Rio de Janeiro. Acresço como pós-texto e algumas horas após postar esse texto, um e-mail que recebi e tem tudo haver com a discussão aqui travada. Trata-se do texto de um editor da Revista época, chamado: Nunca tive uma namorada negra.
A seguir, entrevista do Farol de Alexandria anti-cotas Yvonne Maggie, depois meu comentário e após este um texto do Gaspari. O interessante a respeito da profesora Yvonne é que apesar de usar com desenvolvtura os espaços da mídia-racista e anti-cotas, ela não apresenta o mesmo vigor quando o debate deve ocorrer nas esferas acadêmicas (por que será)? Por que será que a professora não aceita participar de mesas onde o contraditório estará presente como foi o caso da Mesa proposta para o último encontro da Associação Brasileira de Antropologia para debater esta questão? Neste caso, ela alegou outros compromissos; provavelmente mais uma reportagem "bombástica como essa" para usar a expressão do editor do Jornal Nacional, Willian Bonner.

ENTREVISTA com Yvonne Maggie no jornal O Globo
Fervorosa ativista contra o sistema de cotas raciais para o ingresso nas universidades, a antropóloga Yvonne Maggie, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, comemorou a recente suspensão, pelo Tribunal de Justiça, da lei estadual que estipulava a reserva de vagas em universidades estaduais, como um primeiro passo para a revogação de leis raciais. A seu ver, elas servem apenas para dividir os brasileiros que, no geral, diz, rejeitam o racismo. Segundo ela, o sistema de cotas é fruto de pressão internacional alimentada por milhões de dólares da Fundação Ford: — Essa pressão talvez tivesse caído no vazio se não houvesse dinheiro americano nessa história.
José Meirelles Passos
O GLOBO: O sistema de cotas é apresentado como forma de criar oportunidades iguais para todos. A senhora discorda. Por quê?
YVONNE MAGGIE: Porque ele faz parte de leis raciais que querem implantar no Brasil. E elas são inconstitucionais. A Constituição Federal proíbe criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. A do Estado do Rio também. Estou defendendo o estatuto jurídico da nação brasileira, com base no fato de que raça não pode ser critério de distribuição de justiça. Raça é uma invenção dos racistas para dominar mais e melhor.
O GLOBO: Que critério usaram para criar tal sistema?
YVONNE: Surgiu no governo de Fernando Henrique Cardoso, propondo cotas para negros ou pardos, hoje chamados de afrodescendentes, sob o critério estatístico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas isso não significa que as pessoas se identifiquem com aquilo. Nós, brasileiros, construímos uma cultura que se envergonha do racismo.
O GLOBO: Mas existe racismo no Brasil, não?
YVONNE: Eu nunca disse que não há racismo aqui. Mas não somos uma sociedade racista, pois não temos instituições baseadas em lei com critério racial. É interessante ver que o Brasil descrito nas estatísticas foi tomado como verdade absoluta. Há Uma coisa é dizer que o Brasil é um país desigual, com uma distância muito grande entre ricos e pobres. Outra coisa é atribuir isso à raça.
O GLOBO: Quais os motivos para a criação de leis raciais no país?
YVONNE: Outra alucinação: a de que a forma de combater a desigualdade no Brasil deve ser via leis raciais. Elas propõem dividir o povo brasileiro em brancos e negros. Há quem diga que o povo já está dividido assim. Digo que não. Afinal, 35% dos muito pobres no Brasil se definem como brancos.
O GLOBO: Qual é o melhor critério?
YVONNE: Em vez de lutar contra o racismo com ações afirmativas, colocando mais dinheiro nas periferias, o governo optou pelas cotas raciais reservando certo número de vagas na escola e, com o estatuto racial, no mercado de trabalho. Então, o país que não se pensava dividido está sendo dividido.
O GLOBO: Seja como for, a idéia das cotas está ganhando adeptos.
YVONNE: Nem tanto. Pesquisa recente feita no Rio pelo Cidan (Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro), mostrou que 63% das pessoas são contra as cotas raciais. A maioria do povo brasileiro acha que todos somos iguais. Aprendemos isso na escola. O objetivo era beneficiar negros e pardos. Agora no Rio já existem cotas para portadores de deficiência, para filhos de policiais, de bombeiros.
O GLOBO: A tendência é esse leque aumentar?
YVONNE: A lógica étnica ou racial não tem fim. Tudo surgiu porque houve pressão internacional com o sentido de combater o racismo. Mas quem domina os organismos internacionais são os países imperialistas, sobretudo Inglaterra e Estados Unidos, que têm uma visão imperialista de mundo dividido. Os EUA são um país dividido. Não pensam como nós. Lá a questão racial é a primeira identidade. Você pergunta quem é você?Eles dizem: eu sou afroamericano, etc. Como não vivemos ódio racial no Brasil não sabemos o que é isso. O problema é que ao dividir e criar uma identidade racial, fica impossível voltar atrás.
O GLOBO: O Brasil sucumbiu à pressão internacional?
YVONNE: A pressão talvez tivesse caído no vazio se não houvesse dinheiro americano nessa história. A Fundação Ford investiu milhares de dólares no Brasil, formando advogados, financiando debates, criando organizações não governamentais (ONGs). Não temos mais movimentos sociais. Quem luta em favor das cotas se transformou em ONG que recebe dinheiro do governo e da Fundação Ford. Juntou-se a fome com a vontade de comer. O governo inventa as ONGs, financia, e depois diz que as cotas são uma demanda do povo.
O GLOBO: Como combater a desigualdade no acesso à universidade?
YVONNE: O Brasil tem que enfrentar a questão da educação básica de forma madura e consciente, investindo. Precisamos de recursos financeiros e humanos. Melhorar o salário dos professores e sua formação. E mudar a concepção de educação. Sem investimento não construiremos uma sociedade mais igual. Estamos criando uma sociedade mais desigual, escolhendo um punhadinho entre os pobres. Na verdade, a competição pelos recursos não é entre o filho da elite e o filho do pobre: ocorre entre os pobres.
O GLOBO: Como a senhora vê a educação no Brasil?
YVONNE: A formação de professores e a concepção de educação são precárias. Não se obriga as escolas a ensinar. Obama acaba de fazer uma grande melhoria nos EUA: premia os bons professores. São os que ensinam melhor. E pune os maus. Quem não consegue fazer com que o seu aluno tire nota boa nas provas de avaliação externas, sai ou é reciclado.
O GLOBO: Há luz no fim do túnel?
YVONNE: Sou otimista. Acho que as leis raciais não vingarão no Brasil. Creio que os congressistas têm mais juízo. E que em vez de lutar pelas cotas, o ministro da Educação deve fazer com que prefeitos e governadores cumpram as metas. Elas são excelentes. A idéia dele é fazer com que os municípios mais pobres recebam mais dinheiro. A opção é investir nas escolas e nos bairros mais pobres.
O GLOBO: É possível conter o lobby das ONGs favoráveis às cotas?
YVONNE: É muito difícil ir contra grupos que se apresentam como o povo organizado. Temos que lutar pelo povo desorganizado, o povo que anda pela rua, que casa entre si, que joga futebol junto, que bebe cerveja, e não está o tempo todo pensando de que cor você é, de que cor eu sou. Povo é o que nos ensina que é melhor dar a mão do que negar um abraço.
OPINIÃO sobre a entrevista de Yvonne Maggie
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Agora sou eu, em mensagem enviada ao Gurpo de Trabalho Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia:
Só não entendi bem:
a) o Brasil é um país não racista que se envergonha do racismo mas ela não se atreve a dizer que não existe racismo?
b) Ou será que o racismo não existe porque a legislação brasileira não adota critérios raciais? Isso significa que não existem assassinatos, afinal a legislação brasileira não permite a pena capital (salvo excessão dos períodos de guerra).
c) Ou será ainda que não devemos tomar as estatísticas como "verdade absoluta". Neste caso, então não devo acreditar que "35% dos muito pobres no Brasil se definem como brancos." ou que "Pesquisa recente feita no Rio pelo Cidan (Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro), mostrou que 63% das pessoas são contra as cotas raciais." Ou será que só valem as estatísticas que são favoráveis aos meus argumentos?
d) Que dizer então que toda a discussão sobre cotas faz parte de um plano imperialista dos yankees e dos ingleses?
e) Como assim: lutar favor das cotas é ser membro de Ongs e ser financiado. Sou a favor das cotas desde o ano de 2001 e nunca recebi nada em troca a não ser chateações como essa matéria.... Isso é ser leviano, tal qual eu afirmar que todos que são contra as cotas são os membros da elite econômica, social e racial deste país. Mas neste caso, mais do que leviano, eu na verdade só estou demonstrando o mal que representa essa política de ódio racial. Eis o paradoxo: estamos preso na camisa de força, nisto devemos reconhecer o brilhantismo da Profa. Ivonne Maggie, ou bem concordamos com ela, ou somos racistas e pregadores do ódio racial. Ah para falar a verdade como dizem os burgueses de S. Paulo Cansei...é necessário mais seriedade e profundidade para discutir um assunto tão sério. E pensar que essa senhora ocupa sucessivamente cargos importantes na ABA.... (aqui alguns colegas me alertaram e faz necesário esclarecer a professora Maggie efetivamente não ocupa cargos de tanta relvãncia na Assoiação e mesmo no mundo antropológico, obviamente que por seu curriculo e militância ela chama a atenção por coordenar Mesas de trabalhos e fóruns anti-cotas nos Congressos- mesas e fóruns onde todos tem visões semelhantes). Me impressiona a falta de argumentos desta ala contrária as cotas (existem vários argumentos factíveis, mas a pesquisadora não conseguiu apresentar nenhum). São sempre os mesmos discursos raivosos e vazios, repleto de contradições como as expressas acima ou a velha cantilena que é necessário melhorar o ensino publico, como se alguém fosse contra a melhoria das escolas públicas. A velha idéia da subtração do ou ao invés da soma. Ou será que ter políticas afirmativas é mutuamente excludente de políticas universalistas?
f) Um outro colega, não o citarei aqui pois não pedi sua autorização também me lembrou algo vital. Essa mesma Yvonne que acusa a Fundação Ford foi durante muito tempo bolsista ou recebeu verbas de pesquisa da mesma. Naquela época provavelmente a Fundação Ford não era uma organização terorista da ultra-direita yankee...ou como já percebemos a opinião da professora qualifica a tudo e a todos por sua visão estreita da realidade. Pesquisa e financiadores só são bons se aformam minha visão.
Carlos Eduardo Carlos Eduardo Marques - Professor da Faculdade de Ciências Jurídicas da FEVALE/UEMG. Membro do Núcleo de Estudos em Populações Quilombolas e Tradicionais da UFMG (NUQ/UFMG). Membro do Grupo de Trabalho Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia (GT Quilombos/ABA)
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Abaixo um artigo de Elio Gaspari (com dados a respeito do sistema de cotas) um contraponto a Yvonne Maggie.
As cotas desmentiram as urucubacas - Elio Gaspari
03-Jun-2009 - FOLHA DE S. PAULO
Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho."
Livres os negros, as cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", "gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade". A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.
Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).
Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.
De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.
Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.
Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.
Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.
Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam- se melhor em 61 % das áreas.
De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.
Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois "um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça". Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.
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REVISTA ÉPOCA
27/05/2009 - 18:33 - Atualizado em 29/05/2009 - 19:25
Nunca Tive Namorada Negra
O Preconceito Molda a Nossa Capacidade de Amar
Ivan Martins

IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA
Eu nunca tive uma namorada negra. Saí uma ou duas vezes com moças negras na universidade, tive um caso intenso e demorado com uma mulher negra há pouco tempo, mas nenhuma delas foi namorada, relação firme, gente se que incorpora à vida e se leva à casa da mãe. Por que razão? Um dos motivos é geográfico: desde a adolescência quase não há pessoas negras ao meu redor. Elas não estavam no colégio, não estavam na faculdade e não estão no trabalho, com raras e queridas exceções. É nesses ambientes - escola e emprego -- que se constroem relações duradouras de amor e amizade.
O outro motivo é vergonhoso: racismo. Deve haver um pedaço de mim que acha mulher branca mais bacana que mulher negra, independente de beleza, inteligência ou caráter. Mesmo tendo ancestrais negros, cresci numa sociedade em que a cor, os traços e os cabelos africanos são tratados como defeito. É difícil livrar-se desse lixo. Ando pensando sob re essas coisas desde que tive uma discussão, dias atrás, com meu melhor amigo, sobre cotas raciais na universidade. Ele contra, eu a favor. Ele defende cotas econômicas, para jovens pobres oriundos das escolas públicas. Eu sinto que isso não é suficiente. Acredito que os negros têm sido sistematicamente prejudicados ao longo da história brasileira e fazem jus a políticas e tratamento preferenciais.
Penso nas namoradas negras que eu não tive. Elas não estavam na boa escola pública de primeiro grau onde eu entrei depois de um exame de admissão. Também não estavam na escola federal onde fiz o colégio. Ali só se entrava depois de um vestibular duríssimo. Na Universidade de São Paulo, onde estudei jornalismo, só havia um colega negro, nenhuma garota que eu me lembre. Será que isso é apenas econômico? Duvido.
Eu vim de uma família pobre e cheguei à universidade e à classe média. O mesmo fizeram minhas irmãs e meus amigos brancos. Os coleguinhas negros da infância - com poucas exceções -- não chegaram. Estavam em desvantagem. Tem algo aí no meio que é mais do que pobreza. É fácil para mim enxergar que a linha de corte na sociedade brasileira não é apenas de renda. Ela é de cor também. Essa linha está dentro de nós, dentro de mim. Somos racistas, embora mestiços. Por isso me espanta que as pessoas não se inclinem gen erosamente pela idéia de uma reparação aos sofrimentos infringidos aos negros - até como forma de purgar essa coisa ruim e preconceituosa que trazemos dentro de nós.
Eu, que nunca tive uma namorada negra, gostaria que meus filhos vivessem num país melhor. Um país em que houvesse garotas e garotos negros na universidade pública, ao lado deles. Um país em que eles tivessem colegas de trabalho negros. Engenheiros. Médicos. Advogados. Jornalistas. Um país onde as pessoas pudessem se conhecer, se admirar e se amar sem a barreira do preconceito que ainda nos divide.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Maria Bethânia

Há muito quero escrever aqui sobre Maria Bethania, mas sou tão, tão, tão fã desta cantora que tentei várias vezes, mas nunca consigo. Essa é mais uma tentativa fracassada. Afinal como verbalizar o quenão é verbalizável. Mas dessa vez ficará aqui registrado em homenagem, a Ela: MARIA BETHÂNIA.
Pelo menos registro a bibliografia:

(47 discos lançados, excluindo os compactos: 33 de estúdio e 14 ao vivo)

Sony BMG / RCA
1965 - Maria Bethânia
1966 - Maria Bethânia canta Noel Rosa
Universal Music / Elenco
1967 - Edu e Bethânia - com Edu Lobo

EMI
1968 - Recital na Boite Barroco - ao vivo
1969 - Maria Bethânia
1970 - Maria Bethânia Ao Vivo

RGE
1971 - Vinicius + Bethânia + Toquinho gravado en Buenos Aires

Universal Music / Philips / Polygram
197i - Maria Bethânia Viana Telles Veloso - A tua presença...
1971 - Rosa dos ventos - Show encantado - ao vivo
1972 - Quando o carnaval chegar (trilha sonora do filme, com Chico Buarque e Nara Leão)
1972 - Drama
1973 - Drama 3º ato - ao vivo
1974 - A cena muda - ao vivo
1975 -Chico Buarque e Maria Bethânia - ao vivo
1976 - Pássaro proibido
1976 - Doces Bárbaros - com Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil - ao vivo
1977 - Pássaro da manhã
1978 -Maria Bethânia e Caetano Veloso - ao vivo
1978 - Álibi
1979 - Mel
1980 - Talismã
1981 - Alteza
1982 - Nossos Momentos - ao vivo
1983 - Ciclo
1984 - A beira e o mar

Sony BMG / RCA
1986 - Dezembros
1988 - Maria

Universal Music / Polygram
1989 - Memória da pele
1990 - 25 anos
1992 - Olho d'água
1993 - As canções que você fez pra mim
1994 - Las canciones que hiciste para mí -
espanhol
1995 - Maria Bethânia ao vivo

EMI
1996 -Âmbar
1997 - Imitação da vida - ao vivo

Sony BMG
1998 - A força que nunca seca
1999 - Diamante verdadeiro - ao vivo
2000 - Cânticos, preces e súplicas à Senhora dos jardins do céu (tiragem limitada de duas mil cópias)
2001 - Maricotinha

Biscoito Fino e Quitanda
2002 - Maricotinha ao vivo
2003 - Cânticos, preces e súplicas à Senhora dos jardins do céu - edição comercial
2003 - Brasileirinho
2005 - Que falta você me faz - Músicas de Vinicius de Moraes
2006 - Mar de Sophia
2006 - Pirata
2007 - Dentro do mar tem rio - Maria Bethânia ao vivo
2008 - Omara Portuondo e Maria Bethânia

sábado, 30 de maio de 2009

Racismo em versão Chris Rock

O ótimo Chris Rock, comediante, ator e escritor talentoso como mostra o seriado por ele roteirizado sobre suas memórias, chamado por aquid e Todo Mundo Odeia o Cris. Pois bem, Cris explica o racismo na América algo que é similar aqui no Brasil (piorado diga-se de passagem).
"I live in Alpine, New Jersey, in a $3 million home. There are 4 other black people that live in my neighborhood. So it's me, a fairly successful comedian, then Mary J. Blige, one of the greatest R&B singers of all time, Jay-Z, one of the greatest rap artists, and Denzel Washington, one of the great actors today, right? Everyone else is white.
You know what my neighbor does?
He's a dentist!
He's not a superstar dentist. He's not the best dentist in the world. He's not going to the dental hall of fame. He's just a dentist!
You know what it would take for a black dentist to live in that neighborhood? If a black dentist wanted to live in that neighborhood, he would have had to invent teeth!" Cris Rock
Algo que em português suaria assim:
Eu vivo em Alpine, Nova Jersey, em uma casa de US $ 3 milhões. Existe outras 4 pessoas negras vivendo no meu bairro. Então, um sou eu, comediante de bastante sucesso e, em seguida, Mary J. Blige, uma das maiores cantoras R & B de todos os tempos, Jay-Z, um dos maiores artistas rap, e Denzel Washington, um dos grandes atores de hoje, certo? Todo o resto é branco.
Você sabe o quem é meu vizinho?
Ele é um dentista! Ele não é um dentista superstar. Ele não é o melhor dentista do mundo. Ele não vai para o hall da fama dentária. Ele é apenas um dentista!
Você sabe o que levaria um dentista para negros a viver no bairro? Se um dentista negro quiser viver naquele bairro, ele terá de inventar dentes!

A negrinha e o negro no teatro

Como ando sem tempo, sem saco e sem inspiração. Quebro a regra deste ano no Blog de ser mais autoral e reproduzo aqui mais um excelente e ótimo texto dele, Alex Castro, do Blog Liberal, Libertário e Libertino.
Negrinha, de Monteiro Lobato (Cadernos de Teatro, 6)
Primeiro, uma rápida historinha dos negros no teatro brasileiro.

Durante a época colonial, o teatro brasileiro eram dominado por negros e mulatos. Talvez dominado não seja bem a palavra. Negros e mulatos trabalhavam com teatro porque ninguém mais queria fazê-lo: era o que sobrava para eles. Até 1794, a profissão de ator era considerada oficialmente "infame" pela lei portuguesa, barrando esses profissionais de uma série de atividades mais nobres e limitando seus direitos civis. Relatos de visitantes estrangeiros estão repletos de descrições sarcásticas, pejorativas e horrorizadas sobre as orquestras e companhias teatrais negras que, muito precariamente (segundo os padrões europeus), tentavam interpretar aqui os sucessos da cena metropolitana.
Finalmente, em 1808,
D. João VI traz não apenas as mudas do Jardim Botânico e os livros da Biblioteca Nacional, mas também o teatro. Agora praticado e prestigiado por brancos europeus, o teatro começa a perder sua pecha de amador, ridículo, mambembe - ou seja, coisa de preto - e vai vai adquirindo prestígio social. Logo, já é reconhecido como o único meio de comunicação de massa, talvez a manifestação artística mais importante, e elemento essencial na educação do povo e na formação da identidade brasileira. Finalmente, em 1838, de acordo com a opinião quase unânime de críticos, historiadores e dramaturgos, é fundado o Teatro Brasileiro com T e B maiúsculos - varrendo para baixo do tapete da história o teatro brasileiro que vinha sendo praticado, aos trancos e barrancos, por atores negros pelas últimas centenas de anos.
Preciso mesmo acrescentar que, nesse momento de prestígio máximo do teatro, os atores e músicos negros já tinham sido fisicamente expulsos do palco faz tempo? Enigma de Tostines: a profissão de ator era infame por ser profissão de negro ou era profissão de negro por ser infame? De qualquer modo, quando vira uma profissão digna, torna-se profissão de branco.
Ao longo do século XIX, época de maior prestígio do teatro nacional, apesar das muitas peças sobre a escravatura, os papéis de negros eram invariavelmente interpretados por atores brancos. No século seguinte, começa uma mudança gradual e muito lenta. Por exemplo, na década de 1940, quando Procópio Ferreira encena uma remontagem de "
O Demônio Familiar", de José de Alencar, peça sobre as diabruras de um moleque escravo, o papel-título foi interpretado por ator branco.

Entre a vasta bibliografia sobre as lutas dos atores negros por melhores papéis, recomendo o livro de Miriam Garcia Mendes, "O Negro e o Teatro Brasileiro" (acima, à direita). Existe até mesmo uma peça sobre isso: "A Revolta da Cachaça" (1957), de Antonio Callado, sobre um ambicioso ator negro que, em desespero pela falta de papéis dignos, e de tanto insistir com um amigo dramaturgo para que os escreva, acaba enlouquecendo de frustração e matando o amigo. A peça, apesar de fraca, é um aviso para todos os dramaturgos brasileiros.
Até hoje, é comum vermos grandes atores negros restritos a escravos domésticos, traficantes malvados e motoristas de madame, e sempre se perguntando:

Onde estão os grandes papéis negros?
* * *
O monólogo "Negrinha", baseado
no conto homônimo de Monteiro Lobato, foi desenvolvido por Luiz Fernando Marques (direção), Renato Bolelli Rebouças (direção de arte) e Sara Antunes (atuação), todos membros do Grupo XIX de Teatro, e estrelado por essa última, numa performance sensacional.
A questão da cor acompanha toda a narrativa. A personagem título, chamada simplesmente de Negrinha, foi abandonada num casarão colonial depois da Abolição e, agora, sem entender o preconceito racial, tenta fazer sentido dessa complexa hierarquia de cores do Brasil. Assim, ela interage com a platéia, classificando cada pessoa por meio de uma cor ("esverdeado", "amarelenta", "chocolate", etc; eu fui "sem-cor"), ao mesmo tempo em que relembra episódios de sua vida de escrava.
No Rio, o Casarão de Austregésilo de Athayde (do lado da estação do Corcovado) foi especialmente escolhido por ser um típico casarão do século XIX. A peça inteira acontece em um único quarto, mobiliado de acordo com a época, com todos os espectadores sentados pelos cantos e pelo chão, e Sara Antunes, interpretando a Negrinha, andando por entre eles, fazendo perguntas, questionando-os, engajando-os. A única luz em cena são as velas que ela consistentemente acende e apaga, criando toda uma atmosfera fantasmagórica. A compreensível insanidade subjacente em sua voz (afinal, é uma menina abandonada sozinha em um casarão) só torna tudo ainda mais assustador. Tudo é perfeito: o texto, a atuação dialógica com a platéia, o jogo de luz, a atmosfera, a locação.
"Negrinha", com Sara Antunes, é uma experiência inesquecível e aterradora, remanescente de um horror que nós hoje mal podemos conceber, mas que devemos sempre tentar relembrar.
* * *
Minha única criticazinha é política: apesar de eu não poder imaginar interpretação melhor que a de Sara Antunes, por que dar um papel bom desses para uma atriz branca quando atores negros ainda estão por aí lutando por qualquer migalha?

Reparem: não estou caindo no erro dos críticos que censuram Castro Alves por, entre outras coisas, "nunca adotar o ponto de vista negro" e "escrever sobre o negro por uma ótica branca", etc. Dado que Castro Alves era branco e não poderia metamorfosear-se em negro, o máximo que ele poderia fazer era mesmo escrever como branco e de um ponto de vista branco e, assim, dar sua importante contribuição artística e política à questão. (Sobre isso, vejam meu artigo Três Leituras de "Lúcia", de Castro Alves)
Do mesmo modo, não censuro Sara Antunes por ser branca. Não conheço o processo de elaboração da peça. Vai ver foi idéia ou iniciativa dela e, naturalmente, quis o papel principal para si, consciente de que daria um show. Nada a criticar nisso, e ela ainda mereceria o crédito por trazer o assunto à baila.
E, sim, o estranhamento causado por ver uma pequenina mulher branca articulando aquele discurso de negra escrava, ao mesmo tempo em que classifica todos na sala por sua cor, também ajuda a levantar a insólita questão racial no Brasil e o nonsense intrínseco das classificações raciais.
Mas, pelo menos no meu caso, uma das reflexões que esse estranhamento causou foi justamente lamentar menos um papel para uma atriz negra de talento.

* * *
Então, se não cabe censura à cor de Sara Antunes (pois, afinal, isso seria cair da armadilha articulada pela própria montagem!), eu diria que essa questão deveria ter sido melhor abordada na divulgação da peça. Por exemplo,
em um texto que parece um press-release, escrito por Bianca Senna e publicado no Portal Literal, podemos ler:
"O monólogo também derruba o mito de que atores devem viver personagens com a mesma semelhança física, já que Sara é branca."
Oras, Bianca, isso tanto não é um mito, como é a regra. Nos últimos duzentos anos, pelo menos em relação a pessoas negras, a regra no teatro brasileiro é que os atores NÃO PRECISAM viver personagens com a mesma semelhança física - tanto que boa parte dos papéis de personagens negros foram vividos por atores brancos.

Ou seja, não estou censurando uma atriz branca, ainda mais do calibre de Sara, viver uma personagem negra, mas, por favor, não venha me dizer que isso é "quebra de mito". Pelo contrário, é a continuação de um "business as usual" centenário, é a confirmação de uma prática nascida do racismo e do preconceito.
Senão, daqui a pouco, o governo vai promover um homem a Almirante e ainda vai querer dizer que está quebrando o mito da discriminação sexual nas Forças Armadas! Ora, quebra de mito seria promover uma mulher. Promover um homem não é necessariamente sexista ou censurável, mas também não é quebra de mito alguma: é somente mais um Almirante homem em uma longa tradição de Almirantes homens.
* * *
"Negrinha" já visitou mais de 15 cidades e
foi escolhida para representar o Brasil na Semana da Consciência Negra, na França.
O espetáculo fica em cartaz no Rio até esse fim-de-semana, 31 de maio, então vocês só têm mais duas apresentações pra ir, sábado e domingo, às 19h. Quem tem qualquer interesse sobre escravidão ou relações raciais no Brasil não deveria perder.
* * *
Sobre a Série "Cadernos de Teatro"Estou começando a estudar teatro e resolvi aproveitar meus meses no Rio e em São Paulo para conhecer a produção contemporânea. Esses textos são minha tentativa de não só documentar as peças que assisti mas também de escrever mais criticamente sobre teatro.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Moção de Repúdio da Juventude Negra de MG

Notícias da Juventude Negra que participou da II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial
MOÇÃO DE REPÚDIO JUVENTUDE NEGRA/MG
A Juventude Negra presente na II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade racial vem por meio desta, repudiar o genocídio da população negra que tem como alvo preferencial a Juventude Negra exterminada sobre a justificativa de combate e repressão ao tráfico de drogas através principalmente das ações letais dos policiais militares, civis, federais, guardas municipais e por grupos para militares tolerados pelo modelo de segurança pública racista, machista, homofóbico, lesbofóbico, sexista adotado pelo Estado Brasileiro que criminaliza os movimentos sociais que defendem os direitos humanos da população excluída e marginalizada deste País.Aprovou também a da seguinte proposta:
Garantia de inclusão no Calendário Nacional com recursos e apoio as instituições organizadas do Movimento Negro, um dia de manifestação contra o Genocídio da Juventude Negra;
O Fórum Mineiro de Juventude Negra não para, o palco da II CONAPIR foi fundamental para a articulação de novas lideranças juvenis e estreitamento de diálogo com as gerações mais experientes.
Estamos avançado povo Negro...
O embate será agora em Brasília/DF na II CONAPIR dias 25, 26, 27 e 28 de Junho de 2009.
Vamos votar na Proposta de Juventude Negra.
JUVENTUDE NEGRA.

domingo, 24 de maio de 2009

casa no campo/ caçador de mim/ espanhola

Eu quero uma casa no campo

O Zé Rodrix se foi. Mais um que vira estrela. O segundo obituario deste bolog nos últimos dias. Zé Rodrix, Sá e Guarabira formaram um trio fabuloso responsável pelo que ficou conhecido como rock rural. Ou mesmo rock mineiro (ainda que Rodrix fosse paulista).
Enfim uma grande perda. Um grande músico, um grande letrista. Ultimamente o trio vinha sendo reforçado por um parceiro das antigas, o também ótimo Tavito.
Acima (no próximo post) uma apresentação dos quatro. Linda!!!

Como disse minha amiga Ana Tereza "uma tristeza" . Ana sabe do que fala. Ela é daquelas fãs de ir a todos os shows e que inclusive convivia com o trio (pois essa é outra das carcterísticas dos grandes artistas) a simplicidade para manter contato com os fãs e mesmo frequentar bares e manter ligação com estes. Um tipo diferente de artista que não se considera maior ou melhor que seu público mas sim interlocutores desses. Abaixo em homenagem a Ele e a mim: Caso no Campo: Zé e Tavito compôs a música que queria ter composto e que melhor me define.

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais
Falar o quê mais lindo, lindo. É isso, somente isso que quero: amigos do peito, um filho de cuca legal e que eu possa plantar meus amigos, discos e livros e nada mais, sim quero tbém o silêncio das línguas cansadas, e como diria o Caetano de outrora dos purechas. Afinal sem amizade música e livros é impossível viver. Acho que quem me conhece realmente me identifica nessa música.

domingo, 17 de maio de 2009

Frases Fenomenais

Frase Fenomenais
"Quero ver alguém dizer que não existe racismo no Brasil"
'tenho no meu computador (como tela) a foto minha com o Mandela (...) é o cara que mais adimiro (...) li a biografia dele (...) realmente o adimiro (...) a história dele, a história da libertação dos negros da Africa do Sul"
Ronaldo, o fenômeno.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mixes do 13 de maio

Tá lá no outro Blog que editamos http://quilombos.wordpress.com/ a manifestação dos quilombolas capixabas realizado ontem.

Participantes de caminhada pedem liberdade religiosa

Diversos grupos religiosos, entidades de defesa dos direitos humanos e integrantes do movimento negro reuniram-se nesta quarta-feira (13/5/09) na 1ª Caminhada Cultural pela Liberdade Religiosa e pela Paz. O evento, realizado no Centro de Belo Horizonte, teve apoio da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Em 6 de maio, a comissão promoveu audiência pública para discutir a intolerância religiosa no Estado.
"A caminhada é muito positiva, representa a liberdade de cada um, de expressão, por que não de religião? Tem todo o apoio da Assembleia e da Comissão de Direitos Humanos. Que cada um possa expressar seus sentimentos e seus pensamentos" , afirmou o deputado Carlos Gomes (PT), que participou do evento.
A caminhada marcou também a comemoração dos 121 anos da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no País. "Queremos respeito com o negro, com a nossa religião, com o ser humano", declarou a adepta do candomblé Norma Lúcia Dias. Ela reclamou da violência contra terreiros de candomblé em Minas.
Na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, adeptos da religião já haviam denunciado a invasão de dois terreiros, um em Contagem e outro em Belo Horizonte. O coordenador de Comunicação da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga, disse que o movimento negro reivindica a criação de um comitê com representantes das polícias Militar e Civil e do Ministério Público para acompanhar casos de intolerância religiosa no Estado.
Outra religiões - Embora os adeptos de cultos de matriz africana fossem maioria no evento, a Caminhada pela Liberdade Religiosa e pela Paz contou com a presença de representantes de outros grupos religiosos, como o movimento Hare Krishna, a igreja Metodista e católicos franciscanos e agostinianos. Um deles foi o frei Gabriel Ferreira Silva, da Ordem dos Franciscanos. Ele citou o fundador da ordem, São Francisco de Assis, para defender o apoio à liberdade religiosa. "O próprio Francisco foi um homem ecumênico, da paz", afirmou.
Os participantes da caminhada concentraram- se na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, de onde seguiriam até a praça Afonso Arinos.
A comissão especial criada para analisar o Estatuto da Igualdade Racial (Projeto de Lei 6264/05) discute o projeto de cotas para negros em programas de televisão e em comerciais, criminaliza o incentivo ao preconceito pela internet, reconhece a capoeira como esporte nacional, assegura liberdade religiosa aos adeptos de cultos africanos, proíbe exigência de boa aparência para candidatos a empregos e de fotos em currículos e prevê isonomia para negros em programas habitacionais e de acesso à terra, entre outros pontos.
A proposta em votação é o substitutivo do relator, deputado Antônio Roberto (PV-MG). Depois de ser votado na comissão, o projeto voltará para o Senado, por ter sido alterado na Câmara. O projeto tramita em caráter conclusivo e só será submetido ao Plenário se houver recurso de 51 deputados.
Veja abaixo os principais pontos da proposta:
Discriminação - o projeto acrescenta à Lei 7.716/89, sobre discriminação racial, o crime de expor, na internet ou em qualquer rede pública de computadores, informações ou mensagens que induzam ou incitem a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena prevista é reclusão de um a três anos e multa.
Cotas na televisão - conforme o projeto, os filmes e programas veiculados pelas emissoras de televisão deverão apresentar imagens de pessoas negras em proporção não inferior a 20% do total de atores e figurantes. Será considerada a totalidade dos programas veiculados entre a abertura e o encerramento da programação diária.
Cotas em comerciais - as peças publicitárias destinadas à televisão e ao cinema deverão apresentar pessoas negras em proporção não inferior a 20% do total de atores e figurantes. Os órgãos públicos ficam obrigados a incluir cláusulas de participação de artistas negros, em proporção não inferior a 20% do total de artistas e figurantes, nos contratos de realização de filmes, programas ou quaisquer outras peças de caráter publicitário.
Educação - o projeto não fixa cotas na educação. Diz apenas que as vagas nos estabelecimentos públicos e privados de ensino poderão ser preenchidas por sistema de cotas destinadas a alunos de escolas públicas, em proporção no mínimo igual ao percentual de pretos e pardos na população do estado onde está instalada a instituição de ensino.As cotas na educação foram tema de outro projeto, aprovado pela Câmara em novembro de 2008 e devolvido ao Senado. Atualmente, os senadores estão divididos entre manter as cotas sociais (para alunos de escolas públicas), conforme a proposta aprovada na Câmara, ou instituir cotas raciais (para negros e índios).
Empregos - O projeto não fixa cotas na área de empregos. Diz que o poder público deverá adotar ou incentivar a adoção de cotas para negros tanto no serviço público como em empresas privadas.
Capoeira - O projeto reconhece a capoeira como desporto de criação nacional. Assim, o Estado deverá garantir o registro e a proteção da capoeira, inclusive destinando recursos públicos para essa prática. A atividade de capoeirista é reconhecida em todas as modalidades (esporte, luta, dança e música).
Liberdade religiosa - O projeto assegura o livre exercício dos cultos religiosos de origem africana, prevendo inclusive assistência religiosa aos seus seguidores em hospitais e também denúncia ao Ministério Público para abertura de ação penal em face de atitudes e práticas de intolerância religiosa.
Acesso à terra - Conforme o projeto, o poder público promoverá a isonomia nos critérios de financiamento agrícola para incentivar o desenvolvimento das atividades produtivas da população negra no campo.
Remanescentes de quilombos - O projeto reconhece a propriedade definitiva das terras ocupadas por remanescentes das comunidades quilombolas. Os órgãos públicos deverão priorizar, nos processos de registro de propriedade, as comunidades expostas a conflitos.
Moradia - Os programas de moradia do governo federal deverão assegurar tratamento equitativo à população negra, assim como os bancos públicos e privados que atuam em financiamento habitacional.
Foto em currículo - O projeto proíbe empregadores de exigir boa aparência e de pedir fotos em currículos de candidados a empregos. Os infratores dessa norma ficam sujeitos à pena de multa e prestação de serviços à comunidade.
Recursos públicos - Os planos plurianuais (PPAs) e os orçamentos anuais da União deverão prever recursos para a implementação dos programas de ação afirmativa nas áreas de educação, cultura, esporte e lazer, trabalho, meios de comunicação de massa, moradia, acesso à terra, segurança, acesso à Justiça, financiamentos públicos e contratação pública de serviços e obras.
Saúde - O projeto fixa as diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.
Com ajuda do site da Camara dos Deputados.

Wilson Simonal canta Tributo a Martin Luther King

Por que ontem foi dia 13 de maio e a libertação é sempre conquista, contruido e nunca dadiva.

13 de maio a Libertação é sempre conquista, construído enunca dádiva

Por que ontem doi dia 13 de maio e a libertação é sempre conquista, contruido e nunca dadiva.

Companheiros de vários movimentos e grupos. Apesar de ontem, a luta continua. O Estatuto da Igualdade serve para nos mostrar quanto as correntes que nos prendem continuam fortes. Mas nestes momentos reforçamos nossas crenças.
"Eu compus uma música de parceria com meu amigo Ronaldo Boscoli e intitulei Tributo a Martin Luther King, Martin Luther King é um negro norte-americano, o mérito maior de Martin Luther King é lutar cada vez mais pela igualdade dos direito das raças. Essa música eu dediquei ao meu filho esperando que no futuro ele nao encontre nunca os problemas que eu encontrei e que tenho as vezes encontrado apesar de chamar Wilson Simonal de Castro. "
Sim, sou negro de cor
Meu irmão de minha cor
O que te peço é luta, sim, luta mais
Que a luta está no fim
Cada negro que for
Mais um negro virá
Para lutar com sangue ou não
Com uma canção também se luta, irmão
Ouvir minha voz
Lutar por nós
Luta negra demais (luta negra demais)
É lutar pela paz (é lutar pela paz)
Luta negra demais
Para sermos iguais
Para sermos iguais
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Alguém vai ter que me ouvir

sábado, 2 de maio de 2009

Boal virou estrela

"Augusto Boal reinventou o teatro político e é uma figura internacional tão importante quanto Brecht ou Stanislawski ." - The Guardian (Londres)
"Boal conseguiu fazer aquilo com que Brecht apenas sonhou e escreveu: um teatro alegre e instrutivo. Uma forma de terapia social. Mais do que qualquer outro homem de teatro vivo, Boal está tendo um enorme impacto mundial" - Richard Schechner, diretor de The Drama Review.
Cidadão não é quem vive em sociedade. É quem transforma a sociedade em que vive.
Augusto Boal
Desde meados da tarde quando li a notícia do desaparecimento de Augusto Boal estou tentando escrever algo. Mas não dá. Faltam palavras para descrever a vida de Boal, suas realizações e a perda que significa seu sumiço. Só me fica martelando a ideia de que praticamente só nos resta Niemayer da geração de brasileiros que revolucionaram mundialmente seu campo de atuação. É triste, muito triste o fato de não termos substitutos a altura. Se o Brasil fosse um pouco mais sério se preocuparia com esse fato.
Na ausência de palavras faço aqui um pequeno obituario de Boal (com auxílio da Wiki):
Augusto Pinto Boal (Rio de Janeiro, 16 de março de 1931 - Rio de Janeiro, 2 de Maio de 2009) foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, que alia o teatro à ação social, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.
Nas palavras de Boal:
«O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores'.

O dramaturgo é conhecido não só por sua participação no
Teatro de Arena da cidade de São Paulo (1956-1970), mas sobretudo por suas teses do Teatro do oprimido, inspiradas nas propostas do educador Paulo Freire.
Tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte línguas, e suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas trata de um sistema de exercícios ("monólogos corporais"), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas.
O Teatro do oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos (http://www.theatreoftheoppressed.org/en/index.php?useFlash=1)
, na França ( http://www.theatredelopprime.com/) e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Santo André e Londrina.
Ainda antes do Teatro do Oprimido, Boal já revolucionara o teatro brasileiro no Arena e no Oficina onde ensenou grandes obras de autores internaionais consagrados e de jovens dramatugos. Foi ainda nos anos 60 do seculo passado que ele junto a outros jovens criaram o CPC da UNE e também em pleno início dos anos de chumbo dirigiu Ze Keti (a voz do morro) Koão do Vale e Nara Leão e depois Maria Bethania no show Opinião.
A partir deste momento funda uma noca Companhia a Opinião, onde continua suas parcerias com Guarnieri, Chico Buarque, Edu Lobo, Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes entre outros). Aproxima dos baianos e faz uma série de espetaculos com Gal, Gil, Caetano, Tom Zé, Caetano e Bethania. Espetaculos baseados também na poetica de Brecth.
A Primeira Feira Paulista de Opinião, concebida e encenada por Boal no Teatro Ruth Escobar, é uma reunião de textos curtos de vários autores - um depoimento teatral sobre o Brasil de 1968. Estão presentes textos de Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Plínio Marcos e do próprio Boal. O diretor apresenta o espetáculo na íntegra, ignorando os mais de 70 cortes estabelecidos pela censura , incitando a desobediência civil e lutando arduamente pela permanência da peça em cartaz, depois de sua proibição.
Em 1971, Boal é preso e torturado. Na seqüência, decide deixar o país, com destino à Argentina terra de sua esposa, a psicanalista Cecília Boal. Lá permanece por cinco anos e desenvolve o Teatro Invisível. Neste período mora em vários países e desenvolve sua técnica de teatro, passa pelo Peru, Portugal e na França alcança reconhecimento mundial, nesta cidade funda um centro de estudo e interpretação. O Teatro do Oprimido é realidade.
Boal preconizava que o teatro deve ser um auxiliar das transformações sociais e formar lideranças nas comunidades rurais e nos subúrbios. Para isto organizou uma sucessão de exercícios simples, porém capazes de oferecer o desenvolvimento de uma boa técnica teatral amadora, auxiliando a formação do ator de teatro.
Homenagens
Uma das canções de Chico Buarque
é uma carta em forma de música - uma carta musicada que ele fez em homenagem a Boal, que vivia no exílio em Portugal, quando o Brasil estava sob a ditadura militar. A canção Meu Caro Amigo, dirigida a ele, foi gravada originalmente no disco Meus Caros Amigos de 1976.
Augusto Boal foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2008, em virtude de seu trabalho com o Teatro do Oprimido.
Em março de 2009, foi nomeado pela
Unesco embaixador mundial do teatro.
Publicou dezenas e dezenas de livros e espalhou a esperança de que um outro mundo é possível.

Covite para visita um Blog irmão

Aos amigos que frequentam esse blog, sugerimos visitar o blog Quilombos http://quilombos.wordpress.com/, da qual somos um dos redatores e administradores.Lá como cá a importante manifestação da Igreja Reformada Anglicana a favor dos Quilombolas:
Carta da IEAB Sobre o Estado das Comunidades Quilombolas Urgente!
À Sua Excelência Ministro Relator Cezar Peluzo
Ao Povo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
A Sociedade Brasileira

É inspirados nesse desejo e advertência do profeta Amós e nas palavras do Arcebispo William Temple, que dirigimos esta carta aos membros da nossa Igreja, ao Sr Ministro Cezar Peluzo, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Relator do Processo (ADI) Nº 3.239 e a todas as pessoas de boa vontade.As comunidades negras rurais e quilombolas de todo o país vivem um momento delicado e tenso devido à iminência de votação da Ação de Inconstitucionalidade (ADI) Nº 3.239 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ADI tem por objetivo anular o Decreto 4887/03, da Presidência da República, que estabeleceu os critérios e procedimentos para a regularização dos territórios quilombolas.
É importante notar que esse decreto é coerente com a Constituição Brasileira e com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, especialmente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos.O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país e a sua revogação traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas, ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas já alcançadas.Todos estamos conscientes da grande dívida que a sociedade brasileira tem para com aqueles que foram trazidos à força da África para serem escravizados em nosso pais. Os quilombos foram uma das formas que os escravos encontraram para resistir ao sistema escravagista. Após a abolição, a permanência em seus territórios foi e continua a ser um dos fatores principais para a sua sobrevivência e reprodução como comunidades, tanto no nível material quanto cultural. No cumprimento da nossa responsabilidade como bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, chamados à fidelidade aos valores do Evangelho e conscientes de que, como Igreja, devemos buscar a justiça e contribuir para a superação das enormes distâncias sociais, culturais e econômicas que afetam as comunidades remanescentes quilombolas, não podemos nos omitir diante da possibilidade “ que queremos supor improvável - de o Supremo Tribunal Federal vir a revogar um procedimento legal que claramente tem permitido a agilização dos processos de garantia dos direitos territoriais e culturais das comunidades quilombolas e, assim, restaurado a justiça em seu favor.Assim, conclamamos a Igreja Episcopal Anglicana no Brasil:
1. Interceder para que o Deus de Amor no qual cremos continue a dar aos nossos irmãos e irmãs quilombolas a coragem necessária para continuar a sua luta por seus direitos;
2. Mobilizar-se em defesa dos direitos quilombolas, manifestando esta posição junto aos poderes constituídos, principalmente junto ao Supremo Tribunal Federal. Ao Supremo Tribunal Federal, na pessoa do Ministro Cezar Peluzo, Relator da ADI No. 3.239, solicitamos que seja convocada uma audiência pública sobre o assunto para que a mais alta Corte brasileira possa ouvir os representantes das comunidades quilombolas bem como especialistas no assunto antes de julgar a Ação de Inconstitucionalidade.A ADI Nº 3.239, apresentada pelo DEM (ex-PFL) é mais uma das investidas da bancada ruralista, do setor do agro-negócio e da grande mà­dia contra os direitos quilombolas garantidos na Constituição de 1988. Há cerca de 5.000 Comunidades Quilombolas no Brasil, sendo que dessas, aproximadamente 1.300 estão com processo de regularização fundiária em curso no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nos termos do Decreto 4887/03.O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país. Em seu §1 do Artigo 2º o Decreto 4887/03 prescreve: A caracterização dos remanescentes das comunidades dos quilombos será atestada mediante auto-definição da própria comunidade. No §2 o Decreto estabelece como terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos as utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural, assumindo as definições atuais da Antropologia e Ciências Sociais quanto ao conceito de território para a demarcação das terras quilombolas: serão levados em consideração critérios de territorialidade indicados pelos remanescentes das comunidades dos quilombos, sendo facultado à comunidade interessada apresentar as peças técnicas para a instrução procedimental. Com isto o Decreto 4887/03 esta em harmonia com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, das quais merece destaque a Convenção 169 da Organizaçà£o Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos. A derrubada do Decreto 4887/03 traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas históricas.
Confiamos na imparcialidade desse Supremo Tribunal em ponderar e discernir entre o que seja diletantismo racional e encarnação da Justiça. Em Cristo que Ressuscitou nossa Esperança e fundamento da solidariedade com a causa da Justiça.

Dom Mauricio José Araújo de Andrade, Bispo Primaz, Brasilia, DF
Dom Almir dos Santos, Oeste
Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria, RS
Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS
Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba, PR
Dom Sebastião Armando Soares Gameleira, Recife, PE
Dom Filadelfo Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ
Dom Saulo Mauricio de Barros, Belém, PA
Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS
Dom Roger Bird, São Paulo, SP
Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito
Dom Luiz Osório Pires Prado, Emérito
Dom Glauco Soares de Lima, Emérito
Brasília, 21 de abril de 2009.
Anselmo de Cantuária. Antes, corra o juízo como às águas; e a justiça, como ribeiro perene.(Amos 5:24)
A Igreja constitui a única sociedade do mundo que existe por causa daquelas pessoas que não são membros dela. Arcebispo William Temple, 1942.

Para esquentar o bi-campeonato

Para esquentar o bi-campeonato

No vídeo a Bela e a Fera. Na véspera do jogão nossa homenagem ao nosso Maestro e sambista Jadir Ambrosio.E de arremate, matéria do Jornal Estado de Minas a respeito da maior sequência de vitória na história do clássico. Dá-lhe Cruzeiro.

A vitória do Cruzeiro sobre o Atlético, por 5 a 0, neste domingo, no Mineirão, ficou marcada não só pelo fato de o clube ter repetido a maior goleada da história dos clássicos no Gigante da Pampulha. Com o triunfo, a Raposa igualou também a maior sequência de vitórias da história dos confrontos: sete.

Até então, a única marca de sete vitórias consecutivas havia sido alcançada nos confrontos entre 1964 e 1966, também pelo Cruzeiro. O segundo maior tabu de vitórias do clássico, com seis triunfos, pertence ao Atlético e foi conquistado nos anos de 1938 e 1939, quando o Cruzeiro ainda se chamava Palestra Itália.

A atual marca de vitórias, porém, já é mais expressiva que a dos anos 60, pelo impressionante saldo de gols conquistado. Curiosamente, a sequência começou há exatamente um ano, em 27 de abril, e com goleada semelhante à do último domingo: 5 a 0. De lá para cá, o Cruzeiro marcou 21 gols no rival e sofreu quatro. Uma média de três gols marcados por partida e 0,57 sofrido.

Entre 1964 e 1966, o Cruzeiro marcou 13 gols e sofreu quatro. Das sete vitórias, apenas duas foram por diferença de dois gols: 3 a 1, em 20 de junho de 1965; e 2 a 0, em 16 de dezembro do mesmo ano. As demais foram por diferença mínima. Há exatamente um ano, o Cruzeiro começava a série de sete vitórias consecutivas

As duas marcas históricas cruzeirenses coroam o trabalho de dois treinadores. Na sequência dos anos 60, Airton Moreira comandou o clube em todas as partidas. No tabu atual, Adílson Batista dirigiu a equipe em todos os sete triunfos.

Invencibilidade
A supremacia cruzeirense sobre o Atlético nos últimos anos também é comprovada pela marca de 11 jogos sem perder para o rival, com dez vitórias e apenas um empate. O clube persegue a maior invencibilidade da história dos clássicos: 13 jogos.

Até hoje, essa marca pertence ao Galo e foi conquistada entre os anos de 1985 e 1987. A invencibilidade atleticana, porém, conta com menor número de vitórias. São cinco triunfos e oito empates.

No próximo domingo, o Cruzeiro poderá se aproximar ainda mais dessa marca. Para ser campeão mineiro, o Atlético precisa vencer por cinco gols de diferença. Os jogadores e até mesmo o presidente do clube admitem que o título é praticamente impossível de ser conquistado e que o Galo entrará em campo para honrar seus compromissos.

Confira a atual sequência de vitórias do Cruzeiro:

27/04/2008 - Cruzeiro 5 x 0 Atlético (Campeonato Mineiro)
04/05/2008 - Cruzeiro 1 x 0Atlético (Campeonato Mineiro)
13/07/2008 - Cruzeiro 2 x 1 Atlético (Campeonato Brasileiro)
19/10/2008 - Cruzeiro 2 x 0 Atlético (Campeonato Brasileiro)

17/01/2009 - Cruzeiro 4 x 2 Atlético (Torneio de Verão)
15/02/2009 - Cruzeiro 2 x 1 Atlético (Campeonato Mineiro)
26/04/2009 - Cruzeiro 5 x 0 Atlético (Campeonato Mineiro)

Confira a seqüência de vitórias dos anos 1960:

15/11/1964 - Cruzeiro 1 x 0 Atlético (Campeonato Mineiro)
22/04/1965 - Cruzeiro 1 x 0 Atlético (Amistoso)
09/05/1965 - Cruzeiro 3 x 2 Atlético (Amistoso)
20/06/1965 - Cruzeiro 3 x 1 Atlético (Amistoso)
24/10/1965 - Cruzeiro 1 x 0 Atlético (Campeonato Mineiro)
16/12/1965 - Cruzeiro 2 x 0 Atlético (Amistoso)
09/02/1966 - Cruzeiro 2 x 1 Atlético (Campeonato Mineiro)

PS: 94% DOS INGRESSOS PARA O MAIOR DE MINAS. 17 CRUZEIRENSES PARA 01 ATLETICANO.

PS2: Como esperado o Cruzeiro conquistou hoje o seu 36° título. Me lembro que quando iniciei minha vida de torcedor, daqueles de não perder jogo em 1992 o Cruzeiro possuia 25 títulos. Em 17 anos ganhamos 11 mineiros (1992,1994,196,1997,1998,2002,2003,2004,2006,2008,2009). Neste mesmo periodo o rival, conhecido como Galo ganhou meros 4 títulos (1995,1999,2000,2007). Para se ter idéia nesse período o América ganhou metade dos títulos do Atlético 2 (1993,2001) e o Ipatinga 1 (2005). Isso é preocupante para o rival, quando começei a torcer tinhámos 25 títulos contra 35 do rival, portanto 10 títulos a mais para os cocotas, sempre imaginei ser impossível tirar essa diferença. Eis que agora 36 a 39.

ps 3: Em 2002 exisitiu um campeonato mineiro disputado só por times do interior deu Caldense de Poços de Caldas e depois o Super Campeonato Mineiro com Caldense e mais os 3 grandes que representavam o estado na Sul-Minas, neste o Cruzeiro se sagrou super campeão mineiro. Assim o ano de 2002 teve 2 campeões.