terça-feira, 21 de outubro de 2008

Endossos a Obama

Depois de meses sem eleição norte-americana. Falta de tempo, as notícias estão de volta nas palavras do excelente jornalista Argemiro Ferreira. Antes do artigo dele, acrescento outra informação que esta correndo na net. O Obama recebeu endoserment de 103 jornais, contra 32 a favor de Maccain. Nunca havia acontecido isso, um candidato ter o triplo de endossos, incluindo ai alguns históricos: Los Angeles Times depois de 26 anos fez um endosso, o último havia sido em 1972 e pela primeira vez endossa um Democrata. Além desse supreende o apoio do Washgton Post que sempre tende para os republicanos. O Chicago Tribune também endossou Obama. Desde que foi fundado, há 161 anos, esse jornal nunca apoiara um democrata. A revista Esquire a Fundada há 75 anos, que nunca manifestara preferência antes por qualquer candidato presidencial também apoia Obama.
O endorsement é algo que os jornais brasileiros jamais adotam, ou seja assumir em editoriais explicando o porque a escolha de um dos candidatos e não figindo ser neutro. Aliás a edição virtual do Estado de Minas de hoje é uma piada (é umpanfleto contra o Quintão) mas o jornal fez uma matéria ouvindo as lideranças da campanha do Lacerda e estas dizem que a cobertura do Jornal é isenta. O Virgílio Guimarães disse mais que a cobertura do Jornal é fantástica, interessante não era o que ele achava antes....

As razões de Powell para apoiar Obama

Fonte: http://argemiroferreira.wordpress.com/

Ele foi o negro - ou africano-americano - que chegou aos mais elevados cargos na história dos EUA. Primeiro, o mais alto da hierarquia militar: chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. Depois o de secretário de Estado, terceiro na linha da sucessão (depois do vice e do presidente da Câmara), no qual resistiu enquanto pode à guerra no Iraque - e afinal aceitou defendê-la nas Nações Unidas.

Mas Colin Powell, que em 1995 era o candidato potencial preferido pela maioria dos americanos (republicanos, democratas e independentes) à Casa Branca, viu a própria imagem ser destroçada antes de deixar o governo Bush ao fim do primeiro mandato. Arrependeu-se publicamente do discurso na ONU, onde o pretexto das inexistentes armas de destruição em massa foi usado para justificar a guerra.

Desde então tem tido papel discreto, relativamente fiel ao partido ao qual se filiou em 1995, o republicano. Até ontem, quando reapareceu no centro do palco, como convidado do Meet the Press da NBC, e anunciou em entrevista que dará seu voto em 2008 ao democrata Barack Obama. Seria apenas mais um apoio, mas Powell foi mais longe - e fundamentou muito bem seus argumentos (leia íntegra da transcrição AQUI; e clique no YouTube, no final deste post, para ver e ouvir parte da entrevista).

Um conjunto de motivos fortes

Como ex-chefe militar e ex-secretário de Estado, seu respaldo contribui, em primeiro lugar, para desautorizar a alegação tão repetida pela campanha rival de que Obama está insuficientemente preparado para ser comandante em chefe. Powell foi enfático ao dizer que conhece John McCain há 25 anos e passou a conhecer Obama muito bem nos últimos dois.

“São ambos americanos dedicados e patriotas. (…) Qualquer um dos dois pode ser um bom presidente. (…) Preocupo-me com o rumo tomado pelo Partido Republicano nos últimos anos. Foi mais para a direita.” Quanto a Obama, Powell acha que passou bem pelo teste sobre a dúvida levantada em torno de suposta falta de experiência.

Durante o agravamento da crise econômica, disse, foi possível observar o comportamento dos dois candidatos. McCain inseguro, quase com um enfoque diferente a cada dia sobre como enfrentar a situação. “E fiquei apreensivo ainda com a escolha de Sarah Palin para vice”, disse o ex-secretário de Estado. “Minha conclusão foi de que ela não está preparada para ser presidente. Para ser vice, é preciso estar. Tal detalhe levanta dúvida ainda sobre a capacidade de julgamento de McCain”.

Quanto a Obama, Powell observou “uma firmeza, uma curiosidade intelectual, conhecimentos profundos e o enfoque adequado de problemas como esse da escolha do candidato a vice-presidente. Para mim, ele está perfeitamente preparado para exercer a presidência. Mostra vigor intelectual, não fica mudando a cada dia, daqui para ali.”

Um rumo estreito e perigoso

Com base na sua observação das últimas sete semanas, Powell também achou que a conduta do Partido Republicano e do próprio McCain tornou-se cada vez mais estreita. Obama, ao mesmo tempo, mostrava visão mais inclusiva e mais ampla sobre as necessidades e aspirações do povo americano, buscando superar as divisões étnicas, raciais e de gerações.

Para o candidato democrata, segundo o ex-secretário, “toda aldeia tem seus valores, todas as cidades têm valores. Não são apenas as cidades pequenas que têm valores”. A referência é ao discurso que passou a ser adotado na campanha republicana, principalmente pela candidata Palin.

“E, francamente, também estou desapontado com alguns dos enfoques recentes que passaram a aparecer nos anúncios de McCain. Sobre coisas que nada têm a ver com os problemas do país. Como o caso Bill Ayers, que passou a ser o centro da campanha (republicana). Por que essa insistência nisso? E porque os robocalls em todo o país insinuando ligações inexistentes de Obama com terrorismo?”

A última referência é aos telefonemas gravados de ataques aos democratas, feitos através de centrais automáticas. Powell não chegou a dizê-lo explicitamente, mas indicou que isso e o papel da vice Palin são parte do novo rumo mais à direita dos republicanos. Ele vê ainda com preocupação o fato de que o futuro presidente terá de indicar mais dois juízes para a Suprema Corte. Acha que McCain escolheria mais dois conservadores.

Contra o preconceito anti-islâmico

Há coisas que McCain não chega a dizer, mas Powell ouve de pessoas do partido. “A campanha permite que seja dito, por exemplo, que Obama é muçulmano. Ora, ele não é muçulmano. É cristão, sempre foi. E se fosse islâmico? O que há de errado em ser muçulmano neste país? (…) Ouvi altos membros do meu partido dizerem: ‘É muçulmano e pode estar ligado a terroristas’. Não se pode fazer isso na América”.

Ao reagir com firmeza, Powell citou ensaio fotográfico que viu numa revista. Incluia a foto de uma mulher com a cabeça junto ao túmulo do filho no cemitério de Arlington. A lápide citava condecorações por bravura na guerra do Iraque. Ele morreu ali, aos 20 anos. “Não havia cruz cristã, nem estrela de Davi, mas a crescente e a estrela da fé islâmica. (…) O nome dele era Kareem Rashad Sultan Khand”, disse.

Powell negou na entrevista estar apoiando Obama por ser negro como ele. E indignou-se mais de uma vez com as alegações absurdas e de má fé da campanha de McCain sobre o caso Ayers. Disse que Obama conhece bem os problemas do país, fala com autoridade sobre eles, sabe os desafios a enfrentar e está cercado por gente muito qualificada, terá excelente assessoria. “Está pronto a agir já no primeiro dia”, garantiu.

Mais uma Universidade Federal aprova política de cotas

Abaixo a notícia de que a UFS adotou a categoria Cota, do Programa de Ações Afirmativas. Agora são 53 Universidades federais.
Como não podia deixar de ser, vou destilar minha cantilena militante, a UFMG continua firme e forte em seu projeto varguardista de ser a única a se recusar a essa modalidade, sempre correndo para outros subterfúgios como sobretaxação de notas, cursos noturnos, aumento de vagas universais e etc. Alías Vcs vâo ver na fala do reitor da UFS que essas questões servem para somar e não substituir. Assim lá eles aumentaram o número de vagas, criaram o noturno, abriram curso mas implantaram cota.

Mais uma Universidade Federal aprova política de cotas
Fonte: Afropress:


Aracaju/SE - A Universidade Federal de Sergipe (UFS), aprovou por meio do seu Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe) o Programa de Ações Afirmativas (Paaf), que garante a implementação da política de cotas para negros e indígenas, a partir do Processo Seletivo Seriado de 2010. Com a de Sergipe chega a 53 o número de
instituições públicas a adotarem ações afirmativas no país.

O Programa garante a reserva de 50% das vagas para estudantes de escolas públicas. Desse total, 70% serão destinadas a estudantes autodeclarados negros, pardos ou indígenas. Também será reservada vaga por curso aos portadores de necessidades especiais.
Segundo o reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Subrinho, a aprovação do sistema 'é mais um reflexo da política de expansão e inclusão vivida pelas universidades públicas nos últimos anos'. 'Acredito que nossas políticas de ações afirmativas – neste caso, as cotas – é um coroamento para tornar a universidade mais inclusiva. Começamos com o aumento do número de vagas e, posteriormente, a ampliação de vagas nos cursos noturnos. Viabilizamos a interiorização da universidade, através do sistema a distância, e padronizamos o horário de ofertas dos cursos diurnos. Agora, aderimos às cotas.Todas essas medidas tornam a universidade mais receptiva', disse Subrinho.

Programa

O Programa de Ações Afirmativas da Universidade sergipana tem duração prevista de dez anos e passará por uma avaliação da Universidade após a formatura das primeiras turmas nos primeiros cinco anos, por uma comissão criada com o objetivo de monitorar o funcionamento, e sugerir ajustes e modificações.


s cotas mudaram a cor da UnB


Zulu Araújo

Presidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura

O título deste artigo é a declaração da estudante Bernadete de Lourdes Silva Ferreira dos Santos, formanda do curso de Letras e cotista da Universidade de Brasília, primeira instituição federal brasileira de curso superior a aderir, em 2004, ao sistema de cotas para afro-descendentes. Assim como Bernadete, quase 50 outros estudantes ingressos pelo sistema de cotas estão se formando nos próximos dias e mostrando ao Brasil uma nova realidade.

A expectativa era essa mesma: as cotas mudaram a cor não só da UnB, mas do Brasil. Matéria publicada pelo Correio Braziliense, no caderno Gabarito, do dia 4 de agosto, revela o que já esperávamos. A política de cotas é uma das mais acertadas políticas de ação afirmativa no país. A Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura, criada para valorizar e divulgar a cultura dos afro-descendentes, considera muito relevante e comemora o fato de que apenas 1% dos estudantes que entraram para a Universidade de Brasília pelo sistema de cotas tenha abandonado a universidade.

São dados como esse que dão conta da dimensão das propostas para a superação do racismo em nosso país. Infelizmente, os alunos que ingressam na universidade pelo sistema de cotas ainda enfrentam a desconfiança de professores, de colegas e da sociedade. Falam mais alto agora os resultados. De acordo com a pesquisa realizada pela Assessoria de Diversidade e Apoio aos Cotistas da UnB (Adac), os dados são estimulantes e derrubam argumentos preconceituosos de que os cotistas não seriam capazes de acompanhar o ensino superior. Além de apenas 1% abandonar o curso, o desempenho acadêmico dos cotistas ficou acima da média. E mais: a média de trancamento de disciplinas foi de 0,5% e a de reprovação apenas de 1,5%.

Nos próximos dias assistiremos, bastante satisfeitos, o sonho realizado desses jovens. A formatura dos primeiros estudantes aprovados pelas cotas na UnB é a prova cabal de que essa política é eficaz na redução de desigualdades. A situação profissional desses jovens negros e negras revela-se promissora. Senão vejamos: mais de 57% dos formandos já ingressaram no mercado de trabalho; 18,4% estão concluindo estágios e 23,7% estão estudando para concurso público.

Nesse 2008, em que o país celebra 120 anos de abolição da escravatura, cabe, porém, a reflexão do quanto ainda se deve concluir para uma mudança da realidade discricionária e excludente da sociedade brasileira. E esses resultados apontam para a possibilidade de uma nova realidade, na qual gerações futuras de afro-descendentes devem impor um novo olhar sobre si. Há pouco, o Ipea divulgou pesquisa reveladora: negros e pardos já são declaradamente 49,5% da população brasileira, o que demonstra mudanças significativas no que diz respeito à afirmação da identidade afro. Delegamos isso à prática das políticas de ação afirmativa que vêm nos últimos anos fortalecendo e ampliando atitudes nas quais a pertença racial seja fator de inclusão social, não o contrário.

A afirmação da identidade contribui para reforçar a auto-estima e a idéia de pertencimento. É o que percebemos nas declarações dos jovens citados na reportagem e que se orgulham do seu feito. "Me sinto realizado", diz um. "A UnB me abriu portas", diz outro. "É uma vitória para toda a família. Mas precisa ser de muito mais gente", declara um outro.

Nessas declarações estão nítidas a sensação da conquista, do jogo ganhado, e o que isso pode representar para suas vidas futuras. Construir a sua própria história implica a possibilidade de percorrer novos caminhos. Nessa perspectiva, é que vemos a atitude da UnB e de outras mais 51 instituições públicas de ensino superior superarem a si mesmas e ajudarem a construir um novo amanhã para o povo negro do Brasil.

Esse significativo esforço do poder público respalda a luta de muitos negros e negras por direitos fundamentais, como educação e trabalho. É claro que a promoção da igualdade racial no Brasil vai muito além da adoção dessas políticas de cotas. É preciso muito mais na abordagem da questão racial no Brasil. Esses primeiros jovens formandos pelo sistema de cotas da UnB estão mudando paradigmas, além de protagonistas e referências da construção de uma nova idéia de liberdade para a comunidade negra brasileira. São eles que vão dar o testemunho desses novos tempos. A semente foi lançada; é preciso semeá-la.


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artigo publicado originalmente no jornal Correio Braziliense, 11/08/2008

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sobre as eleições em BH

Já que sou bombardeado com a média de 10 e-mails por dia atacando o Leonardo Quintão me senti na liberdade de enviar para todos as palavras mal rascunhadas abaixo e no fim um texto do Idelber Avelar só para balancear um pouco. Já digo que minhas palavras e o texto abaixo não são diretamente favoráveis ao Quintão; na verdade é contra os dois candidatos, mas chama a atenção para algo que estranhamente sumiu dos debates nos últimos dias. E faço algumas indagações provocativas, afinal quem me conhece sabe que gosto de antes de aderir o coro dos contentes de questionar bastante (o que Vcs chamam sempre de meu lado chato..rs, e é verdade).

A candidatura Lacerda é um conchavo anti-democrático de 02 homens a impor um cabestro sobre a cidade. Esse é o fato o resto e inclusive esse texto são versões sobre esse fato. O meu problema foi e continua sendo esse, não tenho espírito para ser toado. Mas antes dos ataques mais violentos já adianto não acho o Leonardo algo postitivo, concordo que é populista e demagogo, mas e outro lado não é anti-democrático, arrogante e também demagogo. Isso para não dizer a campanha de baixo nível (e que não se tente negar o óbvio, o próprio Virgílio Guimarães e o Miguelzinho. .. coordenadores da campanha do Márcio assumiram isso em nota pública, aliás o tal de Miguelzinho até se pergunta em artigo publicado no Jornal O Tempo se vale a pena ser bonzinho em política. Seja lá o que significa isso... Outra coisa será que somente nós a elite somos capazes de perceber o óbvio, o quão ruim é o Leonardo e o restante da população são meros ignorantes que não sabem votar? Será que os que opuseram a aliança incluindo ai o respeitado Patrus não tem valor algum? Enfim poderia levantar uma série de perguntas desse tipo.
Isso para não falar em algo mais estranho o candidato da Aliança do primeiro turno é aquele que no segundo pede a todos votem nele e não em Aécio ou Pimentel. Pera ai respeite nossa inteligência.
Ou o candidato que se diz contra manobras e conchavos. Ahn???
Ou será que não é popiulismo e fisollogia reunir os delegados do OP para publicamente o apoiar e questionar a dignidade do adversário (ou seja, até mesmo o OP menina dos olhos do PT como exemplo de cidadania é maculado e se torna programa eleitoreiro. Afinal como disse uma delegada do OP Márcio precisa ganhar para continuar as obras), isso para não falar em outros setores com os funcionários municipais pressionados apoiar publicamente esse candidato. Ou aquele que acha que a PBH é mal administrada (vejam o Estado de Minas de hoje) e que o modelo petista é bem intencionado mas atrasado (diga-se de passagem a favor do Márcio que segundo ele o próprio Pimentel concorda com a afirmação ainda bem que a 04 anos atrás não votei nele e naquela época já dizíamos que ele não representava o PT de outrora) que a partir do ano que vem a PBH precisa de um choque de gestão como o feito pelo governador. Ah pera aí, o cara fala baertamente que vai destruir o modelo democrático-popular e substituir por um modelo baseado nos ideias liberais (veja se efetivamente o Estado é a maravilha apregoada na propagandas, converse com um funcionário público e veja o que ele acha do choque de gestão) e um bando de petista que se agarram ferozmente a seus cargos comissionados finge que não é com eles.
Por fim quero novamente deixar claro aqui não é campanha pró Quintão.

Até aqui devem estar pensando, ora esse é um texto a favor do Quintão. E digo, não, não é. É um texto contra os dois candidatos, mas no entanto como só recebo os dados de um lado resolvi construir esse desse modo para contra argumentar. Afinal não existe escolha entre o péssimo e o ruim , ou melhor dizendo entre duas coisas que não me representam. Provavelmente votarei nulo. Mas uma coisa é certa não conte comigo nesse teatrinho pró Márcio vs o terrível Quintão. Espero que pelo menos as pessoas mantenham o mínimo de senso crítico.
Como disse uma amiga no mais sábio dos e-mails que recebi (muito longe, por exemplo, dessas palavras mal escritas e apressadas) qual a lógica dessa guerra de e-mails? Nós estamos em uma competição para ver quem é menos sórdido? Para eleger o menos pior? Sinceramente Belo Horizonte e nós eleitores (principalmente aqueles que lutam em diversas áreas por mais justiça soial) merecíamos mais.
Perdão pelo erros de escrita e pontuação mas esse texto não se presta a campanha é só a expressão do que sinto e acho e por isso vai ficar da forma que veio.

Abaixo, o texto do Idelber Avelar, do muito bom blog Biscoito Fino

Dois mineirim

-- Só precisamos encontrar um candidato maleável, sabe como é?

-- Eu já tenho. Vai ser o Márcio mesmo.

-- Será que cola? Ninguém conhece. Além de tudo tem a fortuna dele, a história do valerioduto, aquela falcatrua na CEMIG....

-- Deixa de ser bobo, Fernando. Como está a aprovação da prefeitura?

-- Por volta de 82%.

-- Mais a máquina do estado. A imprensa já está orientada. O Estado de Minas, como sempre, fiel. O MG TV já está martelando a idéia da unidade para o bem de Minas. Transcender as divisões artificiais que nos separam, aquela coisa toda. Vai ser no primeiro turno.

-- Tem legenda?

-- Claro, o PSB daqui está no bolso.

-- Se vamos de PSB, não é melhor a Ana Lúcia, que tem história, é conhecida na cidade?

-- Vetada. Não é maleável. Tem mania de ser independente demais. Não dá para confiar. E os radicais do PT?

-- Fica tranqüilo. Esses a gente esmaga na convenção. Só no Santa Inês ontem nós filiamos mais 300. Com as Kombis, os sanduíches, coisa e tal.

-- E o Patrus e o Dulci?

-- Estão lá com o Lula. Não vão arriscar o desgaste.

-- Se o Patrus baixa aqui em BH, ele ganha eleição direta até para presidente do Cruzeiro.

-- O Patrus é atleticano.

-- Pois é.

-- Não se preocupe. A gente solta a notícia quando já for fato consumado.

-- E se os radicais lançam um Rogério Correia da vida com o PC do B?

-- Não têm fôlego, não têm grana. Não dão nem para a saída.

-- Então está limpo o terreno.

-- Limpíssimo.

-- É, meu caro, você pode ir pensando no seu vice para o Palácio da Liberdade em 2010.

-- Tenho a sua palavra, então.

-- Claro. E para a minha jornada ao Planalto já está tudo acertado com o PMDB se o Vampiro encrespar lá em São Paulo.

-- Conte comigo. E como começamos a campanha?

-- Um ato conjunto pela unidade do estado. Minas volta ao protagonismo na cena nacional. Retoma sua tradição de reconciliação e negociação.

-- Seu avô se orgulharia de você, amigo. E depois?

-- Já está marcada a caminhada de sábado com o Márcio no Mercado Central.

-- Nos encontramos lá então?

-- Sim, mas tem que mandar o motorista buscar o Márcio.

-- Por quê?

-- Ele não sabe chegar no Mercado Central.

-- Qual o seu cálculo de resultado?

-- Venceremos no primeiro turno com 65%. É só esperar abrir as urnas.


Escrito por Idelber às 05:50

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Os nossos ídolos

A algum tempo atrás teve uma excelente discussão aqui no Páginas Heróicas sobre o significado da palavra e da idéia de ídolo. Lembro até que dei um pitaco a luz da antropologia e outros a luz de seus conhecimentos. Mas esse texto, não se trata disso muito pelo contrário. A idéia de ídolo aqui diz respeito a um sentimento e, portanto não necessita de racionalização. Trata-se na véspera de mais um clássico de homenagear alguns dos que me fizeram bastante feliz. Só a título de metodologia informo que sou de 1982 e acompanho efetivamente (e de forma bem atenta) o futebol desde 1992. Portanto segue minha lista, mas lembrei-se não é fruto da razão. Tal qual a lista dos maiores jogos que assistimos, as vezes um jogo nos toca por uma razão muito pessoal:

Marco Antônio Boiadeiro: Boi, boi, boi, boi Boiadeiro faz um gol para torcida do Cruzeiro. Primeiro grande idólo que me lembro, daqueles cantado pela torcida.

Luís Fernando Flores: grande camisa 10, subestimado naquela época mas sempre fundamental para o time. No futebol de hoje seria considerado craque e vendido por 7 milhões de dolares para o futebol russo.

Renato Gaucho: em sua curta temporda, não chegou a seis mese. Fez muitos gols, alegrou a torcida, ganhou títulos. Fez inesquecíveis 5 golos em um unico jogo internacional. Para os mais velhos era um grande rei da noite, para o menino um exemplo e da-lhe faixinha na testa.

Nonato: a legend no que essa palavra tem de essencial. Grande capitão, colocou o ato de trabalhar pelo time acima de algumas limitações.

Cleisson: o atacante que nos deu a Copa do Brasil de 1993 e o renovado e grande volante das temporadas de 1997 para frente.

Roberto Gaucho: o último grande ponta. Grande jogador, grande raça. Faz falta no futebol robótico de atualmente.

Toninho Cerezo: o palhaço foi o homem do ano de 1994. Craque do campeonato mineiro que ganhamos e homem fundamental para não caírmos em jogo dramático na Vila Belmiro.

Ronaldo: sim ele, e não o Ronaldinho inventado pelo Galvão. Até hoje o trato tal como torcíamos por ele, Ronaldo. Me fez raspar a cabeça e ir na sua recepção e jogo de despedida após a Copa.

Dida: o Grande, o Espetacular, o maior de todos.

Marcelo Ramos: o artilheiro das grandes conquistas e além de tudo esta entre os 10 maiores da nossa história, o unico depois dos anos setenta nessa lista.

Valdo: o mestre, o professor. O jogador que me deu maior prazer até hoje nesse negócio chmado futebol.

Fábio Júnior: na essência da idéia de ídolo para mim. Não importa o tempo que jogou, as várias fases e etc. O ídolo aqui é aquele dos 3 gols no carcarejante e do título da Copa do Brasil.

Gomes: o homem borracha. Aquele que além de grande jogador um grande caráter. Daquele tipo que ainda hoje liga para o cruzeiro. Um torcedor do time.

Cris: grande capitão. Cansou de bater e tripudiar em todos os sentidos do outro lado...

Maurinho: o grande pulmão. Como era bom ver as arrancadas do Maluco

Leandro: irreverente e competente. O melhor lateral que vi noCruzeiro.

Recife: Recife, Augusto, Recife, Augusto. Segurou a barra para o pessoal brincar.

Alex:

(não consigo dizer em palavras)

Fred: o último grande. A raça das bolas não perdidas. O Fred guerreiro ...

Lutar, lutar, lutar, lutar,lutar sempre

Miscigenação diminui o QI dos brasileiros.

Charles Murray, autor desta frase imbecil e racista estará na UFMG no próximo dia 22 e nos brindará com a explicação de sua teoria "matemática" sobre os QI. O mais notável é que esse cientista político (não sabia ser o QI especialidade dessa área) diz não se importar com as críticas, posição política interessante essa... Bom enfim, vai ver que ele tem razão (eu como miscegenado para alguns e negro por auto-definição e cientista do social por formação) é que não consigo entender essa lógica.Na qual a prova matemática deve ser a ausência de professores negros na UFMG, que como lembra o antropológo José Jorge não chega aos 20 professores (em um universo de aproximadamente 4500), sendo que deste a metade esta na FAE... No fundo apesar de um monte de e-mails raivosos que já recebi sobre esse evento ...Murray e UFMG até que tem haver.
Esses dias tem sido "animados" primeiro é o candidato Márcio Lacerda que em entrevista diz que se tem que ter claro que parte do problema da violência se deve a genética de alguns, ou seja o problema é natural e não social, depois é um cineasta que assina uma coluna na Revista Trip em que alegremente conta a história de quando estuprou sua empregada negra (como se isso fosse normal) e no fim até acha graça do caso e tal como ele, acredita que a vítima hoje deve rir do episódio (arghhh- sem comentários) agora essa visita do Murray. Bom poderia aqui ser ingênuo e achar tudo isso uma coincidência, mas não é. Só foi o movimento negro colocar a cabeça para fora, o dedo no problema e exigir direitos que a onda contrária saiu do armário e veio com tudo. Por isso apesar das chateações com essas posições, acredito é que devemos encará-las (os que defende as políticas diferencialistas) de frente, afinal o contra-ataque faz parte do jogo. Ao nos colocarmos na arena pública devemos estar preparado para a disputa.
Por fim só para apimentar um pouco mais, o problema é que esse charlatão(como deixou a entender um amigo que leu o principal livro desse Murray) vem em um evento sério discutir a questão do desenvolvimento acadêmico em nossa universidade....por isso digo, não é falta de discernimento é opção mesmo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Capitalismo humilhado e um país idem

Depois que ouvi o edital do Jornal da Globo, falar em editorial que não é o fim do capitalismo mas sim sua maior humilhação a ESTATIZAÇÃO levada a cabo pelo governo dos EUA. Bom segundo as informações, até o momento a maior vítima dessa crise é a Islândia, o país de Bjork foi totalmente a bancarrota e também o melhor IDH do mundo, isso mesmo o melhor Índice de Desenvolvimento Humano doMundo. Como estava curioso sobre essa Ilha gelada, corri atrás da Islândia tinha visto um programa na Tv a respeito de questões geológicas, sim esse país é a meca para esse estudo pois se encontra na area de convergência de duas grandes placas tectônicas, terremotos e vulcões algo espatacular é só vê as imagens. Ou seja, uma ilha que daqui alguns milhares de anos estrá separada.
Mas vamos ao que interessa, notícias da Islândia:

Durante os séculos 9 e 10, a Islândia foi habitada por imigrantes celtas e noruegueses. Estabelecida no ano de 930, a Althing é a mais antiga assembléia legislativa em operação no mundo. Após permanecer independente por 300 anos, a Islândia foi governada pela Dinamarca e pela Noruega. A erupção dovulcão Askja em 1875 arruinou a economia da Islândia e provocou escassez em larga escala. Nos 25 anos seguintes, 20% da população do país migrou para os EUA e Canadá. A Islândia conquistou completa independência da Dinamarca em 1944. O país é conhecido mundialmente por seus altos níveis de coesão social, renda, longevidade e alfabetização.
Dados populacionais

  • População: 304.367 (julho de 2008).
  • Taxa de natalidade: 13,5 nascimentos por 1.000 habitantes (2008).
  • Taxa de mortalidade: 6,81 mortes por 1.000 habitantes (2008).
  • Grupos étnicos: mistura homogênea de descendentes de nórdicos e celtas (94%), população de origem estrangeira (6%).
  • Principais religiões: igreja luterana da Islândia (85.5%), igreja livre de Reykjavik (2.1%), igreja católica romana (2%), igreja livre de Hafnarfjorour (1.5%), outras cristãs (2.7%), outras ou não especificadas (3.8%), não afiliados (2.4%).
  • Línguas: islandês, inglês, línguas nórdicas e alemão.
  • Alfabetização: 99% (2003).
  • IDH 0,968. Posição no ranking: 1° entre 177 países.
Economia

A economia padrão escandinavo da Islândia é marcada por um sadio sistema de previdência social, baixos níveis de desemprego e distribuição de renda equilibrada. A indústria da pesca produz 70% dos lucros da exportação e utiliza 6% da força de trabalho. As principais exportações da Islândia incluem ferrossilício, pescados e produtos relacionados e alumínio.

  • Indústrias: processamento de peixe, fundição de alumínio, produção de ferrossilício, energia geotérmica e turismo.
  • Taxa de desemprego: 1% (2007).
  • População abaixo da linha da pobreza: não divulgado.
  • Exportação: peixes e produtos derivados, alumínio, produtos de origem animal, ferrossilício, farinha fóssil.
  • Importação: petróleo, maquinaria e equipamentos, derivados de petróleo, gêneros alimentícios, têxteis.

Meio ambiente

  • Porcentagem de área terrestre coberta por florestas: 0,5% (2005).
  • Emissão de dióxido de carbono (em milhares de toneladas métricas de CO2): 2,229 (2004).
  • Proporção total da população que utiliza água tratada: 100% (2006).
  • Proporção total da população que utiliza serviços de saneamento: 100% (2006).
Governo

  • Tipo: república constitucional.
  • Sistema legal: sistema de direito civil baseado na lei dinamarquesa, não aceitou a jurisdição compulsória da ICJ (Corte Internacional de Justiça).
  • Feriado nacional: Dia da Independência - 17 de junho de 1944.
  • Constituição: 16 de junho de 1944, em vigor a partir de 17 de junho de 1944, emendada várias vezes.

Geografia e turismo

  • Localização: norte da Europa, ilha entre o Mar da Groenlândia e o Oceano Atlântico Norte, a noroeste do Reino Unido.
  • Clima: temperado; moderado pela corrente do Atlântico Norte; invernos com ventos; verões úmidos e frescos.
  • Principais atrações: Parque Nacional Snaefellsjökull, Glymur e Heimaey.
  • Vacinas: hepatite B.
  • Distância do Brasil: 9.134,31 km (a partir de Brasília).
  • Moeda: coroa islandesa.
No mapa abaixo, a Islândia é a pequena Ilha ao lado da Groelândia (Ilha grande) de posse da Dinamarca:

Islândia
Islândia

Islândia



Capital: Reykjavík


Língua oficial: islandês, inglês, línguas nórdicas e alemão.

Nome oficial: República da Islândia.

Descrição da bandeira: azul com uma cruz vermelha contornada em branco, estendendo-se para as extremidades da bandeira; a parte vertical da cruz é deslocada para o lado do hasteamento, no estilo da Dannebrog (a bandeira dinamarquesa).

Maior(es) cidade(s): Reykjavík

Área: 103.000 km2

Coordenadas: 65 N, 18 W

Fronteiras: cercada pelo Mar da Groenlândia e o Oceano Atlântico Norte.

Os defeitos são sempre dos outros

Quando sobra um tempinho, cada vez mais raro sou colaborador do Blog do Cruzeirense: Páginas Heróicas Imortais. Esse fim de semana publicaram lá o seguinte texto meu, que reproduzo aqui:

Os defeitos são sempre dos outros

12 Outubro 2008

Carlos Eduardo Marques

Peço licença pra fazer algumas considerações sobre os chamados anticruzeirenses. Por que será que temos tanta dificuldade com o outro? Com o diferente ou mesmo com o que pensa diferente de mim?

As respostas são variadas dependendo de quem as responde. Os antropólogos, como eu, diriam uma coisa, os psicólogos diriam outra, os psicanalistas outras mais e assim sucessivamente.

Todo esse preâmbulo é uma forma de tentar responder algo cada vez mais comum nessas nossas Páginas Heróicas Digitais que é a tentativa de desqualificar o outro.

Cada vez mais o que pensa diferente é tratado como simplista, ou mesmo com palavras agressivas como: idiota, otário e a pior de todas as classificações: anticruzeirense.

Pera ai, gente, vamos nos respeitar mais. Como diz o ditado, cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é. Ora é necessário respeitar a todos aqueles que torcem e distorcem a realidade, aqueles que torcem, mas não distorcem a realidade, aqueles que só torcem e aqueles que só distorcem.

Eu, particularmente, me irrito bastante com as vaias, na maioria das vezes inoportunas e no momento errôneo, pois acontecem quando o time mais precisa de apoio.

Mas isto não me autoriza sacar de uma possível superioridade de acusador e colocar o dedo em riste e gritar para outro: Anticruzeirense!

Melhor seria pensarmos nos motivos que levam aos torcedores inferiores (a julgar pela maioria das opiniões expostas aqui) a se comportarem da maneira como fazem.

Talvez, me permitam, aqui, fazer uma sociologia rasteira, perceberíamos que para muitos destes torcedores, ao contrário das acusações feitas aqui, futebol é algo muito mais profundo do que para nós (e olha que sou considerado fanático). Por isto, suas reações também são mais profundas e irracionais.

Para eles, a vaia é um meio para demonstrar este envolvimento. Para muitos deles o futebol é o único lazer, cultura, divertimento. Divertimento, lazer e cultura, diga-se de passagem, cada vez mais caros.

Sim amigos (talvez vocês não percebam isso) mas a renda média na periferia de nossa cidade ainda é de assustadores 2 salários, portanto R$20 é algo bastante caro.

Com tudo isso não quero ser piegas, mas somente nadar contra a corrente e pensar que, ao contrário de muitos de nós, para esses chamados anticruzeirenses, o Cruzeiro é a razão de suas vidas. É como diz o poeta: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Só assim podemos entender como, por exemplo, esses cruzeirenses inferiores podem vaiar e atrapalhar seu time e como nós os cruzeirenses superiores (bem sucedidos economicamente, educacionalmente, socialmente) perdemos a razão e vemos teorias conspiratorias por todos os lados.

Sim, meus caros, infelizmente, os problemas do Cruzeiro não são somente culpa da imprensa galinácea. É sobre isso que este texto trata: todos somos irracionais diante da nossa paixão pelo maior de Minas, no entanto os defeitos são sempre dos outros e nunca nossos.

Carlos Eduardo Marques, 26, cruzeirense, Antropólogo e Professor da Faculdade de Ciências Jurídicas da FEVALE/UEMG, em Diamantina, nasceu e mora em Belo Horizonte.

Preambulo: Veja alguns comentários:

  1. Jorge Santana escreveu:

    Não é nada disso, Carlos Eduardo. Anticruzeirense não é quem vaia o time, mas quem faz campanha contra o clube por não gostar de seus cartolas. Atleticanos são emplumados. E vice-versa, diria Mário Jardel. E estão certos de torcer contra o Mais Querido de Minas. O anticruzeirense, contudo, se passa por cruzeirense mas, tudo o que faz é campanha permanente contra o time. Otários são os que se deixam levar pelos anticruzeirenses. E quem usa 40 nomes diferentes para entrar em espaços virtuais freqüentados por cruzeirenses para repetir ad nauseam o mesmo comentário contra o time e seu treinador não é nenhum pobre-coitado da periferiaa que mal pode pagar R$20 para ir ao Mineirão. É provocador ou anticruzeirense mesmo.

  2. Marcelo escreveu:

    O Carlos Eduardo está certo, mas dentro do contexto do blog, o texto dele não se encaixa.

    Nesse último jogo, eu fiquei em pé o tempo todo, em certo momento do jogo estava ao meu lado um cara e eu comecei a conversar com ele, e eu reclamava: Oha só, aqui deve ter 13 mil pagantes (acertei quase em cheio) e o time em terceiro lugar, lamentável. E ele respondeu: “Poisé, mas o ABap não ajuda né, a torcida fica desanimada, ninguém tá acreditando no título”. Nessa hora eu assustei, essa crença no título está restrita ao blog praticamente, o público e o comportamento dele nos jogos ajuda a evidenciar isso.Depois o cara ainda falou: “É difiícil né, eu sou pai de família e o ingresso é caro, tem estacionamento, o tropeiro… fica muito apertado”.

    Analisando outro ponto do texto, eu acho um erro TENTAR considerar uma maior entrega, uma maior paixão desses torcedores (os tropeiristas) pra explicar atitudes radicais, pra mim a questão vai mais pro lado da idéia de serem manipulados facilmente. O fato de alguém ter tatuagem do time no peito, chorar quando o time ganha ou perde, chegar ao extremo de arrumar confusão pelo time não o faz necessariamente um fanático, aliás, hoje em dia a gente vê muito isso, e na hora de demonstrar amor ao clube ele não existe.

  1. Hermes escreveu:

    Carlos Eduardo, concordo com cada letra do seu texto, parabéns. Observe um detalhe, nossa torcida é maioria no interior, qual o apoio que o clube oferece para esse torcedor? nada, ou melhor, ingresso mais caro no dia do jogo. Voltando ao texto, esse termo “anti-cruzeirense” sempre é usado para os discordam e criticam, mas muitas vezes esse têm razão. Talvez seja a paixão falando mais alto que a razão. Eu já fui chamado disto, logo eu, que tenho uma história e uma família baseada no CRUZEIRO.

  2. Dylan escreveu:

    Carlos Eduardo, parabéns pelo seu oportuno e inteligente comentário. De fato, vigora aqui algumas vezes uma noção de que temos razões superiores para entender o que se passa na cabeça do torcedor. Se ele é crítico em relação ao time só pode ser manipulado ou tropeirista. É o mesmo raciocinio que leva alguém de classe média a defender que pessoas sem educação escolar não votem, sem saber que falam isto com o cabresto em volta do próprio pescoço. A torcida do Cruzeiro de fato tem caracetristícas especificas que ajudam a explicar sua incompatibilidade com o time esse ano. Acho que o Allison Guimarães foi quem chegou mais perto de explicar o que está rolando quando disse que a torcida este ano está sendo movida por ressentimentos. “A torcida tem crucificado o Adilson Batista mais pelo seu histórico de invenções, que pôs tudo a perder em alguns jogos”. É uma frase que eu pincei mas recomendo a leitura toda do texto. Isso é um sinal de intolerância do torcedor? Pra mim é, acho a vaia um instrumento burro na maior parte do tempo, mas acho que os defensores incondicionais do técnico estão sendo igualmente intolerantes quando partem para a desqualificação quando alguns problemas com a condução do time são levantados. E aqui deveria ser o espaço para isto. Outro dia o Tostão falou que falta bom senso ao Adilson. Não será possivel que outros achem a mesma coisa? E será que em alguns momento estas pessoas não estão certas? O que isto tem a ver com torcer contra? será que não é possível torcer a favor e fazer ressalvas ao mesmo tempo? São perguntas que ando fazendo a mim mesmo…

  3. Evandro Oliveira escreveu:

    Carlos Eduardo,

    Bela tentativa de explicar o inexplicável.
    EU diria que sua tentativa é de desqualificar, da mesma forma que você acusa outros desqualificadores.
    É certo que você desqualifica mais educadamente, para contrapor e aparentar essa “racionalidade” na análise que você diz ter e apresenta como superioridade.
    Eu poderia tentar dissecar seu texto, mas não vou…
    Só digo que está errado, muito errado…
    A razão pela qual eu chamo anticruzeirenses e utilizo os outros adjetivos que uso para aqueles que jogam CONTRA o patrimônio é simples: NÃO SÃO TORCEDORES.
    Quem sou eu para criticar seu texto-tentativa…
    Mas seria MUITO interessante que sua análise começasse pelo radical de TORCER.
    A paixão a que você se remete para defender o comportamento dos tropeiristas e anticruzeirenses NÃO DEVE, ao meu juízo, ser remetida pela desqualificação da análise e circunstâncias.
    Querer tapar o sol com a peneira dizendo que a responsabilidade está em nós mesmo e fazer defesa do que a mídia tem feito com a torcida, numa clara manipulação coletiva é muito pra mim.

    Mas tá valendo….

    Espero que os que lêem seu post parem para pensar um pouco… já terá valido a pena… só que esta de desqualificar a crítica e ainda tentar inocentar a mídia de parcela da responsabilidade do que acontece hoje no Cruzeiro e nem sequer citar a posição (omissão?) da diretoria nesta manipulação descarada, é compreensível mas não aceito.

    De qualquer forma, valeu a sua tentativa.

  4. Jorge Santana escreveu:

    Acompanhei o Cruzeiro durante muitos anos na Geral do Mineirão. É o melhor público do estádio. O pior é o das Cativas. O geraldino gosta de futebol, tenta entender o que se passa em campo e, principalmente, costuma praticar o esporte em suas vilas e bairros. O chique da cativa joga peteca, é doutor, é fodão, tem grana e, por isso, brasileiramente, se imagina cheio de razão. E tem inside information às pampas. Vive contando supostas histórias de bastidores. É o mala. Existe em todos os clubes. Na SEP, freqüenta a social, no meio do grupelho que Felipão apodou “turma do amendoim”. Na Cocota é o cara que estaciona a BMW no passeio pra fofocar nas reuniões do CD. No Vasco é o cara que se filia a grupos políticos e fica torcendo contra nas tribunas. Mas esta gente tem poder de fogo. Ela puxa a vaia, destrói tudo e, depois, vai ao cinema do shopping perto de sua casa.


  1. Walfrido escreveu:

    Não sou dos mais dóceis deste espaço. Mas tento, ao menos, compreender outras formas de ver o jogo. Sinceramente respeito, ou tento respeitar, opiniões diferentes. Percebo que a maioria tem criticas ao AB. Inclusive eu e outros que são, as vezes, citados como “defensores incondicionais”. Não penso que seja verdade.

    Não vejo ninguém aqui no PHD deixar de criticar. Uns são mais veementes, outros menos. Mas todos faríamos algo diferente, escalaríamos, se pudéssemos, nosso Cruzeiro diferente. Cornetar aqui é permitido, divertido e saudável. Refresca nossas convicções, traz nova luz aos fatos.

    Tenho acompanhado alguns jogos com o pessoal aqui do PHD e durante o jogo agente as vezes discorda com uma ou outra postura do técnico e/ou dos jogadores. É normal. Mas nunca os vi vaiarem o time. Isso pra mim, e acredito pra eles, é muito importante.

    O que eu penso que realmente revolta a grande maioria aqui é a vaia. Sociólogos, antropólogos, psicanalistas e quem quer que for pode analisar isso, mas na MINHA humilde opinião de engenheiro e torcedor apaixonado, VAIA É INADMISSÍVEL. E é inadmissível por uma razão por demais simples: não ajuda nada. Nunca, ninguém, me mostrou sequer um benefício da vaia durante o jogo.

    Vaia, reclamação, cornetagem aqui nos blogs, nos butecos, nas escolas e etc, ok. Defendo, e até recomendo. Respeitando é claro os diferentes pontos de vista. Mas no Mineirão, NÃO ACEITO E REPUDIO. Pra mim, quem vaia, joga contra, e quem joga contra é meu inimigo (no esporte, claro), e por isso eu vaio contra, luto contra, não aceito.

    Fora esse tema da vaia do torcedor, que deveria ser o foco da discussão deste post, o que revolta também são pseudotorcedores, na minha opinião arruaceiros e moleques, que entram aqui com dezenas de nicks diferentes para avacalhar a discussão achincalhando a seriedade do blog.

    Desculpem-me se me alonguei. Abraços.

  2. Gustavo Barcellos escreveu:

    Carlos Eduardo, acho que você pinçou nossas críticas aos tropeiristas e tratou delas fora do contexto, exaltando a liberdade de expressão e deturpando nosso verdadeiro objetivo.

    Não somos todos multinicks da Andréa Neves. Ninguém aqui está intimidando, ameaçando ou censurando os torcedores que vaiam. Em épocas de derrotas vergonhosas eu mesmo já vaiei o time do Cruzeiro, e não foi pouco não.

    Agora, vaiar o time que está ganhando? Que tá em 3º na tabela? Que tá brigando pelo título? Isso não. Como é que eu vou apoiar um torcedor que vaia por pura impaciência? Que acha que o Guilherme tem que fazer gol de placa todo jogo? Que vaia o treinador porque o Jadílson não agüenta voltar pra marcar? Que vaia o Paraná no primeiro jogo do ano - no primeiro jogo! - porque queria Apodi?

    Querer que a gente não seja contra este tipo de comportamento porque estamos ferindo a liberdade de expressão dos tropeiristas é como defender o motorista que avança o sinal vermelho porque ele tem o direito constitucional de ir e vir.

MINHA TRÉPLICA

  1. Carlos Eduardo escreveu:

    Pessoal o bom de escrever aqui são os debates. Bom só para esclarecer algo que vi em alguns comentários. Não quis criar uma divisão de renda entre os torcedores e dizer que uns são melhores do que os outros, quis sim ser irônico e mereço as críticas por isto, com as posturas que aparecem alguns comentários. Ou seja, quis dizer que tem-se um certo sentimento dos leitores aqui do Blog de que estes são mais torcedores do que os demais. Tanto é que utilizei também de forma irônica a idéia de torcedores superiores e inferiores. Bomalguns dos meus argumentos são repassados nos próprios comentários.Outra questão não tenho dúvida da manipulação da imprensa. Seja no futebol seja na política, leiam a cobertura do Estado de Minas nestes dois campos que Vocês perceberam, só tentei dizer que nem todos os problemas são culpa da mídia.
    No mais uma pena não ter podido responder antes, pois estava fora da cidade desde domingo a noite.



sábado, 11 de outubro de 2008

Repúdio aos ataques contra o Povo Quilombola

CARTA DE REPÚDIO AOS ATAQUES CONTRA O POVO QUILOMBOLA

O povo quilombola vem sofrendo graves ataques e perseguições das mais diversas formas, promovidos pelo Governo brasileiro que prioriza os interesses do Agro-hidronegócio que veio para massacrar os Povos e Populações Tradicionais, entre eles os Afro-descedentes . Através da Advocacia Geral da União (AGU) retiram direitos, afrontam o decreto 4887/2003, a convenção169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a serviço dos latifundiários e das grandes empresas Multi-Multinacionais.

Como se não bastasse a produção de eucaliptos nos estados de Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro; a produção de soja em vários estados brasileiros; a transposição das águas do Rio São Francisco; as construções de grandes barragens em vários estados brasileiros; a construção do gasoduto no Espírito Santo; concessão de terras para expansão do agro-negócio no Norte do Brasil e o descaso com os quilombolas da Marambaia-RJ e de Alcântara -MA. O decreto nº 4887/03, que trata da regulamentação das terras de Quilombos, está sendo atacado no Congresso Nacional pela bancada ruralista, representada pelo partido dos Democratas (Dem),numa Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), onde é defendida a necessidade de uma lei disciplinando o artigo 68 do ADCT e também representada pelo Deputado Federal do PMDB de Santa Catarina, Valdir Colatto, que entrou com o Projeto de Decreto Legislativo propondo a sustação do Decreto 4887/2003.

Este mesmo grupo também defende a não aplicabilidade da Convenção 169 da OIT que trata dos povos indígenas e tribais e são contrários a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, com texto que trata da regularização fundiária dos territórios de quilombos, ou seja, todos os instrumentos legais que beneficiam a nossa luta estão passando por um processo muito forte de perseguição. Na maioria dos Territórios Quilombolas a efetivação das políticas tão divulgadas no Programa Brasil Quilombola e, mais recentemente, na Agenda Social Quilombola, são uma precariedade a exemplo da saúde, educação, acessibilidade (estradas de acesso), geração de trabalho e renda, e principalmente a regularização dos territórios Quilombolas.

Para o Movimento Quilombola existem atualmente mais de 3.000 comunidades quilombola nos mais diversos processos. Desde a promulgação da Constituição federal em 1988, O Cadastro Geral de Remanescentes das Comunidades dos Quilombos – sob responsabilidade da Fundação Cultural Palmares, entidade vinculada ao Ministério da Cultura – registra a existência de apenas 1.228 comunidades quilombolas. Até junho de 2008, apenas 143 comunidades quilombolas haviam recebido o título de propriedade de seu território. Esse número representa apenas 12% do total de comunidades até agora catalogadas pela Fundação Cultural Palmares e nem 5% da totalidade estimada pelo movimento social, indicando que a atuação governamental ainda está muito aquém do necessário para garantir o direito à terra, previsto nos artigos 13 e 14 da Convenção -169 da OIT.

Com o argumento de defender a manutenção do decreto 4887/2003, o governo formou um grupo de trabalho para alterar a Instrução Normativa de Nº 20. De acordo com a Convenção 169 da OIT é obrigatória a consulta de boa fé aos quilombolas com o objetivo de haver consentimento, antes da efetivação de qualquer ação que venha a afetar seus espaços, suas culturas, seu modo de viver e fazer nos seus territórios. Ocorre que nunca fomos consultados sobre a maioria das ações acima mencionadas, com exceção da alteração da Instrução Normativa em que o governo ensaiou uma consulta que não podemos considerar legal, pois já recebemos o documento pronto e tivemos apenas três dias para ouvir a apresentação do documento pelo governo e colocar os nossos questionamentos.

Nesta consulta percebemos que as propostas de alteração dos artigos da IN retrocedem absurdamente quanto à efetivação dos direitos quilombolas. Por isso não houve consentimento da nossa parte na maioria das alterações e segundo o GT aquele documento seria encaminhado para o Presidente da República dar o veredicto final. Não entendemos como o governo estava tão preocupado e apressado em alterar a IN do Incra, pois a consulta foi realizada em abril de 2008 e só agora em 19 de setembro de 2008 teve a aprovação do presidente Lula. Mesmo assim, sem levar em consideração as nossas discordâncias, o que torna o documento ilegal, pois não houve acordo sobre a maioria dos pontos aprovados na alteração da IN 20.

Por entender que a nova IN fere profundamente os nossos direitos garantidos na convenção 169 da OIT - em especial o princípio da boa-fé, centrando fogo no recuo em relação ao conceito de território, auto-identificação, e supressão da competência do INCRA, previstas no decreto 4887/2003 - encaminhamos em 01 de setembro de 2008 uma comunicação à OIT manifestando a nossa insatisfação e sugerindo uma série de recomendações. O que mais chama a atenção é que todo esse retrocesso, com os argumentos de estar defendendo a manutenção do decreto 4887, não impediu a pressão da bancada ruralista para a aprovação dos projetos de lei e da ADIN, que continuam tramitando no Supremo Tribunal Federal, podendo ser votadas a qualquer momento.

Nós queremos apenas usufruir dos espaços que os nossos ancestrais conquistaram a custa do seu suor e do seu sangue derramado nas duras batalhas para defender um futuro digno para os seus descendentes. Diante do exposto, conclamamos a todos os segmentos defensores das causas dos oprimidos que apóiem a nossa luta nas reivindicações que se seguem:

- Que o Presidente da República respeite as posições dos quilombolas que rechaçaram as propostas de alterações feitas pelo governo. Para que a consulta fosse considerada de boa-fé, nos moldes da

OIT, somente os pontos consentidos pelos quilombolas deveriam ser alterados;

- A urgência na realização de uma audiência do Presidente Lula com reprentantantes da CONAQ e com as representações estaduais dos quilombolas, dando as condições necessárias para que haja de

fato a participação dos quilombolas, os maiores prejudicados;

- Aplicabilidade da Convenção 169 da OIT em todos os atos que causem impactos na vida dos quilombolas;

- A imediata aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, conforme a redação aprovada no Senado Federal;

- A manutenção da constitucionalidade do Decreto 4.887/2003;

- Que os Deputados, Senadores e o Supremo tribunal federal Rejeitem os Decretos Legislativos Nº 44/2007 do (Deputado Valdir Collato do PMDB SC) e ação de inconstitucionalidade (PFL atual

Democratas) contra o decreto 4887/2003;

- Que o Governo Federal acate as proposta apresentadas pelos quilombolas na alteração da IN 20/2005 do Incra apresentadas na Consulta Pública realizada em abril de 2008;

- Imediata agilidade nos processos de identificação, reconhecimento, demarcação e titulação dos Territórios Quilombolas;

- Desburocratização do acesso às políticas públicas, em especial às divulgadas na Agenda Social Quilombola e no Programa Brasil Quilombola, priorizando de fato as organizações quilombolas; e

- Que o governo priorize a criação de programa de estado, ao invés de programa de governo, que venha beneficiar os quilombolas.

9 de outubro de 2008

ASSINAM ESTE DOCUMENTO AS SEGUINTES ORGANIZAÇÕES E PESSOAS:

Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais

Agentes de Pastoral Negros do Brasil.

Associação Nacional de Ação Indigenista

Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Rio de Janeiro

Associação dos Agricultores e das Agricultoras Familiares do Sítio Poço Verde

Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais da Bahia

Associação Quilombola de Conceição das Crioulas

Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva

Centro de Cultura Luiz Freire

Coordenadoria Ecumênica de Serviço

Centro pelo Direito à Moradia Contra Despejos

Comissão Pró-Índio de São Paulo

Comunidade Ango Congolesa no Brasil

Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Mato Grosso do Sul

Federação das Associações das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio Grande do Sul.

Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais - N´golo

Grupo de Trabalho sobre Regularização de Territórios Quilombolas de Minas Gerais

Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombo

Justiça Global

KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço

Movimento Nacional de Direitos Humanos

Movimento Negro Unificado- Brasil

Movimento Negro Unificado - Maranhão

Movimento Negro Unificado de Santa Catarina

Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Sindicato dos Servidores Federais/ RS

Terra de Direitos

Pastor Ervino Schmidt - Presidente do CONIC-RS

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Vitória dos Sem Casas

Repasso com muita alegria a mensagem abaixo. Como diz um velho líder popular aqui do Mucuri Mineiro: No campo e nas cidades viva as lutas populares.

Suspensão do despejo da
Ocupação Navantino Alves
A Defensoria Estadual de Direitos Humanos, junto com a Defensoria Pública da União, conseguiu, mais uma vez, suspender o despejo forçado de dezenas de famílias da Ocupação Navantino Alves.
A Justiça Federal (12ª Vara) havia determinado o despejo imediato dos moradores sem direito a nada, nem mesmo à indenização pelas benfeitorias realizadas durante mais de 10 anos de ocupação.
Para evitar a consumação dessa ordem judicial, as Defensorias entraram com uma outra ação que levou à suspensão do processo principal.
A situação ainda é muito delicada porque a suspensão da reintegração de posse é provisória e o Estado de Minas Gerais se nega a garantir uma alternativa digna para os moradores.
Mesmo assim, essa grande vitória alivia temporariamente a situação das famílias que vivem há anos sob o manto da incerteza.
Cumpre-nos reconhecer o empenho e o compromisso das Defensorias com as demandas populares e parabenizá-las pelas sucessivas conquistas, mesmo diante de forças tão poderosas.
Pátria Livre! Poder Popular!
Belo Horizonte, 07 de Outubro 2008
Visite a Ocupação Navantino Alves
Av. Alfredo Balena, nº 596
Contatos:3213-2169/8836- 5772


sábado, 4 de outubro de 2008

Irmã Dorothy e a "mae dos problemas do Brasil"

Por Debora Lerrer

Em tempos em que as manchetes dos jornais são tomadas com a informação mal apurada de que o INCRA (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) é o responsável pela maior parte dos desmatamentos do país, foi um alívio a estréia do documentário “Mataram irmã Dorothy” (”They killed Sister Dorothy”, hoje, às 18:30h, no Cine Glória, e segunda-feira, às 22:15h, no Estação Barra Point 2) com debate mediado pelo ator Wagner Moura na terça, dia 30, no Festival de Cinema do Rio.

Alívio porque, enfim, um filme com informações sobre um tema que está selando o destino da Amazônia, fronteira agrícola disputada a ferro e fogo, obviamente sem o grande charme narrativo dos grandes westerns, que, afinal de contas, foi o jeito que os norte-americanos inventaram de celebrar a sangrenta conquista do Oeste deles. Infelizmente, no nosso caso, os esfarrapados sem-terra não são vistos como heróis nem são tão charmosos quanto os cowboys deles. Infelizmente, nossos heróis e heroínas, como irmã Dorothy, quando ficam conhecidos já é porque se tornaram mártires.

Além disso, seria pedir muito que o filme explicasse que os responsáveis diretos sobre essa realidade são oriundos do incensado “agronegócio” da soja e da carne, que junto com os minérios explorados pela privatizada Vale do Rio Doce são os atuais filões da carreira exportadora que o Brasil repete em maior ou menor grau desde 1500 na esteira das altas cotações do mercado mundial. Afinal, desde então, somos exportadores de matéria-prima e exploradores predatórios especializados em deixar à margem de seus surtos desenvolvimentistas uma imensa população de pobres agricultores humildes, freqüentemente obrigados a colocar a trouxa nas costas quando aparecem homens armados com falsos registros de cartório reivindicando a terra que em viviam desde sempre.

O interessante do filme é que sua história praticamente foi se desenrolando diante da própria equipe de filmagens, liderada pelo diretor norte-americano Daniel Junge, que não tinha idéia de qual ia ser o desfecho dessa trama. O diretor, que começou a filmar exatamente dez dias depois do assassinato, ao acompanhar o irmão de Dorothy em sua viagem para o Brasil, tinha intenção de não fazer um filme sobre uma santa e um bando de homens diabólicos, mas a força dos fatos que ele apura, incluindo-se memoráveis depoimentos dos advogados de defesa dos acusados, acaba depondo contra sua intenção. Isto porque a escandalosa impunidade e devastação retratada pelo filme, promovida por setores vinculados ao latifúndio, à monocultura e à escravidão continua a se reproduzir porque o Sul do país vive de costas e muito distante da Amazônia, como ilustrou comovente depoimento de uma participante do debate. É a desinformação e a falta de presença do Estado na região que permite que bandos de grileiros continuem a queimar a floresta para criar gado, repetindo um processo de ocupação de terras já denunciado no século XIX por figuras derrotadas da história como José Bonifácio e Joaquim Nabuco.

Continua

Irmã Dorothy e a “mãe dos problemas do Brasil” (continuação)

“Mataram irmã Dorothy”, inclusive, demonstra que tipo de gente hoje em dia anda esgrimindo o argumento da “soberania nacional ameaçada” quando se trata de terras indígenas, como a da Raposa Serra do Sol, e do engessamento do desenvolvimento, quando seus interesses são ameaçados pelas reivindicações de posse de quilombolas e caboclos ribeirinhos.

Mas foi no debate, mediado pelo ator Wagner Moura, que classificou a questão da terra como “a mãe dos problemas do Brasil”, onde surgiu à tona depoimentos reveladores dos mundos paralelos que hoje acossam os brasileiros. Uma estudante contou ter feito um estágio de seis meses na Amazônia, onde descobriu surpresa que se sentia mais estrangeira lá do que no exterior. Emocionada, contou a história de Bruna, colega que fez parte do mesmo programa, e que, já formada, decidiu viver na Amazônia para contribuir com os movimentos sociais, mas faleceu recentemente, aos 20 poucos anos, em um suspeito acidente de carro.

No entanto, foi talvez a questão de uma moça da Vila Penha, subúrbio do Rio, que trouxe mais para perto de todos os presentes a compreensão do que se passa na Amazônia e da própria vida de Dorothy. A moça perguntou aos participantes da mesa como continuar lutando quando se enfrenta uma realidade tão violenta como a de seu bairro, onde até a procissão da padroeira tem que ser em determinado horário por conta das ordens dos traficantes. Companheiro das lutas da irmã, o procurador da República Felício Pontes confessou que logo que soube do assassinato da freira - ocorrido no dia em que comemorava-se a criação de uma enorme reserva extrativista (Resex) na Terra do Meio, também no Pará - ele se sentiu tão impotente que achou que não adiantava mais fazer nada. Logo que chegou a Anapu, para o enterro, foi cercado e abraçado pelos agricultores do projeto de desenvolvimento sustentável (PDS), cujas terras custaram a vida de Dorothy. Nesse momento o procurador percebeu que ali estava a energia para ir adiante. Todos ali estavam dispostos a continuar lutando até o fim. Afinal, agora iam ter que matar todos para lhes tomar aquela terra. Um sentimento que só sente quem tem a experiência de participar de um desses combates, geralmente deflagrados sem grandes repercussões, mas que vão delineando o destino da humanidade e deste planeta. Em suma, um sentimento compartilhado por pessoas que tiram grande parte de sua satisfação emocional do fato de se sentirem atores de lutas, às vezes derrotadas, às vezes vitoriosas, mas que implicam a escolha de caminhos voltados para a emancipação humana e não para o lucro individual. Daí talvez venham os laços duráveis de amizade e solidariedade e que, em si, sempre valem a pena cultivar contras as almas que insistem em ficar pequenas.

O mercado criminoso no sentido literal

Uma visão por outro ângulo da crise financeira.

Do Observatório da Imprensa

A crise e o crime organizado


Por Luciano Martins Costa em 3/10/2008

Citado de passagem, como curiosidade, na imprensa de todo o mundo, o cineasta Michael Moore coloca em pauta uma expressão que deveria estar obrigatoriamente vinculada à atual crise financeira: o crime corporativo.

Moore, que se tornou uma das mais rombudas pedras no sapato do governo Bush com seus documentários extremamente populares, declarou, em artigo publicado no site Znet, que a proposta de ajuda aos bancos à beira da falência corresponde ao crime corporativo do século.

Descontadas as aleivosias do documentarista, que costuma transitar por teorias conspiratórias mais ou menos verossímeis, convém anotar que ele toca num ponto até aqui ignorado pela imprensa: quanto da crise financeira atual se deve a ações criminosas?

Dinheiro limpo

Sabe-se, de acordo com estudos da ONU, que o crime organizado movimenta anualmente cerca de 2 trilhões de dólares. Sabe-se também que, desse total, nada menos do que 1 trilhão e 400 bilhões circulam todos os anos pelo sistema financeiro internacional.

A pergunta que a imprensa ainda não fez: quanto da crise financeira, cujo custo está sendo repassado aos cidadãos, foi produzido pelo dinheiro de mafiosos que é lavado em investimentos de alto risco?

Segundo a ONU, a receita do crime organizado inclui 1 trilhão de dólares da corrupção, entre 300 bilhões e 400 bilhões de dólares do tráfico de drogas e outros 300 bilhões a 400 bilhões de dólares do contrabando de armas.

Esse dinheiro, além da receita do tráfico humano, roubo de cargas e outras atividades criminosas, não desaparece no ar.

Passa pelo sistema financeiro e ressurge, limpo, para ser investido dentro da lei.

Causas profundas

Quando o dinheiro do crime organizado circula pelo sistema financeiro, ele passa a ser objeto de crime corporativo, pois esse recurso entra no mercado em condições privilegiadas de competição contra o patrimônio dos investidores honestos, cuja receita tem certidão de nascimento.

A imprensa nunca tratou desse assunto com profundidade.

Talvez esteja na hora de um exame mais completo dessa crise, cujas causas são muito mais profundas do que os excessos na concessão de créditos para moradias.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Tom Bradeley: um prefeito afro-americano

Thomas J. "Tom" Bradley (29 de dezembro de 1917 - 29 de setembro de 1998) foi cinco vezes eleito prefeito de Los Angeles na California, no periodo de 1973-1993. Foi o primeiro e até agora o único prefeito negro de Los Angeles. Seus 20 anos na prefeitura marca a mais longa duração de um prefeito na história da cidade. Sua eleição 1973 fez dele o segundo afro-americano a ser eleito prefeito de uma grande cidade. O primeiro foi Carl Stokes de Cleveland, Ohio, que foi eleito em 1967.

Bradley sem sucesso concorreu para governador da Califórnia, em 1982 e 1986, tendo sido derrotado pelo republicano George Deukmejian. Além de respeitado prefeito de LA foi a vitima mais famosa do racismo americano, mesmo concorrendo no ultra-liberal estado da California. Sua derrota foi alvo de dezenas de estudos sociológicos e de cientistas políticos, tornando famosa a expressão "o efeito Bradley" para explicar sua derrota em 1982 para o governo da California. De forma resumida trata-se da seguinte história: todas as pesquisas apontavam uma vitória relativamente fácil para Bradeley, a sua vantagem as vezes chegava a dois digitos, mesmo na boca de urna sua vitória era garantida frente do oponente republicano. Quando se abriram as urnas seu oponente saiu vencedor e com uma margem de 1,5% de votos de vantagem. A explicação que se tornou clebre na expressão efeito bradeley trata-se do seguinte alguns norte-americanos pós anos 60 sentem vergonha de se assumirem racistas ainda que os sejam, assim quando perguntados em pesquisa tenderiam a informar seu voto ao candidato afro-americano ainda que em seu intimo tenha já firmado voto no oponente branco.

Um pouco mais da história de Bradeley

Tom Bradley nasceu no Texas. Bradley era um filho de um trabalhador rural nas fazendas de algodão e neto de ex-escravos. A família mudou-se para o Arizona onde jovem Tom ajudou a família nas plantações de algodão. Em 1924, a família se mudou para Los Angeles. Seu pai era trabalhador da ferrovia Santa Fé. Sua mãe trabalhava como faxineira. O Bradleys eram divorciados e a família participava de assistência pública. Bradley estudou em escolas públicas e tinha um futuro promissor em alguma faculdade mas era tambem um bom esportista o que lhe valeu uma bolsa no Politécnico High School, em Los Angeles, uma grande escola branca.

A política

Sua entrada na vida política se deveu Crenshaw Democratic Club. O clube era parte do Conselho Democrático da Califórnia um grupo reformista e liberal organizado nos anos 50 por parte de jovens democratas nas campanhas presidenciais de Adlai E. Stevenson. Trata-se de um grupo predominantemente branco e tinha muitos membros judaicos, marcando assim o início da coligação, que, juntamente com os latinos, iria leva-lo a vitória eleitoral tantas vezes.

Ele serviu em Los Angeles City Council de 1963 a 1972 (Camâra Municipal) em 1963 juntamente com Billy G. Mills, se tornariam os primeiros Afro-americanos eleitos para a Câmara Municipal . Seu 10o distrito compreendia a área multi-étnica de Crenshaw, a maioria dos eleitores eram brancos. Durante seu mandato, pronunciou-se contra a segregação racial no seio da Polícia, bem como contra a manipulação e violencia contra os negros nos tumultos de 1965.

Em 1969, Bradley desafiou Yorty Sam, um democrata conservador (mais tarde republicano), pela indicação partidária. Apesar de uma boa verve politica e discurso sofreu uma campanha racista de seu colega de partido e oponente das primárias. Yorty questionou a credibilidade de Bradeley na luta contra o crime e pintou um retrato de seu colega democrata, como uma ameaça para Los Angeles, porque ele supostamente iria abrir-se a cidade para os Negros Nacionalistas. (uma das facçoes do Black Phanthers e dos negors islâmicos) Bradley era apesar de tudo um agente da polícia. Com o fator racial muitos eleitores hesitaram em apoiar Bradley.

No entanto 04 anos mais tarde ele seria eleito prefeito entre seus efeitos esta a organização dos jogos olímpicos de 1984, além disso ajudou no sucesso financeiro da cidade. Bradley foi um impulsionador do trem metropolitano além de comandar a expansão do Aeroporto Internacional de Los Angeles que mais tarde recebeu seu nome: Tom Bradley Internacional Terminal em sua homenagem.

Sua importância foi tamanha que recebeu um convite para ser ministro no governo democrata de Jimmy Carter cargo esse que ele não aceitou para permanecer no cargo de prefeito. ALém disso em 1984 foi um dos finalistas para o cargo de vice-presidente na chapa democrática comandada por Walter Mondale.

Durante a maior parte do tempo de sua administração, a cidade o apoiou. Mas no seu quarto mandato, o congestionamento do tráfego, a poluição do ar, o estado da baia de Santa Monica o própiro crescimento dos bairros residenciais e comerciais. Além disso Bradeley mudou de posição e começou a apoiar a exploração petrolifera na baia da cidade, por fim ele se recusou a condenar os discursos de Louis Farrakhan, o ministro muçulmano e lider dos panteras negras no início dos anos 90, quando este fez discursos em Los Angeles e da população que muitos consideravam anti -Semitas.

Enfim um político coerente do início ao fim. Após sair da prefeitura trabalhou na advocácia ate 1996 quando sofreu uma parada cardiáca seguida de um acidente vascular cerebral que lhe prejudicou a fala até o fim de sua vida cerca de 02 anos após esses incidentes aos 80 anos.

Quilombolas do Pará Protestam: nossos direitos não são respeitados!


Abaixo resumo do documento final da assembléia geral da Malungu - Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará


Ocorrida em Belém nos dias 29 e 30 de setembro, denuncia que o governo federal não respeita os direitos assegurados aos quilombolas na Constituição Federal e na Convenção 169 da OIT.

Na nota, a Malungu protesta contra o desrespeito ao direito de consulta prévia e denuncia que a consulta convocada pela Advocacia Geral da União em abril de 2008 não ocorreu conforme disposto na Convenção 169.

Denuncia também que não foi realizada consulta prévia no processo de concessão florestal para exploração da Floresta Nacional Saracá Taquera (em Oriximiná), em território onde vivem 12 comunidades quilombolas.

Protesta contra a nova instrução normativa do Incra alegando que ela desrespeita os direitos dos quilombolas a autoidentificação e a garantia aos seus territórios enquanto totalidade do habitat utilizado pelas comunidades.

E denuncia ainda a paralisação dos processos de titulação afirmando que mais da metade 46 processos em tramitação nas Superintendências do Incra de Belém e Santarém não foi alvo de qualquer medida administrativa.

Confira a nota em anexo.

Saiba mais sobre os quilombolas do Pará em:

www.cpisp.org.br/comunidades/html/i_brasil_pa.html

www.quilombo.org.br

COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO DE SÃO PAULO

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sobre essa farsa chamada eleições municipais

E-mail a uma amiga:
Mando para Ti que tem a sorte de não ser obrigado a participar dessa canalhice.
Sinceramente ainda não consegui escrever nada sobre essa farsa chamada eleições municipais aqui de BH. Estou agora a tentar mas em vão... Só espero que a Jô chegue pelo menos ao segundo turno.
Por fim só deixo aqui registrado que pela coerência, pela seriedade, pela dignidade e pela honradez política Voto Sérgio Miranda, eu Voto 12.

Continuo fiel a bandeira vermelha socialista, aquela que não se submete a nenhum partido brasileiro que afinal não a dignifica:

”De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da Terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé não mais senhores!
Se nada somos, em tal mundo,
Sejamos todos produtores!

(Coro)
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional!

Senhores, patrões e chefes supremos,
nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra-mãe livre e comum!

Para não ter protestos vãos,
para sair deste antro estreito,
façamos nós, por nossas mãos,
tudo o que a nós nos diz respeito!

(Coro)
Bem unidos ...

O crime de rico a lei encobre,
O Estado esmaga o oprimido:
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

(Coro)
Bem unidos ...

Abomináveis na grandeza,
Os reis das minas e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha.
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu.

(Coro)
Bem unidos ...

Nós fomos de fumo embriagados.
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos trabalhadores!
Se a raça vil cheia de galas
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

(Coro)
Bem unidos ...

Somos o povo dos ativos,
Trabalhador, forte e fecundo.
Pertence a terra aos produtivos:
Ó parasita, deixa o mundo!
Ó parasita, que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres,
Não deixa o Sol de fulgurar!
(Coro)